Santa Cruz do Escalvado (MG)
Santa Cruz do Escalvado é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se na Zona da Mata Mineira, estando situado a cerca de 250 km a sudeste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente 260 km², sendo que menos de 1 km² está em área urbana, e sua população foi estimada em 4 728 habitantes em 2025.
A região do atual município começou a ser explorada por forasteiros em busca de ouro no século XVIII. A área da atual cidade cresceu nas margens do ribeirão do Escalvado e o município foi emancipado em 1948, quando se desmembrou de Ponte Nova. Na divisa com os municípios de Ponte Nova e Rio Doce ocorre o encontro dos rios do Carmo e Piranga, onde é formado o rio Doce.
História
A região do atual município de Santa Cruz do Escalvado foi povoada originalmente por povos aimorés e puris. No século XVIII, a área foi explorada por forasteiros à procura de ouro, alguns dos quais povoaram onde está o distrito de São Sebastião do Soberbo.
Na área da atual cidade, o povoamento foi marcado pela construção de uma capela por padre Bernardino José da Silva em 1823, com as primeiras moradias se estabelecendo nas margens do ribeirão do Escalvado. A maioria dos novos moradores chegavam atraídos pela busca por metais preciosos.
O primeiro nome que o povoado teve foi "Santa Cruz do Charnecão". Em 2 de maio de 1856, a localidade foi reconhecida como freguesia, denominada "Santa Cruz do Escalvado", vindo a se emancipar de Ponte Nova pela lei nº 336 de 27 de dezembro de 1948. Seu nome se deve à Pedra do Escalvado, localizada na zona rural do município.
Geografia
O município de Santa Cruz do Escalvado limita-se com Sem-Peixe (a norte e noroeste), Rio Doce (oeste), Ponte Nova (sudoeste e sul), Urucânia (sudeste), Piedade de Ponte Nova (leste) e Rio Casca (nordeste e norte). A sede dista por rodovia 215 km da capital mineira, Belo Horizonte, e o principal acesso é pela AMG-1790, que liga a cidade à BR-120 e à MG-329.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Juiz de Fora e Imediata de Ponte Nova. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Ponte Nova, que por sua vez estava incluída na mesorregião da Zona da Mata.
O bioma original predominante é a Mata Atlântica. O relevo é predominantemente ondulado e a altitude máxima é de 732 metros, no Alto dos Henriques, enquanto que a altitude mínima se encontra na foz do córrego Novo, com 233 metros. Já o ponto central da cidade está a 400 metros.
Na divisa do município com Rio Doce e Ponte Nova está situada a confluência dos rios Piranga e do Carmo, onde é formado o rio Doce. Este manancial não intercede o território municipal, restringindo-se à divisa com o município de Rio Doce a oeste, depois de ser formado. Já a zona urbana é banhada pelo ribeirão do Escalvado, que deságua no rio Doce.
Demografia e política
Em 2022, a população foi estimada em 4 673 habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o censo de 2022, 2 352 habitantes eram homens (50,33%) e 2 321 habitantes mulheres (49,67%). Ainda segundo o mesmo censo, 1 769 habitantes viviam na zona urbana (37,86%) e 2 904 na zona rural (62,14%).
Da população total em 2022, 710 habitantes (15,19%) tinham menos de 15 anos de idade, 580 (12,41%) tinham de 15 a 24 anos, 872 (18,66%) tinham de 25 a 39 anos, 1 676 (35,87%) tinham de 40 a 64 anos e 835 (17,87%) possuíam 65 anos ou mais.
Em 2022, a população era composta por 3 381 pardos (76,07%), 770 brancos (16,48%), 346 negros (7,40%), um amarelo (0,02%) e um indígenas (0,02%). Com relação aos credos religiosos, a população municipal com dez anos de idade ou mais está composta por 3 381 católicos (80,37% do total), 716 evangélicos (17,02%), 85 pessoas sem religião (2,02%), nove espíritas (0,21%) e 0,38% estão divididos entre outras religiões.
A administração do município é feita a partir dos poderes Executivo, representado pelo prefeito e seus secretários, e Legislativo, constituído pela câmara de vereadores, composta por nove vereadores, eleitos para mandatos de quatro anos. Santa Cruz do Escalvado se rege por sua lei orgânica e é termo da Comarca de Ponte Nova, comarca de segunda entrância do Poder Judiciário estadual. O município possuía, em maio de 2026, 4 892 eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Distritos
Economia
O Produto Interno Bruto (PIB) de Santa Cruz do Escalvado tem seu rendimento concentrado no setor terciário da macroeconomia. Segundo dados do IBGE, relativos a 2023, o PIB do município era de R$ 90 331,28 mil, ao mesmo tempo que o PIB per capita era de R$ 19 330,47. Em 2025, de acordo com o SEBRAE, havia 402 empresas ativas, a maior parte das quais representada pelo comércio varejista (20,6%), seguido pelo setor da alimentação (11,9%) e por atividades de organizações associativas (9,45%). No mesmo ano, 570 pessoas estavam empregadas, sendo que os setores que mais empregavam eram a administração pública (45,6%), agricultura e pecuária (28,6%) e comércio varejista (7,7%).
A pecuária e a agricultura acrescentavam 12 234,33 mil reais na economia em 2021. Dentro da agricultura, a cana-de-açúcar representou a maior área ocupada pela lavoura temporária municipal em hectares (ha) em 2024, com um total de 580 ha cultivados, seguida pelo milho (80 ha) e pelo feijão (16 ha). Enquanto isso, os cultivos permanentes mais representativos foram a banana (7 ha) e o coco-da-baía (1 ha). Com relação à pecuária, o município possuía um rebanho de 34 016 suínos, 15 497 bovinos, 10 650 galináceos e 611 equinos. Santa Cruz do Escalvado produziu 3 401 mil litros de leite de 1 577 vacas, 32 mil dúzias de ovos de galinha de 2 900 galinhas e 150 quilos de tilápia.
Em 2024, de acordo com o IBGE, foram extraídos 400 m³ de eucalipto em toras. A indústria, por sua vez, acrescentava 19 989,73 mil reais ao Produto Interno Bruto em 2021. Dentro deste setor há de se destacar a presença da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, que está situada no leito do rio Doce, na divisa com o município de Rio Doce, e contribui para a arrecadação municipal. Com relação ao setor terciário, 15 014,99 mil reais do PIB municipal eram do valor adicionado bruto do setor de serviços e 26 126,65 mil reais do valor adicionado da administração pública no ano de 2021.
Infraestrutura
Em 2022, foram registrados 49 óbitos por morbidades, dentre os quais as doenças do sistema respiratório representaram a maior causa de mortes (31%), seguida pelos tumores (14%). Já em 2023, foram registrados 56 nascidos vivos, sendo que o índice de mortalidade infantil no mesmo ano foi zero. Em 2022, segundo o IBGE, 46,93% dos domicílios ocupados possuíam a rede geral de água como principal forma de abastecimento e 100% possuíam banheiro de uso exclusivo da moradia. Com relação ao esgotamento sanitário, 38,40% das habitações eram atendidas pela rede geral ou pluvial.
Na área da educação, dentre os habitantes de 18 anos ou mais em 2022, 50,91% não completaram o ensino fundamental, 17,42% tinham somente o fundamental completo, 24,5% tinham o ensino médio completo e 7,19% o ensino superior completo, sendo que a população com onze anos ou mais de idade tinha em média 8 anos de estudo. O percentual de alfabetização dos moradores de 15 anos ou mais, por sua vez, era de 90,99%, resultando em 9,01% de pessoas não alfabetizadas nesse grupo de idade.