Itajá (RN)
A história de Itajá remonta ao final do século XVIII e início do XIX, quando as terras que atualmente compõem o município eram habitadas por grupos indígenas da nação Janduí. O povoamento permanente teve início por volta de 1800, com a formação de um núcleo ligado à criação de gado. Seu principal fundador foi o alferes Guilherme Lopes Viégas, que se estabeleceu na região em 1803, em terras herdadas de seu pai, o tenente Antônio Lopes Viégas, fundador de Angicos.
Natural de Pernambuco, Guilherme denominou o local de Pernambuquinho, em homenagem à sua terra natal, deixando também como legado o nome Igaraçu, atualmente um dos bairros de Itajá. A influência da família Lopes Viégas foi marcante não apenas em Itajá, mas também em outras localidades da região.
Originalmente, a povoação recebeu o nome de Saco, referência à configuração geográfica da área onde se desenvolveu o núcleo inicial. Em 1865, ocorreu uma disputa fundiária quando parte das terras foi incorporada ao patrimônio eclesiástico do Rio Grande do Norte. Guilherme Lopes Viégas contestou judicialmente a medida e conseguiu reverter a situação, mantendo a posse das terras herdadas. Com o passar do tempo, o sobrenome Lopes Viégas foi gradualmente simplificado para apenas Lopes, em razão da forma como era pronunciado e reinterpretado popularmente na região.
Em julho de 1956, o nome Saco foi oficialmente substituído por Itajá, termo de origem tupi-guarani que significa terreno de pedras. A mudança ocorreu em reunião liderada por Manoel de Melo Montenegro, o Major Montenegro, e buscava substituir a antiga denominação, frequentemente associada a apelidos pejorativos.
Entre as opções discutidas estavam Itaçu e Itajá, sendo esta última a escolhida por representar melhor as características geográficas da região.
A trajetória de desenvolvimento de Itajá foi marcada por um forte espírito comunitário. Diversas obras importantes surgiram por meio de mutirões realizados pelos moradores, entre elas a construção de um açude (1903), de uma capela (1918), do cemitério local (1946), do centro social (1959), do mercado público e, mais tarde, do Estádio Manoel Argemiro Lopes. A comunidade também participou ativamente da implantação de serviços essenciais, como eletrificação rural, abastecimento de água, telefonia, saúde e educação, contribuindo para a modernização do município ao longo do século XX.
A educação teve papel relevante na formação da identidade local, destacando-se a atuação de educadores como o padre Luiz Guimarães, Libânia Lopes Pessoa e Francisca Lopes Pessoa, autora do hino de Itajá.
Em 1992, Itajá foi desmembrado de Ipanguaçu e elevado à condição de município.
Formação Administrativa
Elevado à categoria de município e distrito com a denominação de Itajá, pela Lei Estadual n.º 6.299, de 26-06-1992, desmembrado de Ipanguaçu. Sede no atual distrito de Itajá ex-povoado. Constituído do distrito sede.
Instalado em 01-01-1997.
Em divisão territorial datada de 2003, o município é constituído do distrito sede.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2025.