João Pessoa (PB)
João Pessoa é um município brasileiro, capital do estado da Paraíba. Com população de mais de 830 mil habitantes no censo de 2022, a capital paraibana é o município mais populoso de seu estado, o sétimo da Região Nordeste e o 20º do Brasil. A Região Metropolitana de João Pessoa, formada pela capital e mais onze municípios, tinha uma população de aproximadamente 1,4 milhão de pessoas.
Fundada em 1585 com o nome de Cidade Real de Nossa Senhora das Neves, logo passou a se chamar de Filipeia de Nossa Senhora das Neves em 1588 em homenagem ao rei Filipe II que, na época, acumulava as coroas da Espanha e de Portugal. Posteriormente chamada Frederikstad, foi uma das duas principais cidades da Nova Holanda, junto com Mauritsstadt (a atual Recife), na segunda metade do século XVII. Possui um antigo e vasto patrimônio histórico, similar ao de Olinda. Somente em 1930 tomou sua denominação atual.
Uma das capitais de melhor qualidade de vida do Nordeste, é conhecida como "Porta do Sol", devido ao fato de, no município, estar localizada a Ponta do Seixas, que é o ponto mais oriental da América, o que faz a cidade ser conhecida como o lugar "onde o sol nasce primeiro no continente americano". Atualmente, é a 55.ª cidade mais rica do país em PIB nominal e a 9ª mais rica do Nordeste, com um PIB de cerca de 22 bilhões de reais. Conta com a Mata do Buraquinho, com 515 hectares de Mata Atlântica preservada, constituindo a maior floresta semiequatorial nativa plana densamente cercada por área urbana do mundo.
Topônimo
Sua denominação atual, "João Pessoa", é uma homenagem ao político paraibano João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, assassinado em 1930 na cidade do Recife, quando era presidente do estado (na época, denominação para o cargo de governador) e concorria, como candidato a vice-presidente da República, na chapa de Getúlio Vargas. O fato causou grande comoção popular, sendo o estopim da Revolução de 1930, embora se discuta se realmente houve motivação política no ato, que foi executado por João Duarte Dantas, advogado cujo escritório fora invadido por tropas governamentais, tendo sido suas cartas à professora Anayde Beiriz trazidas a público.
Acrescenta-se ainda que não há consenso sobre as virtudes de João Pessoa e de gestor público as quais confeririam o mérito ao ex-presidente da Paraíba para tal homenagem. Por um lado, durante seu período como presidente da Paraíba, João Pessoa foi um combatente do cangaço e das oligarquias locais, embora ele mesmo proviesse de família de oligarcas, e se contrapunha a interesses de grupos tradicionais. Em contrapartida, alega-se que a mudança de nome da cidade, assim como a alteração da bandeira estadual em 1930, foi realizada em um momento de comoção e de instabilidade social.
História
Antecedentes, fundação e primeiros anos
Em 1534, o rei português D. João III divide a colônia em capitanias hereditárias, sendo a Paraíba subordinada à Capitania de Itamaracá, desde o rio Guaju até o rio Goiana. A Capitania da Paraíba foi criada somente em 1574, após o ataque de Tracunhaém, um engenho da capitania de Itamaracá. A nova capitania, porém, só seria ocupada onze anos depois após cinco expedições que tinham o objetivo de conquistá-la, sendo as quatro primeiras terminadas em fracasso.
A fim de repelir os invasores, em 1 de maio de 1584, em terras do atual distrito de Forte Velho, em Santa Rita, foi erguido o Forte de São Filipe na margem esquerda do Rio Paraíba, habitado pelos índios potiguaras. O forte, porém, sofreu ataques constantes de corsários franceses e dos potiguaras e foi abandonado menos de um ano depois, sendo incendiado em junho de 1585. Antes, em fevereiro daquele ano, chegaram à Paraíba os tabajaras, chefiados por Piragibe, instalando-se na margem esquerda do rio. Inicialmente aliados, os tabajaras logo se tornaram rivais dos potiguaras e entraram em conflito com estes e também com os colonizadores portugueses.
Um acordo de paz entre os portugueses e os tabajaras, representados por Piragibe, foi selado em 5 de agosto de 1585, concretizando assim a conquista da Paraíba. Tal acordo possibilitou o início do povoamento da região a partir de 31 de outubro de 1585, em uma área na foz do rio Sanhauá, que foi batizada de Porto do Capim, na parte baixa do atual bairro do Varadouro. Já em 4 de novembro, começa a ser edificado o "forte da cidade". Este dia é considerado por alguns historiadores como a data real de fundação de João Pessoa, inicialmente "Cidade Real de Nossa Senhora das Neves", ao invés de 5 de agosto. Tal forte, que muitas vezes é confundido com o forte do Varadouro (construído somente nos anos 1630), durou poucos anos e, no final dos anos 1600, já se encontrava em ruínas.
Entre 1585 e 1586, no alto de uma colina, começa a ser construída uma capela dedicada a Nossa Senhora das Neves, que rapidamente se tornou matriz de uma freguesia, cujo primeiro vigário foi o Padre João Vas Sallem, nomeado em 30 de outubro de 1586. A fim de possibilitar a conexão entre essa colina (Cidade Alta) e a foz do Sanhauá (Cidade Baixa), foi aberta uma via, apontada por alguns historiadores como a Ladeira de São Francisco e por outros como Ladeira da Borborema. Em 1588 a cidade passou a se chamar Filipeia de Nossa Senhora das Neves em referência ao Filipe II que, na época, acumulava os tronos de Portugal e Espanha, a chamada União Ibérica (1580-1640). Em 1599, é firmado um acordo de paz com os potiguaras e a Filipeia de Nossa Senhora das Neves passa a se chamar Parahyba.
Os primeiros anos após a fundação da cidade também foram marcados pela chegada de ordens religiosas, sendo elas os franciscanos, carmelitas e beneditinos. Em 1589 chega à cidade o Frei Melchior de Santa Catarina, custódio dos franciscanos, com o intuito de instalar uma missão. O governo da capitania ofereceu um terreno para a construção de um convento, que fora aprovado pelo frei. O projeto foi elaborado pelo Frei Francisco dos Santos e sua construção teve início em 1590, sendo, porém, paralisada em data incerta, entre 1592 e 1596. A obra foi retomada somente em 1602 e finalizada em 1608.
Acredita-se que ainda em 1591 chegaram os carmelitas, que somente a partir de 1600 começaram a erguer o seu convento. Em 1595, o Frei Damião da Fonseca, representante dos beneditinos, chegou à Filipeia e solicitou ao governador da capitania, Feliciano Coelho de Carvalho, um terreno para a construção de um mosteiro, que também teve início por volta de 1600. As terras para a construção desse mosteiro, a poucos metros da Igreja Matriz, pertenciam ao vigário Sallem.
Da ocupação holandesa ao século XVIII
A primeira tentativa holandesa de conquistar a Capitania da Paraíba ocorreu em dezembro de 1631, entre os dias 5 e 10, terminando em fracasso. A fim de evitar novas invasões e garantir a segurança da capitania, foram erguidos dois fortes, Santo Antônio e Restinga. Uma nova tentativa ocorreria somente em fevereiro de 1634, novamente sem êxito. Somente na terceira tentativa, em 24 de dezembro de 1634, os holandeses conseguiram entrar sem qualquer resistência, levando a população local a migrar para áreas rurais e abandonar a cidade, que passa a se chamar Frederica, Frederikstad no idioma holandês, uma referência a Frederico Henrique, príncipe de Orange.
Na época, a cidade possuía aproximadamente 1 500 habitantes e um total de dezenove engenhos de açúcar, boa parte deles confiscados pelos invasores. Os franciscanos foram expulsos do seu convento, que foi transformado em fortificação (1636). Somente em 1637 os portugueses reconhecem o domínio holandês na chamada Nova Holanda, em uma faixa compreendida entre o Rio São Francisco e o atual Ceará.
Elias Herckmans, que administrou a capitania entre 1636 e 1639, descreveu a cidade como:
Ella está circumdada pelo bosque, e não pôde ser vista por quem se approxima, senão quando se está nella, excepto si se sobe ou desce o rio, porque em se chegando á bocca ou entrada da Bahia chamada Varadouro, se pode avistar perfeitamente o convento de S. Francisco e alguns edifficios do lado septentrional.
Em 1645, eclode em Pernambuco a Insurreição Pernambucana, um movimento contrário ao domínio holandês no Brasil. Dentre os líderes está André Vidal de Negreiros, nascido na capitania, no engenho de São João, tendo participado de todas as fases do movimento, incluindo as duas batalhas dos Guararapes, em 1648 e 1649. A Primeira Guerra Anglo-Holandesa (1652-1655), entre Holanda e Inglaterra, enfraqueceu o domínio holandês no Nordeste, levando os invasores a assinarem a rendição em 26 de janeiro de 1654, deixando a capitania em ruínas. Porém, somente em 1661, a Holanda reconheceu definitivamente a soberania portuguesa sobre o território do atual Nordeste brasileiro, por meio do Tratado de Haia. Com o fim da ocupação, Frederica passa a se chamar "Parahyba do Norte". Em 1671, a Matriz de Nossa Senhora das Neves teve a maior parte de sua estrutura demolida, com exceção da nave. A reconstrução do templo, paralisada várias vezes, durou mais de um século, sendo concluída somente no final do século XVIII.
Em agosto de 1704, o capitão-mor da Paraíba, Fernando de Barros e Vasconcelos, ordenou por carta régia a construção da Casa de Pólvora, na ladeira de São Francisco, que se estenderia até 1710. Em 24 de setembro de 1729, foi lançada a pedra fundamental da Igreja de Nossa Senhora das Mercês, que foi sagrada em 21 de setembro de 1741. Em 1763, o português Sílvio Siqueira, durante sua passagem pelo litoral da Paraíba, enfrentou uma grande tempestade no mar e, reunindo toda a tripulação de sua embarcação, intercedeu a Nossa Senhora da Penha, de quem era devoto, para que a situação se acalmasse. Poucos minutos depois, a tempestade enfraqueceu e a tripulação desembarcou onde hoje é a Praia da Penha, onde foi erguido um santuário dedicado à santa. Na mesma década, por volta de 1767, surgiu a Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens.
Ainda no século XVIII, a cidade entrou em decadência, levando à extinção da capitania em 1756, quando foi anexada à capitania de Pernambuco. A Paraíba só voltaria a existir como unidade política separada em janeiro de 1799, quando sua autonomia foi recuperada.
Século XIX
No dia 7 de setembro de 1822, o Brasil se tornava politicamente independente de Portugal e a Paraíba se tornaria uma província do Império do Brasil, tendo a Cidade da Parahyba como sua capital que, na época, possuía uma população de cerca de três mil habitantes. Naquele ano chegou à cidade o primeiro serviço de iluminação pública, constituído por vinte lampiões alimentados com azeite de mamona. Em 1828, a capital já possuía 5 816 moradores e um total de 2 119 domicílios, a maior parte de palha ou taipa. Já no ano seguinte, a iluminação pública é reforçada e a Cidade da Parahyba passa a ter cinquenta lampiões. Em 24 de março de 1836, no primeiro andar da Assembleia Provincial, é fundado o Lyceu Paraibano, que teve seu primeiro estatuto aprovado em 19 de abril de 1837.
Por volta de 1840, é construída sobre o rio Sanhauá a Ponte Sanhauá ou Ponte do Baralho, o primeiro acesso entre a Cidade da Parahyba e a Vila Barreiras, atuais bairros de Baralho e São Bento, que deram origem à cidade de Bayeux, na época uma localidade de Santa Rita. Em 1847, por decreto imperial, é criada a Capitania dos Portos, que se tornou responsável pela administração do Porto do Capim e, em 24 de janeiro de 1855, a Cidade da Parahyba ganha seu primeiro cemitério. Em 1856, o sistema de iluminação pública da cidade, dada sua baixa eficiência, deixa de existir, exceto nas festividades. Somente em 1885, o sistema é retomado, desta vez utilizando-se lampiões alimentados a querosene.
Em 4 de novembro de 1858 é sancionada a lei provincial nº 13, que criou o Colégio Nossa Senhora das Neves, inaugurado em 5 de fevereiro de 1859. A referida escola, porém, foi fechada menos de dois anos depois, permanecendo assim até março de 1895. No Natal de 1859, a Cidade da Parahyba recebeu a visita do imperador Dom Pedro II e de sua esposa Teresa Cristina. Em 1872, quando foi realizado o primeiro censo nacional no Brasil, a população da cidade foi aferida em 24 714 habitantes, sendo a quarta localidade mais populosa da Província da Paraíba, depois de Sousa (29 726 habitantes); Independencia, atual Guarabira (28 191); e Areia (25 549).
Em 3 de novembro de 1889 a cidade ganha o Teatro Santa Rosa, batizado com o sobrenome do presidente da Província da Paraíba, Gama Rosa. Doze dias depois seria proclamada a República e a Paraíba passaria de província para estado, permanecendo a cidade como sua capital. Assume a presidência do estado Venâncio Neiva, que logo muda o nome do espaço para "Teatro do Estado".
No dia 27 de abril de 1892, a Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves se torna catedral com criação da Diocese da Paraíba, por meio da bula Ad Universas Orbis Ecclesias, do Papa Leão XIII. A nova circunscrição eclesiástica, desmembrada da Diocese de Olinda (Pernambuco), compreendia toda a área territorial dos estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba e fora solenemente instalada em 4 de março de 1894, com a posse do seu primeiro bispo, Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, que nesta data instituiu o Seminário Diocesano da Paraíba Imaculada Conceição e o Colégio Diocesano (atual Colégio Marista Pio X), tendo sido responsável ainda pela reabertura do Colégio Nossa Senhora das Neves em 14 de março do ano seguinte, após mais de três décadas fechado.
A partir de 2 de março de 1895, por meio de uma lei estadual, a cidade deixaria de ser administrada por um conselho municipal e passaria a ser administrada por um prefeito, a ser nomeado pelo governador do estado. O primeiro a ocupar o cargo foi o ex-deputado provincial Jovino Limeira Dinoá, que administrou o município até outubro de 1900. Em 1896, chegam à cidade os primeiros bondes de tração animal, operados pela Ferro Carril Parahyba.
Primeiras décadas do século XX
No censo de 1900, a população do município chegava a 28 793 habitantes, um crescimento de mais de 50% em relação ao censo anterior, de 1890, quando possuía 18 645 pessoas. Ainda assim, o município mais populoso do estado era Guarabira, que já possuía 40 052 habitantes, seguido por Campina Grande (38 303). Àquela época, a zona urbana se restringia à área compreendida entre o rio Sanhauá e lagoa dos Irerês. Em 1906, durante a gestão do presidente do estado (denominação dos atuais governadores) Walfredo Leal, com o início da construção da ferrovia de Tambaú, surge a primeira conexão entre o centro da cidade e o litoral, concluída somente em 1911 no governo do seu sucessor, João Machado.
Em março de 1912, entra em operação a Usina Cruz do Peixe, operada pela Empresa de Tração, Força e Luz, que passou a fornecer eletricidade para a cidade, substituindo a iluminação a gás acetileno e a querosene. Já no mês seguinte começou a funcionar o sistema de abastecimento de água, implantado a partir da perfuração de poços amazonas na Mata do Buraquinho e projetado a partir de 1907, quando o governo paraibano adquiriu a área por cinco mil cruzeiros. Ambos, porém, não eram universais, sendo acessíveis apenas às classes mais privilegiadas. Em 1913, a convite do presidente da Paraíba, Castro Pinto, o engenheiro sanitarista Saturnino de Brito elaborou um projeto que visava instituir um sistema de esgotamento sanitário local, executado somente a partir de 1922.
No dia 6 de fevereiro de 1914, por meio da bula papal Maius Catholicae Religionis Incrementum, o Papa Pio X eleva a Diocese da Paraíba à dignidade de arquidiocese e Dom Adauto, que estava à frente do bispado desde 1894, tornou-se o primeiro arcebispo, permanecendo à frente até 1935, ano em que morreu. Ainda em fevereiro de 1914, no dia 17, chegam os bondes elétricos, que substituíram os bondes de tração animal. Nos anos de 1915 e 1916, a cidade ganha seus primeiros hotéis, sendo eles o Hotel Globo (1915) e o Hotel Luso-Brasileiro (1916). Por volta de 1918, na administração de Camilo de Holanda, presidente da Paraíba de 1916 a 1920, foi iniciada a abertura de uma via que possibilitasse um acesso direto entre o centro e a praia de Tambaú, na época apenas uma pequena colônia de pescadores. Contudo, a obra dessa via, que se tornaria a atual Avenida Presidente Epitácio Pessoa, não chegou a ser concluída.
Em 1920, quando a capital paraibana chegava a 52 990 habitantes, assume a intendência municipal Walfredo Guedes Pereira. Dentre suas principais realizações, estão a construção da Praça da Independência, inaugurada em 7 de setembro de 1922 em comemoração ao primeiro centenário da Independência do Brasil; a criação do Parque Arruda Câmara, inaugurado na véspera de Natal daquele mesmo ano e a drenagem e saneamento do entorno da Lagoa dos Irerês. Esta, por meio de um decreto-lei municipal de 27 de setembro de 1924, passou a se chamar Parque Sólon de Lucena, em referência a Sólon Barbosa de Lucena, na época presidente da Paraíba. Sua gestão também fora marcada pela demolição de duas igrejas seculares, Mãe dos Homens e Rosário dos Pretos, ambas em 1923, a primeira para permitir o prolongamento da atual Avenida Monsenhor Walfredo Leal, como também a construção da Praça Antônio Pessoa, enquanto a última daria lugar à Praça Vidal de Negreiros, que ficou conhecida como Ponto de Cem Réis, em referência ao valor da passagem cobrada pelos bondes que passavam por ali.
Em 1926, entra em funcionamento o sistema de esgotamento sanitário da capital e o Parque Sólon de Lucena ganha suas palmeiras-imperiais. Em agosto de 1929, o Hotel Globo, que funcionava onde hoje é a Rua João Suassuna, muda-se para o Largo de São Frei Pedro Gonçalves, na residência do seu proprietário, Henriques Siqueira, conhecido por "Seu Marinheiro". No mesmo ano, a mando do presidente da Paraíba, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, foi demolida, ao lado do Palácio da Redenção, a secular Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares (antiga Capela de São Gonçalo), com exceção da torre.
Da mudança de nome aos anos 1950
Em 26 de julho de 1930, João Pessoa fora assassinado na Confeitaria Glória na Rua Nova, em Recife, por João Duarte Dantas, seu adversário e desafeto político. O episódio gerou grande repercussão nacional e se tornou um dos estopins da Revolução de 1930, no qual a Paraíba liderou com Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Seu corpo foi embalsamado ainda em Recife e transportado por via férrea para a capital paraibana, onde chegou no dia 27 e seguiu para a Catedral de Nossa Senhora das Neves. Lá, foi velado até o dia 1º de agosto, quando foi transportado ao porto de Cabedelo para ser sepultado no Rio de Janeiro, fato que ocorreu no dia 7 de agosto.
Em 1º de setembro de 1930, durante sessão ordinária da Assembleia Legislativa da Paraíba no Teatro Santa Rosa, foi apresentado um projeto de lei que alterava o nome da capital de Parahyba do Norte para João Pessoa. Tal projeto, votado e aprovado em dois turnos, foi sancionado no dia 4 de setembro seguinte pelo presidente da Paraíba, Álvaro Pereira de Carvalho, tornando-se a lei estadual nº 700. Ainda em homenagem a João Pessoa, a Praça Comendador Felizardo foi logo rebatizada para Praça Presidente João Pessoa e, em seu centro, foi construído o monumento "O Altar da Pátria", inaugurado em 8 de setembro de 1933 com a presença do presidente da República, Getúlio Vargas.
Em 1932, a convite de Antenor Navarro, interventor federal na Paraíba, o arquiteto Nestor de Figueiredo elabora o projeto urbanístico da capital, chamado de Plano de Remodelação e Extensão da Cidade de João Pessoa. Seu sucessor, Gratuliano Brito (1932-1934), que assumiu com a morte de Antenor, inaugurou o Paraíba Palace Hotel, onde antes funcionava a sede do jornal Correio da Manhã, em frente à Praça Vidal de Negreiros, e retomou a abertura da Avenida Epitácio Pessoa, concluída em 1940, partindo da Praça da Independência até a praia de Tambaú, apresentando uma extensão de cinco quilômetros.
Entre os meses de janeiro e setembro de 1935, o ex-prefeito Guedes Pereira volta ao comando da capital. Desta vez, foi desapropriado o terreno onde ficava a Igreja Nossa Senhora das Mercês, que fora demolida em 1936 para dar lugar à atual Praça 1817. No ano seguinte, o interventor federal Argemiro de Figueiredo inaugura a atual sede do Lyceu Paraibano, que desde a sua criação funcionava ao lado do Palácio da Redenção, onde hoje está a Faculdade de Direito da Paraíba. Em 1º de novembro de 1939, após três anos em obras, a Arquidiocese da Paraíba e a prefeitura de João Pessoa inauguram a nova Igreja das Mercês, na Rua Padre Meira, a poucos metros de onde se situava a igreja original. Também em 1939 é oficialmente inaugurado o Parque Sólon de Lucena e, no ano seguinte, o paisagista Burle Marx projetou o jardim do espaço.
Em 1940, é fundado o Aeroclube da Paraíba, que entrou em operação no dia 10 de novembro em área do atual bairro de Tambauzinho, onde antes se localizava o Campo da Imbiribeira. A partir de 1941, o governo estadual abre a estrada João Pessoa-Cabedelo, com o intuito de ligar à zona urbana da capital ao Porto de Cabedelo, que já operava desde 1935 na foz do rio Paraíba. Ainda em 1941, por meio de uma perícia realizada pelo Ministério da Marinha, a Ponta do Seixas é reconhecida como o ponto mais oriental do território brasileiro, título este que era disputado há anos com Ponta de Pedras, em Pernambuco. O historiador paraibano Coriolano de Medeiros narra, em sua obra Dicionário Corográfico do Estado da Paraíba:
Assim foi feito: no dia 5 de setembro [de 1941] foi observada em ponta de Pedras e no dia 12 no Cabo Branco, sendo as posições convenientemente transportadas junto à água. A sorte sorriu à Paraíba pois que a ponta do Seixas, no Cabo Branco, é o ponto mais oriental do território nacional, sendo portanto o mais oriental das duas Américas. Aquela ponta paraibana avança galhardamente cerca de 1683 metros para leste a mais que a ponta de Pedras.
Em 12 de outubro de 1947, ocorreram as primeiras eleições diretas para prefeito da história de João Pessoa, com quatro concorrentes, sendo eleito com 45,56% dos votos válidos o candidato Osvaldo Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, do Partido Social Democrático, irmão de João Pessoa e sobrinho de Epitácio Pessoa. Empossado em 14 de março de 1948, permaneceu à frente da prefeitura até 1951, quando renunciou. Antes, em 11 de outubro de 1948, entra em vigor o Código de Posturas do Município.
Na véspera de Natal de 1952, era inaugurada a pavimentação da Avenida Epitácio Pessoa, em forma de paralelepípedo, em uma década em que o crescimento da cidade se tornava mais evidente, com vários loteamentos surgindo no entorno da avenida. Tais loteamentos deram origem aos atuais bairros de Brisamar, Cabo Branco, Estados, Expedicionários, Miramar, Pedro Gondim, Tambaú, Tambauzinho e Torre, consolidando assim a expansão da cidade do centro em direção ao oceano. Boa parte dessas terras pertencia antes à Fazenda Ribamar ou Boi-Só, que teve como primeiro proprietário o francês Boisôt, da família Boisson, no século XIX.
Em 1953, é inaugurado o Busto de Tamandaré e o Aeroclube da Paraíba se muda para área desapropriada pelo governo do estado, no atual bairro do Aeroclube. Ainda naquela mesma década, a praia de Tambaú ganharia seu primeiro calçadão, junto com a abertura da Avenida Almirante Tamandaré. A partir de 1958, começa a ser erguido o Edifício Presidente João Pessoa que, com dezoito andares, tornou-se o primeiro arranha-céu da cidade, entregue no começo dos anos 1960.
Entre as décadas de 1940 e 1950, o município registrou um crescimento populacional de 26,5%, passando de 94 333 habitantes em 1940 para 119 326 em 1950. No estado, só perdia para Campina Grande, no agreste, com 173 206. Em 1960, após a emancipação dos distritos de Cabedelo (1956) e Alhandra (1959), alcançou 155 117 habitantes, ainda atrás de Campina Grande (204 583).
Anos 1960 e 1970
Em 1961, João Pessoa perderia o distrito de Pitimbu, elevado à categoria de município e, em 1963, seria a vez da Vila do Conde, atual município do Conde. Ainda em 1963, é criado o distrito industrial de João Pessoa e, a partir de 1965, começa a ser construído o câmpus da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), estimulando o crescimento na cidade nas direções sul e sudeste. Próximo ao câmpus, a partir de 1969, surgiriam três conjuntos habitacionais, que deram origem ao atual bairro do Castelo Branco. Outros dois fatores que impulsionaram o crescimento de João Pessoa na época foram o prolongamento da Avenida Pedro II e a abertura da atual Avenida Cruz das Armas.
Em 5 de fevereiro de 1966, já durante o regime militar no Brasil, o presidente da República Humberto de Alencar Castelo Branco baixou o Ato Institucional n.º 3, que impôs a eleição indireta para os governadores dos estados e estes passariam a nomear os prefeitos de suas capitais. Sendo assim, o prefeito Domingos Mendonça Neto, eleito em 1963, teve seu mandato cassado e, em seu lugar, foi nomeado o ex-prefeito Damásio Barbosa de Franca, que administrou o município por cinco anos. Em sua gestão, tem início a pavimentação da Avenida Atlântica, atual Avenida Senador Ruy Carneiro, partindo da Avenida Epitácio Pessoa e ligando esta à praia de Manaíra.
Em junho de 1969, começa a ser construído o Viaduto Damásio de Franca em referência ao prefeito, que fora inaugurado em 17 de julho do ano seguinte. No censo daquele ano, João Pessoa assume o posto de município mais populoso da Paraíba, com 221 546 habitantes, contra 195 303 de Campina Grande, que perdia território com a criação de novos municípios. Ainda em 1970, em meio ao crescente processo de verticalização na cidade, uma emenda à constituição estadual de 1967 limitou a construção de prédios altos na orla a dois pavimentos, na faixa compreendida entre as praias da Penha e Formosa, esta em Cabedelo.
Após ter sua construção iniciada em 1969, o governador João Agripino inaugurou, em 6 de março de 1971, o Hotel Tambaú, a poucos dias do término do seu mandato. O novo empreendimento, projetado pelo arquiteto Sérgio Bernardes e erguido na areia da praia de Tambaú, fora reinaugurado em 11 de setembro seguinte pelo sucessor de Agripino, Ernâni Sátiro. Em 20 de abril de 1972, por lei municipal, foram oficializados o brasão, a bandeira e o estandarte do município e, no dia seguinte, João Pessoa ganha o Farol do Cabo Branco, situado em uma falésia próxima à Ponta do Seixas. Em maio seguinte, é concluída a pavimentação da Avenida Senador Ruy Carneiro.
Ainda em 1972 é pavimentado o primeiro trecho da BR-230 na cidade, que na época constituía o chamado Contorno Rodoviário de João Pessoa, ligando a Estrada João Pessoa-Cabedelo, federalizada e incorporada à nova rodovia, à BR-101, no entroncamento com a Avenida Cruz das Armas. Na época a cidade era administrada por Dorgival Terceiro Neto (1971-1974), que em 1973 abriu duas importantes vias: a Avenida Beira-Rio (Avenida Ministro José Américo de Almeida a partir de 1977), que liga o centro à praia do Cabo Branco, e a Avenida Governador Flávio Ribeiro Coutinho, o chamado "Retão de Manaíra", que impulsionou a expansão da capital para o norte, chegando à praia do Bessa, em direção a Cabedelo. Ao mesmo tempo, a cidade também se expandia na direção sudoeste e também para o sul, com a criação de conjuntos habitacionais. Em 1974, é elaborado o Plano de Desenvolvimento Urbano (PDU), que resultou na criação do Código de Urbanismo, instituído pela lei municipal 2 102, de 31 de dezembro de 1975.
Em 9 de março de 1975, é inaugurado pelo governo estadual o Estádio Ernani Sátiro, com partida inaugural entre o Botafogo de João Pessoa e o Botafogo do Rio de Janeiro, com vitória de 2 a 0 para o time carioca. Seu nome foi alterado para Estádio José Américo de Almeida Filho no ano seguinte, em homenagem a um ex-atacante do Botafogo de João Pessoa nos anos 1930 e filho do ex-governador José Américo de Almeida. Ainda em 1975, no dia 24 de agosto, durante as comemorações em alusão ao Dia do Soldado, o Parque Sólon de Lucena foi palco da Tragédia do Baltrão, quando uma balsa com cerca de duzentos passageiros, mais de três vezes a sua capacidade, naufragou na lagoa, levando à morte de 35 pessoas por afogamento, dos quais 29 eram crianças.
Até o final dos anos 1970, surgiriam novos loteamentos às margens do contorno rodoviário de João Pessoa, que deram origem aos atuais bairros de Água Fria, Ernesto Geisel e José Américo. Na mesma época, teve início a abertura de uma via que possibilitaria uma ligação mais direta entre a BR-230 com a Praia da Penha, a atual Avenida Hilton Souto Maior, substituindo a antiga Estrada da Penha e tornando-se a via mais extensa da cidade, com extensão de 7,5 km.
Anos 1980 e 1990
Em 1980, João Pessoa já possuía uma população de 329 942 habitantes, contra 221 546 em 1970, consolidando o crescimento urbano e populacional das últimas décadas. Ainda em 1980, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP) tombou vários monumentos e lugares históricos da cidade e, em 1982, definiu os limites do Centro Histórico, que abrangiam uma área de 117 hectares. Em abril daquele mesmo ano, João Pessoa ganha o Espaço Cultural José Lins do Rego, onde antes funcionara a primeira sede do Aeroclube da Paraíba e, em junho de 1983, é inaugurado o Conjunto Habitacional Tarcísio de Miranda Burity, que deu origem ao bairro de Mangabeira, cujo nome veio em decorrência da grande quantidade de pés de mangaba que existia na área. No ano seguinte seria a vez do Parque Residencial Valentina de Figueiredo, atual bairro do Valentina, fazendo o crescimento da cidade ultrapassar definitivamente os limites do rio Cuiá. O nome é uma referência a Valentina Silva de Oliveira Figueiredo, mãe do presidente brasileiro na época, João Figueiredo, tendo este participado da inauguração do novo conjunto. Até o final dos anos 1980 também surgem os conjuntos habitacionais de Gramame, do Grotão e dos Funcionários (I e II).
No ano de 1985, João Pessoa chegou ao seu quarto centenário de existência. Naquele ano, após o fim de duas décadas de regime militar, a capital voltaria a ter eleições diretas para prefeito, que foram realizadas em novembro. Na ocasião, venceu o candidato Antônio Carneiro Arnaud, cujo mandato se estendeu de 1986 a 1988, tendo como sucessor Wilson Braga, ex-governador da Paraíba. Em 1989, por iniciativa do governo da Paraíba em conjunto com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), dá-se início à revitalização do centro histórico, começando pela Praça Dom Adauto e a Praça São Francisco e estendendo-se por outras praças e monumentos ao longo dos anos 1990. Ainda em 1989, João Pessoa ganha o Manaíra Shopping, hoje o maior shopping center da Paraíba, e é promulgada a atual constituição da Paraíba que, em seu artigo 229, considerou toda a zona costeira do estado como patrimônio, mantendo a proibição de prédios altos na orla que vigorava desde 1970. A constituição também previu, no artigo 82 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a realização de um plebiscito acerca do nome da cidade, o que, porém, nunca ocorreu.
No dia 2 de abril de 1990, a câmara de vereadores promulga a atual lei orgânica do município, alterada por posteriores emendas. No começo dos anos 1990, o trecho urbano da BR-230 torna-se duplicado. Em 1991, a cidade chega a 497 600 habitantes, um crescimento de 51% em relação ao censo de 1980. Em 1992, durante a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92), realizada na cidade do Rio de Janeiro, o prefeito Carlos Mangueira declarou João Pessoa como a segunda cidade mais verde do mundo, depois de Paris, na França. Em 30 de dezembro do mesmo ano, por lei complementar, é instituído o plano diretor do município, instrumento básico da política urbana e, dois dias depois, toma posse o novo prefeito da capital e filho do ex-prefeito Damásio Franca, Francisco Franca, que ocupou o cargo até 1996, quando foi eleito o candidato Cícero Lucena.
Em 1997, os restos mortais de João Pessoa e de sua esposa foram transferidos do Rio de Janeiro para João Pessoa, sendo sepultado em um mausoléu construído pelo governo estadual entre o Palácio da Redenção e a Faculdade de Direito da Paraíba. No mesmo ano, o Papa João Paulo II dá o título de basílica à Catedral de Nossa Senhora das Neves, após uma grande reforma estrutural, sob o episcopado de Dom Marcelo Carvalheira.
Anos 2000-presente
Em 28 de agosto de 2000, por meio do decreto estadual 21 264, a Mata do Buraquinho é transformada em jardim botânico, levando o nome de Benjamin Maranhão. Em 1º de outubro de 2000, ocorreram as eleições municipais e, com 74,02% dos votos válidos, Cícero Lucena tornou-se o primeiro prefeito reeleito da história do município. No seu segundo mandato, ocorreu a reurbanização do calçadão da orla no trecho que compreende as avenidas Cabo Branco e Almirante Tamandaré, nos bairros de Cabo Branco e Tambaú, respectivamente. Ambas as avenidas também foram alargadas, assim como a Avenida Governador Flávio Ribeiro Coutinho (Retão de Manaíra). No final de 2003, por lei complementar estadual, é instituída a Região Metropolitana de João Pessoa (RMJP), inicialmente constituída pela capital e mais oito municípios.
Cícero Lucena foi sucedido em 2005 por Ricardo Coutinho, eleito em primeiro turno nas eleições de 2004. Em dezembro de 2007, o Centro Histórico de João Pessoa se tornou patrimônio histórico nacional e, em julho de 2008, foi inaugurada a Estação Cabo Branco de Ciência, Cultura e Artes, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e próxima ao Farol do Cabo Branco. Em outubro do mesmo ano, Ricardo é reeleito para a prefeitura, com uma votação mais expressiva em relação à eleição anterior, vindo a renunciar em 31 de março de 2010 para se candidatar a governador da Paraíba, cargo do qual ocupou entre 2011 e 2018.
Em agosto de 2012, João Pessoa ganha seu atual centro de convenções, dentro do qual está o maior espaço teatral do Nordeste, o Teatro Pedra do Reino, inaugurado em agosto de 2015. A partir de 2013, a cidade é administrada por Luciano Cartaxo, que permaneceu à frente da gestão municipal até 2020, ano em que a cidade ganha o Largo de Tambaú, no limite entre as praias de Tambaú e Cabo Branco. Nas eleições de novembro daquele ano, o ex-prefeito Cícero Lucena é eleito para seu terceiro mandato, sendo reeleito em 2024, sendo o primeiro prefeito a conquistar quatro mandatos na história pessoense.
Em 17 de dezembro de 2024, a Assembleia Legislativa da Paraíba aprovou uma emenda que retirou da Constituição estadual o dispositivo que previa, desde a sua promulgação, a realização de um plebiscito sobre o nome da cidade, oficializando João Pessoa como nome da capital da Paraíba.
Geografia
A área territorial de João Pessoa é de 210,044 km², equivalente a 0,372% do território da Paraíba. Banhado a leste pelo Oceano Atlântico, João Pessoa possui 23,89 km de litoral, tendo como limites: Cabedelo a norte, Conde a sul, Bayeux e Santa Rita a oeste. Pertence às regiões imediata e intermediária de João Pessoa, de acordo com a divisão regional vigente desde 2017; antes, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de João Pessoa, que por sua vez estava incluída na mesorregião da Mata Paraibana.
O relevo local é tabular, predominantemente plano a suave ondulado, apresentando baixas declividades e inserido nos tabuleiros litorâneos, constituídos tanto pelas planícies fluviomarinhas, que acompanham todo o litoral do Nordeste, quanto pelos planaltos costeiros. Geologicamente, parte do território pessoense está situado em área de abrangência de rochas dos grupos Barreiras e Gramame, sendo o restante constituído por sedimentos fluviomarinhos quaternários. O ponto mais alto do município está localizado no vale do rio Mumbaba, a uma altitude máxima de 74 metros. O solo predominante é o argissolo, havendo também áreas de neossolos nos vales dos rios e parte da costa; organossolos nas áreas de manguezais e, no limite com o município de Conde, espodossolos.
João Pessoa possui dois importantes remanescentes do bioma Mata Atlântica em seu território, sendo o maior deles o Parque Estadual das Trilhas, com 578,48 ha de área e criado pelo decreto 37 653, de 16 de setembro de 2017, incorporando áreas dos antigos parques estaduais de Aratu (criado em 2012), Jacarapé (2007) e Trilhas dos Cinco Rios (2014). Outro importante remanescente é o Jardim Botânico Benjamin Maranhão (Mata do Buraquinho), com uma área equivalente a 517,80 hectares (ha). Cercado pela área urbana e cortado pelo rio Jaguaribe ao meio, a Mata do Buraquinho foi criada como jardim botânico pelo decreto estadual 21 264, de 28 de agosto de 2000, tornando-se unidade de conservação de proteção integral na categoria refúgio de vida silvestre em 23 de julho de 2014, pelo decreto estadual 35 195. Também se destaca o Parque Arruda Câmara, popularmente chamado de Bica.
Na hidrografia de João Pessoa destaca-se o rio Jaguaribe, que nasce no conjunto Esplanada, próximo à BR-230, e percorre vários bairros de João Pessoa até desaguar no mar, entre as praias do Bessa (João Pessoa) e Ponta de Campina (Cabedelo), totalizando um comprimento de 21 km. Historicamente, destaca-se o rio Sanhauá, que nasce a partir do encontro dos rios do Meio e Marés, no município de Bayeux, e deságua no rio Paraíba. No limite com o município de Conde, está o rio Gramame, cuja bacia hidrográfica é responsável pelo abastecimento de água de boa parte da região metropolitana. Outros rios do município são Aratu, Cuiá, do Cabelo, Jacarapé, Mussuré e Timbó.
Clima
O clima de João Pessoa é o tropical úmido, do tipo As' na classificação climática de Köppen-Geiger, com índice pluviométrico anual superior a 1 800 milímetros (mm). Apesar disso, chuvas com raios e trovoadas são pouco comuns. De acordo com o Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (ELAT/INPE), o município apresenta uma densidade de descargas de 0,184 raios/km²/ano, estando na 199ª posição a nível estadual (dentre 223 municípios) e na 5 421ª a nível nacional (de 5 570).
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde 1931 a menor temperatura registrada em João Pessoa ocorreu em 1º de julho de 1936, com mínima de 16,2 °C, enquanto a maior foi registrada em 6 de janeiro de 2024, com máxima de 34,9 °C. O maior acumulado de precipitação registrado em 24 horas atingiu 194 mm em 18 de junho de 1986, seguido por 191 mm em 11 de agosto de 1970, 190,2 mm em 14 de junho de 2019, 189,6 mm em 4 de setembro de 2013 e, mais recentemente, 189 mm em 14 de maio de 2021. Em junho de 1951 o total mensal chegou a 925,1 mm, o maior da série histórica.
Demografia
João Pessoa é o município mais populoso da Paraíba, o sétimo do Nordeste e o vigésimo do Brasil. Entre os censos de 2010 e 2022, o município registrou o maior crescimento do Nordeste e o décimo do país em números absolutos, com a população saltando de 723 515 pessoas em 2010 (24ª posição a nível nacional) para 833 932 habitantes em 2022, apresentando um crescimento de 15,26% durante o período e uma taxa de crescimento geométrico anual de 1,19%. A densidade demográfica, em 2022, era de 3 970,27 hab./km², com uma média de 2,8 habitantes por domicílio e uma razão de sexo de 87,45, a menor dentre os municípios da Paraíba.
De acordo com a pesquisa de autodeclaração do último censo, pouco mais da metade dos habitantes (50,62%) eram pardos e quase dois quintos eram brancos (39,74%), havendo também pretos (9,19%), indígenas (0,31%) e amarelos (0,14%). A idade mediana da população é de 35 anos, sendo maior em pretos (37 anos) e menor em indígenas (34 anos). Ainda segundo o mesmo censo, 55,42% dos habitantes acima dos dez anos eram católicos, 29,08% evangélicos, 1,42% espíritas, 0,55% umbandistas e candomblecistas e 0,03% seguiam religiões tradições indígenas. Outros 8,07% não tinham religião, 0,03% não souberam sua preferência religiosa e 0,06% não declararam. Outras denominações, 5,34%.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do município é considerado alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). De acordo com dados do último relatório, divulgado em 2013 com dados referentes a 2010, seu valor era de 0,763, sendo o primeiro colocado a nível estadual e o 320º do Brasil. Considerando-se o índice de longevidade, seu valor é 0,832; o valor do índice de renda é 0,770 e o de educação 0,693. Embora João Pessoa seja a capital com melhor qualidade de vida da Região Nordeste, com Índice de Progresso Social (IPS) igual a 67,0, é ao mesmo tempo a capital mais desigual do Brasil, com índice de Gini de 0,629, um pequeno aumento em relação ao índice de 2010 (0,628). Enquanto a população 10% mais rica da cidade tem rendimento médio superior a R$ 26 000, nos 40% mais pobres da capital esse rendimento é inferior a R$ 1 000.
Política e administração
A administração do município é feita a partir dos poderes executivo, representado pelo prefeito e seus secretários, e legislativo, constituído pela câmara de vereadores. A sede do executivo local, antes na Agência Central dos Correios e Telégrafos, funciona hoje no Centro Administrativo Municipal, no bairro de Água Fria. A sede do legislativo pessoense é a Casa Napoleão Laureano, no Centro Histórico, composta por 27 vereadores, eleitos para mandatos de quatro anos. A principal função do legislativo é a elaboração das leis, ao lado de exercer outras tarefas constitucionais, como a apresentação pública de assuntos de interesse dos cidadãos, o debate sobre reivindicações de modo a agregá-las sob o interesse geral e a fiscalização política dos atos do Poder Executivo.
Por ser a capital do estado da Paraíba, em João Pessoa se localizam as sedes do executivo (Palácio dos Despachos), legislativo (Assembleia Legislativa) e judiciário (Tribunal de Justiça da Paraíba) estaduais, a primeira localizada na Praça Pedro Américo as duas últimas ao redor da Praça João Pessoa. A cidade abriga, ainda, a sede do Ministério Público do Estado da Paraíba, da 13ª Região do Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
João Pessoa é também sede regional de diversas instituições do governo federal. Dentre as instituições militares presentes na cidade, estão a Base Administrativa da Guarnição de João Pessoa; o Grupamento General Lyra Tavares, que é o nome dado ao 1º Grupamento de Engenharia, responsável pelo planejamento e coordenação de todas as atividades e obras de engenharia executadas na área do Comando Militar do Nordeste, possuindo internamente o Hospital de Guarnição de João Pessoa. Possui também, o 15.º Batalhão de Infantaria Motorizado, conhecido como Regimento Vidal de Negreiros, e a sede da Marinha do Brasil no estado, responsável pela administração da Capitania dos Portos da Paraíba. Desde 2017, a cidade integra a Rede de Cidades Criativas da UNESCO, promovendo a inovação e a criatividade como base fundamental para o desenvolvimento urbano sustentável e inclusivo.
Relações internacionais e cidades-irmãs
João Pessoa possui consulados da Espanha, de Portugal e da Itália.
Dentre as cidades-irmãs está Ushuaia, na Argentina, que até 2019 era a cidade mais austral do planeta Terra. Outras cidades-irmãs de João Pessoa são Hartford, Boca Raton, Pompano Beach e Ovar, sendo esta última em Portugal e as outras três nos Estados Unidos.
Subdivisões
Os bairros oficiais de João Pessoa, definidos por lei municipal de 1998, são:
Até 2003 existia o bairro Jardim das Acácias, extinto e incorporado em parte ao Róger e o restante a Tambiá. As zonas de expansão da cidade, informalmente consideradas como bairros pela população, são: Barra de Gramame, Costa do Sol, Gramame, Mata do Buraquinho, Mumbaba e Mussuré. Outras áreas tidas como bairros, também não oficiais, são o Bairro dos Novais (pertence ao bairro do Oitizeiro) Jardim Esther (Mandacaru), Jardim Luna (Brisamar) e Jardim Planalto (Oitizeiro).
Economia
O PIB de João Pessoa atingiu R$ 28,4 bilhões em 2023, consolidando-se como a maior economia da Paraíba, respondendo sozinho por 29,3% do PIB estadual, e a oitava maior do Nordeste, estando na 49ª posição no ranking nacional, dos quais pouco mais de três quintos (60,1%) são provenientes do setor de serviços, em seguida vêm os gastos da administração pública (22,5%), além da indústria (17,2%) e da agropecuária (0,2%). O PIB per capita de João Pessoa, no mesmo ano, era de R$ 34,1 mil. Em 2025, de acordo com o SEBRAE, havia 133 749 empresas ativas, das quais a maior parte era representada pelo comércio varejista (16,8%), seguido pelos setores de alimentação (6,39%) e de educação (5,44%). Em 2024, 218 319 pessoas estavam empregadas, sendo que os setores que mais empregavam eram o comércio varejista (15,2%), construção de edifícios (11,4%) e de escriturários, assistentes e auxiliares administrativos (7,3%).
O setor primário se faz presente sobretudo através da agricultura familiar e da pesca artesanal. Os cultivos temporários que ocupavam as maiores áreas em 2024 eram a cana-de-açúcar (100 ha), a mandioca (18 ha), o abacaxi (12 ha) e a batata-doce (10 ha). Ao mesmo tempo, os cultivos permanentes mais expressivos eram o coco-da-baía (100 ha), a manga (6 ha), a castanha-de-caju (5 ha) e a banana (4 ha). Os pequenos produtores recebem auxílios da administração municipal, como por meio da distribuição de sementes e do acompanhamento técnico do solo e do plantio. É comum que essa produção seja vendida em feiras itinerantes na própria cidade, mas também pode ser escoada para outros municípios do estado.
A pesca, por sua vez, se encontra em declínio, uma vez que as famílias de pescadores optam cada vez mais por outras atividades econômicas. Dentre as razões alegadas por esses trabalhadores para a decadência da atividade estão a insuficiência da infraestrutura e a contaminação das águas. Contudo, existiam cerca de 800 pescadores em outubro de 2025. No bairro da Penha há uma Vila de Pescadores que foi originada em 1763 e ainda concentra pessoas e estabelecimentos comerciais que se sustentam por meio da pesca. Além disso, João Pessoa é o maior produtor de camarão da Paraíba, sendo que em 2024 foram produzidos 1 800 000 kg do crustáceo. No mesmo ano, o município possuía um rebanho de 125 000 galináceos, 4 257 bovinos, 2 500 suínos, 1 100 equinos, 700 ovinos e 380 caprinos. João Pessoa produziu 275 mil litros de leite de 350 vacas, 195 mil dúzias de ovos de codorna de 32 000 codornas, 47 mil dúzias de ovos de galinha de 6 500 galinhas e 1 500 quilos de mel de abelha.
No setor secundário, João Pessoa possui dois distritos industriais: um no bairro de mesmo nome, criado por volta de 1963, e outro no bairro de Mangabeira, implantado em 1994. Destacam-se as indústrias alimentícia, de cimento, de construção civil e a têxtil. Nesses núcleos industriais há presença de empresas de portes diversificados, que vão desde pequenos e médios negócios, que por vezes têm sua produção exportada para outras cidades e estados, até empresas de porte estadual e nacional. O setor têxtil de João Pessoa é beneficiado pela Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEP) por meio dos serviços ofertados pelo SESI, SENAI e IEL, que oferecem apoio a soluções de empresas, cursos de especialização e consultorias técnicas no intuito de valorizar a cadeia produtiva local. Outra área em ascensão ligada à indústria no município é o setor de tecnologia, frente à demanda por empreendedorismo tecnológico e inovação.
No setor de serviços, destacam-se o comércio e atividades imobiliárias, financeiras e profissionais. O maior centro comercial é o Manaíra Shopping, que foi inaugurado em 1989 e é um dos maiores shoppings centers do país, contando com marcas conhecidas nacionalmente e restaurantes de renome. Outros empreendimentos do mesmo tipo na cidade são o MAG Shopping, Tambiá Shopping, Shopping Sul, Mangabeira Shopping, Liv Mall, Pirâmide Shopping e Parahyba Mall. João Pessoa também possui cinco centros comerciais populares administrados pela prefeitura, segundo informações de 2023, com ramos variados de comércio, gastronomia e serviços a preços mais acessíveis.
A atividade comercial em João Pessoa está diretamente ligada à circulação de turistas, o que se deve à procura por atrativos culturais e naturais, principalmente as praias, que possibilitam a exploração do turismo como fonte de renda fundamental para o município. Nesse sentido, a cidade é um dos destinos turísticos mais procurados por brasileiros, cujo fluxo é intensificado em períodos de férias e feriados prolongados, mas também é relevante a presença de visitantes de outros países. Essa circulação de turistas contribui com o giro de capital no comércio local e beneficia a economia criativa, mediante a valorização e consumo de artes populares e do artesanato. Outrossim, existe uma rede de hotéis, pousadas, restaurantes e bares estruturada a fim de atender à demanda de turistas, além da presença do Aeroporto Internacional de João Pessoa como opção de acesso direto.
Infraestrutura
Os serviços de abastecimento de água e tratamento de esgotos de João Pessoa são de responsabilidade da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (CAGEPA), enquanto a responsável pelo fornecimento de eletricidade é a Energisa, antiga Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba (SAELPA), cuja voltagem nominal da rede elétrica é de 220 volts.
O código de discagem direta a distância local é 083 e o Código de Endereçamento Postal (CEP) varia na faixa de 58000-001 a 58099-999. O município é coberto pelas operadoras de telefonia Claro, TIM e Vivo. João Pessoa foi a primeira capital do Nordeste a operacionalizar a tecnologia 5G, com o sinal ativado em 29 de julho de 2022, atingindo todos os bairros da cidade em dezembro de 2024.
Saúde
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de João Pessoa é o órgão diretamente ligado à prefeitura responsável por organizar, planejar e executar ações e serviços de saúde, além de formular políticas, programas e projetos voltados para a promoção de uma assistência de qualidade aos usuários, especialmente os do Sistema Único de Saúde (SUS). Por sua vez, o Conselho Municipal de Saúde é o órgão colegiado composto por representantes do governo, da sociedade civil e de entidades prestadoras de serviços de saúde, tendo entre suas atribuições a formulação da Política Municipal de Saúde e o planejamento e fiscalização da aplicação dos recursos destinados à saúde.
Para facilitar a organização dos serviços de saúde, o território de João Pessoa é dividido em cinco distritos sanitários, que têm como objetivo estruturar a rede de atendimento e garantir à população acesso aos serviços de saúde, permitindo uma melhor distribuição dos serviços e contribui para o funcionamento integrado do sistema de saúde municipal. A saúde é direito de todos os cidadãos e dever do Poder Público, assegurada mediante políticas sociais e econômicas que visem à eliminação do risco de doenças e outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção e recuperação. O governo municipal deve destinar, a cada exercício orçamentário anual, um percentual mínimo de 15% do total das receitas para o setor de saúde.
O município é sede de instituições de saúde em todos os três níveis de governo: federal, estadual e municipal, além da rede privada. Na rede federal, existe o Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), inaugurado no dia 12 de fevereiro de 1980, é vinculado à UFPB e, desde 2013, integra a rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), estatal vinculada ao Ministério da Educação responsável pela administração dos hospitais universitários federais.
Na esfera estadual, há o Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, inaugurado em 5 de agosto de 1991 e referência estadual em várias especialidades, incluindo urgência e emergência, e atendimento de média e alta complexidade. Também integram a rede estadual o Hospital do Servidor General Edson Ramalho, o Centro Odontológico de Cruz das Armas, o Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, o Complexo de Doenças Infectocontagiosas Dr. Clementino Fraga, o Complexo Pediátrico Arlinda Marques, a Central de Transplantes de João Pessoa e a Maternidade Frei Damião.
Já na esfera municipal existem, além das unidades básicas de saúde (UBS) e dos postos de saúde, cinco hospitais administrados pela prefeitura, sendo eles o Complexo Hospitalar de Mangabeira Governador Tarcísio Burity, conhecido pela denominação Trauminha; Hospital Municipal do Valentina; Hospital Municipal Santa Isabel (HMSI); Instituto Cândida Vargas e Prontovida.
Em 2025, o município de João Pessoa apresentou taxa de mortalidade infantil de 11,56 óbitos por mil nascidos vivos, enquanto a taxa de natalidade registrada foi de 7,1 nascimentos por mil habitantes. Além disso, 72,2% da população do município possuía cobertura por planos de saúde, valor quase três vezes acima do percentual do estado da Paraíba (24,8%).
Educação
A Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SEEC) é o órgão da administração direta responsável pela organização, coordenação e execução das políticas educacionais do município de João Pessoa, integrando o Sistema Municipal de Ensino criado pela lei municipal nº 8 996/1999. Atua, em articulação com os governos estadual e federal, na gestão da educação infantil, ensino fundamental, educação de jovens e adultos, educação especial, profissional e a distância, além da administração das escolas da rede municipal.
Além da SEEC há o Conselho Municipal de Educação, órgão normativo e deliberativo no âmbito do sistema municipal de educação e composto tanto por representantes do Poder Público quanto da sociedade civil. Tal como a saúde, a educação é reconhecida como um direito fundamental de todos os cidadãos e um dever do Poder Público, conforme estabelecem a Constituição Federal e a lei orgânica de João Pessoa, que determina um investimento mínimo de 25% da receita resultante de impostos e das transferências recebidas do estado e da União na educação.
João Pessoa apresenta elevados índices de frequência escolar nas faixas etárias da educação básica, conforme censo de 2022, com destaque para a faixa etária entre seis a quatorze anos, cuja taxa de frequência escolar bruta alcançou 97,57%. Entre crianças de quatro a cinco anos, a taxa era de 85,15%, enquanto na faixa de zero a três anos chegava a 35,03%. Entre os adolescentes de 15 a 17 anos, a frequência escolar é de 84,33%, enquanto na população de 18 a 24 anos o índice é de 32,83%. Já entre pessoas com 25 anos ou mais, a taxa de frequência escolar é de apenas 6,36%.
O número médio de anos de estudo é de 10,7, considerando-se a população de idade igual ou superior a onze anos, valor este superior à média estadual (8,4 anos). A taxa de alfabetização da população de quinze anos acima era de 93,87% (93,59% para os homens e 94,09% para as mulheres). Quanto ao nível de instrução da população, o maior grupo é o de pessoas com ensino médio completo e superior incompleto, representando 37,53% da população com idade igual ou maior do que quinze anos. Em seguida, 26,49% possuem ensino superior completo. A parcela de moradores sem instrução ou com ensino fundamental incompleto corresponde a 23,18%, enquanto 12,8% possuem ensino fundamental completo e médio incompleto.
Dentre algumas das instituições de ensino superior, estão a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o Instituto Federal da Paraíba (IFPB), a Faculdade Internacional da Paraíba e o Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ), as duas primeiras da rede federal de ensino e as duas últimas particulares.
Transportes
A Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de João Pessoa (SEMOB-JP) é o órgão da administração municipal responsável pela gestão do trânsito, transporte público e mobilidade urbana da cidade. Vinculada ao gabinete do prefeito, a instituição atua na fiscalização viária, organização do tráfego, implantação de sinalização, educação para o trânsito e planejamento da circulação urbana. Também coordena operações de monitoramento, aplicação de multas e ações de segurança viária em eventos e grandes corredores da cidade. A SEMOB desempenha papel central na política de mobilidade urbana do município, buscando melhorar a fluidez do trânsito e a integração entre diferentes meios de transporte. Foi criada em 1998 como Superintendência de Transportes e Trânsito de João Pessoa (STTrans), adquirindo sua denominação atual em 2011.
A cidade é servida pelo Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto, localizado na cidade limítrofe de Santa Rita, dentro da região metropolitana e distante 13 km do centro. O aeroporto tem atualmente 19 voos de rotas nacional e internacional, diários e fluxo médio de 2,3 milhões de passageiros por ano, incluindo os voos extras da alta estação. Operam no aeroporto as companhias aéreas Azul, Gol e LATAM.
Existe também uma linha de trem da Companhia Brasileira de Trens Urbanos, de circulação diária, que cobre a maior parte da Região Metropolitana, com extensão de 30 km. Conta com doze estações de passageiros e interliga as cidades de João Pessoa, Santa Rita, Bayeux e Cabedelo. Transporta aproximadamente de 13 000 passageiros em 25 viagens diárias. A cidade também é dotada de veículo leve sobre trilhos (VLT - pequeno trem urbano, geralmente movido a eletricidade, uma espécie de "bonde" moderno tornando-se alternativa em cidades de médio porte). O projeto foi do Governo Federal e pretendeu modernizar as estações do trem urbano, além de possibilitar a expansão da rede com a construção de mais estações.[carece de fontes?]
João Pessoa também é a primeira capital do Nordeste e a terceira cidade do País a ter um sistema de bicicletas públicas. O Pedala João Pessoa, um sistema de locação de bicicletas, possui quatro estações distribuídas inicialmente na orla da capital, com o objetivo de oferecer um meio de transporte mais saudável e ecológico aos pessoenses e turistas.[carece de fontes?]
Segurança pública e criminalidade
A provisão de segurança pública de João Pessoa é dada por diversos organismos. A Polícia Militar, uma força estadual, é a responsável pelo policiamento ostensivo e preventivo das cidades, além de realizar ações de integração social. Já a Polícia Civil tem o objetivo de apurar as ocorrências de crimes e infrações e solucionar conflitos. No município se encontra a Delegacia Geral de Polícia Civil do estado, além das delegacias descentralizadas e das unidades de atendimentos específicos (por exemplo, as delegacias da Infância e Juventude, da Mulher, de Crimes Contra o Idoso e de Crimes Contra o Meio Ambiente).
A Guarda Civil Metropolitana, subordinada à prefeitura, é a responsável pelo patrulhamento preventivo em logradouros e instalações públicas, ações de conscientização ambiental e autuações quando necessário. A Defesa Civil, por sua vez, também é operada pela administração municipal e realiza ações de prevenção, preparo, resposta e reconstrução diante de situações anormais. Já o Corpo de Bombeiros atua em prol da proteção da vida, do patrimônio e do meio ambiente e tem o seu Quartel Geral e o 1º Batalhão instalados na cidade. Além disso, o município sedia a Superintendência Regional de Polícia Federal na Paraíba.
Em 2023, foram registrados 223 homicídios, um aumento em relação aos 196 em 2022. Contudo, o pior ano de 2000 a 2023 foi 2011, com 556 ocorrências. A taxa de crimes violentos letais e intencionais para cada 100 mil habitantes, considerando casos de homicídio doloso, feminicídio, latrocínio e lesão corporal seguida de morte, era de 25,3 em 2023, posicionando-se como a 12ª maior das capitais das unidades federativas do Brasil e a terceira menor do Nordeste (atrás de Aracaju e Natal). Em 2024, cerca de 70% das audiências de custódia no município tinham relação com crimes ligados a drogas, como tráfico e porte e/ou uso de ilícitos. Estavam entre os crimes mais praticados, ainda, os roubos, furtos, crimes contra o patrimônio e violência doméstica. Também há registros de assassinatos provocados por disputas de facções criminosas instaladas na cidade e na Grande João Pessoa.
Cultura
A Fundação Cultural de João Pessoa (FUNJOPE), vinculada à SEEC, é o órgão da prefeitura de João Pessoa responsável por promover, incentivar e coordenar políticas públicas de cultura e artes na capital paraibana.
Artesanato
O artesanato no município é frequentemente associado ao turismo, sendo comum que seja comercializado em feirinhas e mercados próprios para o consumo desse tipo de produção, mas também próximo aos atrativos turísticos. Em outubro de 2017 João Pessoa recebeu o título de Cidade Criativa da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como resultado da produção artesanal e das artes populares locais, que resguardam um valor histórico e tradicional, ao mesmo tempo de terem uma contribuição significativa no giro de capital local. Tal reconhecimento teve grande contribuição e influência do projeto Sereias da Penha, que transformam matéria-prima local, notadamente escamas e couro de peixe, em biojoias. Em 2025, o grupo foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial de João Pessoa por sua relevância social, cultural e ambiental. Contudo, outros materiais usados na produção artesanal local envolvem elementos como vidro, cerâmica, pedra, macramê, renda e crochê. Os produtos finais variam desde itens utilitários, como vassouras, luminárias e roupas, até lembranças e decorações.
A Feirinha de Tambaú, no bairro homônimo, é realizada desde os anos 1980 e reúne artesãos, artistas e pequenos empreendedores. Configura-se como importante polo de produção, comercialização e difusão do artesanato local e regional, sendo também um espaço de convivência, expressão artística, geração de renda e incentivo ao turismo. Além da função econômica, a feira desempenha papel relevante na preservação e divulgação do artesanato paraibano, permitindo a comercialização direta de produtos associados às tradições culturais do estado. Por meio da lei estadual n° 14 397, de 4 de maio de 2026, a feirinha de Tambaú foi reconhecida como de interesse relevante interesse cultural, social e econômico da Paraíba, com o objetivo de objetivo promover a valorização, preservação e incentivo das atividades culturais, turísticas, artesanais e econômicas desenvolvidas.
Em Tambaú também se localizam o Mercado de Artesanato Paraibano (MAP) e o Centro de Artesanato Júlio Rafael. O MAP, inaugurado em 26 de janeiro de 1991, é um dos principais centros de comercialização e divulgação do artesanato tradicional da Paraíba. O espaço consolidou-se como referência do turismo cultural e da economia criativa paraibana, reunindo artesãos, comerciantes e visitantes em torno da produção artesanal regional. O Programa do Artesanato Paraibano (PAP), vinculado ao governo da Paraíba, utiliza o MAP como um de seus principais equipamentos de incentivo à economia criativa e ao fortalecimento da identidade cultural regional. Por sua vez, o Centro de Artesanato Júlio Rafael se localiza próximo ao MAP e era conhecido como Mercado Redondinho de Tambaú, recebendo sua denominação atual somente em 2014.
A cada mês de janeiro, o governo da Paraíba, em parceria com o SEBRAE-PB, realiza o Salão do Artesanato Paraibano, reunindo centenas de artesãos de diferentes regiões para expor e comercializar peças representativas das tradições artesanais paraibanas. Fora de Tambaú existem o Casa do Artesão Paraibano, no centro histórico de João Pessoa, e o Museu Casa do Artista Popular Janete Costa, em frente à Praça da Independência. O primeiro funciona desde 1983 na rua Maciel Pinheiro, no bairro do Varadouro. O Museu Casa do Artista Popular Janete Costa foi inaugurado em 2005 e concebido para integrar cultura, memória e turismo, funcionando como vitrine permanente do artesanato genuinamente paraibano. O museu recebeu o nome da arquiteta e designer Janete Costa, reconhecida por sua atuação na valorização da cultura popular brasileira.
Turismo e patrimônio cultural
A capital paraibana é considerada porta de entrada para o turismo no estado. Tendo como principal cartão-postal o Parque Sólon de Lucena, no Centro, João Pessoa possui mais de vinte quilômetros de praias, dentre as quais destacam-se Tambaú, a mais movimentada e onde se localizam o busto de Tamandaré e o Picãozinho; Cabo Branco; Manaíra e Bessa, conhecida como Caribessa. Também se destaca a praia do Seixas, onde se localizam o ponto mais oriental das Américas, a Ponta do Seixas, e as piscinas naturais. Na praia da Penha está o Santuário de Nossa Senhora da Penha, fundado no século XVIII e tombado pelo IPHAEP. Outras praias de João Pessoa são Jacarapé, do Sol, Arraial e Barra de Gramame, esta última na foz do rio Gramame.
A norte da Ponta do Seixas, sobre uma falésia, está o Farol do Cabo Branco, com dezoito metros de altura, inaugurado em 1972 e o único farol do país a ter um formato triangular, inspirado em um sisal. Próximo ao farol está a Estação Cabo Branco de Ciência, Cultura e Artes, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e inaugurada em 3 de julho de 2008, tendo como finalidade promover atividades científicas, culturais, artísticas e educativas. No bairro de Tambauzinho está o Espaço Cultural José Lins do Rego, onde funciona o primeiro planetário da região Nordeste.
As construções mais antigas estão no centro histórico, como a Casa da Pólvora, o Centro Cultural São Francisco e o mosteiro de São Bento. O Centro Histórico de João Pessoa, reconhecido como patrimônio histórico nacional em dezembro de 2007, abrange áreas nos bairros do Centro, Róger, Jaguaribe, Tambiá e Varadouro. Suas edificações compõem um cenário de diferentes estilos e épocas cheio de sobrados, praças, casarios coloniais e igrejas seculares, sendo considerado o principal acervo arquitetônico da Paraíba, relatando as diversas fases da história local, e um dos maiores e mais importantes sítios históricos do Brasil.
A área delimitada possui bens que representam vários períodos da história de João Pessoa, a exemplo do barroco da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco; do rococó da Igreja de Nossa Senhora do Carmo; do estilo maneirista da Igreja da Misericórdia, todas do século XVII; da arquitetura colonial e eclética do casario civil, além do art-nouveau e o art-déco, das décadas de 20 e 30, predominantes na Praça Antenor Navarro e no antigo Hotel Globo, hoje transformado em centro cultural.
Para além do patrimônio cultural material da cidade de João Pessoa, foi também na capital da Paraíba que se iniciou, em 2018, a formalização do registro do forró como patrimônio cultural imaterial brasileiro. O importante gênero musical nordestino foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como patrimônio cultural brasileiro em 2021.
Principais eventos
Eventos culturais acontecem durante todo o ano em João Pessoa, o que contribui com a circulação de turistas no município e o respectivo giro de capital, independentemente da alta ou baixa temporada turística, que é associada aos meses de férias (janeiro, fevereiro e julho). Muitos dos eventos abordam em sua programação tradições locais, como os grupos folclóricos e de dança, a música e o artesanato. Contudo, a exploração do turismo cultural de eventos também está associada à massificação da cultura, a partir do momento que as manifestações culturais locais são adaptadas para agradar à demanda dos visitantes. Nesse sentido, há de se ressaltar manipulações de cores, ritmo das danças e das músicas de apresentações tradicionais a fim de conferir uma conformação melhor ao frequentador de fora.
O Carnaval de João Pessoa é um evento tradicional que ocorre anualmente nas ruas da cidade. O chamado "Carnaval Tradição" é o modelo mais tradicional de folia, que surgiu em 1914 e é voltado às classes populares, que congrega agremiações carnavalescas de diversos tipos, tais como as chamadas "ursas", uma manifestação típica da cidade, "tribos indígenas", clubes de frevo e escolas de samba. Já o "Folia nas Ruas" tem seu foco no período pré-carnavalesco, e surgiu nos anos 1980, tendo dominado a maior parte de recursos e patrocínio. Entre as maiores agremiações do Folia nas Ruas, estão o Cafuçu e o bloco Muriçocas do Miramar. Também já foi considerado eventualmente como parte do Carnaval, ou do Pré-Carnaval, o evento denominado Micaroa, que foi substituído posteriormente pelo Fest Verão Paraíba.
O São João de João Pessoa, por sua vez, reúne cultura, música e gastronomia típicas da região. Festejado entre maio e junho, o evento abrange uma programação diversificada, incluindo apresentações de quadrilhas, espetáculos musicais de forró e manifestações artísticas populares em diferentes pontos da cidade, como o Parque Sólon de Lucena, a Praia de Tambaú e o Centro Histórico. Há, ainda, concursos de quadrilha, para os quais grupos passam os meses anteriores se preparando em ensaios. A cultura do São João também envolve decorações de ruas e estabelecimentos comerciais com bandeirolas coloridas e apresentações de forró em espaços públicos em diferentes pontos da cidade nessa época do ano.
Já a Festa das Neves é a celebração religiosa mais tradicional de João Pessoa, realizada anualmente entre os dias 27 de julho e 5 de agosto em homenagem à padroeira municipal, Nossa Senhora das Neves, contudo também se mistura com as festividades do aniversário da cidade. Além dos noiteiros com missas que marcam o aspecto religioso da festa, há também uma parte cultural e popular, com apresentações musicais, barracas de comidas típicas e um parque de diversões, reunindo moradores e turistas no Centro Histórico da capital. Homenageando o dia da fundação da cidade, celebrado em 5 de agosto, há exposições culturais que exaltam o folclore e o artesanato locais, além de espetáculos musicais.
A Romaria da Penha, por seu turno, é um evento religioso de significativa importância cultural e espiritual que ocorre anualmente no último fim de semana de novembro. Continuamente celebrada desde 1763, essa festividade é considerada a maior festa religiosa do estado e uma das maiores do Brasil, tanto em termos de participação quanto na extensão do percurso percorrido pelos fiéis. A programação inclui dias seguidos de missas especiais e novena a Nossa Senhora da Penha, seguidas pela realização da romaria no último dia. A jornada se estende por cerca de 14 quilômetros, iniciando-se na Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, no centro da cidade, e culminando no Santuário de Nossa Senhora da Penha, situado em uma colina com vista para o mar. Além do aspecto religioso, também é marcada pelo comércio de comidas e artesanato típicos. No ano de 2019 a Romaria da Penha e a Festa das Neves tornaram-se patrimônio histórico e imaterial da Paraíba.
Esportes
O maior e mais importante estádio da cidade é o Estádio José Américo de Almeida Filho (Almeidão), localizado no bairro do Cristo Redentor, sendo a casa do Botafogo Futebol Clube e do Auto Esporte Clube. Outros estádios importantes são o Estádio Leonardo Vinagre da Silveira (Estádio da Graça) em Cruz das Armas, Estádio Evandro Lélis (Mangabeirão) em Mangabeira, e o Centro de Treinamento Ivan Tomaz (Tomazão) no Valentina Figueredo. Há ainda um campo de futebol na Vila Olímpica Parahyba, no local do antigo Estádio Olímpico José Américo de Almeida.
A cidade de João Pessoa realiza anualmente o Paraíba World Beach Games, que reúne mais de 14 modalidades ao ar livre em 70 dias de programação. O evento tem atrações como: o Mundial de Vôlei de Praia, etapa paraibana do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia, Circuito Brasileiro de Handebol de Areia, Beach Wrestling na Arena, Rei e Rainha do Mar e a Copa Nordeste de Beach Soccer.