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Curiosidades

Aliança do Rei com a Burguesia?

Publicado em 20 de agosto de 2026

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Aliança do Rei com a Burguesia?

Nos livros tradicionais da história, aparecia a idéia de que o Estado absolutista teria sido "o resultado da união do rei com a burquesia para submeter a nobreza". Muitos historiadores criticam esta análise. Em primeiro lugar, porque a base econômica das sociedades européias na Idade Moderna continuava sendo agrária e feudal.

Nós vimos que o Estado absolutista surgiu exatamente para proteger os privilégios feudais da autonomia crescente dos camponeses. O próprio rei era de família nobre, com educação aristocrática, e se identificava com essa classe social. Os burgueses pagavam altos impostos, enquanto a nobreza e o clero não pagavam nunhuma taxa ao Estado. Havia cargos reservados para a nobreza. A lei não era a mesma para todos, havia leis e tribunais especiais para as famílias de "sangue azul" (aristocráticas).

Pense nisso, amigo leitor: se a burguesia tivesse unida ao rei para submeter a nobreza, como explicar que a nobreza tivesse mantido tantos privilégios sobre a burguesia? Não foi à toa que as revoluções burguesas (na Inglaterra da segunda metade do século XVII, na França do final do século XVIII, por exemplo) destruíram o Estado absolutista: para acabar com os privilégios feudais da nobreza e abrir caminho para o pleno desenvolvimento do capitalismo.

O historiador inglês Parry Anderson, especialista no assunto, em seu livro LInhagem do Estado Absolutista, diz com clareza: "Essencialmente, o absolutismo era apenas isto: um aparelho de dominação feudal recolocado e reforçado, destinado a sujeitar as massas camponesas à sua posição social tradicional (...) O Estado absolutista nunca foi um árbitro entre a aristocracia e a burguesia, e menos ainda um instrumento da burguesia nascente contra a aristocracia [nobreza feudal]: ele era a nova armadura política de uma nobreza apavaroda".

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