Lagoinha (SP)
Lagoinha é um município brasileiro do estado de São Paulo, na Região Imediata de Taubaté-Pindamonhangaba, localizada no Vale do Paraíba. Sua população estimada em 2025 era de 5 183 habitantes.
História
A origem de Lagoinha remonta ao ciclo do café, em meados do século XIX, quando a região do Vale do Paraíba, sobretudo a sua porção paulista, era a principal região produtora do grão no Brasil. Estradas foram abertas onde anteriormente existiam apenas trilhas e por elas transitavam os tropeiros, que levavam o café para os portos de Ubatuba, Caraguatatuba e Paraty.
O percurso médio que as mulas dos tropeiros percorriam em um dia era em torno de 25 km, havendo a necessidade de paradas para o descanso dos mesmos, assim surgindo pontos de descanso, um dos quais estava localizado no atual território municipal, nas margens de uma pequena lagoa, daí o nome da cidade.
Dentre os primeiro colonos a se instalar no território lagoinhense, estavam o grupo dos "Antocas", vindos de Ubatuba, constituídos por Joaquim Antônio Ribeiro e sua esposa Justina Maria da Conceição, Antônio Alves da Silva e sua esposa Ana Clara de Jesus, Francisco Antônio Ribeiro, Delfina Isabel de Oliveira e Balbina Maria da Conceição. Em 20 de julho de 1863, eles doaram patrimônio para a edificação de uma capela em louvor a Nossa Senhora da Conceição, em cujos arredores foram surgindo as primeiras casas, formando o povoado de Lagoinha.
Para a oficialização da capela e a sua visita periódica por padres e missionários, conforme as exigências do Código de Direito Canônico, os Antocas, bastante católicos, doam quase todas as terras ao redor da capela para a Cúria diocesana de Taubaté, exceto alguns lotes, que ficaram para si e seus compadres.
A Lei Provincial n° 22, de 26 de março de 1866, elevou o povoado à categoria de freguesia, com o nome de Nossa Senhora da Conceição de Lagoinha, sendo subordinada a São Luiz do Paraitinga.
A Lei Provincial n° 128, de 25 de abril de 1880, elevou a freguesia à categoria de vila, mantendo o topônimo, se desmembrando de São Luiz do Paraitinga. Posteriormente, pela Lei nº 38, de 19 de fevereiro de 1900, a vila foi elevada à categoria de cidade, tendo seu topônimo simplificado para Laoginha.
Com o fim do ciclo do café, no início do século XX, a economia do município passou a ser baseada na agricultura e pecuária, preservando várias características deste tempo, como a festa do Divino Espírito Santo.
O Decreto-Lei Estadual n° 6448, de 21 de maio de 1934, rebaixou o município de Lagoinha à categoria de distrito de Cunha. Posteriormente, devido às dificuldades de comunicação entre a sede de Cunha e o distrito, por causa das longas distâncias e estradas precárias, um grupo de lagoinhenses, liderados pelo comerciante Pedro Alves Ferreira, organizaram um plebiscito para que o distrito voltasse a pertencer a São Luís do Paraitinga, o que conseguiram por meio do Decreto-lei n° 14.334, de 30 de novembro de 1944.
Por meio do Decreto-Lei estadual de número 34.334, de 23 de dezembro de 1953, Lagoinha foi elevada novamente à categoria de município, desmembrando-se de São Luiz do Paraitinga, ainda pertencendo à sua comarca. O primeiro prefeito do novo município foi eleito em 3 de outubro de 1954 e foi Pedro Alves Ferreira, cuja posse, no ano seguinte, marcou a instalação da municipalidade.
A energia elétrica em Lagoinha, que teve como marco inicial a inauguração de uma usina hidrelétrica inaugurada em dezembro de 1942 para gerar energia para iluminar os arredores da Matriz, ganhou, em 31 de agosto de 1957, uma usina termoelétrica, doada pelo então governador Jânio Quadros, gerando energia elétrica para toda a sede municipal. Em 27 de Maio de 1975, a CESP trouxe ao município o fornecimento regular de energia elétrica, trazendo energia elétrica para a sede municipal e inúmeros bairros rurais do município.
A população municipal tem diminuído ao longo do tempo, desde o fim do ciclo do café, pois muitos locais procuram em outras partes do estado melhor qualidade de vida e oportunidades de emprego.
Geografia
Localiza-se a uma latitude 23º05'26" sul e a uma longitude 45º11'25" oeste, estando a uma altitude de 913 metros. Lagoinha está localizada numa região montanhosa do Alto Vale do Paraíba, entre a Serra do Quebra-Cangalha e a Serra do Mar.
A cidade está distante 190 km de São Paulo, capital do estado. Possui uma área de 254,454 km².
Limites
Os municípios limítrofes são Aparecida e Guaratinguetá a norte, Cunha a leste, São Luiz do Paraitinga a sul, Taubaté a oeste e Roseira a noroeste.
Clima
O clima de Lagoinha é um Temperado Marítimo, tipo Cfb. Apesar de o índice pluviométrico cair bastante entre o verão e o inverno, a umidade e a precipitação no mês mais seco, junho, está em torno de 60 mm. Enquanto em São Paulo a precipitação decai a 44 mm em julho, em Lagoinha a precipitação ascende e chega até 63,6 mm no mesmo mês. A temperatura média máxima no mês mais quente(Fevereiro) é de 24,6 °C e a média mínima no mês mais quente é de 17°C. Tem uma temperatura média de 20,8°C no mês mais quente(fevereiro) e de 13,6°C no mês mais frio(Julho).
De acordo com as características climáticas para a cidade de Lagoinha, o clima da mesma tem precipitações acima dos 42 mm de chuva para mês mais seco do ano, junho, o que determina a letra "f" para o regime de chuvas da Classificação climática de Köppen-Geiger, Possui 20,8°C de temperatura no mês mais quente do verão, média abaixo de 22 °C para o mês mais quente do ano, o que determina a letra "b" para o radical climático, determinando então que esta estação possui verões temperados e não subtropicais úmidos e quentes como ocorre na capital São Paulo.
O clima de Lagoinha é classificado como do tipo oceânico (Cfb), chamado também de temperado marítimo ou mesmo subtropical.
Hidrografia
Seu território é cortado pelo Rio Paraitinga, principal afluente do Rio Paraíba do Sul. As águas do Rio Paraitinga oferecem a pesca como lazer aos habitantes locais. Nos primeiros dias de janeiro de 2010, a bacia hidrográfica sofreu com forte inundação.
Rodovias
Rodovia Oswaldo Cruz
Rodovia Nelson Ferreira Pinto
Rodovia João Martins Corrêa
Demografia
População
Composição étnica
Em 2022, segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população do município era composta por 3.648 brancos (71,77%), 1.244 pardos (24,47%), 180 pretos (3,54%), 8 amarelos (0,16%) e 3 indígenas (0,06%).
Economia
A economia lagoinhense é baseada na agropecuária, sendo a agricultura praticada em um relevo acidentado, com solos não tão férteis. O setor secundário é quase inexistente no município, sendo o município mais um exportador de matérias-primas para indústrias. O Setor terciário também é uma importante fonte econômica do município.
Infraestrutura
Comunicações
O sistema de telefones automáticos foi inaugurado na cidade em 1982 pela Telecomunicações de São Paulo (TELESP), que também implantou o sistema de discagem direta à distância (DDD) em 1987 com o código de área (0122). Anteriormente a cidade era atendida pela Companhia de Telecomunicações do Estado de São Paulo (COTESP).
Na década de 90 o código DDD da cidade foi alterado para (012), para padronização do sistema telefônico com a telefonia celular que estava sendo implantada em todo o estado.
Cultura e lazer
A Cachoeira Grande, principal local de lazer da população, foi cenário de vários filmes de Mazzaropi e de propagandas comerciais.
A cidade também possui uma belíssima fanfarra chamada de Fapach (Fanfarra Padre Chico), campeã em várias cidades brasileiras, além de uma belíssima banda denominada Corporação Musical São Benedito (CMSB), a qual sempre embeleza as festas da própria cidade e das cidades vizinhas, já tendo inclusive apresentado para a Rede Vanguarda e sido destaque em apresentações como em São Paulo, na Assembleia Legislativa.
Religião
De acordo com o Censo 2022 (IBGE), 96,71% da população do município é cristã, sendo 85,58% católicos e 11,13% evangélicos. Outras religiões representam 1,62% da população total. Esses dados fazem do município vale-paraibano o mais católico do estado de São Paulo.
O Cristianismo se faz presente na cidade da seguinte forma:
Igreja Católica
A igreja faz parte da Arquidiocese de Aparecida.
Igrejas Evangélicas
Entre as igrejas protestantes históricas, pentecostais e neopentecostais, encontram-se na cidade:
Assembleia de Deus Ministério do Belém.
Congregação Cristã no Brasil.