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Curiosidades

Pernambuco rebelde (1817)

Publicado em 03 de setembro de 2026

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Pernambuco rebelde (1817)

As medidas de D. João desegradaram a muitos habitantes da região Nordeste do Brasil. Os impostos tinham aumentado e a liberdade de comércio parecia se restringir ao Rio de Janeiro. Pernambuco, exportador de açúcar e de algodão, continuava submetido ao monopólio dos comerciantes reinóis (portugueses). Daí ao forte sentimento antilusitano e as idéias de independência nacional.

Nas lojas macônicas (locais de reunião da maçonaria) de Recife e de Olinda, os latifundiários, comerciantes locais e intelectuais conspiravam. Ainda se falava na Revolução Francesa como modelo. Muitos padres também participavam do movimento. O fato de a Igreja estar subordinada ao Estado português irritava o clero brasileiro. O governador português Caetano Pinto Montenegro (que o povo ironizava dizendo que era "Caetano no nome, Pinto da coragem, Monte no tamanho e Negro - malvado - nas ações") recebeu denúncias e ordenou que se efetuassem prisões. Alguns civis foram capturados. Mas oficiais e soldados se rebelaram e ousaram enfiar a espada no ventre de um general. Então, as igrejas começaram a tocar os sinos, como num sinal combinado. A multidão armada foi libertados. Os ricos comerciantes portugueses tiveram de fugir. O governador, cercado, se rendeu. Depois, permitiram que ele fosse com a família para o Rio de Janeiro.

Durante dez semanas, Pernambuco foi um país independente. As pessoas pareciam gostar do clima revolucionário. Trocaram o tratamento respeitoso de Senhor pelo mais simples, na época, Vós. Para provar que eram patriotas, largaram o pão e o vinho e comiam mandioca e bebiam cachaça. Paraíba, Rio Grande de Norte e Alagoas aderiram ao movimento. O Nordeste se levantava! Alguns revolucionários exaltados elaboraram um plano mirabolante para ir até a ilha de Santa Helena libertar Napoleão dos carcereiros ingleses e trazê-lo até aqui. Claro que não deu certo. Enviaram emissários para os EUA, que teriam prometido alguma ajuda, embora nada oficial. Os ingleses não apoiaram por motivo óbvio: mantiveram boas relações com D. João.

O movimento tinha uma fraqueza básica. Liderado pelos latifundiários, restringia a participação popular. Seu "liberalismo", portanto, não era muito democrático. Um fazendeiro da época comentou que era insuportável a insolência dos mais pobres: "Os cabras, mulatos e crioulos andavam tão atrevidos que diziam que éramos todos iguais e não haviam de casar senão com mulheres brancas, e das melhores". Os senhores de engenho temiam que a "canalha" tomasse seus bens: as terras, as casas, o gado, as mulheres brancas...

Finalmente, veio a repressão, da Bahia e do Rio de Janeiro, ordenada por D. João. Os latifundiários pernambucanos conseguiram e deixaram o povo sozinho a lutar. O governo matou, prendeu, enforcou. Mas o espírito de rebeldia não seria apagado tão cedo.

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