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Presidentes

Ranieri Mazzilli

Publicado em 13 de novembro de 2025

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Ranieri Mazzilli

De 2 a 15 de abril de 1964 e de 26 de agosto a 31 de agosto de 1964 – apenas 28 dias no total. Ranieri Mazzilli é, sem dúvida, um dos presidentes mais esquecidos da história brasileira. Mas será que ele foi apenas um “tampão”? Ou será que, nos bastidores, desempenhou um papel decisivo num dos momentos mais dramáticos do século XX no Brasil?

Quem foi Ranieri Mazzilli?

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Paschoal Ranieri Mazzilli nasceu em Caconde, interior de São Paulo, a 27 de abril de 1910. Advogado, formado pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (a mesma de Prudente de Morais, Campos Sales e tantos outros gigantes da política brasileira), entrou cedo na vida pública.

Filiado ao PSD (Partido Social Democrático), foi deputado estadual, deputado federal por sete legislaturas consecutivas e, por duas vezes, presidente da Câmara dos Deputados (1958-1965). Era o típico político de carreira discreto, conciliador, com fama de “homem de diálogo”. Ninguém imaginava que ele entraria para a história como o presidente civil que abriu e fechou a porta do regime militar de 1964.

“Eu não queria ser presidente. Fui colocado lá pela Constituição.”
— Ranieri Mazzilli (em entrevista anos depois)

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Quando João Goulart deixou o país na madrugada de 2 de abril de 1964, o Brasil ficou sem presidente da República. A linha sucessória constitucional previa que, na ausência do presidente e do vice (que estava em viagem à China), o cargo seria ocupado pelo presidente da Câmara.

Às 4h da manhã, militares do IPM (Inquérito Policial Militar) bateram na porta de Mazzilli em São Paulo. Ele foi levado de avião ao Rio de Janeiro e tomou posse ainda de pijama, segundo relatos da época. Era o início do que seria chamado de “Revolução de 1964”.

Nos primeiros dias, Mazzilli tentou exercer o cargo. Assinou atos, recebeu embaixadores, fez pronunciamentos. Mas, na prática, quem mandava eram os generais. O Comando Supremo da Revolução, formado por Costa e Silva, Artur da Costa e Silva e outros, editava os famosos “Atos Institucionais” por cima da cabeça do presidente interino.

No dia 11 de abril, o Congresso (já cassado de vários parlamentares) elegeu o marechal Humberto Castello Branco presidente. No dia 15, Mazzilli passou a faixa – e voltou para casa. Treze dias de governo.

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O segundo mandato de Mazzilli é ainda mais surreal.

Castello Branco sofreu um acidente de avião em Fortaleza no dia 25 de agosto. Por algumas horas, ninguém sabia se ele estava vivo. Mais uma vez, a Constituição foi acionada: Ranieri Mazzilli assumiu novamente.

Castello sobreviveu. No dia 31 de agosto, voltou ao trabalho. Mazzilli devolveu o cargo. Foram apenas cinco dias – mas suficientes para ele se tornar o único homem na história brasileira a ser presidente duas vezes sem nunca ter sido eleito para o cargo.

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Há quem diga que Mazzilli foi conivente com o golpe. Afinal, ele aceitou os dois cargos sem resistência, assinou atos que legitimavam os militares e nunca protestou publicamente.

Outros defendem que ele foi apenas um “fantoche útil”: um civil de centro-direita que dava aparência de legalidade ao movimento militar. Como presidente da Câmara por sete anos, conhecia todo mundo – e todo mundo o respeitava. Era o homem perfeito para a transição.

A verdade provavelmente está no meio. Mazzilli era conservador, anticomunista convicto e amigo pessoal de muitos dos generais. Mas também era um parlamentar à moda antiga, que acreditava na instituição do Congresso. Nos anos seguintes, votou contra o AI-5 (1968) – um dos poucos udenistas que o fizeram.

Depois de 1965, Mazzilli voltou à Câmara como simples deputado. Tentou o Senado em 1970, mas perdeu. Afastou-se gradualmente da política. Morreu em 22 de abril de 1987, aos 76 anos, em São Paulo, quase esquecido.

Hoje, seu nome aparece em placas de rua, escolas e rodovias – mas poucos sabem quem foi.

Porque ele simboliza um Brasil que desapareceu: o da política conciliatória, do parlamentarismo branco, da transição pela Constituição mesmo em tempos de ruptura. Ele foi o “presidente civil” que abriu e fechou a porta do regime militar – sem querer entrar.

Num país que adora heróis e vilões, Mazzilli é o anti-herói perfeito: nem golpista, nem vítima; nem revolucionário, nem reacionário. Apenas um homem comum colocado no centro do furacão.

Perguntas Frequentes sobre Ranieri Mazzilli

Ranieri Mazzilli foi presidente eleito?

Não. Ele assumiu interinamente duas vezes por ser presidente da Câmara dos Deputados.

Quantos dias ele governou o Brasil no total?

28 dias (13 + 5).

Ele apoiou o golpe de 1964?

Nunca se declarou publicamente favorável ao golpe, mas também nunca se opôs. Aceitou os cargos e assinou todos os atos que lhe foram colocados à frente.

Por que ele é tão pouco conhecido?

Porque não deixou obra, não fez discursos históricos, não entrou em conflito aberto com ninguém. Foi o “presidente invisível”.

Existe alguma estátua ou grande homenagem a ele?

Não. A maior homenagem é a Rodovia Ranieri Mazzilli (SP-351), entre Campinas e Artur Nogueira.

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