Questionar o Absolutismo
Nem todos os pensadores aderiram ao absolutismo.
O inglês Thomas Morus (1478-1535) escreveu A Utopia, na qual descreve um Estado ideal, sem propriedade privada nem classes sociais diferentes, e com o governo eleito democráticamente. Tudo seria planejado racionalmente, todos trabalhadores, dividiram e viveriam bem. Para alguns analistas, trata-se de uma obra cheia de ironia. É como se ele dissesse: "Vocês querem um reino forte e centralizado, mas para ele ser justo e feliz teria de ser organizado como a utopia" (a sociedade ideal). Haveria condições para isso? Ou seria melhor abandonar tão louca ambição?
O francês Etienne de La Boétie (1530-1563) escreveu o Discurso da Servidão Voluntária, em que faz perguntas de extraordinária profundidade: por que existe a obediência? Por que existe o poder e não apenas a amizade entre as pessoas? Por que a maioria, tendo a força das multidões, aceita se submeter à minoria? É como se os homens quisessem livremente se tornar escravos, como se sentissem mais seguros abrindo mão de liberdade. A raiz disso, diz La Boétie, estaria na crença em princípios universais, em realidades únicas, em verdades absolutas. Dá o que pensar, não concorda?