Tiradentes: enforcado porque era pobre
Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, deu duro na vida: guiou mulas, pesquisou novas áreas de garimpo, trabalhou com enxada na terra. Cheio de imaginação, projetou um sistema de canalização de água para o Rio de Janeiro. Mas o projeto não foi aprovado pelo governo.
Chegou a ganhar a vida extraindo dentes, como revela o apelido. Militar, Tiradentes não era promovido porque não tinha protetores (exigência como no Antigo Regime). Nunca passou de alferes (patente inferior à de tentente), nem viajou para a Europa ou fez faculdade. Mas era esforçado e conseguiu aprender francês para ler os enciclopedistas. Sabemos que conhecia a Declaração de Independência dos Estados Unidos e que fez propaganda dela entre os amigos. Tiradentes não foi o líder da Conjuração, mas teve papel importante porque era ele quem fazia a propaganda do movimento entre as camadas populares. E nem sempre o fazia com a prudência que a situação política colonial exigia.
Preso, comportou-se com grande dignidade, como se constata nos documentos policiais. Mas como era o único que não possuía fortuna nem cargo importante, o único que não estava ligado à nobreza da terra, foi também o único a ser executado. Seu enforcamento aconteceu no Rio de Janeiro em 1792.