Cultura Brasileira no século XVIII
No século XVIII a cultura brasileira, pela primeira vez, revelou alguma autonomia em relação à cultura portuguesa. Era a arte européia adaptada ao gosto da colônia: fomos ocidentais à nossa maneira. Nas cidades coloniais, os prédios mais importantes eram o palácio do governo e as igrejas. Os palácios eram grandes e parecidos com fortalezas militares. Davam a impressão de que o poder da metrópole era gigantesco. As igrejas eram mais simples por fora e repletas de adornos por dentro. No começo, elas seguiam o estilo barroco. Nas últimas décadas do século das luzes, elas já seguiam o estilo rococó. O que significa que harmonizavam a simplicidade externa com graciosos ornamentos no interior.
As mais famosas igrejas barrocas e rococós estão em Minas Gerais. Muitas igrejas foram erguidas por ordem de leigos católicos. Eles eram pessoas importantes da colônia (comerciantes, donos de escravos e de terras) que desejavam ostentar a riqueza e ganhar prestígio na cidade. Por isso mandavam levantar templos luxuosos e bonitos.
As ricas cidades mineiras como Vila Rica (Ouro Preto) e Ouro Preto tinham uma intensa vida cultural. Nas suntuosas igrejas havia magnifícas esculturas de Aleijadinho, um homem simples que fazia obras muito expressivas. Ele unia o gosto europeu com a estética popular influenciada pelos índios e negros. Os pintores mineiros eram autodidatas, não possuindo a técnica dos europeus. Mas faziam obras originais, como anjinhos mulatos e de olhar maroto: era o jeito brasileiro de fazer arte ocidental. Importantes compositores mineiros criavam obras para pequenas orquestras de cordas (violinos, violas e violoncelos) que, às vezes, também tinham oboés, trompas e trompetes. Essa música seguia o estilo rococó e neoclássico dos países alemães. Seus modelos eram Haydn e Mozart. As pessoas pobres e os escravos ouviam essa música nas igrejas. Mas o povo mais simples também apreciava as cantigas trazidas de Portugal. Os negros faziam música com os ritmos e cantos trazidos da África. A mistura entre elementos das culturas estava ainda no berço.
Nas ricas cidades mineiras viveram os mais importantes poetas do Brasil no século XVIII. Estamos falando de Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa e Alvarenga Peixoto. Naquela época, os escritores do Brasil seguiam um novo estilo literário europeu chamado Arcadismo. O Arcadismo tem a ver com o rococó e com o iluminismo. Do rococó herdou a graciosidade, o gosto pelo bucólico (natureza, pastores de ovelhas, suaves flautas), pela mitologia-romana (ninfas, deuses), a alegria despreocupada. Seu lema era carpe diem, que em latim quer dizer "aproveite o momento presente". Do iluminismo, o arcadismo herdou a clareza e a simplicidade racional dos versos. Os poemas do arcadismo mineiro só se tornaram livros muitos anos depois. Naquela época, era proibido imprimir no Brasil.
Além disso, a maioria da população era analfabeta. No fundo, a poesia árcade era escrita por aristocratas para ser lida por outros aristocratas. Todos os três poetas que citamos acima participaram da Inconfidência Mineira (1789), a tentativa de criar um país independente de Portugal e que terminou com o enforcamento de Tiradentes. Tomás A. Gonzaga ficou famoso por causa dos poemas apaixonados que fez para sua amada Dorotéia, que vivia em Ouro Preto. Nos versos, ele diz que é um pastor da mitologia grega chamado Dirceu, e ela é chamada de Marília. A Marília de Dirceu.