Sem-Peixe (MG)
Sem-Peixe é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se na Zona da Mata Mineira, estando situado a cerca de 180 km a sudeste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente 180 km², sendo que menos de 1 km² está em área urbana, e sua população foi estimada em 2 420 habitantes em 2025.
História
O nome do município se deve à dificuldade que povos nômades tinham, no passado, de encontrar peixes no manancial que por essa razão ficou conhecido como rio Sem-Peixe. Na margem deste curso hídrico nasceu a zona urbana da atual cidade no final do século XIX. A emancipação de Sem-Peixe ocorreu mediante a lei nº 12.030, 21 de dezembro de 1995, quando deixou de ser um distrito de Dom Silvério.
Geografia
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Juiz de Fora e Imediata de Ponte Nova. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Ponte Nova, que por sua vez estava incluída na mesorregião da Zona da Mata. O bioma original predominante é a Mata Atlântica.
O município está situado na bacia do rio Doce, sendo banhado pelo rio Doce em toda a divisa com os municípios de Santa Cruz do Escalvado e Rio Casca. O rio Sem-Peixe, que dá nome à cidade e banha a zona urbana, é outro curso hídrico expressivo e tem sua foz no rio Doce. Entretanto, o território municipal é banhado por diversos mananciais de pequeno porte, sendo alguns dos mais expressivos o ribeirão São Bartolomeu e os córregos Branco Escuro e da Manga.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em 2 433 habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o censo de 2022, 1 455 habitantes viviam na zona urbana (59,8% do total) e 978 na zona rural (40,2%). A sede municipal possuía 1 992 habitantes e 776 domicílios particulares, enquanto que o distrito de São Bartolomeu de Sem-Peixe contava com 441 habitantes e 186 domicílios.
Com relação aos credos religiosos, a população municipal com dez anos de idade ou mais está composta por 1 901 católicos (84,83% do total), 316 evangélicos (14,1%), 19 pessoas sem religião (0,85%), dois espíritas (0,09%) e 0,13% estão divididos entre outras religiões.
Política
A administração do município é feita a partir dos poderes Executivo, representado pelo prefeito e seus secretários, e Legislativo, constituído pela câmara de vereadores, composta por nove vereadores, eleitos para mandatos de quatro anos. Sem-Peixe é termo da Comarca de Alvinópolis, comarca de primeira entrância do Poder Judiciário estadual. O município possuía, em maio de 2026, 3 772 eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Economia
O Produto Interno Bruto (PIB) de Sem-Peixe tem seu rendimento concentrado no setor terciário da macroeconomia, mas com participação significativa da agropecuária na paisagem municipal. Em 2025, de acordo com o SEBRAE, havia 187 empresas ativas, a maior parte das quais representada pelo comércio varejista (20,9%), seguido pelo setor de atividades de organizações associativas (16,6%) e por comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (6,42%). No mesmo ano, 252 pessoas estavam empregadas, sendo que os setores que mais empregavam eram a administração pública (77%), comércio varejista (8,7%) e construção de edifícios (5,6%).
Dentro da agricultura, a cana-de-açúcar representou a maior área ocupada pela lavoura temporária municipal em hectares (ha) em 2024, com um total de 250 ha cultivados, seguida pelo milho (70 ha) e pelo feijão (65 ha). Enquanto isso, os cultivos permanentes mais representativos foram o coco-da-baía (30 ha) e a banana (3 ha). Com relação à pecuária, o município possuía um rebanho de 11 084 bovinos, 8 250 galináceos, 713 equinos e 279 suínos. Sem-Peixe produziu 2 311 mil litros de leite de 1 577 vacas, 26 mil dúzias de ovos de galinha de 2 350 galinhas, 1 150 quilos de mel de abelha e 130 quilos de tilápia.
Infraestrutura
Em 2022, foram registrados 28 óbitos por morbidades, dentre os quais as doenças do sistema circulatório representaram a maior causa de mortes (46%), seguida pelas doenças do sistema digestivo (14%). Já em 2023, foram registrados 22 nascidos vivos, sendo que o índice de mortalidade infantil no mesmo ano foi de 45,45 óbitos de crianças menores de um ano de idade a cada mil nascidos vivos. Em 2022, segundo o IBGE, 52,60% dos domicílios ocupados possuíam a rede geral de água como principal forma de abastecimento e 99,69% possuíam banheiro de uso exclusivo da moradia. Com relação ao esgotamento sanitário, 47,09% das habitações eram atendidas pela rede geral ou pluvial.
Na área da educação, dentre os habitantes de 18 anos ou mais em 2022, 48,93% não completaram o ensino fundamental, 15,27% tinham somente o fundamental completo, 26,06% tinham o ensino médio completo e 9,7% o ensino superior completo, sendo que a população com onze anos ou mais de idade tinha em média 7,8 anos de estudo. O percentual de alfabetização dos moradores de 15 anos ou mais, por sua vez, era de 87,74%, resultando em 12,26% de pessoas não alfabetizadas nesse grupo de idade.
Cultura e lazer
A Praça São Sebastião, onde ficam a Igreja Matriz de São Sebastião e a Igreja São Vicente (igrejinha), é um dos principais pontos de referência da cidade. As características topográficas do município oferecem diversos atrativos naturais, ideais para amantes da natureza e praticantes de esportes radicais. Entre a paisagem se destacam o relevo ondulado, nascentes, cachoeiras e rios, que compõem um cenário propício ao turismo ecológico e de aventura.