Pedro I da Rússia
Publicado em 13 de novembro de 2025
“Eu não nasci para ser czar. Nasci para mudar a Rússia.”
Explore a vida do homem que transformou um principado atrasado num império temido pela Europa inteira: Pedro I da Rússia.
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Em 1682, nascia em Moscovo um menino que viria a medir mais de dois metros, a falar sete línguas, a construir uma marinha do zero e a cortar com as próprias mãos as barbas dos boiardos. Pedro Alexeievitch Romanov, mais conhecido como Pedro o Grande, foi o czar que literalmente arrastou a Rússia para o século XVIII, chutando portas, quebrando tradições milenares e criando a cidade mais bela da Europa: São Petersburgo.
Neste artigo vamos percorrer toda a sua vida — desde as conspirações palacianas da infância até à morte exausta em 1725 — e entender por que ele é, até hoje, o personagem mais fascinante da ascensão da Rússia (c. 1682-1917).
Infância e a Revolta dos Streltsy: Quando Pedro Aprendeu a Temer e a Odiar
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Pedro nasceu a 9 de junho de 1672, filho do czar Aleixo I e da segunda esposa, Natália Naryshkina. Quando o pai morreu em 1676, o meio-irmão mais velho, Fiódor III, subiu ao trono. Mas Fiódor era doente e morreu em 1682, desencadeando uma das crises sucessórias mais sangrentas da história russa.
Os boiardos dividiram-se entre o débil Ivan V (filho da primeira esposa de Aleixo) e o pequeno Pedro. A princesa Sofia, irmã de Ivan, manipulou os Streltsy — o corpo militar de elite de Moscovo — para um golpe. Em maio de 1682, os Streltsy invadiram o Kremlin. Pedro, com apenas 10 anos, viu parentes e tutores serem despedaçados à sua frente. O horror ficou-lhe gravado para sempre.
Resultado: Ivan V e Pedro foram declarados co-czares, mas Sofia governava como regente. Pedro foi afastado para a aldeia de Preobrazhenskoye, onde começou a brincar… à guerra. Criou dois “batalhões de brinquedo” — os futuros regimentos Preobrazhensky e Semionovsky — com rapazes da aldeia e filhos de nobres. Mal sabia ele que esses jogos se tornariam o núcleo do futuro exército moderno russo.
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Em 1689, com 17 anos e já com 2 metros de altura, Pedro casou-se com Eudóxia Lopukhina (casamento infeliz que acabaria em repúdio). Sofia tentou novo golpe. Pedro fugiu de madrugada para o mosteiro de Tróitsa-Sérguiev e convocou os regimentos leais. Pela primeira vez na vida, os Streltsy escolheram o lado do jovem gigante. Sofia foi encerrada num convento e Ivan V, doente, aceitou ser apenas co-czar nominal.
Pedro tinha 17 anos e o poder absoluto nas mãos. Mas, curiosamente, não quis governar ainda. Entregou a administração à mãe e aos Naryshkin e… foi brincar aos barcos no lago Plescheievo. Era a sua grande paixão: a marinha.
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Em 1697, Pedro fez algo nunca visto: saiu disfarçado da Rússia com uma embaixada de 250 pessoas para aprender como funcionava a Europa ocidental. Usava o nome de “Pedro Mikhailov” e trabalhou como carpinteiro nos estaleiros de Saardam (Holanda) e Deptford (Inglaterra). Aprendeu a construir navios, a fundir canhões, a fazer cirurgias dentárias, a gravar cobre… Voltou com mais de 700 especialistas estrangeiros: engenheiros, oficiais navais, médicos, artesãos.
Enquanto estava fora, os Streltsy revoltaram-se novamente. Pedro voltou a galope, prendeu 2000 rebeldes e mandou executar mais de 1000 — muitos com as próprias mãos, para horror dos embaixadores europeus. Foi o fim definitivo dos Streltsy.
A Guerra do Norte (1700-1721): O Nascimento do Império Russo
O grande sonho de Pedro era uma saída para o mar Báltico. Em 1700 aliou-se à Dinamarca e à Saxónia contra o jovem génio militar Carlos XII da Suécia. O início foi desastroso: derrota humilhante em Narva (1700), onde 8000 russos enfrentaram 40 000 suecos.
Mas Pedro aprendeu. Reformou o exército, criou fundições de canhões, recrutou camponeses em massa. Em 1709, na batalha de Poltava, destruiu completamente o exército de Carlos XII. Foi o momento em que a Rússia deixou de ser uma potência secundária e passou a ser temida.
Em 1721, o Tratado de Nystad deu à Rússia a Livónia, a Estónia, a Ingria e parte da Carélia. Pedro proclamou-se “Imperador de Todas as Rússias” — já não era apenas czar. Fundou São Petersburgo em 1703 num pântano conquistado aos suecos e, em 1712, tornou-a a nova capital, simbolizando a janela para a Europa.
Reformas Internas: A Revolução Cultural que Custou Milhares de Vidas
Pedro não se limitou à guerra. Queria mudar tudo:
- Exército: aboliu os Streltsy, criou um exército permanente com recrutamento vitalício de camponeses.
- Administração: substituiu as antigas ordens por 12 colégios (ministérios) inspirados na Suécia.
- Igreja: em 1721 aboliu o patriarcado e criou o Santo Sínodo controlado pelo Estado (a Igreja tornou-se um departamento do governo).
- Calendário: adotou o calendário juliano e mudou o ano novo de 1 de setembro para 1 de janeiro.
- Barbas e caftans: obrigou os boiardos a rapar a barba e a usar roupas europeias. Quem insistisse pagava imposto anual pela barba!
- Tabela de Postos (1722): criou uma hierarquia onde até nobres tinham de começar como oficiais subalternos se quisessem subir.
Para pagar tudo isto, aumentou brutalmente os impostos e introduziu o “imposto da alma” (capitação) sobre todos os homens adultos, exceto clero e nobreza.
São Petersburgo: A Cidade Construída Sobre Ossos
Entre 1703 e 1725, dezenas de milhares de servos morreram nos pântanos do rio Neva. Pedro queria a cidade mais bela da Europa — e conseguiu. Projetada por arquitetos italianos e franceses, com canais à semelhança de Amesterdão e palácios barrocos, São Petersburgo tornou-se o símbolo máximo da sua visão.
Vida Pessoal: Um Homem Apaixonado e Brutal
- Casou-se pela segunda vez com uma camponesa lituana, Marta Skavronska, que se tornaria a imperatriz Catarina I.
- Teve 11 filhos oficiais (apenas duas filhas sobreviveram à infância).
- O caso mais trágico: o filho Alexis, do primeiro casamento, opôs-se às reformas. Pedro mandou julgá-lo por traição. Alexis morreu sob tortura em 1718. O czar chorou… mas não perdoou.
Morte e Legado
Em novembro de 1724, Pedro mergulhou no mar gelado do Golfo da Finlândia para salvar marinheiros de um naufrágio. Apanhou uma pneumonia e morreu a 8 de fevereiro de 1725, com apenas 52 anos, sem deixar testamento claro.
Deixou:
- Um império com saída para dois mares (Báltico e, mais tarde, Negro)
- Uma capital europeia
- Um exército e marinha modernos
- Uma nobreza obrigada a servir o Estado
- Um trauma cultural que os russos ainda discutem hoje
Perguntas Frequentes
Pedro o Grande foi realmente “grande”?
Ele era louco ou génio?
Porque mudou a capital de Moscovo para São Petersburgo?
Pedro o Grande tem relação com o Brasil?
Quer Saber Mais?
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Até ao próximo artigo! 🚢⚓️