Reis com poderes limitados
"O rei medieval foi um personagem novo e específico da história, entre os séculos VI e XVI", escreveu o historiador francês Jacques Le Goff. Conquistador ou descendente de conquistador, o rei era considerado o primeiro dos nobres, o primeiro dos cristãos fora do clero.
Nós já vimos que cada feudo tinha bastante autonomia. Os moradores se esforçavam para que o feudo produzisse tudo de que precisava. Além dessa autonomia econômica, havia a autonomia política. Cada feudo tinha seu próprio exército, leis e cobranças de impostos, tudo sob o comando do senhor feudal. Quando como um minimundo particular.
Os reis exerciam a autonomia moral sobre os vassalos e representavam o triunfo do cristianismo (ser o rei era ser rei cristão). Mas no fundo a autoridade dos reis não valia muito sobre os feudos. Os monarcas só tinham autoridade efetiva sobre seus próprios feudos. Havia uma forte descentralização política. Na verdade, nem mesmo existiam os Estados nacionais. Por exemplo, não havia uma lei que valesse para toda a França. Cada região ou cada feudo tinha suas próprias leis, seu próprio exército, seu próprio governo.