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A Mulher Que Foi Queimada Como Bruxa Por Usar Calças

Publicado em 29 de maio de 2026

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A Mulher Que Foi Queimada Como Bruxa Por Usar Calças

A história da humanidade está repleta de casos em que normas sociais, religiosas e de gênero foram impostas com violência extrema. Um dos episódios mais emblemáticos envolve uma jovem que desafiou expectativas ao vestir roupas masculinas, incluindo calças, e pagou o preço supremo: ser condenada como bruxa e executada na fogueira. Essa narrativa não é apenas sobre uma execução isolada, mas reflete o medo do diferente em épocas de guerra, poder e controle religioso. Estamos falando, claro, de Joana d'Arc, a camponesa francesa que se tornou heroína nacional e santa, mas que foi queimada viva em 1431 por acusações que incluíam o uso de trajes masculinos.

Neste artigo, exploramos o contexto histórico dessa tragédia, as razões por trás da perseguição, o julgamento manipulado e como esse evento se conecta a temas mais amplos da história, como a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), o papel das mulheres na Idade Média e as caças às bruxas que marcaram séculos posteriores. Ao longo do texto, veremos paralelos com outras civilizações e períodos, convidando você a mergulhar em conteúdos relacionados no Canal Fez História.

O Contexto: A França Dividida na Guerra dos Cem Anos

No início do século XV, a França vivia um dos capítulos mais sombrios de sua história. A Guerra dos Cem Anos opunha franceses e ingleses em uma disputa pelo trono francês, agravada por alianças internas como a dos borgonheses com os ingleses. Era uma era de fome, pestes e instabilidade, onde a religião católica dominava e qualquer desvio era visto como ameaça.

Nesse cenário surge Joana d'Arc, nascida por volta de 1412 em Domrémy, uma vila rural. Filha de camponeses, ela alegava ouvir vozes divinas — de São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida — que a instruíam a salvar a França e coroar Carlos VII como rei legítimo. Para cumprir essa missão, Joana cortou o cabelo curto e adotou roupas masculinas, incluindo calças e armadura, facilitando sua participação no exército e protegendo-a de assédios.

"Vesti-me como homem para evitar o mal e cumprir a vontade de Deus."

Essa escolha prática, porém, tornou-se uma das principais acusações contra ela. Na mentalidade medieval, o vestuário era rigidamente definido por gênero, baseado em interpretações do Deuteronômio (22:5): "A mulher não usará roupa de homem, nem o homem usará roupa de mulher". Usar calças era visto como transgressão grave, associada a heresia e, por extensão, bruxaria.

Se você se interessa por guerras medievais e o papel das mulheres nelas, confira nosso artigo sobre a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), que detalha o conflito que moldou o destino de Joana.

A Ascensão Improvável: De Camponesa a Líder Militar

Joana convenceu autoridades locais e, eventualmente, o delfim Carlos (futuro Carlos VII) de sua missão divina. Em 1429, aos 17 anos, liderou o cerco de Orléans, uma vitória crucial que mudou o rumo da guerra. Vestida com armadura masculina, ela inspirou tropas e se tornou símbolo de resistência.

Suas conquistas incluíam vitórias em Patay e a coroação de Carlos VII em Reims. Mas o sucesso de uma mulher em posição de liderança militar ameaçava estruturas patriarcais e políticas. Capturada pelos borgonheses em 1430 e vendida aos ingleses, Joana tornou-se peça em um jogo maior: deslegitimar Carlos VII ao associá-lo a uma "bruxa".

O Julgamento: Uma Farsa Religiosa e Política

O processo, conduzido em Rouen por uma corte eclesiástica pró-inglesa, durou meses. Inicialmente, Joana enfrentou cerca de 70 acusações, reduzidas a 12 principais. Entre elas:

  • Ouvir vozes demoníacas (em vez de divinas)
  • Heresia e blasfêmia
  • Usar roupas masculinas de forma persistente e "irreverente"
  • Feitiçaria e pacto com o diabo

O uso de calças e trajes masculinos foi central. Joana argumentou que era necessário para proteção e dever militar, mas os juízes insistiram que isso violava a lei divina e natural. Ela assinou uma retratação temporária, prometendo voltar a roupas femininas, mas ao ser colocada em prisão secular (e possivelmente ameaçada de estupro), reassumiu vestes masculinas — o que selou sua condenação como "relapsa" (reincidente).

Em 30 de maio de 1431, aos 19 anos, Joana foi queimada viva na praça do Mercado Velho em Rouen. Testemunhas relataram que gritou o nome de Jesus até o fim.

Por Que o Vestuário Era Tão Importante?

Na Idade Média, roupas definiram identidade social, gênero e status. Mulheres usando calças desafiavam a ordem divina e social. Isso ecoa em outras culturas: na Civilização Romana (753 a.C.-476 d.C.), leis sumptuárias regulavam vestimentas; na Civilização Bizantina (330-1453), normas semelhantes existiam. Mas na Europa cristã medieval, misturava-se com medo de bruxaria.

A caça às bruxas intensificou-se após o Malleus Maleficarum (1486), mas Joana foi precursora. Milhares de mulheres foram executadas por acusações semelhantes nos séculos seguintes, muitas por desafiar normas de gênero ou exercer poder.

Para entender melhor o papel das mulheres em sociedades antigas, leia sobre a Civilização Minoica (c. 2700-1450 a.C.), onde evidências sugerem maior igualdade de gênero, contrastando com a Idade Média europeia.

Paralelos com Outras Épocas e Regiões

A perseguição de Joana não foi isolada. Na Reforma e Contrarreforma, acusações de bruxaria serviram para controlar dissidências. Veja a Reforma Protestante e Contrarreforma (1517) e como o medo do "mal" justificou violências.

No Brasil colonial, influências europeias trouxeram visões semelhantes, embora a Inquisição portuguesa atuasse de forma diferente. Explore a Inquisição em contextos como a União Ibérica (1580-1640) ou o Brasil Holandês.

Mulheres como curandeiras ou parteiras eram frequentemente acusadas. Isso se conecta a temas de controle sobre o corpo feminino, semelhantes a discussões modernas.

Lições da História de Joana d'Arc

Joana foi reabilitada em 1456, canonizada em 1920. Hoje, é símbolo de coragem, fé e empoderamento feminino. Sua história nos lembra como o medo do diferente leva a atrocidades.

Sua execução por usar calças destaca como normas de gênero foram armas de opressão. Em épocas de Iluminismo (c. 1715-1789) ou Revolução Francesa (1789-1799), ideias de igualdade começaram a desafiar isso.

Perguntas Frequentes

Por que Joana d'Arc usava calças?
Para proteção em batalha e praticidade militar. Ela via isso como necessidade divina, não rebeldia.

Ela foi realmente condenada só por bruxaria?
Não. Acusações incluíam heresia, vestimenta masculina e insubordinação. O uso de calças foi prova de "relapso".

Outras mulheres foram queimadas por usarem roupas masculinas?
Casos semelhantes ocorreram nas caças às bruxas, mas Joana é o mais famoso. Muitas foram acusadas por "transgressões" de gênero.

Como isso se relaciona com a história brasileira?
O legado europeu influenciou visões coloniais sobre gênero e religião. Veja História Contemporânea do Brasil (c. 1800-presente) para evoluções.

Joana era bruxa?
Não há evidência histórica. Era uma mulher devota com visões místicas, vítima de política.

Conclusão e Convite à Exploração

A história da mulher queimada como bruxa por usar calças é um lembrete doloroso de como o poder usa o medo para silenciar. Joana d'Arc transcendeu sua morte, inspirando gerações.

Se você gostou dessa narrativa, visite a página inicial do Canal Fez História para mais conteúdos fascinantes. Aprofunde-se em civilizações antigas como a Sumeria (c. 4500-1900 a.C.), Antigo Egito (períodos como o Antigo Império, Médio Império e Novo Império) ou explore figuras como Alexandre o Grande e Napoleão Bonaparte.

Call to Action: Quer saber mais sobre guerras que mudaram o mundo? Confira Primeira Guerra Mundial (1914-1918) ou Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Para presidentes brasileiros, veja perfis como Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek ou Jair Bolsonaro.

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A Mulher Que Foi Queimada Como Bruxa Por Usar Calças 7 min de leitura