PUBLICIDADE
Cidades do Brasil

Manhuaçu (MG)

Publicado em 04 de julho de 2026

COMPARTILHE:
Manhuaçu (MG)

Manhuaçu é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se na Zona da Mata Mineira, estando situado a cerca de 280 km a sudeste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente 630 km², sendo que 13 km² estão em área urbana, e sua população foi estimada em 97 328 habitantes em 2025. A cidade está localizada nas margens do rio Manhuaçu, que dá nome ao município.

A área do atual município foi frequentada por exploradores e bandeirantes na época do Brasil Colônia, contudo o povoamento só começou a se consolidar depois da distribuição de sesmarias, após 1800. Manhuaçu veio a se emancipar em 1877, tendo prosperado sobretudo devido ao cultivo do café. A cafeicultura ainda se faz presente de maneira significativa, configurando Manhuaçu como um dos principais produtores de Minas Gerais.

Etimologia

O topônimo Manhuaçu é de origem tupi. Segundo o historiador Teodoro Fernandes Sampaio, significa "chuva grande", com base na junção dos termos aman'y e asu. Já o tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro afirma que o termo talvez provenha de amynyîûasu, termo tupi que significa "algodoeiros grandes" (amynynîu, algodoeiro + ûasu, grande).

Outros confirmam o história que Manhu é igual a "rio" ou "chuva" e que Açu significa "grande": ou seja, "Manhuaçu" significaria "Rio Grande" ou "Chuva Grande".

PUBLICIDADE

História

Das origens à emancipação

A região pertencente ao atual município de Manhuaçu era habitada originalmente por povos puris. Na época das capitanias hereditárias, expedições foram realizadas pela região em busca de ouro e pedras preciosas e para fins de reconhecimento. No século XVI, Sebastião Fernandes Tourinho e Vasco Fernandes Coutinho percorreram o rio Manhuaçu. No século XVII, Marcos de Azeredo Coutinho saiu de Vitória rumo ao Vale do Rio Doce, tendo retornado ao ter sua expedição atacada por nativos. Já na segunda metade do século XVII, a área começou a ser frequentada por bandeirantes vindos de São Paulo, seguindo o curso dos rios, motivados por outras expedições que encontraram ouro em outras partes do estado. Nesse contexto, Pedro Bueno Cacunda frequentou o rio Manhuaçu em 1703, sendo ele o responsável por fixar pontos de apoio para suas explorações.

Pedro Bueno Cacunda chegou a fundar um arraial na área da atual cidade, então parte da Capitania do Espírito Santo, no começo do século XVIII, porém enfrentou dificuldades de convivência com os povos indígenas locais. Além disso, a descoberta de ouro na região central de Minas Gerais fez se concentrar ali os investimentos da Coroa Portuguesa, que rejeitou pedidos de ajuda feitos por Cacunda. Dessa forma, a região de Manhuaçu permaneceu esquecida pelas décadas seguintes. Mais tarde, em 1800, um acordo transferiu essa área para a Capitania de Minas Gerais. Adicionalmente, Dom João VI autorizou a escravização dos indígenas que ainda habitavam essas terras. Posteriormente, foram distribuídas sesmarias e as terras foram frequentadas por sertanistas. Inclusive, indígenas foram alugados para a abertura de estradas locais.

Dentre os sertanistas que estiveram na região está Domingos Fernandes Lana, que chegou no final da década de 1820. Ele foi o responsável pela criação de um comércio de ipecacuanha com os nativos locais, além de ter fundado a atual cidade, que já contava com uma pequena população de residentes e indígenas aldeados. Pela lei estadual n.º 2.165 de 20 de novembro de 1875, foi reconhecido o distrito de São Lourenço do Manhuassu, sendo emancipado pela lei provincial nº 2.407 de 5 de novembro de 1877, desmembrado de Ponte Nova. A sede era em São Simão (atual Simonésia). Mediante a lei provincial nº 2.557 de 3 de janeiro de 1880, a sede municipal foi transferida de São Simão para São Lourenço, instalada em 30 de outubro de 1880. Foi reconhecida como cidade pela lei provincial de nº 2.766 de 30 de setembro de 1881, quando adquiriu a denominação de "Manhuassu".

República Manhuassu

Na segunda metade do século XIX, a economia da região foi beneficiada com a ascensão do cultivo do café. Em 1896, Manhuaçu já era um dos polos cafeeiros, com grande poder político na Primeira República. Neste ano, a disputa pelo poder local entre dois coronéis, Serafim Tibúrcio da Costa e Frederico Antônio Dolabela, teria provocado consequências negativas na economia. Após perder as eleições de modo considerado fraudulento, o coronel Serafim Tibúrcio e seu companheiro coronel Antônio de Miranda Sette pegaram em armas e pelo menos 800 pessoas foram empenhadas para invadir a cidade, em 15 de maio de 1896, proclamando assim a República Manhuassu.

Foram emitidos títulos de crédito em nome da Fábrica de Pilação de Café e nomeadas autoridades, além de ter sido criada uma moeda, o Boró, que tinha o mesmo valor dos réis, vigente no Brasil naquela época. Além do mais, as fronteiras foram fechadas e vigiadas. A polícia estadual não conseguiu superar os coronéis Tibúrcio e Antônio de Miranda e seus homens, sendo interceptada e forçada a tomar outro rumo enquanto estavam a caminho. Com o apoio das forças federais, o levante foi derrubado em 3 de junho e os revoltosos fugiram pelo vale do rio Manhuaçu, fundando pequenos povoados como Alegria de Simonésia e até alguns no estado do Espírito Santo.

Configuração urbana e administrativa

No começo do século XX foi inaugurado o serviço de energia elétrica (Companhia Força e Luz de Manhuaçu). Na década de 1910, Manhuaçu passou a ser atendida pela Estrada de Ferro Leopoldina, que tinha o intuito de escoar a produção de café da Zona da Mata Mineira até o Rio de Janeiro. A Estação de Manhuaçu foi inaugurada em 1915 e operou até a década de 1970, quando a linha de Manhuaçu a Carangola foi desativada, deixando a estação sem uso até ser demolida. São datados da década de 1920 o Hospital César Leite, o Banco Hipotecário e Agrícola do Estado de Minas Gerais e a Ponte dos Arcos.

O nome "Manhuassu" passou a ser grafado "Manhuaçu" pela lei estadual nº 336 de 27 de dezembro de 1948. A malha urbana seguiu se expandindo nas bordas do rio Manhuaçu, rumo aos morros. Posteriormente, a construção da BR-262 também foi seguida da ocupação de suas margens, onde surgiram novos bairros e loteamentos. Desde a emancipação, o município passou por diversas modificações territoriais, com sucessivas criações e emancipações de distritos, que por sua vez deram origem a novos municípios. De Manhuaçu foram desmembrados, por exemplo, os municípios de Caratinga (1890), Ipanema (1911), Manhumirim (1923), Matipó (1938), Simonésia (1943), Santana do Manhuaçu (1943) e São João do Manhuaçu (1992).

Geografia

O município de Manhuaçu está localizado na Zona da Mata Mineira. Limita-se com Santa Bárbara do Leste, Raul Soares (a norte), Vermelho Novo, Caputira, Matipó (a oeste), São João do Manhuaçu (a sudoeste), Luisburgo (a sul), Manhumirim (a sudeste), Reduto (a leste) e Simonésia (a nordeste). A sede dista por rodovia 283 km da capital mineira, Belo Horizonte. As principais estradas que atendem à cidade são a BR-262, BR-116 e MG-111.

O bioma original predominante é a Mata Atlântica, porém restrito a poucos remanescentes. De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence à Região Geográfica Intermediária de Juiz de Fora e e à Região Geográfica Imediata de Manhuaçu. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Manhuaçu, que por sua vez estava incluída na mesorregião da Zona da Mata.

Relevo e hidrografia

O relevo de Manhuaçu é consideravelmente acidentado, inclusive na zona urbana, sendo que a altitude mínima é de 561 metros na foz do rio São Mateus, enquanto que a máxima chega aos 1 760 metros na Serra Pedra Dourada. Já o ponto central da cidade está a 635,19 m. O município integra a bacia do rio Doce e os principais mananciais que banham a cidade são os rios Manhuaçu e Manhuaçuzinho. O rio Manhuaçuzinho deságua no Manhuaçu, que por sua vez é um afluente da margem direita do rio Doce. Outro curso hídrico significativo é o ribeirão São Luís, que também deságua no rio Manhuaçu, com o qual contribui com um volume de água considerável, perto da zona urbana.

O crescimento urbano, iniciado nas margens do rio Manhuaçu, seguiu rumo aos morros e encostas que cercam a cidade, situação que provocou a supressão da vegetação, erosão e assoreamento de cursos hídricos. Isso reduziu a capacidade do solo de absorver a água das chuvas, tornando a zona urbana vulnerável a deslizamentos de terra e enchentes, além de intensificar a susceptibilidade aos picos de cheias do rio Manhuaçu. Assim, as cheias do rio na estação das chuvas causam enchentes de forma reincidente em suas margens povoadas. Algumas das mais graves ocorreram em 1979, 1997, 2003, 2009 e 2020.

Clima

O clima manhuaçuense é caracterizado como tropical mesotérmico brando úmido (tipo Cwb segundo Köppen), com chuvas concentradas no verão e temperatura média anual em torno de 21 °C. As temperaturas apresentam variações entre 15,4 °C (média das mínimas) e 27,6 °C (média das máximas). Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) coletados na estação meteorológica automática do município, instalada em 24 de setembro de 2010, a menor temperatura registrada foi de 4,3 °C em 6 de julho de 2013, e a maior atingiu 36,4 °C em 7 de outubro de 2020. O menor índice de umidade relativa do ar foi de 12% no dia 31 de agosto de 2024. O maior acumulado de precipitação em 24 horas, por sua vez, foi de 106 mm em 2 de dezembro de 2019.

Demografia

Em 2022, a população foi estimada em 91 886 habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o censo de 2022, 45 127 habitantes eram homens (49,11%) e 46 759 habitantes mulheres (50,88%). Ainda segundo o mesmo censo, 74 989 habitantes viviam na zona urbana (81,61%) e 16 897 na zona rural (18,39%). Segundo o IBGE, Manhuaçu é considerada um centro sub-regional na hierarquia urbana brasileira, ao exercer influência regional com relação à gestão e disponibilidade de serviços e na gestão do território. Em 2022, era o quarto município mais populoso da Zona da Mata Mineira, além de ser um dos dez da região que mais cresceram em relação ao censo de 2010.

Da população total em 2022, 18 812 habitantes (20,48%) tinham menos de 15 anos de idade, 14 482 (15,76%) tinham de 15 a 24 anos, 21 777 (23,7%) tinham de 25 a 39 anos, 27 518 (29,94%) tinham de 40 a 64 anos e 9 297 (10,12%) possuíam 65 anos ou mais. Em 2022, a população era composta por 44 755 pardos (48,71%), 38 287 brancos (41,67%), 8 781 negros (9,56%), 37 amarelos (0,04%) e 23 indígenas (0,03%). Com relação aos credos religiosos, a população municipal com dez anos de idade ou mais está composta por 46 300 católicos (58,35% do total), 25 825 evangélicos (32,55%), 3 363 pessoas sem religião (4,24%), 829 espíritas (1,04%), 101 da umbanda e candomblé (0,13%) e 3,69% estão divididos entre outras religiões.

PUBLICIDADE

Política e subdivisões

A administração do município é feita a partir dos poderes Executivo, representado pelo prefeito e seus secretários, e Legislativo, constituído pela câmara de vereadores, composta por 17 vereadores, eleitos para mandatos de quatro anos. Manhuaçu se rege por sua lei orgânica, promulgada em 21 de março de 1990, e abriga uma comarca do Poder Judiciário estadual, de entrância especial, que tem como termos os municípios de Luisburgo, Reduto, Santana do Manhuaçu, São João do Manhuaçu e Simonésia. O município possuía, em abril de 2026, 61 731 eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Manhuaçu é composta por oito distritos, além da sede. O distrito-sede era o mais populoso em 2022, com 65 274 habitantes (71,04% da população municipal), seguido por Vilanova, com 5 657 moradores (6,16%). Essa divisão é fruto de uma série de alterações feitas na configuração do território manhuaçuense ao longo dos séculos XIX e XX, que envolveu o desmembramento de vários distritos para a criação de novos municípios. O último desmembramento ocorreu em 27 de abril de 1992, quando houve a emancipação de São João do Manhuaçu.

Economia

O Produto Interno Bruto (PIB) de Manhuaçu tem seu rendimento concentrado no setor terciário da macroeconomia, mas com participação significativa da agricultura, voltada sobretudo ao cultivo do café. Segundo dados do IBGE, relativos a 2023, o PIB do município era de R$ 3 710 638,12 mil, ao mesmo tempo que o PIB per capita era de R$ 40 383,06. Em 2025, de acordo com o SEBRAE, havia 12 442 empresas ativas, a maior parte das quais representada pelo comércio varejista (21,4%), seguido pelo transporte terrestre (7,61%) e por outras atividades de serviços pessoais (6,12%). Em 2024, 21 452 pessoas estavam empregadas, sendo que os setores que mais empregavam eram o comércio varejista (16,9%), atividades de organizações associativas (9,5%) e atividades de atenção à saúde humana (9,3%).

A pecuária e a agricultura acrescentavam 176 179,22 mil reais na economia em 2021. Dentro da agricultura há de se destacar a cafeicultura, sendo que o município figura como um dos maiores produtores de café em Minas Gerais e um dos municípios do Brasil que mais exportam esse produto. O café representou a maior área ocupada pela lavoura permanente municipal em hectares (ha) em 2024, com um total de 22 600 ha cultivados, seguido pela abacate (130 ha), banana (30 ha) e manga (10 ha). Enquanto isso, os cultivos temporários mais representativos foram a mandioca (18 ha), o tomate (13 ha) e a cana-de-açúcar (5 ha). Com relação à pecuária, o município possuía um rebanho de 24 000 galináceos, 6 474 bovinos e 2 614 suínos. Manhuaçu produziu 120 mil dúzias de ovos de galinha de 7 850 galinhas, 2 790 mil litros de leite de 1 274 vacas e 2 100 quilos de tilápia.

A indústria, por sua vez, acrescentava 692 273,31 mil reais ao Produto Interno Bruto municipal em 2021. O setor está associado à agricultura e à pecuária, que abastecem agroindústrias, destacando-se na produção de soluções lácteas. Além disso, também se fazem presentes ramos diversificados, sendo que os que mais empregam, fora da área da alimentação, são obras de infraestrutura, construção de edifícios, serviços especializados para construção e fabricação de produtos de metal (exceto máquinas e equipamentos). Com relação ao setor terciário, 1 538 206,20 mil reais do PIB municipal eram do valor adicionado bruto do setor de serviços e 429 829,57 mil reais do valor adicionado da administração pública no ano de 2021.

Infraestrutura

Em 2022, foram registrados 635 óbitos por morbidades, dentre os quais as doenças do sistema circulatório representaram a maior causa de mortes (25,51%), seguida pelos tumores e por causas externas mortalidade (12,76% cada). Já em 2023, foram registrados 1 287 nascidos vivos, sendo que o índice de mortalidade infantil no mesmo ano foi de 2,33 óbitos de crianças menores de um ano de idade a cada mil nascidos vivos. Os serviços de abastecimento de água e coleta de esgoto são feitos pela própria administração municipal. Em 2022, segundo o IBGE, 82,75% dos domicílios ocupados possuíam a rede geral de água como principal forma de abastecimento e 99,93% possuíam banheiro de uso exclusivo da moradia. Com relação ao esgotamento sanitário, 79,49% das habitações eram atendidas pela rede geral ou pluvial.

Na área da educação, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) médio entre os alunos dos anos iniciais do ensino fundamental das escolas públicas de Manhuaçu era de 6,0 em 2023, numa escala de avaliação que vai de nota 1 a 10, enquanto que a nota dos alunos dos anos finais do fundamental era 4,5. Dentre os habitantes de 18 anos ou mais em 2022, 40,68% não completaram o ensino fundamental, 15,97% tinham somente o fundamental completo, 29,43% tinham o ensino médio completo e 13,93% o ensino superior completo, sendo que a população com onze anos ou mais de idade tinha em média 8,7 anos de estudo. O percentual de alfabetização dos moradores de 15 anos ou mais, por sua vez, era de 94,88%, resultando em 5,12% de pessoas não alfabetizadas nesse grupo de idade. Em Manhuaçu fica localizado o Centro Universitário UNIFACIG, fundado em 2002. Há ainda um campus do Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste MG), situado no distrito de Realeza.

Turismo e cultura

O município integra o Circuito Turístico do Pico da Bandeira. O turismo rural é um dos principais atrativos de Manhuaçu, com a existência de cachoeiras abertas à visitação e a proximidade do Parque Nacional de Caparaó, onde está situado o Pico da Bandeira. Outra opção de agroturismo que se associa a essa rota são as fazendas cafeeiras, onde o cultivo, preparo e consumo de café podem ser apreciados. Em Manhuaçu fica localizado o Castelo do Café, com uma arquitetura peculiar, onde são preparadas diversas opções de café e lanches.

Com o processo de crescimento urbano do município, foi comum que as edificações mais antigas da área central da cidade fossem descaracterizadas ou substituídas por novas. Entretanto, ainda restam alguns exemplares que preservam estilos dominantes no passado da cidade. São bens tombados como patrimônio cultural do município o Busto do Bandeirante Domingos Fernandes Lana, na Praça 5 de Novembro, inaugurado em 1960; a Capela Santa Teresinha; o Palácio da Cultura; a Ponte dos Arcos sobre o rio Manhuaçu; a Residência Villa Sylvia; a Residência Villa Maria; a Igreja Imaculada Conceição do bairro Coqueiro; e a Igreja Imaculada Conceição de Realeza.

Gostou do conteúdo? Compartilhe!
Manhuaçu (MG) 15 min de leitura