Itiquira (MT)
A região de Itiquira era originalmente habitada por povos indígenas, provavelmente ligados ao território tradicional dos bororos. A ocupação não indígena ocorreu de forma gradual ao longo do século XIX, impulsionada por expedições de exploração, pela abertura de rotas de comunicação e pelo comércio regional.
Um episódio marcante ocorreu em 1849, quando Antônio Corrêa da Costa Pimentel morreu após um confronto com indígenas às margens do rio Itiquira.
No final do século XIX, destacaram-se as atividades do sertanista Antônio Cândido de Carvalho, que explorou o leste mato-grossense, identificando o potencial da região para a pecuária e para a extração de produtos florestais, como o látex das mangabeiras. Suas expedições contribuíram para divulgar as qualidades econômicas da área e estimular a chegada de novos moradores.
Outro fator importante para o desenvolvimento regional foi a implantação da linha telegráfica comandada por Cândido Rondon, que instalou uma estação às margens do rio Corrente e favoreceu a circulação de mercadorias e pessoas.
No início do século XX, a abertura da chamada Estrada Salineira de Ivapé, liderada por José Salgueiro e executada por Francisco José de Oliveira e sua equipe, conectou a região a importantes centros comerciais e estimulou o surgimento de fazendas, pousos e pequenos povoados. A pecuária se tornou a principal atividade econômica, destacando-se grandes propriedades das famílias Carvalho e Ferreira, enquanto novos moradores se fixavam na região.
Entre as décadas de 1930 e 1940, a descoberta de diamantes no rio Itiquira e em seus afluentes atraiu garimpeiros de várias partes do Brasil e até do exterior, impulsionando o crescimento populacional e econômico. Em 1936, Itiquira foi elevada à categoria de distrito de paz, ainda vinculada ao então município de Coxim.
O garimpo transformou a localidade em um importante núcleo regional, embora também tenha enfrentado desafios, como surtos de malária. Nesse período foram instalados os primeiros serviços permanentes, como farmácia, cartório e assistência religiosa.
A emancipação política teve início ainda na década de 1930, acompanhando a consolidação do patrimônio urbano e da organização administrativa local. Em 1953, foi elevado à categoria de município.
A partir dos anos 1960, uma nova fase de desenvolvimento ocorreu com a abertura de rodovias e os incentivos governamentais para ocupação do Centro-Oeste. Migrantes de diversas regiões do país, especialmente do Sul e Sudeste, passaram a se estabelecer no município. A pecuária extensiva ganhou força e, na década de 1970, os programas federais de incentivo agrícola, como o Polocentro, estimularam a expansão da produção de grãos e a modernização do campo. Esse processo consolidou Itiquira como um importante município agropecuário do sul de Mato Grosso, perfil econômico que mantém até os dias atuais.
Formação Administrativa
Em divisões territoriais datadas 31-XII-1936 e de 31-XII-1937, o distrito de Itiquira figura no município de Santa Rita do Araguaia.
Pelo Decreto-lei Estadual n.º 145, de 29-03-1938, o município de Santa Rita do Araguaia passa a denominar-se Lajeado (mudança de sede).
Pelo Decreto-lei Estadual n.º 208, de 26-10-1938, o distrito de Itiquira é transferido do município de Lajeado para Alto Araguaia.
No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o distrito de Itiquira figura no município de Alto Araguaia.
Assim permanecendo no quadro fixado para vigorar no período de 1944-1948.
Elevado à categoria de município com a denominação de Itiquira, pela Lei Estadual n.º 654, de 10-12-1953, desmembrado do município de Alto Araguaia. Sede no antigo distrito de Itiquira. Constituído do distrito sede. Instalado em 01-01-1954.
Em divisão territorial datada de 1-VII-1960, o município é constituído do distrito sede.
Em divisão territorial datada de 2022, o município é constituído de 2 distritos: Itiquira e Ouro Branco do Sul.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2025.