Buerarema (BA)
Buerarema é um município brasileiro do interior e sul do estado da Bahia. Faz parte da microrregião de Ilhéus-Itabuna e da mesorregião do Sul Baiano, além de integrar a região imediata de Ilhéus-Itabuna e a região intermediária de Ilhéus-Itabuna. Localiza-se às margens da rodovia BR-101. Conta com duas agências bancárias e um hospital. Com relação à água, o Rio Una abastece a cidade, assim como ocorre também com São José da Vitória.
O município já foi chamado de Macuco, devido ao grande número de macucos na região.
Os nativos de Buerarema são chamados bueraremenses.
Topônimo
"Buerarema" é uma palavra originária da língua tupi. Significa "madeira fedida", através da junção dos termos ybyrá (árvore, madeira) e rema (fedido).
História
No século XVI, na época da chegada dos primeiros exploradores portugueses à região, a mesma era habitada pelos índios das etnias tupiniquim e aimoré. Com a divisão do Brasil em capitanias hereditárias pelo governo português, a região passou a pertencer à Capitania de Ilhéus Com o fracasso das capitanias hereditárias, passou a pertencer à Província da Baía.
O povoamento do território iniciou-se por volta de 1910, especialmente por flagelados das secas que assolaram os sertões da Bahia e Sergipe. Estabelecendo-se à margens do ribeirão do Macuco, os imigrantes formaram o povoado com a mesma denominação. A partir de 1922, o arraial tomou novo impulso de crescimento, com a abertura da estrada Pontal-Macuco, via de escoamento da produção. Em 1943, alterou-se o topônimo para Buerarema. Seu primeiro prefeito foi Paulo Portela, eleito em 1962 e empossado em 1963.
Reivindicação indígena
No período entre 1910 e 1930, surgiu a figura da liderança indígena tupinambá Caboclo Marcelino, que lutava pelo reconhecimento do direito à terra dos índios de sua etnia, os Tupinambá de Olivença.
No início do século XXI, ganhou notoriedade o controverso índio Babau, que encabeça o movimento dos índios tupinambás reivindicando territórios de Olivença. fazendo uso da violência e coação contra as famílias de pequenos agricultores, obrigando-os a cadastrarem-se como indígenas para fortalecer o movimento indígena. No caso da família do agricultor se recusasse, estariam sujeitos a ameaças de morte e ter suas terras invadidas.
O conflito culminou em 2014, quando depois de sofrer diversas ameaças, o pequeno agricultor Juraci Santana, representante do Assentamento Ipiranga, foi assassinado na frente da sua esposa e filha por três homens encapuzados. O assentamento possuía cerca de 40 famílias e os caciques da região frequentemente assediavam os agricultores para que estes se tornassem autodeclarados tupinambás. No evento, a população da cidade foi tomada pela revolta, a tal ponto que o então Governador Jacques Wagner solicitou ao Governo Federal a presença do Exército Brasileiro para exercer a GLO (Garantia da Lei e da Ordem) Por ser considerado suspeito no assassinato do agricultor, foi emitido mandado de prisão para o cacique Babau. Ao tentar solicitar um passaporte para sair do país, foi constatado o mandado de prisão, e o cacique Babau se entregou sem resistência à Polícia Federal, porém cinco dias depois, uma decisão liminar do Superior Tribunal de Justiça determinou sua libertação, por estarem ausentes os requisitos legais exigidos para a aplicação de prisão temporária.
Em reintegrações de posse, é comum não haver resistência indígena no momento da reintegração; porém após a autoridade policial deixar o local, o agricultor fica novamente à mercê de invasões, inclusive com armas de fogo.
Geografia
Municípios limítrofes
Os municípios limítrofes a Buerarema são Ilhéus, Itabuna, São José da Vitória e Una.
Área
O município de Buerarema tem uma área territorial de 219,487 km², segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o 375° município em área total na Bahia e o 4038° no Brasil. Sua área urbana é de 1,97 km², ocupando a posição 319ª na Bahia e 3562ª no Brasil.
Bioma
O bioma de Buerarema é a Mata Atlântica.
Hidrografia
Buerarema é cortada pelo rio Macuco, cujo nome deve-se à ave macuco, conhecida e abundante na região. Os primeiros casebres de Buerarema foram construídos às margens desse rio.
Clima
O clima de Buerarema é tropical, com uma significativa redução das chuvas durante o inverno em comparação com o verão. A temperatura média é 22.9 °C. As temperaturas raramente ficam abaixo de 16 °C ou ultrapassam 33 °C.
Demografia
População (censo)
Segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de Buerarema era de 14 804 habitantes, ocupando a posição 236ª na Bahia, 825ª no Nordeste e 2226ª no Brasil. Em comparação com o Censo 2010, houve uma queda de -19,44%. Mais dados da população abaixo:
População (Censo 2022): 14 804.
População (Censo 2010): 18 605.
População (Censo 2000): 19 118.
População (Censo 1991): 20 839.
Conforme se ver, entre os censos de 1991, 2000, 2010 e 2022, a população do município teve uma queda gradativa.
População (estimativa)
De acordo com a estimativa de 2024 do IBGE, a população do município era de 15 056 habitantes.
População (urbana, rural e por sexo)
População urbana (Censo 2010): 15 277.
População rural (Censo 2010): 3 328.
População masculina (Censo 2022): 7 217.
População feminina (Censo 2022): 7 587.
População (indígena e quilombola)
População indígena (Censo 2022): 705.
População quilombola (Censo 2022): 169.
Economia
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2021, o município de Buerarema tinha um produto interno bruto (PIB) de R$ 208,9 milhões. Seu PIB per capita, em 2021, era de R$ 11 436,46, valor inferior à média do estado da Bahia, que era R$ 23 530,94. No PIB per capita, entre os municípios, Buerarema ocupa a posição 231ª na Bahia e 4491ª no Brasil. Com um pequeno comércio, aproximadamente 46% do seu PIB advém dos serviços. A administração pública tem quase 40% de participação na economia e a indústria tem menos de 5%.
O município destaca-se na produção de cacau e mandioca. É reconhecido pela produção de farinha de mandioca, chegando a ter o título de "Terra da Farinha".
A administração pública é a que mais emprega em Buerarema.
Empresas
Buerarema conta com um pouco mais de 950 empresas ativas. As empresas mais comuns no município são as dos setores de serviços, comércio varejista, alimentos, logística e transporte, restaurantes, indústrias da transformação, construção e manufatura. No setor de serviços, são quase 400 empresas. A maior empresa é do setor de comércio atacadista de equipamentos elétricos, seguida da de um posto de combustíveis.
Educação
Buerarema tem quase 30 escolas: duas estaduais (ambas de ensino médio), mais de 20 municipais, 25 de ensino fundamental e 4 privadas. A taxa de escolarização estava em 91,5% (de 6 a 14 anos) em 2010, segundo o IBGE. Em 2021, o município contava com 150 docentes no ensino fundamental e 27 no ensino médio. Não há universidades ou faculdades em Buerarema.
Saúde
Buerarema conta com um pouco mais de dez estabelecimentos de saúde. O município tem apenas um hospital.
Com relação à mortalidade infantil, o município tinha 19,8 óbitos por mil nascidos vivos em 2020, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
COVID-19
Até o início de 2023, Buerarema havia registrado 53 mortes por COVID-19, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.
Política e administração
Poder Executivo
O prefeito de Buerarema é Gerivaldo Souza Freitas, também conhecido como Gel da Farmácia, do União Brasil, que assumiu o cargo em 2025 para seu primeiro mandato. A vice-prefeita é Thaiane Santos Pereira, do União Brasil.
O primeiro prefeito de Buerarema foi Paulo Portela, eleito em 1962 e empossado em 1963.
Poder Legislativo
A Câmara Municipal de Buerarema é composta por nove vereadores.
Transportes
A cidade fica localizada às margens da BR-101, uma das principais rodovias do Brasil. Não há aeroporto. O aeroporto mais próximo da cidade é o Aeroporto Jorge Amado, no município de Ilhéus. Com relação a veículos motorizados, o meio de transporte mais comum é o automóvel.
Segundo o SENATRAN, em janeiro de 2023, Buerarema possuía uma frota de 3976 veículos, sendo 1486 automóveis, 173 caminhões, 14 micro-ônibus, 1480 motocicletas e 66 ônibus. Já em 2022, o município tinha 3966 veículos, sendo o automóvel o mais comum.
Buerarema possui um pequeno terminal rodoviário, localizado no centro da cidade, e dele partem ônibus para algumas cidades do sul da Bahia, como Itabuna, Camacan, Eunápolis, Porto Seguro, etc. Na estação rodoviária, há um guichê apenas, que é da Viação Rota, principal empresa que atua na cidade.
Esporte
O futebol é o principal esporte praticado na cidade. O clube que representa a cidade é a Seleção de Buerarema, que revelou o futebolista baiano Neto Berola. O clube manda os seus jogos no Estádio Municipal Antônio Carlos Magalhães, também conhecido como Macucão.
Além do estádio de futebol, a cidade conta com um ginásio de esportes, que leva o nome do ex-prefeito Antônio Ferreira de Brito.
Subdivisões
Bairros
Buerarema tem nove bairros. Os bairros são:
Centro
Cosme e Damião
Edmon Lucas
Km2
KM3
Santa Helena
Santo Antônio
São Bento
São Sebastião
Além dos bairros, Buerarema conta com uma vila: Vila Operária.
Dados gerais
DDD: 073.
Tensão (volts): 127.
Distância da capital estadual: 331 km (condução); 235 km (linha reta).
Rodovia de acesso: BR-101.
População: 18 605 (Censo 2010); 14 804 (Censo 2022).
População urbana: 15 277 (2010).
População rural: 3 328 (2010).
Área: 219,487 km².
Bioma: Mata Atlântica.
PIB: R$ 208,9 milhões (2021).
Número de vereadores: 11.