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Período Clássico

O Nascimento do Cristianismo

Publicado em 30 de setembro de 2025

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O Nascimento do Cristianismo

Na Palestina, região da Ásia onde hoje está Israel, nasceu Jesus de Nazaré. Jesus anunciou-se como o Messias, o Filho de Deus. Ele fundou uma nova religião, o cristianismo.

Origens Judaicas

Você lembra que os judeus acreditavam num único Deus e seguiam os ensinamentos do chamado Antigo Testamento. No final desse livro sagrado, existem profecias sobre a chegada do salvador do povo judeu, o ungido, o Messias. O fundador do cristianismo foi Jesus de Nazaré, que nasceu na comunidade judaica da Palestina, onde hoje está Israel e que, naquela época (desde o ano 6 d.C.), era província do Império Romano (a Judéia). Na época, o imperador romano era Tibério.

Desde o século IV a.C. havia gregos helenísticos na região e o idioma ainda era bastante falado, inclusive por alguns judeus, influenciados pela cultura helenística (aceitavam alguns aspectos, rejeitavam outros). Os famosos Evangelhos, por exemplo, que relatam a vida de Jesus no Novo Testamento, foram escritos em grego. Contudo, as camadas populares preferiam falar o aramaico.

Não sabemos exatamente o ano de nascimento de Jesus. Provavelmente, foi no ano 6, ou 5 ou 4 a.C. (Lembra-se de que não existe ano zero. O ano 1 a.C. é seguindo imediatamente pelo ano 1 d.C.), época do imperador romano Augusto. Seu pai, José, era carpinteiro, profissão de prestígio entre os judeus, que, ao contrário dos nobres romanos, valorizavam o trabalho manual. Sabemos pouco de sua vida na infância, e nada sobre a adolescência e a vida adulta. Na Bíblia, é narrada a sua vida quando ele tinha 30 e poucos anos de idade.

Não é o propósito deste livro discutir as questões de fé. Cada pessoa tem sua crença religiosa e devemos respeitar quem pensa diferente de nós, certo? Adotando esse pressuposto, perguntamos: o que os historiadores atuais sabem sobre a personagem histórica de Jesus Cristo? Essa é uma pergunta que divide os próprios historiadores, sejam eles cristãos ou não cristãos. Existem poucas fontes para o estudo, como alguns relatos de pessoas que viveram um pouco depois da morte de Jesus e o Novo Testamento.

O Novo Testemento é a segunda parte da Bíblia (parte que não é aceita pelos judeus), que conta a vida e os ensinamentos de Jesus Cristo (nos quatro Evangelhos), apresenta orientações de seus discípulos, como as cartas de Paulo e a profecia sobre o final dos tempos, o Apocalipse. Acontece que o Novo Testamento não é exatamente um relato histórico, pois sua finalidade principal é difundir os ensinamentos de Jesus, pregar a fé cristã. Há historiadores que concluíram que a forma final dos Evangelhos, tal como os conhecemos, é obra do século II d.C. e que os autores se basearam na tradição oral (portanto, os autores não teriam conhecido Jesus pessoalmente). Há historiadores que chegaram a duvidar de que existia alguma prova concreta da existência da personagem história de Jesus de Nazaré!

Além dos quatro Evangelhos aceitos oficialmente pela Igreja Católica e pelas igrejas protestantes históricas, existem outros escritos antigos com outros "evangelhos", o que fez surgir a polêmica: quais são os evangelhos "verdadeiros"? debates são complexos e mesmo para a compreensão elementar exigem uma erudição que vai muito além dos objetivos de nossa obra. Existem estudiosos profundos que tiram conclusões céticas, mas há igualmente estudiosos profundos e sérios que têm sua fé reafirmada.

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Contexto Histórico

A situação dos judeus não era nada boa no final do século I a.C. Oprimidos pelos romanos, ainda tinham seus próprios problemas, como, por exemplo, as diferenças sociais, a pobreza e governantes opressores como Herodes Antipas (que morreu em 30 d.C.). A esse respeito, a historiadora francesa Anne Logeay lembra que "Nos Evangelhos, a figura do rico bom é uma exceção".

O menino Jesus foi educado dentro da tradição judaica e estudou na Sinagoga (local de reunião dos judeus). Jesus se apresentava o Messias e anunciava a chegada do Reino de Deus, quando todas as injustiças e sofrimentos seriam superados e a alma teria vida eterna e feliz. Para isso, as pessoas deveriam se preparar: crer em Deus acima de todas as coisas, amar o próximo. Ele apreciava a companhia dos pobres, dos humilhados e ofendidos e anunciava a igualdade fundamental de todos os seres humanos.

O Novo Testamento conta que Jesus foi atacado pela elite aristocrática da comunidade judaica ("sumos sacerdotes e anciãos do povo", diz Mateus 26,27) que mandou prender e por diante do governador romano, Pôncio Pilatos (na época, o imperador chamava-se Tibério). Jesus foi acusado de se anunciar como "rei dos judeus", inaceitável pelos romanos (não poderia haver rei na Judéia porque ela estava submetida à autoridade imperial). Como se sabe, Jesus não disse que sim nem que não. Pôncio Pilatos então lavou as mãos: nada podia fazer por um homem que recusava a se defender e que, além disso, não passava de um sujeito sem posses que se misturava com pescadores e carpinteiros.

Jesus foi torturado e executado na estaca de tortura, uma pena terrível, porque a vítima passava algumas horas sofrendo antes de morrer. De acordo com os Evangelhos, Jesus ressuscitou três dias após a sua morte. Um milagre que só Deus poderia realizar. Quarenta dias depois, conforme o Novo Testamento, subiu aos céus.

Difusão da Fé

Os primeiros discípulos de Jesus eram judeus e assumiam o judaísmo. Para eles, Jesus era o Messias tão aguardado pelos judeus. Entretanto, muitas pessoas da comunidade judaica não aceitavam que Jesus fosse o Messias. Argumentavam, por exemplo, que a existência de um Filho de Deus estaria em contradição com o monoteísmo. Hoje, essa é uma diferença importante entre as duas religiões: os judeus atuais só aceitam a parte do Antigo Testamento como verdadeira. Para eles, o enviado por Deus, o Messias, ainda está por vir. O Novo Testamento é a parte da Bíbli reconhecida apenas pelos cristãos.

Os discípulos de Cristo começaram a se afastar da comunidade judaica. Procuravam converter os gentios (não judeus). Um dos seguidores mais importantes de Cristo foi Paulo de Tarso. Ele era de família judia, falava grego, mas se tornou cidadão romano e militar. Numa viagem a Damasco (cidade na Síria), Paulo se converteu. A partir daí percorreu a Ásia Menor e a Grécia difundindo as novas idéias. Escreveu espístolas (cartas) que estão no Novo Testamento e que orientam as comunidade cristãs. De origem nobre, ele procurou mostrar que até mesmo os ricos deveriam aderir à nova fé, e que os cristãos poderiam ser bons súditos, obedientes às leis. Dizia que a conversão dependia mais da fé do que do racionalismo grego e defendeu a idéia de que o cristianismo não era uma religião voltada apenas para os judeus convertidos, mas para todas a humanidade de "boa vontade".

No ano 50 já existia uma comunidade cristã em Roma, mas, no primeiro sécul, o cristianismo afirmou-se principalmente na parte oriental do Império Romano, com forte infuência da cultura grega helenística (na Ásia Menor, onde hoje está a Síria e a Turquia, no norte do Egito, na Grécia). Somente no final do século II é que o cristianismo chegou ao norte da África romana e à região onde hoje está a França.

O cristianismo pregava a igualdade de todos diante do Senhor, isso parecia ser uma idéia contrária à escravidão. Os primeiros cristãos chegaram a fundar comunidades onde os bens eram repartidos igualmente e ninguém era mais rico ou pobre (é o que você encontra na Bíblia, em Atos 2: 44,45 e 4:34,35). A importância do papel feminino da pelos Novo Testamento também levou muitas (de todas as classes) a aderir ao cristianismo antes de seus familiares masculinos.

Você percebeu que o fato de Roma ser um império unificado ajudou a difundir a fé cristã? Afinal de contas, eram centenas de povos unidos por um mesmo governo e mesmas leis, estradas excelentes, comércio e uso de idiomas como o latim e o grego. Os primeiros a aderir em massa ao cristianismo eram súditos do Império Romano!

O Estado romano tolerava as diversas religiões no imenso Império, contanto que os fiéis respeitassem as leis. Mas as religiões que ameaçassem a estabilidade social poderiam ser proibidas. Foi o caso das festas em homenagem ao deus Baco, os cultos secretos orientais e das seitas que multilavam os membros masculinos. Os cristãos foram perseguidos pelo Estado romano, principalmente por por motivos políticos. Havia cristãos que rejeitavam a escravidão e se recusavam a cultuar o césar (o imperador) como se ele fosse uma espécie de deus. Além disso, organizaram uma igreja que parecia um verdadeira Estado dentro do Estado, e portanto fora do controle do governo romano.

A repressão aos cristãos cresceu de acordo com o maior número de fiéis. No século I ainda era pequena, e a mais notável foi em 64 d.C., quando o imperador Nero executou centenas de pessoas depois de acusá-las de terem incendiado a capital romana. As perseguições só se tornaram intensas no período de 250 a 311, portanto mais de duzentos anos após a morte de Jesus! Os cristãos eram presos, torturados e atirados na arena do Coliseu (o grande estádio) para seram devorados pelos animais selvagens. O espetáculo sanguinário do sofrimento dos cristãos colaborou para eles recebessem a simpatia de muitas pessoas.

Os judeus também eram perseguidos. Em várias ocasiões, entre 66 e 135 d.C., pegaram em armas para se libertar dos romanos. Foram derrotados e punidos. Jerusalém foi arrasada e os judeus proibidos de morar lá. Muitos judeus trataram de viver em lugares bem distantes, inclusive na Europa. Esse espalhamento do povo judeu foi chamado de diáspora.

Polêmicas e Oficialização

Nos primeiros séculos, havia inúmeros grupos com suas próprias interpretações do cristianismo. Por exemplo, os gnósticos, os nestorianos, os arianistas. É claro que você não precisa saber em detalhes as diferenças entre eles. Mas é interessante conhecer algumas das discussões: Deus era um só ou três pessoas? Deus Pai e Jesus Filho são a mesma pessoa? monoteísmo (um único Deus)? Pai, Filho e Espírito Santo são três deuses separados? Jesus era apenas divino ou tinha uma parte humana? Jesus era um homem comum com espírito divino?

Inúmeros pensadores (os teólogos - estudiosos da religião) da Igreja Romana procuraram responder a essas questões e criar uma espécie de doutrina oficial. As correntes que defendiam interpretações diferentes foram rejeitadas pela Igreja e consideradas heresias (contrárias às fé).

Como você pode perceber, as principais idéias religiosas sobre o cristianismo também são uma construção histórica, resultado de debates intelectuais, de reflexões e, para os que têm fé, de iluminação divina.

No século IV, o cristianismo já tinha conseguido milhões de adeptos no Império, em todas as classes sociais. Em 313 o imperador romano Constantino abraçou o cristianismo. A partir daí o Estado romano parou de perseguir os cristãos. Uma das novas medidas adotadas pelo imperador convertido foi a proibição do trabalho aos domingos.

A Igreja se tornou uma organização muito bem estruturada. As igrejas locais perderam autonomia diante da centralização dos poderes eclesiásticos. Em cada províncias havia um bispo que cheviava os padres. O bispo mais importante era o de Roma, que passou a ser chamado de papa.

No ano de 391 o imperador Teodósio proibiu que alguém no Império Romano seguisse outras crenças. O cristianismo tinha se tornado a religião oficial. E a Igreja passou a se ligar diretamente ao Estado. Sem dúvida, a nova fé tinha um poder universalizador que ajudava a unir todos os súditos do Império Romano! O mundo antigo estava vivendo seus últimos momentos.

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