Mesquita (MG)
Mesquita é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce e pertence ao colar metropolitano do Vale do Aço, estando situado a cerca de 250 km a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente 270 km², sendo que 1 km² está em área urbana, e sua população foi estimada em 4 984 habitantes em 2025.
História
A área onde está situado o atual município de Mesquita fora ocupada originalmente por Botocudos, sendo explorada pela primeira vez pelo Barão de Mesquita, por volta de 1850, a quem o nome da cidade homenageia. Em seguida, tem-se a chegada de Pedro Martins de Carvalho, que instalou uma fazenda e mais tarde doou boa parte de suas terras à Igreja Católica, dedicando-as a Santo Antônio, o que abriu espaço para a formação do povoado de Santo Antônio de Caratinga. Dado o desenvolvimento observado, pelo decreto nº 102, de 10 de junho de 1860, foi criado o distrito, subordinado a Santana dos Ferros (atual Ferros), emancipando-se com a denominação de Mesquita pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923.
Ao emancipar-se, Mesquita estava composta pela sede municipal e pelo distrito de Santana do Paraíso. Pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, foi adquirido do município de Ferros o distrito de Joanésia. Pelo decreto-lei estadual nº 1058, de 31 de dezembro de 1943, houve a criação do distrito de Belo Oriente. A partir da década de 1950, todos os distritos que até então faziam parte de Mesquita foram emancipados. Joanésia foi elevada à categoria de município pela lei estadual nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953; Belo Oriente foi emancipada pela lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962; e Santana do Paraíso emancipou-se pela lei estadual nº 10.704, de 27 de abril de 1992. Pela lei nº 1672, de 12 de abril de 1999, foi criado o distrito de Barra Grande de Mesquita.
Geografia
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Ipatinga. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Ipatinga, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce. O bioma original predominante é a Mata Atlântica.
O município está situado na bacia do rio Doce e o relevo é predominantemente ondulado. O principal manancial que banha Mesquita é o rio Santo Antônio, afluente do rio Doce, porém o território é cortado por diversos mananciais de menor porte, sendo alguns dos mais expressivos o ribeirão Travessão e os córregos do Burrinho, dos Carvalhos e Santiago.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em 5 040 habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o censo de 2022, 3 392 habitantes viviam na zona urbana (67,3% do total) e 1 648 na zona rural (32,7%). Com relação aos credos religiosos, a população municipal com dez anos de idade ou mais está composta por 2 950 católicos (66,07% do total), 1 222 evangélicos (27,37%), 220 pessoas sem religião (4,93%), 14 da umbanda e candomblé (0,31%) e 1,32% estão divididos entre outras religiões.
Política
A administração do município é feita a partir dos poderes Executivo, representado pelo prefeito e seus secretários, e Legislativo, constituído pela câmara de vereadores, composta por nove vereadores, eleitos para mandatos de quatro anos. Mesquita abriga uma comarca de primeira entrância do Poder Judiciário estadual, que tem como termos os municípios de Braúnas e Joanésia. O município possuía, em maio de 2026, 5 455 eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Economia
O Produto Interno Bruto (PIB) de Mesquita tem seu rendimento concentrado no setor terciário da macroeconomia. Em 2025, de acordo com o SEBRAE, havia 384 empresas ativas, a maior parte das quais representada pelo comércio varejista (26,8%), seguido pelo setor da atividades de organizações associativas (9,9%) e por serviços especializados para construção (7,81%). No mesmo ano, 856 pessoas estavam empregadas, sendo que os setores que mais empregavam eram a administração pública (86,2%), o comércio varejista (6,7%) e a agricultura e pecuária (1,98%).
Dentro da agricultura, o milho representou a maior área ocupada pela lavoura temporária municipal em hectares (ha) em 2024, com um total de 300 ha cultivados, seguido pelo feijão (45 ha) e pela cana-de-açúcar (33 ha). Enquanto isso, os cultivos permanentes mais representativos foram a banana (16 ha), coco-da-baía (14 ha) e tangerina (2 ha). Com relação à pecuária, o município possuía um rebanho de 12 247 bovinos, 11 420 galináceos, 851 suínos e 732 equinos. Mesquita produziu 2 418 mil litros de leite de 1 546 vacas, 31 mil dúzias de ovos de galinha de 3 400 galinhas e 4 450 quilos de tilápia.
Infraestrutura
Em 2022, foram registrados 58 óbitos por morbidades, dentre os quais as doenças do sistema circulatório representaram a maior causa de mortes (29%), seguida pelas doenças do sistema respiratório (17%). Já em 2023, foram registrados 46 nascidos vivos, sendo que o índice de mortalidade infantil no mesmo ano foi zero. Em 2022, segundo o IBGE, 46,11% dos domicílios ocupados possuíam a rede geral de água como principal forma de abastecimento e 99,95% possuíam banheiro de uso exclusivo da moradia. Com relação ao esgotamento sanitário, 61,46% das habitações eram atendidas pela rede geral ou pluvial.
Na área da educação, dentre os habitantes de 18 anos ou mais em 2022, 52,31% não completaram o ensino fundamental, 10,6% tinham somente o fundamental completo, 30,02% tinham o ensino médio completo e 7,07% o ensino superior completo, sendo que a população com onze anos ou mais de idade tinha em média 7,4 anos de estudo. O percentual de alfabetização dos moradores de 15 anos ou mais, por sua vez, era de 87,82%, resultando em 12,18% de pessoas não alfabetizadas nesse grupo de idade.
Cultura e esportes
Mesquita possui entre seus principais atrativos a Festa de Santo Antônio, padroeiro municipal, com a tradicional fogueira, além de espetáculos musicais diversos, danças e missas especiais. O evento é realizado pelo menos desde a década de 1950 e atrai milhares de frequentadores de outras cidades.
A cidade teve, principalmente até o início dos anos 2000, dois times de futebol com intensa rivalidade: O Barcelona e o Royal. O Barcelona tem origens populares, sendo criado no bairro Morro do Cruzeiro, periferia da cidade, nos idos do anos 70, e tem um uniforme alvirrubro. Recebeu jogadores do Cruzeiro e do Atlético-MG para jogos amistosos até os anos 80, além de disputar campeonatos locais de futebol amador, como a Copa Itatiaia. Já o Royal, apesar da rivalidade, não chegou a ter tanto destaque no cenário local, sendo o representante do outro lado da cidade, o bairro Campo Real. Veste uniforme preto e branco.