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Curiosidades

Escravidão desde a África

Publicado em 16 de agosto de 2026

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Escravidão desde a África

O historiador norte-americano Paul E. Lovejoy, especialista em história da escravidão, diz que "A África esteve intimamente ligada a esta história, tanto como fonte principal de escravos para antigas civilizações, o mundo islâmico, a Índia e as Américas, quanto como uma das principais regiões onde a escravidão era comum".

Você já viu que em muitas sociedades africanas havia diferenças de classes sociais. As famílias aristocráticas chefiavam o Estado, comandavam o Exército, detinham privilégios materiais. Por baixo, as famílias de camponeses e até escravos. É claro que os povos da África não sentiam "africanos" ou "negros". Esses conceitos só surgiram mais tarde, basicamente nos séculos XIX e XX, na luta contra os europeus que escravizaram e colonizaram o continente.

Para os africanos antigos, o que existiam eram povos diversos, cada qual com suas próprias culturas, seus próprios sistemas de governo. Esses povos podiam ser rivais porque disputavam territórios, rotas comerciais, regiões mineradoras. O resultado, você já viu, eram as guerras. Os prisioneiros de guerra podiam se tornar escravos.

Os escravos nas sociedades africanas dedicavam-se a inúmeras atividades, no trabalho pesado da lavoura e das minas, no serviço doméstico e nas obras do Estado, por exemplo. Mas atenção, amigo leitor, é preciso compreender a escravidão dentro do contexto de cada sociedade. A escravidão moderna, que os europeus impuseram nas colônicas na América, foi bem diferente da escravidão antigo greco-romana.

A escravidão nos reinos reinos e cidades-Estado africanas também apresentou características particulares. Na África antiga, havia escravos que trabalhavam ao lado de camponeses e artesão livres, executando o mesmo tipo de tarefas. Não era incomum que depois de alguns anos os escravos se integrassem à comunidade dominante. Seu filhos nasciam livres. Certos escravos podiam se destacar e se tornar importantes administradores de fazendas, palácios e negócios públicos.

Desde o século XI havia uma ativo tráfico (comércio) de escravos que atravessava o Saara. Os traficantes árabes compravam escravos do sul do deserto e vendiam para as cidades árabes do Norte do continente. De qualque modo, o império árave não costumava utilizar muitos escravos. Em geral, eles eram utilizados no serviço doméstico das casas e palácios.

A partir do século XV da nossa era, os europeus começaram a ter contato direto com os africanos. Entre os séculos XV e XIX, milhões de seres humanos foram levados de navio pelos traficantes europeus, para trabalharem como escravos domésticos em nações européias como Espanha, Portugal, Holanda e Inglaterra (isso era comum nos séculos XV e XVI), e principalmente nas Américas, dos Estados Unidos ao Brasil. Esse tipo de escravidão foi muito mais brutal do que a escravidão que existia na própria África.

Como os traficantes europeus conseguiam escravos africanos? A maneira mais direta eram as expedições que atacavam aldeias próximas do litoral. Entretanto, a maior parte dos cativos eram fornecidos por traficantes da própria África, que já tinham a experiência de comércio de almas com os árabes. A demanda (procura) européia era gigantesca. Milhões e milhões de seres humanos foram comprados e levados até a América. Um voluma tão grande de negócios teria que provocar mudanças importantes na própria África. Com efeito, muitas cidades-Estado e reinos cresceram e enriqueceram em função do tráfico de escravos. Neste capítulo você conheceu os mais notáveis. Por exemplo, a Oio iorubá, o Benin e o Daomé, Kongo e Ndongo, o reino Ashanti.

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Escravidão desde a África 3 min de leitura