Rolândia (PR)
Rolândia é um município brasileiro do norte do estado do Paraná, localizado na Região Metropolitana de Londrina. Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2025, era de 75,818 habitantes.
Geografia
A sede do município está situada a 750 metros de altitude. Os municípios limítrofes são Jaguapitã (norte), Cambé e Londrina (leste), Arapongas (sul), Pitangueiras e Sabáudia (oeste).
Seu território se estende pelas microbacias hidrográficas do ribeirão Vermelho, do ribeirão Ema e do rio Bandeirantes do Norte.
Clima
O clima é classificado como Subtropical Úmido Mesotérmico sem estação seca definida, mas com tendência nos meses de verão. O verão geralmente é quente, com médias mensais acima dos 22°C.
No inverno, ocorrem geadas com pouca frequência devido à falta de precipitação nos dias de frio intenso, em que as temperaturas podem alcançar valores de 0,3°C (3 de junho de 2009) e, em ocasiões extremas, chegar a -4°C, como no inverno de 1975, quando nevou em todo Centro-Sul do Estado.
Demografia
Fonte: Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES) 2005
Subdivisões
O município compõe-se de três distritos: Rolândia (sede), Nossa Senhora da Aparecida e São Martinho.
Economia
Nos primórdios de sua colonização, somente os cafezais é que geravam riqueza. Atualmente, além do cultivo da soja, milho, trigo, cana de açúcar e à laranja, a economia a cidade conta ainda com duas grandes empresas frigoríficas, com o setor agropecuário forte, com varias indústrias de médio e pequeno porte e com um setor de comércio e serviços condizente ao porte do município.
Política
Administração
Prefeito: Ailton Aparecido Maistro (2021/2024) - (2025-2028)
Vice-prefeito: Horácio Negrão
Presidente da Câmara: Guilherme de Magalhães Spanguemberg (2025/2028)
Comunicação
Rádio Cobra FM LTDA. (Rádio Cobra FM 107.1 Mhz);
Rádio Comunitária Cultura FM - 87,5 MHZ;
TV Educativa (TV Cultura - Canal 27.1 - Retransmissora da Rede Cultura Fundação Padre Anchieta).
Massa FM Londrina - 97.3 MHZ ( concessão e sistema de transmissão em Rolândia)
Esporte
Futebol
O futebol rolandense está conectado principalmente à história do Nacional Atlético Clube. Este foi fundado em 1947, sendo o primeiro clube a ser fundado no Norte do Paraná. Curiosamente, serviu de inspiração para a fundação do Londrina, em 1956. O clube mudou sua sede para Campo Mourão em 2024, porém, em sua estadia em Rolândia, foi bicampeão da segunda e terceira divisão estadual, além de um título da Taça FPF.
Outro clube da cidade foi o Rolândia Esporte Clube, de 1973, que após décadas no amadorismo, se profissionalizou em 2017. Contudo, em 2025, o clube foi comprado e se mudou para São Mateus do Sul, deixando Rolândia sem representantes no futebol.
Cultura
Rolândia é a terra natal de Elifas Andreato.
Museus
Rolândia possui três museus que contam sua história, sendo o Museu Municipal (que sedia o Centro Histórico em funcionamento na antiga estação ferroviária), o Museu da Imigração Japonesa e o Museu de Cera da Igreja Matriz. A cena cultural é ainda enriquecida por iniciativas privadas, como o museu da Fazenda Verseroda, que conserva um acervo familiar sobre a imigração alemã, com peças originais trazidas nas décadas de 30 e 40."
Museu Histórico da Imigração Japonesa de Rolândia, conhecido como Museu Japonês, teve sua origem a partir do Museu Agrícola de Rolândia. Mantido pela Aliança Cultural Brasil-Japão do Paraná, em ocasiões de celebração das comemorações da Imigração Japonesa foi visitado pelos Príncipes do Japão, Presidentes da República do Brasil e outras autoridades. Após passar por um processo de reformas e reestruturação, foi reinaugurado no dia 17 de junho de 2001. A data foi escolhida para coincidir com as comemorações dos 93 anos da Imigração Japonesa no Brasil. Estas reformas foram finalizadas a tempo de receber a ilustre visita da Princesa do Japão, que esteve no local em junho de 2025.
Em seu acervo, os visitantes tem a oportunidade de conhecer uma variedade de equipamentos e peças ligadas à agricultura japonesa, que marcaram a trajetória dos imigrantes na região. Além disso, o espaço abriga pinturas, vestimentas típicas e diversos objetos relacionados à cultura, educação e história da colônia japonesa no Norte do Paraná. Completam a experiência um belo jardim e a presença de um Templo Xintoísta, que enriquecem a ambientação cultural e histórica do local. A museologia praticada no museu segue uma lógica valorizada por estudiosos da área, como ROQUE, Maria Isabel. (2010, p. 133-150), que defende que 'a permanência dos objectos junto às comunidades de origem garante uma continuidade mais lógica do seu historial'. Atualmente, o museu está inativo para visitações e exposições.
Na matéria do site 'Um Jornal Regional', ao entrevistar o coordenador do museu, percebe-se que a visita ao museu oferece a oportunidade de compreender o quanto foi difícil para os primeiros imigrantes japoneses se estabelecerem na região. “Eles enfrentaram desafios imensos, como desmatar a terra com ferramentas rústicas, construir casas com o que encontravam na mata, plantar o próprio alimento e lidar com as barreiras culturais e de idioma”, explicou o coordenador do museu, Fábio Iwakura.
O Museu Municipal de Rolândia, fundado em 1989, narra a história do município de origem alemã. Após passar por reformas recentes para melhorias, o museu já se encontra em pleno funcionamento. Sua atual sede foi reconstruída ao lado do antigo Hotel Rolândia, uma estratégia que ressalta sua missão de preservar a memória afetiva da cidade. Essa escolha vai ao encontro da ideia de que "os museus-casa, como antigos espaços de moradia, estabelecem ligações com a identidade social de seus habitantes, constituindo-se de vivências e se caracterizando como núcleos paradigmáticos de significação simbólica" (SILVEIRA, Maria Teresa, pp.13). Dedicado a um público diverso, o museu tem o hábito de receber estudantes do Ensino Fundamental e Médio, docentes, universitários, povos originários e outras comunidades tradicionais, turistas nacionais, pessoas com deficiência e a Terceira Idade.
O Museu de Arte Izidoro Armacollo, conhecido como Museu de Cera, ficou mais conhecido em 2021 após viralizar na mídia. Além de 38 esculturas de cera, o museu abriga 133 telas pintadas por Arlindo Armacollo, de 80 anos. Ele é empresário, artista autodidata nas horas vagas e dono do Museu de Arte, bem como criador das estátuas. Inclusive, Arlindo construiu o espaço com o próprio dinheiro, como um presente para a cidade. O lugar foi nomeado em homenagem ao pai dele, que também era pintor.
Cemitérios municipais de Rolândia
Os cemitérios municipais são importantes marcadores de cultura material em Rolândia. Estes espaços possibilitam o aprofundamento dos estudos acerca das relações interétnicas durante a colonização, e são evidências concretas da presença judaica no Norte do Paraná. Apesar de não ter havido comunidades que praticassem o Judaísmo Institucional, através de estudos realizados nas sepulturas presentes nas necrópoles de Rolândia pôde-se encontrar vestígios de religiosidade israelita, em maior ou menor proporção, nas lápides das famílias alemães-judias colonizadoras e seus descendentes.
O primeiro cemitério a ser fundado foi o São Pedro, em 1933, se localiza na região urbana e apresenta características comuns às demais necrópoles brasileiras, sendo um quadrilátero divido em quadras com um cruzeiro ao centro. As sepulturas localizadas próximas ao centro pertencem a famílias mais abastadas, provocando uma divisão desigual entre os jazigos. O segundo cemitério foi o São Rafael, criado em 1939, na lateral da estrada rural de mesmo nome. Apresenta arquitetura simples, com muros baixos e apenas uma passagem central que divide a necrópole em dois lados, sendo as sepulturas similares em tamanho e simplicidade escultural, fundidas a um bosque. Embora seja acoplado a uma capela católica, há um hibridismo entres religiões cristãs e a judaica no local, característica recorrente na pratica religiosa dos judeus de Rolândia.
Entre as sepulturas, há aquelas fortemente marcadas com as tradições judaicas como a presença da estrela de David, a escrita hebraica, a arquitetura simples e o caráter perpétuo (sem violações). Outra estrutura encontrada entre os jazigos são de teor religioso híbrido, pois apresenta certa quantidade de características judaicas e cristãs -utilização de crucifixos e/ou ruptura da perpetuação do túmulo pela exumação de familiares- e aqueles que não apresentam característica judaica nenhuma. Nestes casos, a análise dos nomes nas lápides teve importante papel, pois através deles é possível encontrar as raízes israelitas.
O Cemitério São Rafael, anexado a uma capela de alvenaria e pedra, é símbolo do processo de fortificação identitária dos alemães da colônia, principalmente porque boa parte desses eram refugiados das perseguições étnicos-religiosas, promovidas pelo regime nazista. Desde sua chegada em Rolândia, os refugiados buscaram se manter afastados dos demais imigrantes, estabelecendo entre si relações cooperativas. A fundação do cemitério se deu pelo desejo de ter um espaço reservado para o sepultamente de seus pares, no seio da comunidade alemã.
Entre os colonos sepultados na necrópole estão alguns nomes importantes para a constituição da colônia, como Max Hermann Maier, advogado de Frankfurt, que compôs uma rede de apoio juntamente com Erich Koch-Weser e Johannes Schauff, para que pessoas de origem judaica pudessem sair da Alemanha refugiar-se na colônia, e sua esposa Mathilde Maier, que lecionava sobre religião e língua hebraica para os filhos dos judeus, fortalecendo as identidades israelitas; o próprio Koch-Weser, que foi dirigente da Sociedade para Estudos Econômicos do Ultramar, fundação que apoiou o empreendimento da colonização alemã no Norte do Paraná, e Oswald Nixdorf, o diretor da Gleba Colônia Roland.
Devido suas evidências das expressões de religiosidade alemã, seja ela judaica, luterana ou católica, o lugar se torna um centro de memória e pertencimento desses refugiados no território brasileiro. Dessa forma, o cemitério São Rafael não chama atenção apenas de pesquisadores interessados em compreender sua "simbiose cultural", mas também de turistas que passam pela cidade, sendo local de produção de conhecimento e apreciação cultural.