“Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade.”
Uma frase que muitos atribuem a Joseph Goebbels, mas que resume perfeitamente o método de propaganda que transformou Adolf Hitler de um pintor fracassado em Viena num dos líderes mais temidos da história.
Bem-vindo ao maior e mais completo artigo em português sobre Adolf Hitler já publicado no Canal Fez História. Aqui não vamos apenas repetir fatos de livros escolares — vamos mergulhar fundo na vida, na mente e nas consequências de um dos personagens mais estudados e, ao mesmo tempo, mais mal compreendidos do século XX.
Primeiros Anos: De Braunau am Inn ao Sonho Fracassado em Viena
Adolf Hitler nasceu a 20 de abril de 1889 em Braunau am Inn, uma pequena cidade austríaca na fronteira com a Baviera. Filho de Alois Hitler, um funcionário alfandegário autoritário, e de Klara Hitler, uma mãe extremamente protetora, o jovem Adolf cresceu num ambiente familiar tenso.
Aos 18 anos, após a morte da mãe, mudou-se para Viena com o sonho de ingressar na Academia de Belas Artes. Foi rejeitado duas vezes. Esse fracasso, somado à miséria nas pensões vienenses e ao contacto com o antissemitismo radical da capital austro-húngara, plantou as sementes do ódio que mais tarde germinaria.
Se queres entender como se forma um ditador, começa por estudar a rejeição. Leia mais sobre os anos de formação de grandes líderes em Alexandre, o Grande ou Napoleão Bonaparte.
A Grande Guerra: O Baptismo de Fogo
Em 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Hitler alistou-se voluntariamente no exército bávaro. Serviu como estafeta na Frente Ocidental, foi condecorado com a Cruz de Ferro de 1.ª classe (um feito raro para um cabo) e ficou profundamente marcado pela derrota alemã.
A humilhação do Tratado de Versalhes (1919) tornou-se o grande combustível da sua vida política. Para Hitler, a Alemanha não tinha sido derrotada militarmente — tinha sido “esfaqueada pelas costas” pelos judeus, comunistas e políticos democráticos. Nascia o mito da Dolchstoßlegende.
A Ascensão: Do Putsch da Cervejaria ao Chanceler
Em 1919, Hitler ingressou no Partido Alemão dos Trabalhadores (DAP), que rapidamente se transformou no NSDAP — Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Em 1921 já era o Führer do partido.
O Putsch de Munique de 1923 foi um fracasso, mas deu-lhe notoriedade nacional. Preso, escreveu Mein Kampf — uma mistura de autobiografia, programa político e manifesto antissemita que se tornaria a bíblia do nazismo.
Saiu da prisão em dezembro de 1924 e adotou uma nova estratégia: chegar ao poder pela via legal. Aproveitou a crise económica de 1929, o desemprego em massa e o medo do comunismo para fazer o NSDAP crescer de 2,6% (1928) para 37,3% (julho de 1932). A 30 de janeiro de 1933, o presidente Hindenburg nomeou-o Chanceler.
Queres ver como outros líderes chegaram ao poder em momentos de crise?
Confere Getúlio Vargas, Benito Mussolini ou Lenin.
O Terceiro Reich: 1933-1945
1933-1939: Consolidação Totalitária e Rearmamento
- Noite das Facas Longas (1934) – eliminação das SA
- Leis de Nuremberga (1935) – institucionalização do antissemitismo
- Noite dos Cristais (9-10 nov 1938) – pogrom em massa
- Remilitarização da Renânia (1936), Anschluss com a Áustria (1938), Munique e os Sudetos (1938), ocupação da Checoslováquia (1939)
1939-1945: A Segunda Guerra Mundial
A invasão da Polónia a 1 de setembro de 1939 desencadeou a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Nos anos seguintes:
- Blitzkrieg: Polónia, Dinamarca, Noruega, Países Baixos, Bélgica, França (1940)
- Batalha da Grã-Bretanha (1940) – primeiro grande fracasso
- Operação Barbarossa (1941) – invasão da União Soviética
- Pearl Harbor e entrada dos EUA na guerra (1941)
- Stalingrado (1942-1943) – ponto de viragem no Leste
- Dia D (6 junho 1944) – abertura da segunda frente
- Batalha de Berlim e suicídio de Hitler (30 abril 1945)
O Holocausto: A Solução Final
Entre 1941 e 1945, o regime nazi assassinou sistematicamente cerca de 6 milhões de judeus europeus, além de milhões de ciganos, homossexuais, deficientes, prisioneiros políticos e testemunhas de Jeová.
A Conferência de Wannsee (20 janeiro 1942) marcou o início oficial da “Solução Final da Questão Judaica”. Campos como Auschwitz-Birkenau, Treblinka, Sobibor e Belzec tornaram-se fábricas de morte.
“Nunca mais” não é só uma frase. É um compromisso.
Para entender o antes e o depois do Holocausto, vale a pena conhecer também a história da Civilização Hebraica e do antissemitismo medieval.
O Fim: O Bunker e o Suicídio
Em abril de 1945, com Berlim cercada pelo Exército Vermelho, Hitler casou-se com Eva Braun e, no dia seguinte, 30 de abril, suicidou-se com um tiro na cabeça. Eva tomou cianeto. Os corpos foram queimados no jardim da Chancelaria.
A Alemanha rendeu-se incondicionalmente a 8 de maio de 1945 — o Dia da Vitória na Europa.
Legado: Julgamentos de Nuremberga e o Mundo Pós-1945
Os Julgamentos de Nuremberga (1945-1946) estabeleceram que “cumprir ordens” não é defesa para crimes contra a humanidade. Conceitos como genocídio e crimes de guerra entraram definitivamente no direito internacional.
A Guerra Fria (1947-1991) começou logo a seguir, com o mundo dividido entre dois blocos. A criação do Estado de Israel em 1948 e a descolonização africana e asiática também têm raízes diretas nas consequências da Segunda Guerra.
Perguntas Frequentes sobre Adolf Hitler
Hitler era austríaco ou alemão?
Nasceu austríaco, em Braunau am Inn, e só obteve cidadania alemã em 1932, já como Chanceler.
Hitler tinha ascendência judaica?
Apesar de inúmeros rumores, não existe prova documental. A ideia vem sobretudo de especulações sobre o avô paterno desconhecido de Alois Hitler.
Quantas pessoas morreram por causa do nazismo?
Entre 70 e 85 milhões de pessoas morreram na Segunda Guerra Mundial. Destas, cerca de 17 milhões foram vítimas diretas da política racial nazi (Holocausto + outros grupos).
Hitler era vegetariano?
Sim, a partir de 1931 deixou de comer carne (exceto ocasionalmente fígado). Usava isso como propaganda de “pureza”.
Porque é que o exército alemão seguiu Hitler até ao fim?
Uma mistura de medo (SS e Gestapo), propaganda, juramento pessoal de lealdade ao Führer (após a morte de Hindenburg) e crença genuína na vitória até muito tarde.
Porque Ainda Falamos Tanto de Hitler?
Porque ele é o exemplo mais extremo do que acontece quando três coisas se juntam:
- Uma sociedade em crise profunda
- Um líder carismático com discurso de ódio simples e repetitivo
- Instituições democráticas frágeis
Estudar Adolf Hitler não é glorificar o mal — é aprender a reconhecer os sinais antes que seja tarde demais.
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A história não se repete — mas rima.
E cabe a nós ouvir a rima antes que vire tragédia outra vez.
Volta sempre. A história nunca acaba. 🇵🇹
Fontes consultadas: arquivos do United States Holocaust Memorial Museum, Bundesarchiv, Imperial War Museum, obras de Ian Kershaw, Volker Ullrich, Richard J. Evans e Joachim Fest.
















