São Luiz do Paraitinga (SP)
São Luiz do Paraitinga é um município brasileiro do estado de São Paulo. Sua população, segundo o Censo demográfico do IBGE de 2022, era de 10 337 habitantes. O município é formado pela sede e pelo distrito de Catuçaba.
É um importante destino turístico da região do Vale do Paraíba, em particular, devido ao seu Centro Histórico, tombado como Patrimônio Cultural Nacional, e suas tradições caipiras, incluindo a Festa da Cozinha Caipira, Folia do Divino e o Carnaval de Marchinhas.
Dentre seus atrativos, destacam-se, na área urbana, seu conjunto arquitetônico, com mais de 450 imóveis, numa área superior a 6,5 milhões de metros quadrados, declarados como Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Estância turística
São Luiz do Paraitinga é um dos 29 municípios paulistas considerados estâncias turísticas pelo Estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por lei estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do estado para a promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de agregar junto a seu nome o título de "estância turística", termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais.
Toponímia
O nome "Paraitinga" é uma referência ao Rio Paraitinga. "Paraitinga" é originário do tupi antigo paraitinga, que significa "rio ruim e claro" (pará, "rio grande" + aíb, "ruim" + ting, "branco" + a, sufixo).
História
Em 5 de março de 1688, foram concedidas as primeiras sesmarias no vale do rio Paraitinga pelo capitão-mor de Taubaté, Felipe Carneiro de Alcaçouva e Souza, ao capitão Mateus Vieira da Cunha e João Sobrinho de Moraes.
Durante o governo de Luís Antônio de Sousa Botelho Mourão, o Morgado de Mateus, à frente da Capitania de São Paulo, entre 1765 e 1775, este recebeu dos moradores do Vale do Paraíba petições para criar uma povoação entre as vilas de Taubaté e Ubatuba. No contexto do início da decadência da mineração de ouro em Minas Gerais e da necessidade de ocupar novas terras e de estimular a produção agrícola vale-paraibana, em 2 de maio de 1769 o governador autorizou a fundação da povoação, com o nome de São Luiz e Santo Antônio do Paraitinga e seis dias depois, em 8 de maio, o sargento-mor Manuel Antônio de Carvalho foi nomeado fundador da povoação, cuja padroeira escolhida foi Nossa Senhora dos Prazeres, santa de devoção do criador da povoação.
Com incentivos do governador, novos moradores, vindos de Guaratinguetá, Taubaté e Mogi das Cruzes, se fixaram na nova povoação de São Luiz e Santo Antônio do Paraitinga, a qual foi elevada à categoria de vila, desmembrando-se de Taubaté, por ordem régia de 9 de janeiro de 1773, sendo instalada em 31 de março do mesmo ano.
Com a mudança do padroeiro da vila para São Luís de Tolosa, o nome da vila foi alterado para São Luiz do Paraitinga.
Inicialmente, a economia da vila era baseada na agricultura de subsistência. Na década de 1830, o ciclo do café, em alta no Vale do Paraíba Paulista na época, chegou a São Luiz do Paraitinga, gerando ali uma elite cafeicultora, mas os agricultores locais continuaram produzindo gêneros como milho e feijão.
No século XIX, São Luiz do Paraitinga, elevada à categoria de cidade pela Lei Provincial nº 44, de 30 de abril de 1857, ficou conhecida como “Celeiro do Vale”, por ter se dedicado à cultura de feijão, milho, mandioca e cana, enquanto o restante da região e da província se dedicava ao cultivo do café. Como reflexo da pujança do município, as ruas foram calçadas com pedras e construiu-se uma nova Casa da Câmara e Cadeia e Igreja Matriz.
Em 1873, com a visita do Imperador Pedro II à cidade, esta recebeu o título de Imperial Cidade e o Coronel Manuel Jacinto Domingues de Castro recebeu o título de “Barão de Paraitinga”.
No final do século XIX, o ciclo do café entrou em decadência no município e a agricultura municipal foi bastante prejudicada pelo desgaste dos solos e o desmatamento. No início do século XX, a principal fonte de renda municipal passou a ser a policultura de subsistência e a pecuária leiteira.
Ao longo de sua história, o território luizense sofreu perdas territoriais para a criação do município de Lagoinha (1880 e 1953).
A Lei Estadual nº 11197 de 5 de julho de 2002, concedeu ao município o título de Estância Turística, dada a importância do turismo para ele.
Inundação de 2010
Nos primeiros dias de 2010, a cidade sofreu com uma forte enchente do Rio Paraitinga que a fez perder oito de seus edifícios históricos, incluindo a Igreja Matriz do município, construída no século XVII. A Igreja Matriz do município era o principal símbolo da cidade e desabou sobre si mesma devido à chuva. As imagens foram registradas por um cinegrafista amador e exibidas em vários telejornais do país.
Após as enchentes, para a reconstrução da cidade, foram recebidos cerca de R$ 15 milhões do Ministério da Integração Nacional para a contenção de encostas e reconstrução de pontes e estradas, e cerca de R$ 100 milhões do governo do estado para a reconstrução de prédios públicos, recuperação de estradas, reforma de escolas e construção de uma nova biblioteca. Em dezembro de 2010, o Centro Histórico de São Luiz do Paraitinga foi declarado como patrimônio cultural nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O tombamento permitiu a reconstrução de diversas construções históricas, incluindo a Igreja Matriz São Luís de Tolosa, reaberta em maio de 2014.
Geografia
Localiza-se a uma latitude 23º13'18" sul e a uma longitude 45º18'36" oeste, estando a uma altitude de 741 metros. É um dos 39 municípios que integram a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte. Pertence à Região Imediata de Taubaté-Pindamonhangaba que, por sua vez, é uma das cinco regiões que integram a Região Intermediária de São José dos Campos.
Hidrografia
Rio Paraitinga
Rio Paraibuna
Rio do Chapéu
Rodovias
Rodovia Oswaldo Cruz
Rodovia Nelson Ferreira Pinto
Demografia
População
Composição étnica
Em 2022, segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população do município era composta por 7.697 brancos (74,46%), 2.312 pardos (22,37%), 297 pretos (2,87%), 22 amarelos (0,21%) e 6 indígenas (0,06%).
Política e administração
O prefeito do município é Alex Euzébio Torres, eleito nas eleições municipais de 2024 pelo Partido Liberal (PL).
Infraestrutura
Comunicações
O sistema de telefones automáticos foi inaugurado na cidade em 1982 pela Telecomunicações de São Paulo (TELESP), que também implantou o sistema de discagem direta à distância (DDD) em 1982 com o código de área (0122). Anteriormente a cidade era atendida pela Companhia de Telecomunicações do Estado de São Paulo (COTESP).
Na década de 90 o código DDD da cidade foi alterado para (012), para padronização do sistema telefônico com a telefonia celular que estava sendo implantada em todo o estado.
Pessoas ilustres
Aziz Nacib Ab'Saber
Osvaldo Cruz
Elpídio dos Santos
Manuel Jacinto Domingues de Castro
Moradei
Judas Tadeu de Campos
Religião
De acordo com o Censo 2022 (IBGE), 93,67% da população do município é cristã, sendo 77,94% católicos e 15,73% evangélicos. Outras religiões representam 2,84% da população total.
O Cristianismo se faz presente na cidade da seguinte forma:
Igreja Católica
A igreja faz parte da Diocese de Taubaté.
Igrejas Evangélicas
Entre as igrejas protestantes históricas, pentecostais e neopentecostais, encontram-se na cidade:
Assembleia de Deus Ministério do Belém.
Congregação Cristã no Brasil.