PUBLICIDADE
Cidades do Brasil

Viçosa (MG)

Publicado em 04 de julho de 2026

COMPARTILHE:
Viçosa (MG)

Viçosa é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se na Zona da Mata Mineira, estando situado a cerca de 230 km a sudeste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente 300 km², sendo que 18 km² estão em área urbana, e sua população foi estimada em 79 517 habitantes em 2025.

A colonização da região teve início no século XVIII, sendo intensificada no decorrer do século XIX, associada ao ciclo do ouro em Ouro Preto e Mariana, que influenciou o estabelecimento dos primeiros moradores na localidade chamada inicialmente de "Santa Rita". O município foi emancipado em 1871, em um contexto de ascensão da produção de café. Na década seguinte, Viçosa passou a ser atendida pela Estrada de Ferro Leopoldina, que também beneficiou a economia e o crescimento da cidade.

Em 1926, foi inaugurada pelo então presidente da República, Artur Bernardes, nascido na cidade, a Universidade Federal de Viçosa (UFV). A presença do campus direcionou a dinâmica econômica, o crescimento urbano e a inserção do município como cidade universitária, principalmente a partir da década de 1970. Nessa época, com a expansão da universidade e das vagas para estudantes, seguiu-se um súbito aumento da população urbana e das atividades econômicas associadas.

Trata-se, assim, de uma cidade essencialmente vocacionada para a educação, sobretudo devido ao campus da Universidade Federal de Viçosa. Entretanto, conta ainda com outras instituições de ensino superior privadas, acentuando ainda mais o caráter educacional do município. Eventos científico-acadêmicos são responsáveis por atrair frequentadores de outras partes do Brasil e de outros países. Além disso, Viçosa é reconhecida como a "capital estadual do doce de leite".

História

Exploração da região

A região pertencente ao atual município de Viçosa era habitada originalmente por povos puris. A exploração e ocupação da Zona da Mata Mineira por forasteiros era desencorajada pela Coroa Portuguesa no período colonial, a fim de evitar o surgimento de rotas alternativas para o escoamento da produção de ouro de Minas Gerais que não fosse pela Estrada Real. Para isso, diziam que os indígenas eram selvagens, como forma de provocar medo em quem quisesse passar pela área. Contudo, o relevo acidentado e as florestas densas também foram impedimentos.

Um dos primeiros forasteiros a explorar a região do baixo Piranga foi Antônio Rodrigues Arzão, que saiu de Taubaté em 1693 em busca de novas reservas de ouro. Posteriormente, a área foi frequentada pelo seu concunhado Bartolomeu Bueno de Siqueira, também à procura de metais preciosos e ainda de indígenas. Contudo, a atual região norte da Zona da Mata, incluindo Viçosa, passou a ser povoada por colonos através de incentivos do governador da capitania de Minas Gerais, que começou a distribuir sesmarias destinadas à busca do ouro na região em 1745. Quanto aos nativos, diferentes decretos foram feitos permitindo que se tornassem submissos.

Começo do povoamento e emancipação

Em Viçosa, 144 sesmarias foram doadas no entorno do rio Turvo Limpo até 1825, sendo que 90% das terras já haviam sido doadas em 1799. Entretanto, a ocupação começou lenta, devido ao relevo e à vegetação densa. Em 8 de março de 1800, Dom Frei Cipriano de São José, bispo da Arquidiocese de Mariana, autorizou a construção de uma capela dedicada a Santa Rita de Cássia, obra que ficou a cargo do padre Francisco José da Silva. Essa veio a se tornar, depois, a Capela Nosso Senhor dos Passos. Em 1805, capitão Manoel Cardoso Machado e dona Ana Joaquina de Fraga doaram terras próximas ao ribeirão São Bartolomeu à igreja local, o que favoreceu a formação do núcleo habitacional que viria a originar a cidade. O local ficou conhecido como Santa Rita, nome da padroeira.

Os primeiros moradores eram, em sua maioria, famílias que não obtiveram sucesso no ciclo do ouro em Ouro Preto e Mariana. Eles praticavam a agricultura de subsistência, porém exportavam parte da produção para as áreas de mineração. Em 1813, foi construída uma nova igreja, dessa vez onde atualmente é o Centro de Viçosa. Esse novo local, mais plano, permitiu o surgimento de uma praça, onde eram realizadas festas religiosas. Em seguida, a morte de padre Castro, em 1819, fez com que suas terras (situadas a cerca de 500 metros do templo) fossem parceladas e repassadas a seus herdeiros ou vendidas a forasteiros. Uma terceira igreja, maior, também no Centro de Viçosa, começou a ser construída na década de 1850, ao lado de onde atualmente se encontra a Praça Silviano Brandão. Isso incentivou o estabelecimento de moradores ao redor.

Enquanto o novo templo foi batizado em honra a Santa Rita de Cássia, o anterior foi dedicado a Nossa Senhora do Rosário. Com isso, a cidade continuou a se desenvolver ao redor de três igrejas: de Nosso Senhor dos Passos, de Nossa Senhora do Rosário e de Santa Rita de Cássia (Matriz). Ao mesmo tempo, o cultivo do café beneficiava a localidade e incentivava o crescimento populacional. Nesse contexto, o município se emancipou pela lei provincial nº 1.817 de 30 de setembro de 1871, com terras desmembradas de Mariana, Ubá e Ponte Nova. Foi reconhecido como cidade pela lei provincial n° 2.216 de 3 de junho de 1876. Após emancipado, recebeu o nome de "Viçosa de Santa Rita", posteriormente simplificado para "Viçosa", em homenagem ao bispo de Mariana Dom Antônio Ferreira Viçoso.

Crescimento econômico e Estrada de Ferro Leopoldina

Em 1872, foi autorizada a construção da Estrada de Ferro Leopoldina, no intuito de escoar a produção de café da Zona da Mata Mineira ao Rio de Janeiro. A via férrea passou a atender Viçosa no final de 1885, ocasião em que a cafeicultura estava em ascensão no município. A primeira estação da localidade, chamada de Estação da Violeira ou Estação Velha, estava situada a seis quilômetros do atual Centro de Viçosa.

A ferrovia favoreceu o escoamento da produção local, cujo sucesso dava sequência ao acréscimo populacional, além de gerar vetores de crescimento urbano em seu curso. Nesse ínterim, outros setores que estavam em alta eram a indústria têxtil e o comércio. Há de se ressaltar a chegada de imigrantes italianos e libaneses no começo do século XX, cuja vinda ao Brasil estava sendo incentivada pelo governo nesse período, sendo empregados sobretudo em fábricas e no comércio.

Em 1900, começou a ser aberta a Avenida Santa Rita, primeira intervenção pública de grande porte na malha urbana da cidade. Também nos primeiros anos do século XX começou a ser construída uma nova Igreja Matriz, o atual Santuário Santa Rita de Cássia, enquanto que a Praça Silviano Brandão, à frente do templo, veio a ser inaugurada em 1915. Em 1908 foi fundada a Casa de Caridade de Viçosa, que hoje é o Hospital São Sebastião (em um primeiro momento instalado à Avenida Bueno Brandão, só mudando para o atual local à Rua Tenente Kummel, com o término da construção do edifício em 1930).

Data de 1914 a inauguração das estações Central e Silvestre, após uma alteração no traçado da ferrovia que levou o trem a passar pelo distrito e pelo Centro de Viçosa, culminando na desativação da antiga Estação da Violeira em 1912. Já em 1916, a população era de cerca de 2 mil habitantes. No fim dessa década, a cafeicultura entrou em declínio, ao passo que estavam em ascensão o cultivo da cana-de-açúcar e a agropecuária. Aproveitando o trajeto da Estrada de Ferro Leopoldina pelo Centro, ao lado da via férrea começou a ser construída, em 1919, a Avenida Bueno Brandão, margeada por balaustres e sobrados imponentes.

Também no início do século XX desponta em Viçosa a figura de Artur Bernardes, nascido no município em 8 de agosto de 1875. Atuou em diversas funções, como contador, revisor de jornal, professor e advogado, tendo ascendido na política local sob influência de seu sogro, o senador Carlos Vaz de Melo. Bernardes foi eleito então vereador, tendo sido presidente da Câmara Municipal de Viçosa, antes de ser deputado estadual, secretário estadual de finanças na gestão de Delfim Moreira e deputado federal. Posteriormente, o viçosense foi presidente de Minas Gerais de 1918 a 1922, até ser eleito o 12º Presidente do Brasil, exercendo a presidência de 1922 a 1926. De 1927 a 1930, foi ainda senador por Minas Gerais.

ESAV, UREMG e configuração administrativa

Devido ao baixo desenvolvimento da região, a Zona da Mata Mineira foi escolhida para sediar a Escola Superior de Agricultura e Veterinária (ESAV), cuja criação foi autorizada pela lei nº 761 de 6 de setembro de 1920, assinada pelo então presidente de Minas Gerais Artur Bernardes, sendo efetivada com a fundação da instituição pelo decreto nº 6.053 de 30 de março de 1922. A sede seria numa região de predominância de pequenas e médias propriedades cafeicultoras na Zona da Mata, que dependeriam da modernização agrícola para resistir às pressões das políticas de valorização do café. Viçosa foi a cidade selecionada devido à disponibilidade de terras em condições adequadas, dentre outros municípios sondados, como Ponte Nova e Ubá.

Em 1923, o campus começou a ser construído, baseado em campi de instituições do interior dos Estados Unidos, que também tinham a intenção de desenvolver áreas rurais. O projeto previa autossuficiência em relação à cidade, incluindo assim alojamentos para alunos. A inauguração da ESAV aconteceu em 28 de agosto de 1926, sob a presença do agora presidente da República Artur Bernardes. Na mesma década de 1920 foi construído na antiga Fazenda da Vargem, também pelo presidente, o Patronato Agrícola Arthur Bernardes, que era uma instituição de ensino para menores infratores. Tanto a ESAV como o Patronato Agrícola tiveram influência no crescimento do espaço urbano.

A universidade foi expandida em 1948, com o aumento da quantidade de cursos, quando também foi transformada na Universidade Rural do Estado de Minas Gerais (UREMG). Em 1950, Viçosa possuía uma população de 36 588 habitantes, porém predominantemente rural, com 9 424 residentes na zona urbana, segundo o censo demográfico do IBGE. Outrossim, até a década de 60 o município passou por diversas modificações territoriais, com sucessivas criações e emancipações de distritos, o que reduziu a população total nos censos. De Viçosa foram desmembrados distritos que deram origem aos municípios de Ervália, Teixeiras, Pedra do Anta (desmembrados em 1938), Coimbra (1948), Canaã, São Miguel do Anta (1953) e Cajuri (1962).

UFV e consolidação urbana

Na década de 1960, teve início um intenso êxodo rural associado à busca por melhores condições de vida na zona urbana. Nesse tempo, cerca de 7 000 pessoas migraram para a cidade. A partir disso começou o processo de verticalização da região central. No final da década de 60, a então UREMG foi federalizada, passando a ser a Universidade Federal de Viçosa (UFV) pelo decreto nº 64.825 de 15 de julho de 1969, assinado pelo presidente Arthur da Costa e Silva. Essa federalização foi seguida de um novo crescimento da quantidade de cursos (de 19 em 1974 para 39 em 1975), o que demandou obras de ampliação do campus.

Simultaneamente ao aumento das chances de ingresso e emprego na UFV, foram ampliadas as oportunidades de trabalho em outros setores, principalmente na construção civil, intensificando o acréscimo da população urbana. Assim, foi registrada uma multiplicação de prédios na região central, em substituição a sobrados e casarões mais antigos, enquanto que novos bairros e loteamentos surgiram a partir do núcleo urbano, que se expandiu sobretudo seguindo a BR-120. Foi nesse momento que a cidade começou a se estruturar em função da universidade, que demandou um súbito crescimento populacional.

O crescimento da população também foi acompanhado do surgimento de ocupações e loteamentos irregulares, povoados em especial pelos habitantes de baixa renda em busca de trabalho, atraídos pelo desenvolvimento local e pela expansão da UFV. A Estrada de Ferro Leopoldina, por sua vez, deixou de fornecer transporte público na década de 1980, quando ainda havia trens de passageiros de Ubá a Caratinga. Na mesma década, foi popularizada a oferta de repúblicas estudantis e de aluguel de moradias para estudantes, em face da diminuição da quantidade de vagas nos alojamentos da universidade e do aumento das matriculas. Isso contribuiu com a intensificação da verticalização entre as décadas de 80 e 90.

Vale ressaltar que a grande maioria dos prédios construídos até os anos 1990 foram iniciativas de pessoas físicas. Na década de 2000 é que começou a ter uma participação mais expressiva de construtoras na construção desses edifícios. Enquanto isso, o primeiro Plano Diretor Municipal, aprovado em 2000, previu limitações nas alturas dos novos edifícios, porém foi flexibilizado com o passar do tempo, cedendo aos interesses do setor da construção civil por meio da influência política. Também no começo dos anos 2000, foram instaladas três instituições de ensino superior privadas, favorecendo a expansão urbana na região do distrito de Silvestre, nas margens da BR-120, ao mesmo tempo que a UFV criou mais de dez cursos. Esses movimentos contribuíram para reafirmar Viçosa como uma cidade universitária.

O cultivo do café, outrora em decadência, voltou a registrar crescimento, associado a técnicas de cultivo mais avançadas. Em 2011, foi inaugurado no prédio do antigo Patronato Agrícola o Centro Tecnológico de Desenvolvimento Regional de Viçosa (Centev), que se tornou um principais parques tecnológicos do Brasil, vinculado às atividades da UFV. Enquanto se observou uma diversificação da economia, a presença da UFV e das universidades particulares continuou a manter um fluxo regular de estudantes de diferentes regiões de Minas Gerais e do Brasil, beneficiando diretamente o giro de capital da cidade e a realização de eventos acadêmicos. Nesse sentido, ressalta-se que a pandemia de COVID-19 teve um impacto significativo na circulação econômica local a partir de 2020, ao restringir as atividades presenciais das instituições de ensino. Em meio à alta do desemprego, causada pelo fechamento de empresas, esse cenário forçou uma busca por alternativas de geração de renda por parte da população dependente da comunidade acadêmica. As aulas presenciais da UFV retornaram em 2022.

PUBLICIDADE

Geografia

O município de Viçosa está localizado na Zona da Mata Mineira e limita-se com Teixeiras e Guaraciaba (a norte), Porto Firme (oeste), Paula Cândido (sudoeste), Coimbra (sul), Cajuri (sudeste) e São Miguel do Anta (leste). A sede dista por rodovia 230 km da capital mineira, Belo Horizonte. De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Juiz de Fora e Imediata de Viçosa. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Viçosa, que por sua vez estava incluída na mesorregião da Zona da Mata.

Relevo e hidrografia

O relevo do município é consideravelmente variado, com 85% de sua área acidentada, 12% ondulada e 3% plana. A altitude mínima se encontra na foz do ribeirão do Arruda, com 605 metros, enquanto que a máxima está na região do Sumidouro, com 970 metros. Já a sede de Viçosa se encontra a 657 metros. A cidade se estabeleceu inicialmente em fundos de vales, que foram fundamentais para moldar a malha urbana. A expansão se direcionou, por vezes, para locais muito inclinados, resultando em ocupações de áreas de risco.

O município integra a bacia do rio Doce e os principais mananciais que cortam a área municipal são os rios Turvo Limpo e Turvo Sujo. O rio Turvo Sujo deságua no Turvo Limpo em Viçosa. Este curso, por sua vez, desemboca no rio Piranga em Guaraciaba. No entanto, a área municipal é banhada por diversos mananciais de menor porte, sendo alguns deles os córregos Araújo, Conceição e da Posse e o ribeirão São Bartolomeu. O rio Turvo Sujo e o ribeirão São Bartolomeu são as principais fontes de água da rede pública de abastecimento.

O ribeirão São Bartolomeu nasce na zona rural do município e corta a área central da cidade antes de chegar à foz no rio Turvo Sujo. Possui cerca de 440 nascentes em sua sub-bacia e seu leito ainda abastece a um sistema de lagos no interior do campus da Universidade Federal de Viçosa, que contribuem com a regulação da vazão do manancial antes de penetrar a zona urbana. Entretanto, ocupações em áreas próximas das nascentes têm intensificado a impermeabilização do solo e o assoreamento do curso, reduzindo o efeito da equalização das vazões. Além do mais, a urbanização densa e sem controle nas margens e até mesmo sobre os ribeirões e córregos acarretou condições desfavoráveis ao escoamento das águas, gerando problemas com alagamentos em eventos de chuvas fortes.

Clima

O clima viçosense é caracterizado como tropical de altitude (tipo Cwa segundo Köppen), com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual em torno dos 20 °C. Os invernos são frios, embora raramente em demasia, e os verões possuem temperaturas moderadamente altas. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de 23 °C, enquanto o mês mais frio, julho, possui média de 16 °C. Outono e primavera, por sua vez, são estações de transição. O índice pluviométrico é de aproximadamente 1 260 mm, sendo julho o mês mais seco e dezembro o mais chuvoso.

A passagem entre os períodos seco e chuvoso é marcada por tempestades e amplitude térmica elevada, principalmente entre o fim do inverno e a primavera. Contudo, a oscilação brusca das condições do tempo, dando a impressão de "passar pelas quatro estações em um único dia", é comum durante o ano. As precipitações caem principalmente sob a forma de chuva e, esporadicamente, de granizo, sobretudo na transição do inverno para a primavera. As chuvas podem ainda vir acompanhadas de descargas elétricas e fortes rajadas de vento.

Os dias mais frios do ano podem registrar geada em alguns pontos, enquanto que a temperatura pode passar de 35 °C nos dias mais quentes. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde maio de 1942 a menor temperatura registrada em Viçosa foi de 1,2 °C em 1º de junho de 1979, contudo o recorde mínimo absoluto foi registrado antes desse período, em 18 de julho de 1926, dia que experimentou mínima de −0,8 °C. A maior temperatura atingiu 38,2 °C em 7 de outubro de 2020. O maior acumulado de precipitação em 24 horas chegou a 184,8 milímetros (mm) em 1º de janeiro de 1986, seguido por 173,2 mm em 19 de fevereiro de 1948 e 163,9 mm em 20 de dezembro de 1979.

Ecologia e meio ambiente

A vegetação nativa pertence ao domínio florestal Atlântico (Mata Atlântica), restando poucas regiões fragmentadas em meio a áreas reflorestadas, pastagens e ao perímetro urbano. A mata original foi suprimida inicialmente devido ao avanço da cafeicultura, que provocou uma alteração profunda na paisagem natural. Entretanto, a cobertura vegetal predominante é do capim-gordura e do sapê, com matas secundárias nas partes mais altas. A ocupação do solo pela agricultura é mais significativa nos fundos de vale, onde também se estabeleceu a zona urbana. Já os tipos de solo dominantes são o latossolo vermelho-amarelo distrófico, o argissolo vermelho-amarelo e o cambissolo latossólico.

O campus da UFV possui áreas verdes e reservas ambientais que são utilizadas para atividades práticas e pesquisas científicas. A Mata do Paraíso, administrada pela universidade, conta com um fragmento de 400 hectares de Mata Atlântica, que protege ainda algumas nascentes, sendo um dos principais remanescentes florestais do município. A bacia hidrográfica do ribeirão São Bartolomeu também possui uma área de proteção ambiental (APA) de 3 600 hectares, a APA São Bartolomeu, que foi oficializada em 2017. Entretanto, a cobertura florestal se restringia a 32% da área da APA naquele ano, situação agravada pelo avanço sem controle da urbanização e pela conservação inadequada do solo.

A ocupação das margens de leitos de cursos hídricos é considerável, embora as legislações mais recentes prevejam medidas de reparar os danos dos impactos ambientais. Outros problemas relacionados à conservação dos mananciais do município são o despejo de lixo e esgoto a céu aberto nas águas, intensificando a poluição hídrica, e a diminuição da disponibilidade de água em decorrência de estiagens prolongadas. Devido à seca iniciada em 2014, por exemplo, a cidade enfrentou regimes de racionamento de água. Esses períodos de redução de chuvas também favorecem as condições para queimadas, que são alimentadas pelos ventos constantes, típicos da região.

Demografia

Em 2022, a população foi estimada em 76 430 habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o censo de 2022, 36 623 habitantes eram homens (47,92%) e 39 807 habitantes mulheres (52,08%). Ainda segundo o mesmo censo, 71 178 habitantes viviam na zona urbana (93,13%) e 5 252 na zona rural (6,87%). O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) é considerado alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,775, o 11º maior de Minas Gerais. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,696, da longevidade é de 0,883 e o de renda é de 0,758.

Da população total em 2022, 12 279 habitantes (16,07%) tinham menos de 15 anos de idade, 11 042 (14,45%) tinham de 15 a 24 anos, 18 577 (24,31%) tinham de 25 a 39 anos, 24 816 (32,47%) tinham de 40 a 64 anos e 9 716 (12,71%) possuíam 65 anos ou mais. No mesmo ano, a população era composta por 34 552 brancos (45,20%), 28 895 pardos (37,81%), 12 686 negros (16,6%), 161 amarelos (0,21%) e 133 indígenas (0,17%). O município também possuía 537 pessoas quilombolas.

Com relação aos credos religiosos, a população municipal com dez anos de idade ou mais está composta por 50 517 católicos (74,1% do total), 9 726 evangélicos (14,27%), 4 578 pessoas sem religião (6,72%), 1 244 espíritas (1,82%), 346 da umbanda e candomblé (0,51%) e 2,48% estão divididos entre outras religiões. Viçosa está situada na Arquidiocese de Mariana e possui quatro paróquias católicas: Santa Rita de Cássia, Nossa Senhora do Rosário de Fátima, São João Batista e São Silvestre, que por sua vez são compostas por comunidades nos bairros.

Segundo o IBGE, Viçosa é considerada o centro de um arranjo populacional na hierarquia urbana brasileira, ao exercer influência local com relação à gestão e disponibilidade de serviços. Entretanto, diferencia-se na hierarquia como uma centralidade de deslocamentos para cursar ensino superior. Isso significa que são comuns deslocamentos pendulares para esse fim, sejam diários ou com menor frequência, bem como o estabelecimento de estudantes de outras cidades que optam por morar em Viçosa durante a graduação. De acordo com a prefeitura em 2024, a população universitária era de cerca de 20 mil, porém a maior parte dessa quantidade não é contabilizada pelos censos, uma vez que se refere a uma população flutuante.

Política e subdivisões

A administração do município é feita a partir dos poderes Executivo, representado pelo prefeito e seus secretários, e Legislativo, constituído pela câmara de vereadores, composta por 15 vereadores, eleitos para mandatos de quatro anos. Viçosa se rege por sua lei orgânica, promulgada em 21 de março de 1990, e abriga uma comarca do Poder Judiciário estadual, de segunda entrância, que funciona no Fórum Presidente Arthur Bernardes e tem como termos os municípios de Cajuri, Canaã, Coimbra, Paula Cândido e São Miguel do Anta. O município possuía, em abril de 2026, 61 635 eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Viçosa é composta por três distritos, além da sede, sendo eles Cachoeira de Santa Cruz, São José do Triunfo e Silvestre. O distrito-sede era o mais populoso em 2022, com 62 454 habitantes (81,71% da população municipal), seguido por Silvestre, com 9 004 moradores (11,78%). Essa divisão é fruto de uma série de alterações feitas na configuração do território viçosense ao longo do século XX, que envolveu o desmembramento de vários distritos para a criação de novos municípios. O último desmembramento ocorreu em 30 de dezembro de 1962, quando houve a emancipação de Cajuri. Além disso, a zona urbana possui uma divisão em bairros reconhecida pela prefeitura para fins de cadastro.

PUBLICIDADE

Economia

O Produto Interno Bruto (PIB) de Viçosa tem seu rendimento concentrado no setor terciário da macroeconomia, mas com participação significativa da agricultura, da pecuária e da prestação de serviços. Segundo dados do IBGE, relativos a 2023, o PIB do município era de R$ 2 234 763,92 mil, ao mesmo tempo que o PIB per capita era de R$ 29 239,36. Em 2025, de acordo com o SEBRAE, havia 13 051 empresas ativas, a maior parte das quais representada pelo comércio varejista (17,1%), seguido por atividades de serviços pessoais (6,62%) e pelo setor de alimentação (6,59%). Em 2024, 17 604 pessoas estavam empregadas, sendo que os setores que mais empregavam eram o comércio varejista (21,6%), de educação (11%) e de atenção à saúde humana (9,1%).

A pecuária e a agricultura acrescentavam 31 309,69 mil reais na economia em 2021. Dentro da agricultura há de se destacar o café, presente desde o processo de colonização do município. O café representou a maior área ocupada pela lavoura permanente municipal em hectares (ha) em 2024, com um total de 825 ha cultivados, seguido pela banana (20 ha), laranja (7 ha) e goiaba (6 ha). Enquanto isso, os cultivos temporários mais representativos foram o milho (700 ha), o feijão (630 ha), a cana-de-açúcar (29 ha) e o tomate (16 ha).

Com relação à pecuária, destaca-se a bovinocultura de leite, com 7 670 mil litros de leite produzidos de 2 148 vacas ordenhadas em 2024. No mesmo ano, o município possuía um rebanho de 422 800 galináceos, 10 917 bovinos, 2 146 suínos, 870 equinos, 363 caprinos, 317 ovinos e 13 bubalinos. Viçosa produziu 949 mil dúzias de ovos de galinha de 48 170 galinhas, 31 mil dúzias de ovos de codorna de 2 675 codornas, 22 070 quilos de mel de abelha e 11 600 kg de tilápia. O desenvolvimento da agricultura e da pecuária no município está relacionado às agroindústrias, inclusive aquelas familiares, de pequeno porte. Ademais, a UFV promove projetos, atividades práticas e pesquisas que envolvem o manejo de animais e lavouras, integrando-se assim à cadeia produtiva local.

A indústria, por sua vez, acrescentava 35 558,03 mil reais ao Produto Interno Bruto municipal em 2021. Em 2024, 1 421 hectares do município eram ocupados pela silvicultura, 95% dos quais pela monocultura do eucalipto. Além disso, foram produzidas 6 006 toneladas de carvão vegetal. A cidade possui um distrito industrial, que foi inaugurado em 1983, inicialmente com 54 lotes, porém mais de 30 anos depois ainda estava em processo de ocupação. Além das agroindústrias, também se fazem presentes ramos diversificados, sendo que os que mais empregam, dentro do setor industrial, são a construção de edifícios, fabricação de produtos alimentícios, serviços especializados para construção, fabricação de produtos químicos e fabricação de produtos de metal (exceto máquinas e equipamentos).

Em 2021, 1 038 353,66 mil reais do PIB municipal eram do valor adicionado bruto do setor de serviços e 385 851,51 mil reais do valor adicionado da administração pública. A importância do setor terciário na economia possui ligação direta com a presença de múltiplas instituições de ensino superior na cidade, sobretudo a UFV, que contribuem com o giro de capital local. É de se notar, assim, a dependência histórica de Viçosa da comunidade acadêmica, uma vez que o fluxo de professores, estudantes e funcionários dessas universidades estimula setores diversos, como o comércio varejista, de eventos e imobiliário.

Infraestrutura

Serviços básicos e habitação

O código de área (DDD) é 031 e o Código de Endereçamento Postal (CEP) da cidade varia entre 36570-000 e 36579-999. Os serviços de abastecimento de água e coleta de esgoto são feitos pela própria administração municipal por meio do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Viçosa. Em 2022, segundo o IBGE, 91,12% dos domicílios ocupados possuíam a rede geral de água como principal forma de abastecimento e 99,89% possuíam banheiro de uso exclusivo da moradia. Além disso, 96,78% desses domicílios tinham alguma forma de coleta de lixo.

Com relação ao esgotamento sanitário, 89,2% das habitações eram atendidas pela rede geral ou pluvial. Existem pequenas estações de tratamento de esgoto em alguns bairros, porém somente 1,4% do esgoto gerado no município era tratado segundo o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA) em 2022. Em 2014, foi iniciada a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Barrinha, que estava em fase de finalização em 2025, com a previsão de tratar 60% das águas residuais produzidas na cidade ao entrar em operação.

No ano de 2022, Viçosa possuía 29 055 domicílios particulares permanentes ocupados. Desse total, 15 503 eram casas (53,36%), 13 072 eram apartamentos (44,99%), 410 eram casas de vila ou em condomínio (1,51%), 58 eram estruturas degradadas ou inacabadas (0,20%) e 12 eram cortiços (0,04%). A verticalização da cidade é considerável, tendo se iniciado na área central na década de 1960 e se intensificado na década de 70, sob influência da expansão da UFV nas proximidades. Segundo o censo de 2022 do IBGE, o município possuía nesse ano a sexta maior proporção de habitantes vivendo em apartamentos no Brasil. Por outro lado, o déficit habitacional atingia 2 mil famílias em 2026. Em resposta, a administração municipal orienta processos de regularização fundiária e mantém projetos de aquisição e/ou construção de novas habitações. No mesmo ano, de acordo com a prefeitura, 198 apartamentos estavam em fase de aprovação como parte do programa Minha Casa, Minha Vida.

O Plano Diretor Municipal rege normas e orientações para o desenvolvimento urbano e a ocupação e uso do solo, sendo elaborado pela administração municipal mediante discussões com a comunidade e com o apoio técnico da Universidade Federal de Viçosa. Embora o primeiro plano, aprovado em 2000, tenha tido pouco efeito prático sobre a paisagem urbana, devido à pressão do setor da construção civil contra restrições construtivas, as legislações mais recentes primam por estratégias de requalificação das centralidades, incentivando o reaproveitamento das edificações, bem como a fixação de parâmetros construtivos condizentes com o entorno, com restrições à verticalização em bairros residenciais já consolidados.

Saúde

A rede de saúde de Viçosa inclui 15 unidades básicas de saúde, dois hospitais de urgência e emergência e centros de atenção psicossocial (CAPS) infantil e adulto, segundo informações da prefeitura em 2025, além das unidades de saúde de atenção especializada, algumas das quais oferecidas pela Universidade Federal de Viçosa. O atendimento público de urgência e emergência é feito pelos hospitais São Sebastião e São João, que formam o Complexo Hospitalar de Viçosa. O conjunto engloba diferentes especialidades médicas e oferece atendimento via Sistema Único de Saúde (SUS), inclusive internação e maternidade.

Viçosa conta com quatro cemitérios públicos, sendo eles o Cemitério Dom Viçoso (na região central), Colina da Saudade (bairro Cidade Nova), Campos Santos (São José do Triunfo) e Campos dos Santos (Cachoeira de Santa Cruz). Em 2022, foram registrados 568 óbitos por morbidades, dentre os quais as doenças do sistema circulatório representaram a maior causa de mortes (24,65%), seguida pelos tumores (14,96%). Já em 2023, foram registrados 873 nascidos vivos, sendo que o índice de mortalidade infantil no mesmo ano foi de 8,02 óbitos de crianças menores de um ano de idade a cada mil nascidos vivos.

Educação

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) médio entre os alunos dos anos iniciais do ensino fundamental das escolas públicas de Viçosa era de 6,3 em 2023, numa escala de avaliação que vai de nota 1 a 10, enquanto que a nota dos alunos dos anos finais do fundamental era 4,8. Dentre os habitantes de 18 anos ou mais em 2022, 30,76% não completaram o ensino fundamental, 12,39% tinham somente o fundamental completo, 32,69% tinham o ensino médio completo e 24,16% o ensino superior completo, sendo que a população com onze anos ou mais de idade tinha em média 10,2 anos de estudo. O percentual de alfabetização dos moradores de 15 anos ou mais, por sua vez, era de 95,8%, resultando em 4,2% de pessoas não alfabetizadas nesse grupo de idade.

Viçosa é uma cidade essencialmente universitária, com destaque para a presença do campus da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que foi responsável pelo crescimento e desenvolvimento do município. Rankings especializados recorrentemente listam a UFV entre as melhores universidades do Brasil e mesmo da América Latina, incluindo a Times Higher Education e o QS World University Rankings, ao mesmo tempo que o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (CAp-Coluni) se destaca entre as maiores notas das escolas públicas brasileiras no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ainda em Viçosa se encontram outras instituições de ensino superior privadas, acentuando ainda mais o caráter educacional da cidade. Adicionalmente, eventos científico-acadêmicos relacionados à universidade são responsáveis por atrair frequentadores de outras partes do Brasil e de outros países.

Ciência, tecnologia e desenvolvimento

Para um melhor aproveitamento dos recursos disponíveis na UFV e para o incentivo ao empreendedorismo e a promoção do desenvolvimento local e regional, foi criado em 8 de agosto de 2011 o Centro Tecnológico de Desenvolvimento Regional de Viçosa (Centev). O Centev tem como missão promover e aperfeiçoar as relações entre a UFV, o setor público em geral e o setor privado de forma a promover o desenvolvimento econômico, social e ambiental de Viçosa e região. O Centev opera o Parque Tecnológico de Viçosa (TecnoPARQ), que é um dos principais parques tecnológicos do Brasil. Nele são realizadas atividades e pesquisas em prol do empreendedorismo tecnológico e da inovação.

Em Viçosa está instalada a sede regional na Zona da Mata da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG). A EPAMIG é a principal instituição de execução de pesquisa agropecuária de Minas Gerais e tem a função de apresentar soluções para o complexo agrícola, gerando e adaptando alternativas tecnológicas, oferecendo serviços especializados, capacitação técnica, insumos qualificados compatíveis com as necessidades dos clientes e em benefício da qualidade de vida da sociedade. A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER) também possui filial instalada em Viçosa.

Segurança e criminalidade

A provisão de segurança pública de Viçosa é dada por diversos organismos. A Polícia Militar, uma força estadual, é a responsável pelo policiamento ostensivo e preventivo e pela manutenção da ordem pública, além de realizar ações de integração social. Viçosa é sede da 10ª Companhia de Polícia Militar Independente. Já a Polícia Civil tem o objetivo de combater e apurar as ocorrências de crimes e infrações e é representada no município pela 5ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Viçosa, que também atende a cidades da região.

As ruas e praças do Centro de Viçosa possuem câmeras de monitoramento instaladas pela administração municipal, operadas em parceria com os órgãos de segurança. A segurança preventiva é reforçada no campus da UFV, com a existência de uma Diretoria de Segurança Patrimonial e Comunitária, que atua em parceria com a Polícia Militar. A cidade também é a sede de um Batalhão do Corpo de Bombeiros e ainda há a atuação da defesa civil, subordinada à prefeitura.

Em 2023, foram registrados 33 homicídios em Viçosa, um aumento de 37% em relação aos 24 em 2022. Esses números ajudam a manter o município entre as maiores taxas de crimes violentos letais e intencionais da Zona da Mata Mineira. Contudo, o número de crimes violentos reduziu 20% nesse período. A maior parte dos homicídios está relacionada ao crime organizado ou ao tráfico de drogas, problemas que se concentram nos bairros periféricos. Boa parte da população carcerária é abrigada no Presídio de Viçosa, que, no entanto, já foi denunciado por problemas de superlotação.

Transportes

A frota municipal no ano de 2024 era de 52 755 veículos, sendo 24 354 automóveis, 18 480 motocicletas, 3 896 caminhonetes, 1 202 caminhonetas, 1 375 motonetas, 830 caminhões, 742 reboques, 635 utilitários, 528 ciclomotores, 279 ônibus, 183 micro-ônibus, 95 semirreboques, 86 caminhões-trator, 49 triciclos, quatro tratores de rodas, quatro sidecars e 13 classificados como outros tipos de veículos. Também em 2024, 87% das vias da zona urbana eram pavimentadas.

O município é servido pelas rodovias BR-120, que liga a cidade a Ponte Nova e Belo Horizonte, BR-356 (ligação até Porto Firme), BR-482 (ligação a Conselheiro Lafaiete) e MG-280 (ligação a Paula Cândido). O Aeroporto de Viçosa (ICAO: SNVC), localizado às margens da BR-120, tem pista pavimentada e sinalizada com 970 metros de extensão, mas suas operações são restritas a aeronaves de pequeno porte.

A cidade também conta com uma ferrovia, a Linha de Caratinga da antiga Estrada de Ferro Leopoldina, cujo único trecho restante desta liga Viçosa às cidades próximas, como Cajuri, São Geraldo e Visconde do Rio Branco. Na década de 1980 o transporte de passageiros deixou de existir. Desde 2013, a ferrovia está sob responsabilidade do DNIT, após sua devolução pela Ferrovia Centro Atlântica e a anulação do contrato de sua concessão de 1996. Da ferrovia restam alguns trechos dos trilhos pelas ruas da cidade, como também as estações do distrito de Silvestre, Central e da UFV.

Cultura

Viçosa conta com legislações municipais de proteção ao patrimônio cultural ministradas por um órgão público, existindo tombamentos de bens materiais e imateriais. A prefeitura também contém um inventário com a catalogação de diversos bens da cidade, embora essa condição, ao contrário do tombamento, não garanta a proteção. Isso pode ser observado na reincidente ocorrência de construções inventariadas que acabaram sendo demolidas antes que pudessem ser tombadas, dando continuidade à perda da identidade cultural local. As atividades culturais, por sua vez, são promovidas tanto pelo poder público quanto pela iniciativa privada ou mesmo pela sociedade e igrejas, além da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e sua comunidade acadêmica.

Viçosa possui uma biblioteca pública administrada pela prefeitura, a Biblioteca Pública Municipal Dr. Mário Dutra dos Santos, que foi criada em 1972 e também é usada pela administração municipal como centro de memória. Em 2024, tinha um acervo de mais de 8 800 títulos e 9 700 exemplares. A pontuação de políticas culturais do município para o cálculo do ICMS Cultural, válida para exercício em 2026, foi de 3,1 em uma escala que vai de 0 a 4, enquanto que a de investimentos foi de 2,5. A pontuação total, considerando variantes como políticas, despesas, inventário e quantidade de bens tombados e/ou registrados, foi de 15,55.

O campus da UFV possui museus e espaços culturais e de ciências visitáveis, como o Museu Histórico e Pinacoteca da UFV, Museu de Ciências da Terra Alexis Dorofeef, Museu de Zoologia, Museu de Anatomia e a Estação Cultural (antiga estação ferroviária da universidade), aproveitada como local de exposições e atividades interativas. Por vezes, os museus da instituição oferecem visitas guiadas, da mesma forma que espaços como o horto, o herbário e o Parque Interativo de Botânica. A Mata do Paraíso, pertencente à universidade, conta com trilhas e um Centro de Educação Ambiental. Outra área verde integrante da UFV e frequentemente visitada é o Recanto das Cigarras, onde também são realizados eventos.

Patrimônio arquitetônico e urbanístico

Com o processo de verticalização da área central da cidade, foi comum que as edificações mais antigas da área central da cidade fossem substituídas por prédios ou descaracterizadas. Do século XIX se encontram preservadas a Capela Nosso Senhor dos Passos e a fachada da Residência nº 3 da Avenida Bueno Brandão (onde funcionou o primeiro hospital da cidade), que são tombadas como patrimônio cultural municipal. O Santuário Santa Rita de Cássia, por sua vez, originou-se de uma Igreja Matriz menor construída por volta de 1850, mas a construção do templo atual foi iniciada no começo do século XX. Já a Praça Silviano Brandão, onde está localizado o santuário, foi inaugurada como um jardim público em fevereiro de 1915.

Da década de 1910, mantêm-se preservadas as antigas estações ferroviárias do distrito de Silvestre (a Estaçãozinha) e Central, ambas tombadas e aproveitadas como espaços culturais. Outras edificações tombadas, originárias da mesma década, são a Casa Cora Bolívar e o Hotel Rubim (antigo Grande Hotel), construído como primeiro hotel da cidade. Esses dois prédios se localizam na vizinhança da antiga Estação Central. Datados da década de 1920, são tombados o Museu Casa Arthur Bernardes (onde residiu o presidente Artur Bernardes, na Praça Silviano Brandão), o Edifício Arthur da Silva Bernardes (prédio principal da UFV), a ala antiga do Hospital São Sebastião, a Escola Municipal Dona Nanete (onde funcionou o Patronato Agrícola, atual sede do Parque Tecnológico de Viçosa); e as casas 119 e 129 da Rua Gomes Barbosa.

Na década de 1920, também começou a ser construída a Balaustrada da Avenida Bueno Brandão, porém veio a ser concluída somente na década de 1960. Conservada como patrimônio cultural, possui cerca de 480 metros de extensão. Da década de 1930, é tombado o prédio da Escola Municipal Ministro Edmundo Lins, construído inicialmente para servir como Cadeia Pública. Da década de 1940, é tombado o antigo prédio do Colégio de Viçosa, posteriormente aproveitado como sede administrativa do município. Da década de 1950, encontra-se tombado o prédio da Escola Municipal Coronel Antônio da Silva Bernardes (CASB), embora a instituição tenha sido criada em 1916, sendo nessa época a primeira escola pública da cidade.

Além do patrimônio arquitetônico e urbanístico, outros marcos do município são o Cristo Redentor, de onde é possível contemplar uma visão panorâmica da cidade; e o próprio campus da UFV, que possui algumas de suas estruturas abertas à visitação, a exemplo dos museus, praças e espaços culturais. No lugar da Praça do Rosário, no Centro de Viçosa, ficava localizada a antiga Igreja Nossa Senhora do Rosário, que foi demolida na década de 1960, dentro do contexto de reurbanização da área central da cidade. Esse espaço público apresenta um considerável movimento de pessoas, uma vez que está em meio a uma área comercial.

Grupos e produtos culturais

A produção do artesanato local é bem diversificada. Destacam-se principalmente os trabalhos manuais como bordados, tapetes de tiras, crochê e tricô. Cabe ressaltar ainda as pinturas em óleo sobre tela expostas em galerias pela cidade, principalmente a Galeria José Lino Santana. A Praça Silviano Brandão também é um tradicional local de venda do artesanato. Além do mais, há artistas locais e grupos artísticos onde seus integrantes são, na maioria das vezes, artistas natos e o fazem como forma de preservação da cultura local. São exemplos a Orquestra de Câmara de Viçosa, o Grupo Êxtase, os grupos de congado e os grupos, duplas e artistas solo musicais, sobretudo de MPB e música sertaneja. Nesse sentido, a UFV também possui um coral e grupos de dança.

O município se destaca na produção de doce de leite, sendo que o doce da marca Viçosa, produzido pela Fábrica de Laticínios Escola da UFV desde a década de 1980, foi considerado o "Melhor doce de leite do Brasil" pelo Concurso Nacional de Produtos Lácteos pela primeira vez em 2001. O doce produzido no município é, inclusive, exportado e dá origem a diversos derivados, como recheios, cervejas e panetones. Por causa da produção reconhecida, a fabricação do doce de leite tradicional Viçosa foi considerada como patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais em 2022. Ademais, a cidade foi reconhecida pelo governo mineiro como a "capital estadual do doce de leite" em maio de 2023.

Eventos e lazer universitário

São alguns dos principais eventos do município: o carnaval da cidade (CarnaViçosa), que consiste em uma micareta com apresentações artísticas e blocos de rua; a Festa de Santa Rita de Cássia, padroeira municipal, em maio, que envolve procissões religiosas e missas especiais seguidas de espetáculos musicais, atividades culturais diversas e barraquinhas de comida; as festas juninas; as homenagens ao aniversário do presidente nascido em Viçosa, Artur Bernardes, em agosto; as comemorações do Dia da Independência, em 7 de setembro, com desfiles temáticos e homenagens de escolas e instituições do município à ocasião; e as festividades do aniversário da cidade, que é comemorado em 30 de setembro, mas tem uma programação que envolve dias seguidos de apresentações culturais variadas e venda de artesanato e comidas típicas.

A festa de Santa Rita de Cássia foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial de Viçosa mediante o projeto de lei n° 12 de 2025. O evento não se restringe a uma comemoração religiosa, sendo também um encontro comunitário e de preservação da cultura popular da cidade. No dia 7 de junho de 2025, houve a assinatura simbólica da lei que declarou oficialmente a festa de Santa Rita de Cássia como patrimônio cultural. A assinatura do prefeito Ângelo Chequer ocorreu na Casa Paroquial Santa Rita de Cássia.

Diretamente ligada à Universidade Federal de Viçosa há de ressaltar a Semana do Fazendeiro da UFV, que é realizada pela instituição desde 1929, com dias seguidos de atividades culturais, espetáculos musicais, comércio de artesanato e comidas típicas, cursos de capacitação e estandes expondo projetos da universidade e de instituições parceiras. É um evento relacionado à agricultura e veterinária e cada edição possui um tema, sendo responsável por atrair frequentadores e expositores de todo o Brasil e de outros países.

A Marcha Nico Lopes, por sua vez, é uma manifestação cultural promovida pelos estudantes da UFV, que consiste em eventos como debates, oficinas e apresentações musicais seguidos da marcha propriamente dita pelas ruas da cidade. Também presente desde a década de 1920, surgiu no intuito de manifestar críticas e protestos dos estudantes frente a mazelas da universidade e do cenário nacional sob um caráter festivo. Em 2022, foi reconhecida pela administração municipal como bem histórico-cultural de natureza imaterial do município.

Com uma considerável população universitária, Viçosa possui uma vida noturna ativa, com uma significativa presença de bares, restaurantes e lanchonetes concentrados em determinadas vias, como as avenidas P.H. Rolfs e Santa Rita, popularmente conhecida como "Rita", que se tornou um ponto de encontro dos jovens nas noites. É comum que esses fluxos noturnos sejam espontâneos, sendo natural a presença desses jovens em busca de lazer, movimento e opções de alimentação antes e depois das aulas do período noturno e nos fins de semana. Festas promovidas pelos próprios estudantes também são uma forma de lazer presente no município. No entanto, o principal motivador desses encontros e eventos entre os universitários é a socialização e a reafirmação de amizades.

Esportes

Viçosa possui a estrutura de um Complexo Esportivo Municipal, que é uma área de esportes e lazer administrada pela prefeitura localizada no bairro Lourdes. Inaugurado em 1984, era parte da antiga Associação Esportiva Viçosense (AEV), tendo se tornado o principal equipamento esportivo público da cidade. No complexo está situado o Ginásio Poliesportivo Professor Alberto Pacheco, que possui quadras e espaços que possibilitam a prática de diversas modalidades esportivas e ainda a realização de eventos, além de infraestrutura de apoio, como arquibancadas, vestuário e banheiros. Dentre os torneios disputados no local, há de se ressaltar os Jogos Escolares Viçosenses (JEVs), que consistem em competições esportivas de múltiplos esportes entre as escolas do município.

Em Viçosa ocorrem competições de base do futebol, voltadas às crianças e adolescentes, de categoria máster e o Campeonato Municipal, que é apoiado pela administração municipal. O vencedor do Campeonato Municipal pode representar o município no Campeonato Mineiro de Futebol Amador, realizado pela Federação Mineira de Futebol (FMF). A Universidade Federal de Viçosa, por sua vez, possui equipes e competições internas de diversas modalidades esportivas, além das Associações Atléticas Acadêmicas, que integram estudantes de uma mesma área de formação para praticarem esportes e atuarem nos torneios universitários. Ocasionalmente a universidade também é representada em competições externas de nível estadual ou nacional, como os Jogos Universitários Mineiros e os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs).

Feriados

Em Viçosa há três feriados municipais, além dos feriados nacionais e pontos facultativos. Segundo a prefeitura, os feriados municipais são: o dia da padroeira, Santa Rita de Cássia, celebrado em 22 de maio; o Corpus Christi, que em 2026 é comemorado no dia 4 de junho; e o aniversário da cidade, em 30 de setembro.

Gostou do conteúdo? Compartilhe!
Viçosa (MG) 40 min de leitura