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Cidades do Brasil

Ribeirópolis (SE)

Publicado em 15 de maio de 2026

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Ribeirópolis (SE)

Explore a história e a identidade de Ribeirópolis (SE). Das lendas do "Saco do Ribeiro" ao amor eterno na construção da igreja, descubra o coração deste município sergipano.

Há lugares no Brasil cuja origem parece ter saída diretamente de uma novela das seis, com direito a mocinhos, vilões misteriosos e um cenário que transpira poesia. Outros, ainda mais raros, parecem ter saído de uma conversa de botequim regada a muito café fresco e uma pitada de humor.

Ribeirópolis, no coração de Sergipe, consegue o milagre de ser as duas coisas ao mesmo tempo.

Se você nunca ouviu falar dessa cidade, não se sinta sozinho. Muitos olham para o mapa e apontam para Aracaju, São Cristóvão ou Lagarto. Mas é aqui, entre o agreste e o sertão, a 75 km da capital, que se esconde uma das narrativas mais humanas e fascinantes do estado .

Prepare-se, caro leitor do Canal Fez História, para uma viagem no tempo. Vamos falar de gado, de feiras livres, de um “saco” misterioso e de um casal cujo amor foi tão forte que precisou de dois altares — um de pedra e um no céu. Esta é a história de Ribeirópolis.

O Mistério do “Saco”: A Origem Curiosa do Nome

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Vamos combinar: nem toda cidade tem uma origem tão… literal. Enquanto muitos municípios brasileiros homenageiam santos, índios ou acidentes geográficos com nomes poéticos, a antiga Ribeirópolis começou de um jeito bem mais pé no chão. Ou melhor, “pé no saco”.

Antes de se tornar cidade, a região era conhecida como Saco do Ribeiro . Mas calma, não é o que você está pensando. “Saco”, nesse contexto nordestino, significa uma enseada, uma dobra do terreno, um recôncavo. Mas como todo bom povo brasileiro adora uma boa história, a versão lendária é muito mais divertida.

O folclore local conta que, há muitos anos, um forasteiro misterioso desembarcou por ali. Ele era carregado de um grande saco. Ninguém sabia o que havia lá dentro. Um pano cheio de nós, pesado, volumoso. Para alguns, ele era apenas um cigano errante. Para os mais desconfiados, um ladrão foragido disfarçado .

Ele nunca abriu o saco. Nunca explicou o motivo. Ele apenas… estava lá.

A origem oficial do nome, no entanto, vem do século XVII, mais precisamente de 1637, quando um criador de gado chamado Ribeiro se estabeleceu na região para tocar sua vida . O “Saco” seria uma referência geográfica. A fusão entre a geografia e a lenda deu no que deu: Saco do Ribeiro.

Em 1933, ao se emancipar, houve a necessidade de “modernizar” o nome. Saco do Ribeiro poderia soar estranho para os visitantes ou para os documentos oficiais. Resolveu-se, então, aportuguesar o nome: “Ribeiro” + “Pólis” (cidade, em grego). Nasceu Ribeirópolis .

Das Feiras Livres à Emancipação

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Nem tudo na história são lendas; há muita labuta. O que realmente fez Ribeirópolis crescer foi algo que, até hoje, move o Brasil: a vontade do povo trabalhador.

Originalmente, o lugarejo pertencia à Vila de Itabaiana. A vida era simples, mas um evento semanal mudou os rumos da região: a feira livre. O comércio informal começou a esquentar. O que era um ponto de encontro esporádico se tornou o coração econômico da área.

Segundo registros históricos, em 1915, a feira foi transferida para o local onde hoje se encontra a Praça da Bandeira. E pasme: o terreno era tomado por jaqueiras portentosas. A praça, que hoje é o centro nevrálgico da cidade, era na verdade um sítio de fruteiras. Aos poucos, as casas foram surgindo, as ruas foram se desenhando, e a vila foi ganhando forma .

A energia vital da cidade vinha dali. Não havia indústria gigante, não havia porto. Havia o suor do agricultor e a lábia do feirante. A população cresceu, e a vontade de ser independente de Itabaiana cresceu junto. Finalmente, em 18 de dezembro de 1933, Ribeirópolis se emancipou, escrevendo seu próprio destino .

O Gigante Adormecido: Economia e Terra dos Paes Mendonça

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Se você acha que Ribeirópolis é apenas um pontinho no mapa, é bom rever seus conceitos. Esta cidade de aproximadamente 17 mil habitantes (segundo o Censo de 2022) possui um currículo econômico respeitável e uma densidade demográfica de 65,75 hab/km² .

A economia local é diversificada, mas sem perder suas raízes. Enquanto 39% do PIB vem do setor de serviços, a cidade ainda respira o agro .

  • Agricultura: A terra vermelha e fértil produz algodão, mandioca, feijão, batata doce e amendoim.
  • Pecuária: A criação de gado de corte e a produção de leite mantêm a tradição iniciada pelo patriarca Ribeiro lá em 1637.

Além disso, a cidade é o berço de dois gigantes do empresariado brasileiro: os irmãos Mamede e João Carlos Paes Mendonça . Sim, os nomes por trás de grandes grupos empresariais do país saíram das ruas de terra dessa cidade sergipana. Isso mostra que, apesar do tamanho modesto, o berço ribeiropolense balança homens e mulheres de visão global.

O Amor de Otoniel e Zefa: A Verdadeira História da Igreja

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Se o leitor me permite, chegamos ao ponto mais bonito e sensível deste artigo. Muitas cidades têm datas históricas secas: "Fundada em …", "Primeira missa em …". Ribeirópolis tem Otoniel e Zefa.

Se você pesquisar sobre a cidade, logo esbarra na história da Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Mas não é a arquitetura gótica ou os vitrais que roubam a cena. É a história de quem a construiu. Literalmente.

A igreja foi erguida com a ajuda dos moradores. Entre os pedreiros, havia um tal de Pedro Magro, que veio das bandas de Maruim. Seu braço direito, seu servente, chamava-se Otoniel Revoredo do Nascimento .

A construção era artesanal. Não havia guindastes, nem andaimes de ferro. Para subir e trabalhar na torre, os homens mergulhavam "cipós" em água durante a noite para que ficassem flexíveis, e durante o dia usavam essas amarras naturais para sustentar os andaimes . Perigo? Muito. Coragem? A que move a fé.

Enquanto Otoniel suava na obra, a música da igreja ficava sob os cuidados de uma moça chamada Josefa Santana de Jesus, carinhosamente conhecida como Zefa de Soledade (ou Zefa "Boazinha") .

Ela era a "cantora da igreja". Filha caçula de Manoel Maroto, figura ilustre e abastada da cidade (que tem até rua com seu nome), Zefa era a doçura em pessoa. Otoniel era o homem da labuta, filho de Nanan, a costureira.

O que aconteceu foi inevitável. Entre um "Glória a Deus" e o barulho da argamassa, nasceu o amor. Não foi um namoro qualquer. Foi um compromisso com Deus e com a própria cidade.

  • 07 de maio de 1950: Otoniel e Zefa trocam alianças na igreja que ele ajudou a construir.
  • 1975: Renovam os votos pelas Bodas de Prata.
  • 2000: Celebram as Bodas de Ouro.
  • 2010: Atingem as Bodas de Diamante.

Eles queriam chegar às Bodas de Mercúrio (69 anos de casados). Faltavam apenas dois meses e meio para completar essa jornada. Mas, em 14 de fevereiro de 2016, Otoniel, já com 90 anos, partiu. Dia dos Namorados. Claro que ele não iria perder a data, não é mesmo?

Zefa ficou. Dizem que a saudade é um amor que continua. Nove meses depois, exatos nove meses, como quem segue o cronograma de quem não sabe viver sozinho, Zefa também partiu. Foram 69 anos de convivência .

A história de Otoniel e Zefa não é apenas uma anedota de museu. É a alma de Ribeirópolis. Mostra que esta cidade não foi feita apenas de decretos e datas, mas de abraços, de suor, de fé e de muita cumplicidade.

Localizada na região do Baixo São Francisco, Ribeirópolis possui uma geografia que transita entre colinas e vales. O clima é tropical, quente e úmido, o que, aliado ao solo forte, permite a diversidade agrícola citada anteriormente.

Hoje, a cidade se moderniza, mas sem perder o ar de interior aconchegante. As ruas ainda guardam o eco da época em que o "Saco do Ribeiro" era um ponto de parada para boiadeiros.

  • Padroeiro: Sagrado Coração de Jesus (sim, a mesma igreja da história de amor).
  • Gentílico: Ribeiropolense.
  • CEP: 49530-000.

Por que Ribeirópolis é considerada a "terra dos Paes Mendonça"?
A cidade viu nascer os empresários Mamede e João Carlos Paes Mendonça, que construíram impérios no setor de varejo e comunicação no Brasil, tornando-se filhos ilustres da terra .

Qual é a origem exata do nome "Saco do Ribeiro"?
Existem duas vertentes: a geográfica, que indica um "saco" (enseada ou reentrância) onde um criador chamado Ribeiro se instalou em 1637; e a folclórica/lenda, que fala de um forasteiro misterioso que andava com um grande "saco" (saco de pano) pelas redondezas, sem nunca revelar o conteúdo .

Como chegar a Ribeirópolis saindo de Aracaju?
A partir da capital, é necessário pegar a BR-235 (próximo ao aeroporto) sentido interior, passando por cidades como Itabaiana, até chegar ao destino. A distância é de aproximadamente 75 quilômetros .

O que significa a história de Otoniel e Zefa para os moradores?
Ela é vista como o maior símbolo do amor, da fé e da construção comunitária da cidade. A história é frequentemente contada para mostrar que a Igreja (física) e a comunidade (viva) foram erguidas juntas, através do esforço coletivo e do amor genuíno.

A população de Ribeirópolis está crescendo?
Segundo o último Censo do IBGE (2022), a população estimada é de 17.033 habitantes, apresentando uma leve estabilidade ou pequena redução em relação a censos anteriores .

O Canal Fez História ama contar esses casos. Porque a história do Brasil não está só nos grandes centros, nos tratados de Tordesilhas ou nas revoltas populares do Sudeste. Ela está nas pequenas cidades, na coragem do pedreiro que amarrava cipó, na voz da cantora que emocionava os fiéis e no mistério de um forasteiro com um saco qualquer.

Ribeirópolis nos ensina que uma cidade não se faz só com tijolos, mas com histórias. Histórias de amor, de trabalho e de fé.

Se um dia você estiver cruzando as estradas de Sergipe, pare em Ribeirópolis. Sente-se na praça, tome uma água de coco ou um refrigerante bem gelado, olhe para a Igreja do Sagrado Coração de Jesus e lembre-se: você está pisando em solo sagrado. Solo que foi erguido por mãos que amavam.

Gostou de saber mais sobre a história do Brasil profundo?

Isso é apenas uma gota no oceano de histórias que temos para contar. Se você é apaixonado por curiosidades, histórias emocionantes e os bastidores do nosso país, não deixe de continuar essa viagem com a gente.

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Ribeirópolis (SE) 10 min de leitura
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