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Civilizações e Impérios Antigos

Egito

Publicado em 13 de agosto de 2026

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Egito

A civilização egípcia surgiu no meio do deserto há mais de cinco mil anos. Um deserto terrível no norte da África, coberto de areia e com dias muito quentes. Como sobreviver num ambiente tão hostil? A explicação está no rio Nile, que atravessa todo o Egito. Todos os anos, na mesma ápoca, o rio Nilo enche, transborda e alaga as margens. Depois que o nível da água desce, fica uma camada de húmus (matéria orgânica), que torna o solo extramente fértil. Por causa do Nilo, os egípcios podiam plantar, e muito. Admirado, o historiador grego antigo Heródoto escrever: "O Egito é uma dádiva do Nilo". E o deserto podia até representar uma vantagem, porque dificultava os ataques de inimigos.

No quarto milênio antes de Cristo, surgiram pequenas cidades-Estado nas margens do Nilo. Por volta de 3100 a.C. surgiu um reino do domínio da cidade de Mênfis sobre todas as outras. Não é fácil sintentizar milhares de anos de História. De qualquer modo, em quase todos aqueles séculos o Egito foi governado por reis chamados de faraós. O Estado tinha grande importância na vida das pessoas. Quase todas as terras pertenciam ao faraó ou aos templos religiosos.

Os templos eram administrados por funcionários do Estado. Os principais cargos do Estado eram dados às famílias nobres. O trabalho era realizado pelas comunidades aldeãs, onde moravam camponeses e artesãos. Até mesmo o comércio era controlado pelo faraó, e somente uns poucos pequenos comerciantes podiam ter os próprios negócios. Os faraós tinam amplos poderes e, num certo período histórico, foram considerados filhos de deuses. Houve 270 faraós e apenas quatro deles foram mulheres, embora uma delas tivesse se destacado (Hatshepsut).

Abaixo dos nobres, havia funcionários de menor categoria, mas importantes, como os escribas. Os escribas eram das poucas pessoas que sabiam ler e escrever (em papéis feitos com planta que cresce nas margens do Nilo chamado de papiro). Estudavam em escolas do Estado. Faziam a contabilidade real, ou seja, controlavam os gastos do palácio do faraó. Também registravam os feitos do governante. Muita coisa que eles escreveram serve de fonte para os historiadores atuais.

Os artesãos que trabalhavam nas oficinais reais eram razoavelmente pagos. A grande maioria da população morava nas aldeias. Tinham que pagar pesados tributos e ainda podiam ser maltratados pelos coletores de impostos. Os tributos eram de dois tipos: em produtos (como alimentos, artesanato, etc., por não havia moeda) e trabalho gratuíto para o Estado. Por exemplo, na construção de açudes, templos e, numa época, das famosas pirâmides.

Também trabalhavam nas terras do Estado, que distribuía seus bens entre os nobres. Esse trabalho era obrigatório, mas apenas durante o período. Não era feito por escravo. Alguns historiadores chamaram de corvéia real essa obrigação de pagar impostos com trabalho para o Estado (que era pago basicamente com comida). Havia poucos escravos no Egito. Geralmente, prisioneiros de guerra que faziam serviços domésticos. Entretanto, os que trabalhavam nas minas e nas pedreiras tinham que trabalhar duríssimo, em condições desumanas.

A História egípcia registra inúmeras revoltas sociais, de trabalhadores livres e de escravos. Existem relatos de trabalhadores que se recusaram a construir uma pirâmide enquanto não tivessem melhores condições de trabalho. Um papiro de cerca de 1100 a.C. fala que os camponeses pobres se apossaram das terras dos nobres e do Estado.

Os historiadores atuais dividem a História do Egito em três períodos principais. No Antigo Império (3100 a.C. a 2040 a.C.) foram contruídas as grandes pirâmides. Entretanto, os faraós não conseguiram manter sua autoridade sobre todos os nobres, o que levou ao enfraquecimento da autoridade. No Médio Império (aproximadamente 2040 a.C. a 1640 a.C.), os faraós restauram o poder. Nessa época, o Egito conquistou a Núbia, região no sul do Nilo habitada por povos de pele muito escura. Esse período se encerrou quando os egípcios foram invadidos pelos hicsos, que tinham armas de bronze (as egípcias eram de madeira, cobre e bronze rudimentar). Utilizavam carros puxados por cavalos, equipamento desconhecido pelos egípcios.

Também trouxeram o gado bovino zebu. Os hicsos acabaram absorvendo a cultura egípcia e assim a civilização permaneceu. No Novo Império (1550 até 1070 a.C.) os hicsos foram expulsos. Agora os egípcios também tinham carruagens de guerra e armas de bronze. Com essa força, avançaram sobre o rio Eufrates (Mesopotâmia), a Palestina e a Síria. Os povos vencidos tiveram que pagar impostos aos faraós. O costume de levantar pirâmides tinha sido abandonado. Mas os egípcios continuavam a fazer monumentos espectaculares como as esculturas gigantescas da família do faraó no Vale dos Reis.

A religião era muito importante na sociedade e na vida diária. Os egípicias eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses. O deus mais antigo e venerado era Rá, o deus Sol. Ao contrário dos mesopotâmicos, os egípcios acreditavam em vida após a morte. Mas como é que a alma poderia voltar a se unir com um corpo devorado pelos vermes? A solução foi embalsamar os cadáveres. Com técnicas especiais, evitavam que o cadáver entrasse em decomposição. Depois o envolviam tiras de pano e então ele se tornava uma múmia. A múmia era guardada dentro de um sarcófago. Dentro do túmulo, deixavam-se boa comida, bebida, jóias, móveis, jogos e até barcos para passear no rio. Um dia, a alma iria se juntar ao corpo e precisaria desses confortos.

No começo, apenas os faraós eram embalsamados. Depois, os nobres também puderam ser múmias. E, finalmente, também os pobres. É claro que os túmulos pobres eram bem modestos. Depois da morte, a alma tinha inúmeras tarefas. Do outro lado do mundo, seria julgada pelo deus Osíris (deus da fertilidade, responsável pelas cheias do Nilo), que botava o coração do morto numa balança. Se as boas ações pasassem mais, ele iria para o paraíso. Para orientar os futuros julgados, havia o Livro dos Mortos, espécie de manual que ensinava a responder a Osíris. Os primeiros faraós ergueram os maiores túmulos da História, as pirâmides. A maior delas tem 150 metros de altura, maior do que um edificio moderno de 50 andares! Exigiam o trabalho de dezenas de milhares de pessoas, principalmente de homens livres que pagavam a corvéia real. Para levar as pedras até o topo, utilizavam um sistema de alavancas e guindastes.

Para afirmar sua autoridade, o faraó Amenófis IV (no século XIV a.C.) decretou que o rei Áton, simbolizado pelo disco solar, era o único que existia. Mas a população preferiu manter as crenças politeístas tradicionais. Depois de sua morte, o faraó Tutancâmon restaurou a velha religião dos deuses.

As disputas entre os nobres e a insatisfação popular com os pesados tributos enfraqueceram o Estado. Em 670 a.C. os assírios entraram no país. Os egípicios lutaram muito para expulsar os invasores, mas foram dominados pelos persas. Era o fim da autonomia. Depois dos persas, vieram os gregos chefiados por Alexandre de Macedônia (332 a.C.), os romanos, com Júlio César (30 a.C.), e os conquistadores árabes (século VIII d.C.).

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