Mantena (MG)
Mantena é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce, estando situado a cerca de 450 km a nordeste da capital do estado. Ocupa uma área de aproximadamente 690 km², sendo que 6 km² estão em área urbana, e sua população foi estimada em 27 350 habitantes em 2025.
História
O território começou a ser povoado na primeira metade do século XX. Isso aconteceu sob influência dos padres Capuchinhos, dentre eles Frei Serafim de Gorizia, Frei Ângelo de Sassoferato, Frei Gaspar de Módica e Frei Inocêncio de Comiso, além de outros exploradores. Em 1933, estabeleceu-se Emiliano Ferreira Júnior, oriundo de Ipanema. Juntamente com ele vieram Francisco Perigosa e Cândido Ribeiro Gonçalves (vulgo Cândido Ilhéu), que também ocuparam terras.
Com a morte da filha de Emiliano, ele vendeu sua propriedade a Cândido Ilhéu, pelo que a região ficou conhecida como "Barra do Córrego dos Ilhéus". Posteriormente, a localidade passou a ser chamada de "Patrimônio de Benedito Quintino", em referência ao engenheiro Benedito Quintino dos Santos, que contribuiu com o desbravamento da área e o estabelecimento da atual cidade.
Mediante o decreto-lei estadual nº 148 de 17 de dezembro de 1938, a localidade foi reconhecida um distrito pertencente ao recém-emancipado município de Conselheiro Pena, recebendo o nome de "Bom Jesus do Mantena". Essa subdivisão compreendia a região do braço sul do rio São Mateus. O município foi emancipado mediante o decreto-lei estadual nº 1.058 de 31 de dezembro de 1943, simplificando a denominação para "Mantena", que significa "terra boa".
O primeiro prefeito foi José Fernandes Filho. No ano seguinte foi criada a paróquia local, dedicada a Santo Antônio, e a construção da Igreja Matriz foi iniciada em 1946. Ainda nessa época, o dia 13 de junho, dia do padroeiro Santo Antônio, foi decretado feriado, data em que também passou a ser comemorado o aniversário da cidade. De Mantena foram desmembrados os municípios de Mendes Pimentel (1948), Itabirinha (1962), São João do Manteninha (1995) e Nova Belém (1997).
Cabe ressaltar que entre as décadas de 1930 e 60 a região foi disputada entre os estados de Minas Gerais e Espírito Santo, com uma indefinição das divisas estaduais pelo Vale do Rio Doce, dando origem a conflitos políticos e tensões entre a população. Essa situação só foi resolvida definitivamente em 15 de setembro de 1963, após a assinatura do Tratado de Paz do Contestado, consolidando Mantena como parte de Minas Gerais. Posteriormente, na divisa dos estados foi instalado o monumento do Marco da Divisa.
Geografia
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Governador Valadares e Imediata de Mantena. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Mantena, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce. Mantena se encontra na divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo e o principal acesso por estradas é pela BR-381, que corta a cidade.
O bioma original predominante é a Mata Atlântica. O município está situado na bacia do rio São Mateus e o ponto central da cidade se encontra a 212,23 metros de altitude. Os principais cursos hídricos que banham Mantena são o braço sul do rio São Mateus e o rio São Francisco. Entretanto, o território municipal é banhado por diversos mananciais de pequeno porte, sendo alguns dos mais expressivos o ribeirão Boa Vista e córregos Ariranha, dos Coqueiros, Ilhéus, Limeira e Turvo.
Clima
O clima de Mantena é quente e úmido com temperatura amena no inverno e variações consideráveis durante o dia, conforme estatística do IBGE. O máximo de chuvas coincide com o verão. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de agosto de 2007 a fevereiro de 2026, a menor temperatura registrada em Mantena foi de 10 °C em 20 de maio de 2022, e a maior atingiu 41,5 °C em 2 de janeiro de 2026. Essa marca superou o recorde anterior de 40,5 °C, que coincidentemente havia sido registrado exatos dez anos antes, em 2 de janeiro de 2016. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 166 milímetros (mm) em 30 de dezembro de 2010.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em 26 535 habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o censo de 2022, 22 151 habitantes viviam na zona urbana (83,48% do total) e 4 384 na zona rural (16,52%). Havia ainda uma população de 23 quilombolas. Com relação aos credos religiosos, a população municipal com dez anos de idade ou mais está composta por 10 764 evangélicos (46,1%), 9 321 católicos (39,92% do total), 2 630 pessoas sem religião (11,26%) e 2,72% estão divididos entre outras religiões.
Distritos
Política
A administração do município é feita a partir dos poderes Executivo, representado pelo prefeito e seus secretários, e Legislativo, constituído pela câmara de vereadores, composta por onze vereadores, eleitos para mandatos de quatro anos. Mantena abriga uma comarca de primeira entrância do Poder Judiciário estadual, que tem como termos os municípios de Central de Minas, Itabirinha, Mendes Pimentel, Nova Belém, São Félix de Minas e São João do Manteninha. O município possuía, em junho de 2026, 19 213 eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Economia
O Produto Interno Bruto (PIB) de Mantena tem seu rendimento concentrado no setor terciário da macroeconomia. Em 2025, de acordo com o SEBRAE, havia 3 286 empresas ativas, a maior parte das quais representada pelo comércio varejista (22,4%), seguido pelo setor de serviços especializados para construção (9,86%) e pela alimentação (6,94%). No mesmo ano, 4 628 pessoas estavam empregadas, sendo que os setores que mais empregavam eram a administração pública (27,8%), comércio varejista (20,6%) e confecção de artigos do vestuário e acessórios (17,4%).
Dentro da agricultura, o café representou a maior área ocupada pela lavoura permanente municipal em hectares (ha) em 2024, com um total de 1 100 ha cultivados, seguido pelo coco-da-baía (150 ha) e pelo látex (60 ha). Enquanto isso, os cultivos temporários mais representativos foram a cana-de-açúcar (230 ha), milho (150 ha) e feijão (78 ha). Com relação à pecuária, o município possuía um rebanho de 33 307 bovinos, 17 200 galináceos, 2 572 suínos e 921 equinos. Mantena produziu 13 656 mil litros de leite de 7 061 vacas e 50 mil dúzias de ovos de galinha de 5 150 galinhas. Ademais, foram pescados 32 500 quilos de tilápia, 4 050 quilos de tambacu e 2 350 quilos de tambaqui.
Infraestrutura
Em 2022, foram registrados 215 óbitos por morbidades, dentre os quais as doenças do sistema circulatório representaram a maior causa de mortes (22%), seguida pelas doenças do sistema respiratório e pelos tumores (14% cada). Já em 2023, foram registrados 287 nascidos vivos, sendo que o índice de mortalidade infantil no mesmo ano foi de 17,42 óbitos de crianças menores de um ano de idade a cada mil nascidos vivos, com cinco ocorrências. Em 2022, segundo o IBGE, 85,70% dos domicílios ocupados possuíam a rede geral de água como principal forma de abastecimento e 99,87% possuíam banheiro de uso exclusivo da moradia. Com relação ao esgotamento sanitário, 80,86% das habitações eram atendidas pela rede geral ou pluvial.
Na área da educação, dentre os habitantes de 18 anos ou mais em 2022, 46,79% não completaram o ensino fundamental, 15,89% tinham somente o fundamental completo, 26,07% tinham o ensino médio completo e 11,25% o ensino superior completo, sendo que a população com onze anos ou mais de idade tinha em média 8 anos de estudo. O percentual de alfabetização dos moradores de 15 anos ou mais, por sua vez, era de 88,48%, resultando em 11,52% de pessoas não alfabetizadas nesse grupo de idade.
Cultura e lazer
As características topográficas do município oferecem atrativos naturais que podem ser visitados. Entre a paisagem se destacam o as formações rochosas e o relevo ondulado, que compõem um cenário propício ao turismo ecológico. Um exemplo é a Pedra Emiliano, que chega aos 640 metros de altitude e possui trilhas que possibilitam vistas panorâmicas atrativas. Além disso, o município conta uma rampa de voo livre. Com relação aos eventos, um dos mais tradicionais é a Festa de Santo Antônio, padroeiro municipal. A Imagem de Santo Antônio da Igreja Matriz de Santo Antônio, que está localizada na Praça José Fernandes Filho, é tombada como patrimônio cultural municipal.