Banzaê (BA)
Banzaê é um município brasileiro no estado da Bahia, no Nordeste Baiano. Possui uma população mista, com predominância de não indígenas. Os povos indígenas, por sua vez, correspondem a aproximadamente um quarto da população total, constituindo o segundo maior contingente populacional. Tal configuração demográfica reflete a diversidade sociocultural da região e evidencia a relevância das comunidades indígenas na formação local. O número de habitantes no município segundo estimativas de 2024 era de 12 309 habitantes, distribuídos por uma área de 409,507 km². Estando localizado a uma altitude superior a 355 metros acima do nível do mar; possui relevos levemente ondulados, com predominância de serras e chapadas.
Topônimo
Há duas versões sobre a etimologia do topônimo Banzaê. A primeira diz que é de origem indígena e significa "terra dos valentes". A segunda diz que vem do quimbundo e significa "aldeia".
História
Os primeiros habitantes de Banzaê são os indígenas Kirirís (quiriris).
Com o crescente avanço da pecuária pela região de Banzaê no século XVII e os conflitos entre os vaqueiros e indígenas, chegaram a essa área, para proteger e catequisar os quiriris, padres jesuítas, os quais criaram, em 1695, o aldeamento missionário de Saco dos Morcegos (atual Mirandela).
Devido a recorrentes conflitos entre os índios e não-índios na região, originou-se o Território Kiriri que situa-se no exato local onde fora erguido o aldeamento jesuíta de Saco dos Morcegos e que teve seu território reservado pelo Rei de Portugal para os indígenas através de Alvará Régio datado de 23 de novembro de 1700, fruto das solicitações constantes dos jesuítas em face dos conflitos. Uma légua em quadra era medida contando-se uma légua, partindo do centro do aldeamento (ou seja, da antiga igreja) para cada um dos oito pontos cardeais e colaterais, formando assim uma área de formato octogonal com 12.320 hectares, chamada pelos índios Kirirís de “Chapéu de Sol”.
Em 1758, os jesuítas foram expulsos de Saco dos Morcegos. Dois anos depois, em 1760, essa antiga missão jesuítica foi elevada à categoria de freguesia, com o nome de Mirandela, sendo subordinada à vila de Pombal (atual Ribeira do Pombal). Posteriormente, em data incerta, Mirandela foi elevada à categoria de vila, sendo reanexada a Pombal por meio da Lei provincial n° 51, de 21 de março de 1837. A Resolução provincial n° 185, de 12 de abril de 1843, extinguiu a Freguesia de Mirandela e anexou-a à de Santa Teresa do Pombal.
Em 1910, comerciantes e viajantes de Sergipe que se dirigiam às cidades do Nordeste Baiano criaram uma feira, denominada Feira do Pau, na qual se reuniam pessoas de povoados dos arredores, como Mirandela e Tamburil, para comercializar seus produtos, assim originando o povoado de Banzaê, hoje sede do município de mesmo nome. Nessa povoação, em 1918, foi erguida uma capela em louvor a Nossa Senhora da Conceição.
O movimento pela emancipação de Mirandela se iniciou na década de 1980, mas enfrentou forte oposição da população de Banzaê, a qual alegava que seu povoado era um dos mais importantes de Ribeira do Pombal. Em 1985, a Comissão de Divisão Territorial da Assembleia Legislativa da Bahia, em nome do deputado Roberto Cunha, aprovou uma lei que criava um novo município em Mirandela, mas, no mesmo ano, esse deputado apresentou um novo projeto de lei, mas dessa vez a sede do novo município em Banzaê.
Finalmente, a Lei estadual nº 4845, de 24 de fevereiro de 1989, sancionada pelo então governador Waldir Pires, criou o município de Banzaê, desmembrado de Ribeira do Pombal, sendo instalado em 1° de junho do mesmo ano.
A Terra Indígena Kiriri, de ocupação tradicional desse povo indígena, foi demarcada em 1981 e, em 1987, as 37 famílias não-indígenas que habitavam essa TI foram indenizadas e reassentadas nas fazendas Taboa e Serrinha, no município vizinho de Quijingue. A TI Kiriri foi homologada por meio do Decreto nº 98.828, de 15 de janeiro de 1990. Os últimos não-indígenas que habitavam essa terra se retiraram em 1998. Existem sete comunidades indígenas na terra indígena demarcada: Sacão, Cacimba Seca, Canta-Galo, Lagoa Grande, Baixa da Cangalha, Marcação e Picos, sendo estes os núcleos tradicionais. Outra etnia de grande importância, porém recente no território, pois chegaram a Banzaê na década de 1980 vindos de Rodelas, devido ao alagamento decorrente da construção da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga, são os Tuxás, os quais residem numa área entre os povoados de Salgado e Fazenda Sítio, situados ao norte do município. Ambas os povos sobrevivem basicamente de atividades campestres, pesca e agricultura (através do plantio do milho, feijão, mandioca, melancia, abóbora, quiabo e da colheita da castanha). No artesanato, destacam-se os trabalhos com a cerâmica, fibra e o cipó.
Durante o processo de constituição de Banzaê, a pequena localidade registrou visita de pessoas historicamente relevantes como Lampião, que segundo relatos dos familiares dos primeiros moradores, era um homem muito autoritário e perverso. Ainda segundo relatos, a passagem do bando de Lampião e Maria Bonita em Banzaê foi marcada pelo assalto ao bando, realizado naquela época e comentado até hoje, o senhor Joviniano Matos, roubou o requeijão do alforje de Lampião e colocou Adobe (espécie de tijolo) no lugar.
Turismo
Pedra Furada (Cartão postal da cidade por se diferenciar dos demais morros em virtude de ser uma bela escultura natural);
Ecotrilha Rota do Caju (A Ecotrilha Rota do Caju é uma experiência de turismo ecológico que percorre pontos relevantes de Banzaê, voltada para amantes de aventuras e da prática de trilhas em meio à natureza. Organizada por grupos locais e visitantes, a atividade percorre áreas do município ricas em vegetação nativa, explorando mirantes e paisagens de tirar o fôlego. Ao longo do percurso, os participantes também conhecem locais de cultivo e produção de caju, fortalecendo o vínculo com as tradições e a economia da região; o evento não é somente voltado para trilheiros que vão a pé, mas também há modalidade de ciclo turismo (mountain bike);
Estádio Municipal Banzaê (Cartão postal da cidade, após reforma o Estádio local agora possui estrutura profissional onde ocorre partidas amistosas e a Copa Rural Banzaê, em que times de nível amador costumam competir por premiações ou pela diversão);
Retiro e Fazenda Engenho Velho (Se insere num contexto mais amplo de formações como serras, chapadões, morros e planaltos que moldam o território de Banzaê);
Arquitetura histórica em Mirandela Velha (Importante comunidade no coração da reserva dos Kiriris, onde também está a igreja centenária do antigo aldeamento missionário Saco do Morcegos);
Trilhas de Motocross (Prática de esportes radicais em diversos lugares do município com o uso de motocicletas, quadriciclos por praticantes que gostam de desafiar os mais diversos tipos de obstáculos naturais como: morros, serras, areais, pedreiras, mata fechada e etc.);
Serras, Chapadões, morros, planaltos e flora nativa;
Cultura Indígena Artesanatos, hábitos e costumes) e Cultura Nordestina (Quadrilhas, festejos juninos e culinária);
Santo Cruzeiro (Ponto mais alto da cidade, cuja visão torna a visita ao local um grande atrativo);
Semana Santa no Povoado Tamburil (Os Festejos da Semana Santa atrai pessoas de diversas localidades. As atrações religiosas começam no domingo de ramos e vão ate os festejos pascoa);
Arraiá do Banza (Tradicional evento festivo comemorado nos dias 28 e 29 de junho. Além destas datas, há a festa de 8 de dezembro, em homenagem à padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição.
ExpoBanzaê (O maior evento do agronegócio de exposição agro-cultural na região, que celebra a cultura regional, a produção local e o agronegócio — especialmente em torno do caju, da agricultura familiar e do artesanato. O principal palco acontece na Praça Valmir Matos, no centro de Banzaê, com estrutura de toldos, palco, iluminação e sonorização para as diversas exposições e apresentações. O evento atrai tanto moradores locais quanto visitantes da região e de outros estados, sendo importante para o turismo econômico e cultural.