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Cidades do Brasil

Vassouras (RJ)

Publicado em 04 de julho de 2026

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Vassouras (RJ)

Vassouras é um município brasileiro do Centro-Sul do estado do Rio de Janeiro.

História

Início do povoamento

Em 5 de outubro de 1782, o açoriano Francisco Rodrigues Alves e o seu sócio Luís Homem de Azevedo, que residiam em Sacra Família do Tinguá (atualmente distrito do município de Engenheiro Paulo de Frontin), recebem uma sesmaria no "sertão da Serra de Santana, Mato Dentro por detrás do Morro Azul". Posteriormente, tais terras serão conhecidas por “Sesmaria de Vassouras e Rio Bonito".

À localidade, plena de arbustos utilizados na confecção de vassouras, deu-se o nome Vassouras.

Vassouras está localizada no que se posteriormente nomeou-se Vale do Paraíba. Esta região tornou-se conhecida como Caminho Novo e o Caminho do Proença pois faziam a ligação entre Minas Gerais durante o período de seu ciclo do ouro e o porto do Rio de Janeiro, servindo para o escoamento dessa produção destinada ao Império Português. Devido a essa conexão de importância econômica, a Coroa Portuguesa promulgou um decreto real protegendo essa área.

As terras foram sendo ocupadas aos poucos, por duas formas: a primeira por concessão real pela doação de sesmarias ou por serviços prestados à Coroa e a segunda pela ocupação das terras por posseiros devido ao comércio tropeiro que passava pelo Caminho Novo.

Caminhos e rotas

A área do vale do Paraíba e da cidade de Vassouras, além da estrada nomeada Caminho Novo, sempre foi, por parte da Coroa Portuguesa e da sociedade, uma importante rota de ligação ao Rio de Janeiro. Portanto, ambos investiram na criação e abertura de caminhos e formas de comunicação mais rápidas entre esses dois lugares. Alguns dos primeiros caminhos realizados foi feito pelos contrabandistas de ouro que desciam dessa região, no meio da mata virgem até as regiões de Xerém e da Baixada Fluminense, na virada do século XIX.

Após o início do povoamento da região, em 1812, Inácio de Sousa Vernek construiu a Estrada Werneck, a sair da aldeia de Nossa Senhora da Glória de Valença, atingindo o Caminho Novo, e seguindo até Minas Gerais e o Rio de Janeiro.

A fim de inibir essa rota dos contrabandistas, o príncipe regente D. João VI ordenou, em 1816, a construção de uma nova estrada na região. Foi contratado para a missão o futuro barão de Aiuruoca, Custódio Ferreira Leite, que chamou em seu auxílio dois de seus sete sobrinhos (família Teixeira Leite). Cruzava o rio Paraíba do Sul pela Estrada da Polícia, na atual localidade de Juparanã, em Valença (outrora chamada Desengano), seguindo até a atual localidade de barão de Vassouras, ao centro do atual município, à serra de São Sebastião dos Ferreiros, pelo que permitia-se a descida de Xerém até à Baixada Fluminense, donde se embarcava aos portos de Pilar do Iguaçu ou de Piedade do Iguaçu; outra rota seguia por estradas que ainda passam pelos atuais bairros de Irajá e Inhaúma, atingindo-se, enfim, o centro da cidade do Rio de Janeiro.

Dez anos mais tarde, em 1822, foi finalizada a abertura da Estrada do Comércio (iniciada na vila de Nossa Senhora da Piedade do Iguaçu), que perfazia o seguinte trajeto: subindo pela serra do Tinguá, atingia o porto de Ubá, atual distrito de Andrade Pinto, às margens do rio Paraíba do Sul, donde seguia para Minas Gerais e Goiás.

Povoamento e entrada do café

A Estrada da Polícia e o crescimento econômico da região permitiram o rápido surgimento de um arraial, atualmente centro da cidade de Vassouras. Ali foram residir o construtor da Estrada de Polícia, Custódio Ferreira Leite, e seus sobrinhos da família Teixeira Leite.

Escravidão

Até 1850, com a Lei Eusébio de Queirós, que proibia definitivamente o tráfico negreiro transatlântico, a migração de escravos realizado pelos comerciantes de grosso-trato durante essas duas décadas foi intensificada. Sabe-se que na década de 1830 entraram apenas no porto do Rio de Janeiro 186 mil africanos, e a produção de café do Vale do Paraíba mais que dobrou na década de 1840.

A população vassourense em 1850 era totalizada em 28 638 habitantes; entretanto, 19 210 eram de escravos e somente 9 428 eram pessoas livres. Esses dados dão uma noção de como a cidade de Vassouras utilizava da compra desses escravos migrados ilegalmente. Com a perda do tráfico transatlântico após a Lei de 1850, aderiu-se cada vez mais ao tráfico inter-regional, em que Vassouras importou 5 500 escravos da Região Nordeste do Império brasileiro.

Já em 1890, o Censo Populacional da época (em comparação ao feito no ano de 1872) mostrou uma diminuição da população em quase 10% e um crescimento da população branca em 45%. Esse fator foi consequência direta da assinatura da Lei Áurea, feita pela Princesa Isabel em 1888.

Quilombos e quilombolas

Poderia se pensar que fosse existir comunidades quilombolas em Vassouras, já que a população escrava na cidade foi a maior da Província do Rio de Janeiro e provavelmente a maior do país, com 58,2% da população escrava pelo Censo em 1872, sendo 60% homens e 56,4% mulheres. Já em Valença, há uma comunidade quilombola sendo ainda analisada: São José da Serra.

Século XX

Após o fim de seu apogeu pelo café no século XIX, Vassouras entrou em declínio economicamente. O investimento em um novo setor (a pecuária) foi um acerto para a cidade e a região, pois os antigos cafezais tornaram-se pasto para o gado. Além disso, a pecuária não necessita de grandes mãos-de-obra.

A plantação de diversas culturas como milho, cana-de-açúcar, tomate e feijão são colocadas como culturas temporárias, enquanto banana, café e laranja feitas como permanentes.

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Geografia

Distritos

Desde 15 de dezembro de 1987, o município é constituído por quatro distritos:

Vassouras, sede

Andrade Pinto

São Sebastião dos Ferreiros

Sebastião de Lacerda

Flora e fauna

O município encontra-se inserido no domínio da Mata Atlântica, bioma que sofreu intensa redução e fragmentação devido à histórica substituição da cobertura florestal por atividades agrícolas e ocupação humana, especialmente durante o ciclo do café. Atualmente, a paisagem local é composta por fragmentos florestais em diferentes estágios de regeneração natural, distribuídos de forma heterogênea e inseridos em matrizes agrícolas e pastoris. Estudos realizados na região indicam que a distribuição da cobertura florestal está associada a fatores físicos como altitude, declividade e balanço hídrico, com maior presença de vegetação nativa em áreas mais elevadas, íngremes e com maior disponibilidade de umidade. Outros fatores como orientação de vertentes, radiação solar e tipo de solo apresentaram menor influência direta na distribuição da vegetação. Inventários florísticos e faunísticos evidenciam que, apesar da fragmentação, Vassouras mantém significativa diversidade biológica. Levantamentos registraram elevada riqueza de espécies arbóreas, com baixa similaridade entre fragmentos e paisagens, sugerindo forte heterogeneidade estrutural da vegetação. Estudos com formigas também indicaram alta diversidade, com variações na riqueza e composição de espécies entre diferentes paisagens, sendo áreas mais heterogêneas associadas a maior riqueza biológica.

Destaca-se o estudo sobre a anurofauna de Vassouras, que registrou um total de 21 espécies de anuros distribuídas em seis famílias, com predominância de Hylidae, seguida por Leptodactylidae e Bufonidae. Foram registradas as espécies Rhinella crucifer (cururuzinho) e Rhinella icterica (cururu), da família Bufonidae; Thoropa miliaris (rã-das-pedras), da família Cycloramphidae; Boana albomarginata (perereca-araponga), Boana faber (sapo-martelo), Boana semilineata (perereca-dormideira), Dendropsophus anceps (perereca-estrela), Dendropsophus bipunctatus (perereca-de-cara-pintada), Dendropsophus elegans (perereca-de-moldura), Dendropsophus cf. minutus (pererequinha-ampulheta), Scinax alter (perereca-do-litoral), Scinax fuscovarius (raspa-cuia), Scinax aff. x-signatus (perereca-do-x) e Scinax sp., da família Hylidae; Adenomera marmorata (rãzinha-piadeira), Leptodactylus fuscus (rã-assobiadora), Leptodactylus labyrinthicus (rã-pimenta), Leptodactylus latrans (rã-manteiga) e Physalaemus signifer (rãzinha-gemedeira), da família Leptodactylidae; Chiasmocleis lacrimae (sapinho-coxinha), da família Microhylidae; e Phyllomedusa burmeisteri (perereca-das-folhagens), da família Phyllomedusidae. A diversidade observada reforça a importância da preservação e conservação da biodiversidade na região do Vale do Café.

Ferrovias

Linha do Centro da Estrada de Ferro Central do Brasil

Linha Auxiliar da Estrada de Ferro Central do Brasil

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Cultura

Recebeu Vassouras o título de Imperial Cidade, conferido por D. Pedro II do Brasil. Findado já o império, Machado de Assis cita-a em seu conto Evolução, enfeixado no volume Relíquias de Cassa Velha, conforme vê-se no seguinte trecho:

"Naturalmente, o primeiro objeto foi o progresso que nos traziam as estradas de ferro. Benedito lembrava-se do tempo em que toda a jornada era feita às costas de burro. Contamos então algumas anedotas, falamos de alguns nomes e ficamos de acordo em que as estradas de ferro eram uma condição de progresso do país. Quem nunca viajou não sabe o valor que tem uma dessas banalidades graves e sólidas para dissipar os tédios do caminho. O espírito areja-se, os próprios músculos recebem uma comunicação agradável, o sangue não salta, fica-se em paz com Deus e os homens.

"(...)

"Chegamos a Vassouras; eu fui para a casa do juiz municipal, camarada antigo; ele demorou-se um dia e seguiu para o interior. Oito dias depois voltei ao Rio de Janeiro, mas sozinho.”

O município serviu de cenário para o bairro de Bangu antigo no filme O Meu Pé de Laranja Lima, de 1970.

Por seu aspecto interiorano, também serviu de cenário para várias produções da TV Globo, como a novela Fera Radical, de 1988, e a minissérie Presença de Anita, de 2001.

Bibliografia

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