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Período Monárquico

Uma Cronologia Sumária do Golpe

Publicado em 22 de junho de 2025

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Uma Cronologia Sumária do Golpe

Em 31 de março de 1964, o Brasil viveu um dos momentos mais controversos e marcantes de sua história contemporânea: o golpe militar que depôs o presidente João Goulart e iniciou um regime que duraria 21 anos. Este artigo apresenta uma cronologia sumária do golpe, contextualizando os acontecimentos políticos, econômicos e sociais que levaram ao 31 de março, o desenrolar dos fatos e as consequências imediatas e de longo prazo para a nação.

Para compreender melhor o período, vale revisitar a História Contemporânea do Brasil (c. 1800 – presente), que oferece uma visão ampla da formação republicana até os dias atuais.

O Contexto Político e Econômico dos Anos Anteriores

O Brasil dos anos 1950 e início dos 1960 era um país em acelerada transformação. O governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), cujo perfil você pode conhecer melhor na página dedicada a Juscelino Kubitschek, marcou a era do “cinquenta anos em cinco”, com a construção de Brasília, forte industrialização e otimismo desenvolvimentista. No entanto, o crescimento veio acompanhado de inflação crescente e desequilíbrios econômicos.

O breve governo de Jânio Quadros (1961), explorado em Jânio Quadros, terminou de forma abrupta com sua renúncia, abrindo caminho para a posse de João Goulart, vice-presidente com perfil mais à esquerda. A resistência de setores conservadores e militares à posse de Jango já revelava as profundas divisões políticas que marcariam a década.

A instabilidade política se intensificou durante o governo Goulart. Reformas de base (agrária, urbana, educacional e fiscal), nacionalismo econômico e aproximação com setores de esquerda geraram forte oposição por parte de elites rurais, industriais, Igreja conservadora, imprensa tradicional e, sobretudo, das Forças Armadas.

O Brasil não tem povo, como sugere o artigo O Brasil não tem povo, reflete o debate sobre como as massas eram mobilizadas ou manipuladas nesse período de polarização crescente.

A Crise que Levou ao Golpe

Entre 1963 e 1964, a crise econômica se aprofundou: inflação galopante, déficit público, greves frequentes e queda no crescimento. Jango tentava implementar as Reformas de Base, mas enfrentava forte resistência no Congresso. O comício da Central do Brasil, em 13 de março de 1964, no qual o presidente anunciou medidas radicais e defendeu a reforma agrária, foi interpretado por muitos como um ponto sem retorno.

A reação não tardou. No dia 19 de março, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em São Paulo, reuniu centenas de milhares de pessoas contra o que chamavam de “ameaça comunista”. Esse movimento foi fundamental para criar o clima de apoio popular ao golpe que viria dias depois.

Para entender melhor o ambiente da época, leia também A Crise Política da Oligarquia Paulista e O Fim do Estado Novo e o Início do Período Democrático (1945-1964).

A Cronologia dos Dias Decisivos (Março e Abril de 1964)

  • 13 de março de 1964: Comício da Central do Brasil. João Goulart anuncia as reformas de base.
  • 19 de março de 1964: Marcha da Família com Deus pela Liberdade em São Paulo.
  • 30 de março de 1964: Discurso de Jango no Automóvel Clube do Rio de Janeiro, dirigido especialmente aos sargentos. Para muitos historiadores, este foi o estopim definitivo.
  • 31 de março de 1964: Início do movimento militar. O general Olymio Mourão Filho, comandante do 4º Exército sediado em Juiz de Fora (MG), lança o manifesto contra o governo e inicia a marcha rumo ao Rio de Janeiro. Outros generais, como Costa e Silva, logo aderem.

No dia 1º de abril, o presidente João Goulart, sem apoio suficiente das Forças Armadas e temendo um banho de sangue, deixa o Rio de Janeiro e segue para Porto Alegre. No mesmo dia, o Congresso Nacional declara vaga a Presidência da República, uma manobra jurídica controversa. Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados, assume interinamente.

A cronologia detalhada desses dias turbulentos pode ser aprofundada na página específica Uma Cronologia Sumária do Golpe, que complementa este artigo com mais datas e documentos.

A Instalação do Regime Militar

Com o golpe consolidado, os militares assumiram o poder. O primeiro ato institucional importante foi o Ato Institucional nº 1 (AI-1), de 9 de abril de 1964, que permitiu cassações de mandatos, suspensões de direitos políticos e intervenção federal nos estados. Milhares de pessoas foram atingidas, incluindo governadores, deputados, senadores, sindicalistas e intelectuais.

Humberto Castello Branco tornou-se o primeiro presidente do regime militar (1964-1967). Seu governo buscou estabilizar a economia com o Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG), combatendo a inflação e promovendo reformas administrativas. Para conhecer melhor o perfil do marechal que comandou a transição, acesse Humberto Castello Branco.

Em seguida, veio o governo de Artur da Costa e Silva (1967-1969), marcado pela promulgação da Constituição de 1967 e, posteriormente, pelo AI-5 (1968), que representou o endurecimento máximo do regime, com fechamento do Congresso, censura pesada e aumento da repressão.

Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) presidiu o chamado “Milagre Econômico”, período de forte crescimento, obras de infraestrutura e internacionalização da economia, mas também de maior violência da repressão política, com atuação intensa dos órgãos de segurança. Leia mais sobre ele em Emílio Garrastazu Médici.

O período seguinte foi o de Ernesto Geisel (1974-1979), que iniciou o processo de distensão lenta, gradual e segura, ainda sob forte controle militar. Geisel enfrentou resistências internas ao processo de abertura. Conheça melhor este momento em O Período de Abertura Política.

Por fim, João Figueiredo (1979-1985) conduziu a redemocratização, com a anistia política (1979), o retorno dos exilados, o pluripartidarismo e as eleições diretas para governadores em 1982. O regime militar chegava ao fim com a vitória da oposição no Colégio Eleitoral em 1985, elegendo Tancredo Neves (que faleceu antes da posse) e tendo José Sarney como primeiro presidente civil após o golpe.

A Ditadura Militar e Suas Contradições

O regime de 1964-1985, frequentemente chamado de A Ditadura Militar ou Regime de 1964, apresentou características ambíguas. Por um lado, promoveu modernização conservadora, crescimento econômico em certos períodos, integração nacional através de grandes obras (Transamazônica, Itaipu, Ponte Rio-Niterói) e combate à inflação em fases específicas. Por outro, restringiu liberdades democráticas, praticou censura, tortura e desaparecimentos políticos.

Muitos analistas destacam que o golpe contou com apoio significativo de setores da sociedade civil no início, especialmente classes médias urbanas temerosas do comunismo em plena Guerra Fria. Para contextualizar o cenário internacional, consulte Guerra Fria (1947-1991).

No entanto, ao longo dos anos, o apoio popular diminuiu diante da repressão e das crises econômicas dos anos 1980.

Legado e Debates Históricos

Mais de seis décadas depois, o 31 de março de 1964 continua gerando intensos debates. Para alguns, representou a salvação do país de uma suposta ameaça comunista. Para outros, foi uma interrupção violenta da democracia, com custos altos em termos de direitos humanos.

O tema aparece frequentemente em discussões sobre Polarizações Perversas – De Volta ao Início, especialmente quando comparamos com crises políticas mais recentes, como o impeachment de Dilma Rousseff ou os governos posteriores.

Para quem deseja estudar os presidentes que sucederam o golpe, vale ler as páginas individuais:

  • João Goulart
  • Ranieri Mazzilli
  • Pedro Aleixo
  • Junta Governativa Provisória de 1969
  • Artur da Costa e Silva
  • Emílio Garrastazu Médici
  • Ernesto Geisel
  • João Figueiredo

Do Golpe de 1964 à Redemocratização

A transição para a democracia culminou na Constituição de 1988, conhecida como “Constituição Cidadã”. O processo de abertura política, apesar de controlado, permitiu a volta gradual das liberdades. Eventos como as Eleições de 1989, a primeira direta para presidente após o regime militar, marcaram o retorno pleno à democracia. Veja mais em As Eleições de 1989.

Posteriormente, o país viveu momentos turbulentos como o Plano Collor, o impeachment de Fernando Collor, a estabilidade trazida pelo Plano Real sob Fernando Henrique Cardoso, os governos de Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.

Cada um desses períodos pode ser melhor compreendido ao ler as páginas específicas disponíveis no site.

Perguntas Frequentes sobre o Golpe de 1964

1. O que foi exatamente o Golpe de 1964?
Foi o movimento militar iniciado em 31 de março de 1964 que depôs o presidente João Goulart e instalou um regime autoritário que durou até 1985.

2. Quais foram as principais causas do golpe?
Combinação de crise econômica, polarização ideológica na Guerra Fria, medo de reformas radicais, instabilidade política e mobilização de setores conservadores da sociedade.

3. O golpe teve apoio popular?
Sim, especialmente no início. A Marcha da Família com Deus pela Liberdade demonstrou apoio significativo de parte da população urbana de classe média.

4. Quantos presidentes militares governaram o Brasil?
Cinco: Humberto Castello Branco, Artur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo.

5. O que foi o AI-5?
O Ato Institucional nº 5, de dezembro de 1968, foi o instrumento mais repressivo do regime, que permitiu o fechamento do Congresso, censura e suspensão de direitos.

6. Quando o Brasil voltou à democracia?
O processo de abertura começou nos anos 1970 e se consolidou com a eleição indireta de Tancredo Neves em 1985 e a promulgação da Constituição de 1988.

A cronologia sumária do golpe de 1964 revela um Brasil dividido, marcado por tensões entre desenvolvimento e autoritarismo, entre reformas sociais e estabilidade institucional. Compreender esse período é essencial para entender as raízes de muitas polarizações que ainda ecoam na sociedade brasileira contemporânea.

Se você quer mergulhar mais fundo na história do Brasil, explore também temas fundamentais como O Segundo Reinado no Brasil – D. Pedro II, A República do Café com Leite, A Revolução de 1930 e a Segunda República e O Estado Novo.

Quer continuar aprendendo sobre a formação do Brasil moderno? Acesse agora a seção completa de História Contemporânea do Brasil e descubra como os eventos do passado moldam nosso presente.

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