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Curiosidades

Romantismo no Brasil

Publicado em 12 de setembro de 2026

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Romantismo no Brasil

Vimos que as artes da primeira metade do século XIX do mundo ocidental foram dominadas pelo estilo romântico. A estética romântica é filha de um tempo que falava da revolução francesa, dos direitos dos indivíduos, da liberdade para os povos, dos heróis napoleônicos. Quando você pega um escritor, um músico ou um pintor romântico perceberá como ele valoriza a subjetividade (a obra deveria ser, antes de tudo, a expressão do eu mais íntimo do autor), a liberdade de criação, os sentimentos sublimes, o heroísmo e a ação, os grandes ideais (luta pela liberdade do povo, da pátria, ou o amor eterno pela mulher perfeita). O artista romântico se sentia deslocado da sociedade medíocre e materialista: gênio incompreendido, criatuura super-sensível, solitário que caminhava pela floresta, com as mãos nas costas e absorto em seus pensamentos.

Apaixonava-se por uma mulher ideal, carregava tudo no sentimento e não era correspondido. Daí a tristeza e até a vontade de suicídio. Como o alemão Beethoven, músico atingido pela tragédia da surdez, que continuou a compor genialmente para lindas baroneses vienenses que preferiam um rapaz elegante qualquer. Como o inglês Byron, que viajou pela Europa inteira, fez poesias ardentes para mil amadas (e talvez alguns amados) e morreu combatendo pela independência da Grécia. Como o francês Galois, gênio da matemática que aos 19 anos foi morto num duelo por causa de uma bela mulher.

Na primeira metade do século XIX, o romantismo emocionou a literatura brasileira. Foi o momento em que o jornalismo apareceu no país e que os contato com a cultura européia se tornaram mais intensos. As maiores influências sobre os brasileiros vinham de escritores franceses e ingleses. Assim, poetas como Gonçalves DIas exaltavam o sentimento nacionalista. (Quem não conhece o famoso "Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá...?") Poesias apaixonadas, sofrimento, morte e tristeza - que era o mal do século - foram feitas por Álvares de Azevedo, Fagundes Varela e Casimiro de Abreu. Já o baiano Castro Alves apareceu como o grande poeta abolicionista, defensor radical do fim da escravidão. O romancista José de Alencar exaltou o índio ideal, cheio de nobreza e apaixonado pela virgenzinha branca, no longo romance-folhetim O Guarani (1857). O amor, o herói sem mácula, os sentimentos à flor da pele estão em Senhora (1875). Ambientado na bela ilha de Paquetá, na baia de Guanabara, A Moreninha (1845), de Joaquim Manuel de Macedo, fez gerações de moças e rapazes suspirarem ao lutar.

Os escritores românticos preocuparam-se em criar uma literatura genuinamente nacional, que não fosse mera imitação da européia. Construir o Estado nacional brasileiro significa construir a cultura literária brasileira. Vimos que, naquele momento, as forças políticas democráticas sofreram derrotas. O projeto de Estado e de sociedade vencedor foi o dos grandes proprietários. Até que ponto, então, aqueles escritores não estavam fazendo uma operação elitista análoga em relação à cultura brasileira? Uma questão para debate!

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Romantismo no Brasil 3 min de leitura