Nereu Ramos
Publicado em 13 de novembro de 2025
De 11 de novembro de 1955 a 31 de janeiro de 1956, Nereu de Oliveira Ramos foi o 19.º Presidente do Brasil. Em apenas 81 dias, enfrentou uma das maiores crises institucionais da nossa história e, com serenidade jurídica e coragem política, impediu que o país mergulhasse num golpe militar ou numa guerra civil.
Nereu Ramos é, muitas vezes, um nome esquecido entre os grandes presidentes, mas quem conhece a fundo a história da República Velha, do Estado Novo e da redemocratização de 1945 sabe: sem ele, talvez não tivéssemos chegado à posse de Juscelino Kubitschek e ao milagre dos “50 anos em 5”.
Vamos mergulhar fundo na vida deste advogado, jurista, governador e presidente que nasceu em Lages, Santa Catarina, e acabou entrando para a história como o “presidente da legalidade”.
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Nereu Dornelles Ramos nasceu a 3 de setembro de 1888, em Lages, na então chamada “terra dos pinheirais”. Filho de Vidal Ramos (governador de Santa Catarina entre 1910 e 1914) e de Ana de Oliveira Ramos, cresceu num ambiente de elite política e intelectual do sul do Brasil.
A família Ramos era parte da oligarquia catarinense que dominava o estado desde o final do Império. O avô, o coronel Manuel Ramos, lutara na Guerra do Paraguai. O pai, Vidal Ramos, foi um dos fundadores do Partido Republicano Catarinense. Era natural que o jovem Nereu seguisse o caminho do Direito e da política.
Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 1908, em Largo de São Francisco, São Paulo, ao mesmo tempo que Juscelino Kubitschek, Café Filho e tantos outros futuros líderes brasileiros.
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- 1911 – Deputado estadual em Santa Catarina
- 1922 – Secretário do Interior e Justiça do estado
- 1930 – Eleito deputado federal
- 1935-1937 – Interventor federal (governador nomeado) de Santa Catarina durante o Estado Novo
- 1945 – Após a redemocratização, elege-se senador constituinte
Nereu era um político moderado, habilidoso na conciliação. Pertencia ao PSD (Partido Social Democrático), a grande máquina eleitoral criada por Getúlio Vargas para sustentar sua influência após 1945.
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Para entender o que levou Nereu ao Palácio do Catete, precisamos voltar um ano.
A 24 de agosto de 1954, Getúlio Vargas suicida-se. Seu vice, Café Filho, assume. Café Filho era um político trabalhista de origem, mas rapidamente aproxima-se da UDN e dos setores mais conservadores e anti-varguistas das Forças Armadas.
Em 1955, as eleições presidenciais opõem:
- Juscelino Kubitschek (PSD-PTB) – candidato da continuidade getulista
- Juarez Távora (UDN) – candidato da “cruzada moralizadora”
JK vence com 35,9% dos votos – a famosa “maioria relativa”. A UDN não aceita o resultado e começa a falar em impedimento. Setores militares, liderados pelo general Henrique Lott (ministro da Guerra) e pelo coronel Juraci Magalhães, defendem a posse de JK. Outros, como Eduardo Gomes e o próprio presidente Café Filho, flertam com a ideia de golpe.
11 de novembro de 1955: o contragolpe preventivo
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A 1.º de novembro de 1955, o jornalista Carlos Lacerda sofre um atentado na Rua Tonelero. A oposição acusa o governo. A crise explode.
Café Filho, alegando problemas cardíacos, licencia-se no dia 8 de novembro e entrega o cargo ao presidente da Câmara, Carlos Luz, que era abertamente golpista.
Carlos Luz, em apenas 3 dias, tenta organizar um golpe com o almirante Carlos Pena Boto. O general Lott, então, executa o chamado “Movimento de 11 de Novembro” – um contragolpe preventivo para garantir a posse de JK.
O Congresso, pressionado, depõe Carlos Luz. O próximo na linha sucessória seria o senador Ranieri Mazzilli, mas ele estava em viagem à Argentina. Sobrou para o vice-presidente do Senado: Nereu Ramos.
Às 19h30 do dia 11 de novembro de 1955, Nereu Ramos toma posse como Presidente da República.
Os 81 dias que salvaram a democracia
Nereu governou por apenas 81 dias, mas foram intensos:
- Declarou o estado de sítio (aprovado pelo Congresso) para conter os golpistas
- Manteve Lott no Ministério da Guerra
- Garantiu que as Forças Armadas permanecessem unidas em torno da legalidade
- Preparou a transição pacífica para Juscelino
A 31 de janeiro de 1956, Juscelino Kubitschek toma posse. Nereu entrega a faixa presidencial e volta ao Senado.
Estilo de governo e personalidade
Diferente da maioria dos presidentes brasileiros, Nereu era discreto, culto e extremamente formal. Falava baixo, escrevia textos jurídicos impecáveis e evitava holofotes. Era chamado pelos íntimos de “Doutor Nereu”.
Certa vez, perguntado por um jornalista sobre o que faria se houvesse um golpe, respondeu calmamente:
“A Constituição é clara. O presidente da República sou eu. Enquanto eu estiver vivo e em pleno exercício do cargo, a Constituição será cumprida.”
Últimos anos e morte
Após deixar a presidência, voltou ao Senado. Em 1958, foi eleito governador de Santa Catarina novamente. Morreu repentinamente a 16 de junho de 1958, aos 69 anos, vítima de um infarto fulminante, em São Paulo.
Seu corpo foi levado para Lages e sepultado no Cemitério Municipal, onde até hoje existe um mausoléu simples com a inscrição:
“Aqui jaz Nereu Ramos – Presidente da República que salvou a democracia brasileira”.
Legado de Nereu Ramos
- Foi o único catarinense a presidir o Brasil
- É o presidente que menos tempo ficou no cargo (81 dias)
- Impediu, com serenidade, que o Brasil vivesse um golpe em 1955
- Representa o raro caso em que a linha sucessória constitucional funcionou perfeitamente numa crise
Perguntas Frequentes sobre Nereu Ramos
Quem foi Nereu Ramos?
Por que Nereu Ramos virou presidente?
Nereu Ramos foi eleito presidente?
Qual partido político ele pertencia?
Qual foi a maior contribuição de Nereu Ramos?
Existe alguma estátua ou homenagem importante a ele?
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A história do Brasil é cheia de personagens incríveis – e Nereu Ramos é, sem dúvida, um dos mais importantes que quase ninguém lembra. Compartilhe este artigo e ajude a resgatar essa memória!
Até o próximo mergulho no passado. 🇧🇷