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Hoje na História

Dia Nacional de Luta dos Acidentados por Fontes Radioativas

Publicado em 13 de setembro de 2025

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Dia Nacional de Luta dos Acidentados por Fontes Radioativas

O dia 13 de setembro é uma data de memória e luta no Brasil, especialmente para as vítimas do acidente radiológico de Goiânia, ocorrido em 1987. Neste dia, celebra-se o Dia Nacional de Luta dos Acidentados por Fontes Radioativas, uma homenagem aos que foram contaminados pelo césio-137 e uma forma de pressionar por políticas públicas de saúde, assistência social e reparação para essas vítimas e seus familiares.

Contexto do acidente de Goiânia

Em setembro de 1987, um aparelho de radioterapia abandonado em uma clínica desativada foi encontrado por catadores de materiais recicláveis. O equipamento continha cloreto de césio-137, uma substância altamente radioativa. Sem saber do perigo, as pessoas manipularam e espalharam o pó brilhante (que muitos acharam ser algo mágico ou valioso), causando a contaminação de centenas de pessoas e a contaminação ambiental de várias áreas da cidade.

  • Números da tragédia:
  • 4 mortes diretas confirmadas (como Leide das Neves Ferreira, que manipulou o pó; seu marido, Israel Batista dos Santos; a sobrinha dela, Gabriela Maria Ferreira; e o funcionário do ferro-velho, Wagner Mota Pereira).
  • Cerca de 250 pessoas contaminadas, sendo que mais de 120 tiveram contaminação interna significativa.
  • Milhares de pessoas foram monitoradas e centenas de casas, ruas e objetos foram descontaminados ou demolidos.

Significado do dia 13 de setembro

A data foi escolhida por associações de vítimas e movimentos sociais ligados aos acidentados por fontes radioativas — não apenas as de Goiânia, mas também casos de exposição ocupacional (como trabalhadores da indústria nuclear, mineração de urânio, radioterapia mal executada, etc.). O objetivo é:

  1. Memória e visibilidade: Lembrar os mortos e adoecidos, evitando que o acidente de Goiânia seja esquecido ou tratado apenas como caso isolado.
  2. Luta por direitos: Muitas vítimas sofrem sequelas até hoje (cânceres, problemas genéticos, fibroses, traumas psicológicos) e enfrentam dificuldades para obter aposentadoria especial, tratamentos no SUS, indenizações justas e acompanhamento médico vitalício.
  3. Prevenção: Alertar sobre o descarte inadequado de fontes radioativas e a necessidade de normas rigorosas para evitar novas tragédias.

Legado e desafios atuais

Após o acidente, leis brasileiras foram aperfeiçoadas (ex.: a Lei nº 9.425/1996, que cria a Pensão Especial para as vítimas de Goiânia). Porém, movimentos sociais apontam que:

  • A pensão é insuficiente e não cobre todos os acidentados.
  • O Estado ainda não garante pleno acesso a tratamentos multidisciplinares (psicologia, genética, oncologia).
  • Há negligência com trabalhadores que atuaram na descontaminação e com moradores de áreas vizinhas ao depósito de rejeitos (em Abadia de Goiás).

Como a data é celebrada

Normalmente, ocorrem:

  • Mobilizações e atos públicos em Goiânia (Cemitério das Vítimas, Parque Memorial Césio-137) e em outras cidades com grupos afetados.
  • Solenidades oficiais (quando há sensibilidade política) com presença de autoridades sanitárias e judiciais.
  • Debates sobre energia nuclear, medicina nuclear e segurança radiológica — temas diretamente ligados à prevenção de novos acidentes.

Em suma: 13 de setembro não é uma data comemorativa, mas um dia de resistência, denúncia e luto ativo de quem carrega na pele e na história o preço trágico da falta de controle sobre fontes radioativas. A luta por justiça e dignidade para os acidentados radioativos brasileiros continua.

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Dia Nacional de Luta dos Acidentados por Fontes Radioativas 3 min de leitura