Revolução Francesa: Novas interpretações, velhos ideias
Desde o final do século XX, vários historiadores como François Furet, Simon Schama e Alfred Cobban têm procurado reinterpretar a Revolução Francesa. Cada um tem suas próprias idéias.
Vamos apresentar algumas ideias: o Iliminismo não tinha nada de revolucionário nem era muito conhecido pelos franceses; não havia uma oposição tão grande de interesses entre a nobreza e a burguesia; não existia feudalismo nem burguesia; o governo de Luís XVI estava promovendo reformas que, se não tivessem sido interrompidas pela revolução, teriam modernizado mais rápido a França; o período jacobino nada teve de interessante para as camadas populares, não passando de uma época sangrenta em que os direitos individuais não eram respeitados; a Revolução Francesa foi extremamente negativa, provocando destruição econômica, violência política, guerras; a revolução dela foi o retrocesso econômico. E no final, a nobreza, ainda que não tivesse mais os privilégios feudais, continuava a ser a grande proprietária de terras e influente na política.
Para alguns historiadores, o Antigo Regime só deixaria de existir depois da Primeira Guerra Mundial, no século XX. É claro que existem muitos historiadores competentes que defendem a visão que procuramos transmitir no nosso livro: Albert Soboul, Georges Lefébvre, Godechot, Georges Rude, Eric Hobsbawm, Michel Vovelle, e outro. Mas fique já alerta para o fato de que neste capítulo apresentamos uma das interpretações possíveis da Revolução Francesa, pois existem outras igualmente aceitas por grupos de historiadores.
A polêmica entre os historiadores é fecunda porque permite o avanço do conhecimento histórico. Cada um pode aprender com o outro, refinar seus argumentos ou refazê-los. De qualquer modo, a polêmica que resumimos neste quadro parece guardar uma incrível semelhança com as divisões políticas geradas pela Revolução Francesa: a esquerda a admira, ao passo que a direita a rejeita. Revelam que as questões levantadas pela Revolução Francesa são presentes. Concordar com ela ou não, criticá-la ou abominá-la, significa estar ligado ou não a propostas profundas de mudança em nossa sociedade e no mundo. As promessas do Iluminismo ainda não foram totalmente cumpridas. Ainda há muito o que fazer, ou que rejeitar. Conhecer a história pode ser o ponto de partida para novos tempos.