Ciência e Tecnologia no Renascimento
As necessidades do comércio e do artesanato em expansão, o entusiasmo renascimento pela investigação racional, as novas idéias sobre a importância da natureza e a vantagem de dominá-la estimularam as descobertas.
A idéia cientifica mais influente foi do astrônomo polonês Copérnico (1473-1543). Até então, os europeus acreditavam na teoria geocêntrica de Ptolomeu, que dizia que a Terra estava imóvel no centro do Universo enquanto o Sol e os planetas giravam em torno dela. Essa era a posição oficial da Igreja. Compérnico observou o movimento dos planetas e fez cálculos, chegando à conclusão de que a explicação mais simples seria o heliocentrismo: a Terra é apenas um planeta girando em torno do Sol.
Você pode imaginar o impacto provocado pela teoria! Copérnico foi precavido e só publicou suas descobertas no leito de morte. Mais tarde, muitas pessoas foram perseguidas pela Igreja por terem defendido as teses copernicanas.
No mesmo ano em que Copérnico anunciou a teoria heliocêntrica, acontecia uma revolução nas ciências biológicas. O holandês Vesalius lançou seu célebre livro de anatomia. Em vez de confiar na tradição dos antigos, preferiu dissecar cadáveres e descrever o que seus olhos enxergavam. Por falar em enxergar, as lentes côncavas foram inventadas pelo filósofo alemão Nicolau de Cusa em 1451 e ajudaram aos míopes, que são pessoas que não conseguem enxergar de longe.
O francês Pierre Belon mostrou, em 1555, as homologias entre os animais. Ou seja, falava das semelhanças, por exemplo, entre o gato, o tigre e o leão, ou entre o cachorro e o lobo. Essa maneira de pensar, buscando semelhanças, era típica do Renascimento, como mostrou o pensador francês do século XX, Michael Foucault. As idéias de Belon foram importantes para que Darwin, no século XIX, formulasse a teoria da evolução das espécies.
A Matemática conheceu grandes avanços. Naquela época, muitos matemáticos conservavam em segredo suas descobertas, como se fossem poções mágicas. Mas a corrida pela fama e pela fortuna acabava fazendo com que eles dessem com a língua nos dentes. Os números negativos (menores que zero) foram inventados pelo italiano Cardano em 1543. O alemão von Lauchen criou as tabelas trigonométricas em 1551, muito úteis para os cálculos astronômicos e para a navegação. O holandes Stevin foi um grande físico, criador da hidrostática, e um grande matemático, que mostrou (em 1586) que as frações poderiam ser escritas como números decimais (por ex: 1/4 = 0,25), coisa que hoje em dia qualquer criança sabe.
A Química ainda não existia como ciência. O que existia era a alquimia, que misturava curiosidade científica com misticismo. De um lado, os alquimistas descobriram formas de fazer ácidos, sais e álcool. Do outro, perdiam muito tempo tentando transformar qualquer metal em ouro.
Entre as princiapais invenções tecnológicas podemos citar: o relógio mecânico (1335), os canhões (em 1346; mas só começaram a fazer estragos mesmo já por volta de 1440), a imprensa (1454, pelo alemão Gutenberg), o termômetro (1592) e o microscópio (1590). No século XV foram inventadas máquinas importantes como a alavanca de rosca, que servia para levantar canhões e espremer azeitonas para fabricar azeite (hoje, o macaco para levantar o automóvel é uma alavanca de rosca: basta girar a manivela). Outra máquina importante foi o torno mecânico, movido com o pé por um sistema de correia de transmissão. O torno faz peças e objetos cilíndricos a ainda hoje é largamente empregado nas fábricas (com motor elétrico, claro).