Jaguaraçu (MG)
Jaguaraçu é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce e pertence ao colar metropolitano do Vale do Aço, estando situado a cerca de 190 km a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente 160 km², sendo que 2 km² estão em área urbana, e sua população foi estimada em 3 181 habitantes em 2025.
Etimologia
O nome do município significa "onça grande" em tupi antigo (iaguara + -usu).
História
A área onde está situado o atual município de Jaguaraçu teve como primeiro proprietário Lizardo José da Fonseca Lana, que doou parte de suas terras à Igreja Católica em nome de São José, em honra à cura de seu filho Teófilo Marques. O lugar, na margem direita do ribeirão da Onça Grande, começou a ser povoado por escravos que foram libertados após a aprovação da Lei Áurea e, após algum tempo, Lizardo José cedeu outra parte de sua propriedade na margem esquerda do curso hidrográfico.
Dado o desenvolvimento do povoado, pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, é criado o distrito, com a denominação de Jaguarassu, desmembrando-se do distrito de Marliéria (atualmente município) e subordinado a São Domingos do Prata. Seu topônimo significa "onça grande". A emancipação é decretada pela lei nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, que também alterou sua grafia para Jaguaraçu, sendo instalado em 1º de janeiro de 1954. Pela lei nº 1.570, 15 de outubro de 1999, é criado o distrito de Lagoa do Pau.
Em 2017, foi criado o distrito de Lavrinha de Jaguaraçu.
Geografia
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Ipatinga. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Ipatinga, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce.
O relevo é predominantemente acidentado e ondulado e o bioma original predominante é a Mata Atlântica. O município de Jaguaraçu encontra-se situado sob ponto de vista geomorfológico regional na área de abrangência dos Planaltos e Serras do Atlântico-Leste-Sudeste, na borda Oeste da Depressão Interplanáltica do Rio Doce em sua porção meridional, contida no bioma da Mata Atlântica (Floresta Estacional Semi-decidual), cujo domínio natural foi identificado, caracterizado e classificado como "Mares de Morros" (A. Ab' Saber, 2003)
Levando em consideração aspectos regionais, foi estabelecida a Lei Complementar Estadual n. 51 de 30/12/1998 que instituiu a Região Metropolitana do Vale do Aço, a RMVA, formada por três municípios que, para os padrões regionais, podem ser considerados de grande porte; Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo; e um de médio porte que é o município de Santana do Paraíso. Além desses quatro municípios, existem outros 22 que constituem o chamado Colar Metropolitano do Vale do Aço. Essa região chama a atenção do governo estadual por apresentar altas taxas de urbanização e crescimento econômico próximo ou acima da média do estado, por isso estão sendo feitos estudos pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana (SEDRU) em busca do desenvolvimento integrado e equânime entre os municípios que constituem a RMVA e o Colar Metropolitano do Vale do Aço. Dentre os diversos fatores que contribuíram para o desenvolvimento dos municípios que integram atualmente a Região Metropolitana do Vale do Aço, podemos citar: a construção da Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM) nas primeiras décadas do século passado e a implantação das usinas siderúrgicas nos municípios de Timóteo e Ipatinga, sendo respectivamente a empresa Aços Especiais Itabira S.A. (ACESITA) e a USIMINAS, que foram primordiais para impulsionar o desenvolvimento da região ainda desprovida de infraestrutura urbana (Morais, 2008).
Geologia
O Complexo Mantiqueira constitui a principal unidade geológica que forma o embasamento cristalino da porção meridional da Depressão Interplanáltica do Rio Doce (DIRD), composto predominantemente por rochas gnáissicas, que de forma geral encontram-se profundamente alteradas, apresentando espesso manto de intemperismo, sendo sobreposto a partir da baixa encosta por representativas camadas de aluviões e colúvios, que dão a DIRD a sua conformação morfológica marcante (Projeto Leste, 2002).
Os Planaltos e Serras do Atlântico-Leste-Sudeste, representados regionalmente pelos Planaltos Dissecados do Leste de Minas Gerais compreendem ainda outra importante unidade geomorfológica que encontramos na região de estudo e apresenta características peculiares como, por exemplo, relevo acidentado intensamente desgastado pelos agentes exógenos e elevada densidade de redes de drenagens. A dissecação fluvial atuante nas rochas predominantemente granito-gnáissicas do embasamento Pré-Cambriano resultou em formas de colinas e cristas com vales encaixados e/ou de fundo chato, de maneira generalizada em toda a extensão dos planaltos (G. Dias, 2005).
Hidrografia
Jaguaraçu está situado na bacia do rio Doce, sendo banhado pelo rio Piracicaba, afluente do rio Doce, na divisa com Antônio Dias. No entanto, o território municipal é cortado por diversos mananciais de menor porte, sendo alguns dos mais expressivos o ribeirão Onça Grande, que corta a cidade, e os córregos Água Limpa e da Onça.
Alguns condicionantes físicos são intrínsecos da região de estudo e condicionam o surgimento de algumas feições erosivas que são intensificadas pelo processo de uso e ocupação do solo adotado em praticamente toda a bacia hidrográfica do ribeirão da Onça Grande. Dentre os agentes causadores dos processos erosivos podem ser citados: que a bacia do ribeirão Onça Grande está localizada em uma área de planaltos dissecados, em que as linhas de topo de morros encontram-se por volta de 800 a 900m de altitude, este fator gera um enorme potencial hidráulico (presença de declividades significativas). Outro aspecto importante é a sua geologia, pois existem rochas no local que oferecem diferentes resistências ao desgaste erosivo, a saber: gnaisses (rocha metamórfica menos resistente) e o granito (magmática intrusiva mais resistente) e juntas vão moldar e condicionar o avanço da frente de intemperismo, resultando em solos rasos (Cambissolos) que são facilmente decapitados pela dinâmica erosiva local. Por fim, a retirada da cobertura vegetal nativa da região (Floresta Atlântica) para a adoção de práticas agropecuárias diversas deflagrou inúmeros processos erosivos (erosão laminar, ravinas e voçorocas) que se tornam evidente ao longo da MG 320 e da bacia hidrográfica do ribeirão da Onça Grande (Morais, 2006)
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em 3 092 habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o censo de 2022, 2 366 habitantes viviam na zona urbana (76,52% do total) e 726 na zona rural (23,48%). Com relação aos credos religiosos, a população municipal com dez anos de idade ou mais está composta por 1 464 católicos (53,57% do total), 953 evangélicos (34,87%), 189 pessoas sem religião (6,92%), 21 espíritas (0,77%) e 3,88% estão divididos entre outras religiões.
Política
A administração do município é feita a partir dos poderes Executivo, representado pelo prefeito e seus secretários, e Legislativo, constituído pela câmara de vereadores, composta por nove vereadores, eleitos para mandatos de quatro anos. Jaguaraçu é termo da Comarca de Timóteo, comarca de entrância especial do Poder Judiciário estadual. O município possuía, em maio de 2026, 3 216 eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Economia
O Produto Interno Bruto (PIB) de Jaguaraçu tem seu rendimento concentrado nos setores secundário e terciário da macroeconomia. Em 2025, de acordo com o SEBRAE, havia 329 empresas ativas, a maior parte das quais representada pelo comércio varejista (16,7%), seguido pelo setor da alimentação (11,2%) e por atividades de organizações associativas (8,81%). No mesmo ano, 825 pessoas estavam empregadas, sendo que os setores que mais empregavam eram a fabricação de produtos alimentícios (34,1%), a administração pública (38,2%) e a alimentação (11%).
Dentro da agricultura, o feijão e o milho representaram as maiores áreas ocupadas pela lavoura temporária municipal em hectares (ha) em 2024, com um total de 10 ha cultivados, seguidos pela cana-de-açúcar (7 ha). Com relação à pecuária, o município possuía um rebanho de 4 402 bovinos, 980 galináceos e 272 equinos. Jaguaraçu produziu 1 147 mil litros de leite de 497 vacas, 6 mil dúzias de ovos de galinha de 425 galinhas e 230 quilos de tilápia.
Infraestrutura
Em 2022, foram registrados 22 óbitos por morbidades, dentre os quais as doenças do sistema circulatório representaram a maior causa de mortes, com 27% do total. Já em 2023, foram registrados 22 nascidos vivos, sendo que o índice de mortalidade infantil no mesmo ano foi zero. Em 2022, segundo o IBGE, 66,64% dos domicílios ocupados possuíam a rede geral de água como principal forma de abastecimento e 99,82% possuíam banheiro de uso exclusivo da moradia. Com relação ao esgotamento sanitário, 68,52% das habitações eram atendidas pela rede geral ou pluvial.
Na área da educação, dentre os habitantes de 18 anos ou mais em 2022, 42,88% não completaram o ensino fundamental, 17,13% tinham somente o fundamental completo, 27,24% tinham o ensino médio completo e 12,75% o ensino superior completo, sendo que a população com onze anos ou mais de idade tinha em média 8,6 anos de estudo. O percentual de alfabetização dos moradores de 15 anos ou mais, por sua vez, era de 91,45%, resultando em 8,55% de pessoas não alfabetizadas nesse grupo de idade.
Cultura e lazer
O que vai se tornando tradição na cidade é o Encontro de Bandas e a Festa do Rosário, que no mês de Julho, mantém viva a tradição do sincretismo religioso na fusão da cultura negra e a liturgia católica. No mês de Maio é realizada a tradicional Cavalgada de Jaguaraçu, evento de maior movimentação econômica do município que atrai centenas de turistas e reúne produtores rurais e fazendeiros da região em um animado concurso de marchas e apresentação de shows musicais.
Datas
Uma das mais importantes datas da cidade.
Festa do Rosário
Data: Julho.
Descrição: Festa religiosa tradicional onde reúnem-se vários romeiros da região. O congado anima a festa e homenageia Nossa Senhora do Rosário, padroeira da cidade.
Local: Ruas, Praças e Igrejas.
Principais atrativos turísticos
Dado às suas belezas naturais e ao clima de montanha, Jaguaraçu tem descoberto seu potencial de turismo ecológico.
Área de Proteção Ambiental: São quase 8.000 ha tomados por uma reserva da biosfera da Mata Atlântica de Minas Gerais, com 50 nascentes e 10 cachoeiras que proporcionam aos turistas belezas imensuráveis. A APA Jaguaraçu apresenta uma extraordinária diversidade de fauna e flora, onde não faltam atrações para os turistas. Pousadas, Camping com restaurante e trilhas ecológicas completam a diversidade desta Porção da Mata Atlântica e Refúgio da Vida Silvestre.
Fazenda Paiol: Berço da maior produtora de rapaduras do município, lá encontra-se os mais variados doces e saborosos queijos. O engenho onde essas rapaduras são produzidas é movido à água, um dos poucos da região do Vale do Aço. Nos domínios da Fazenda situa-se a “Serra do Urubu” com cerca de 800 metros, de onde se tem uma visão belíssima da cidade e de toda região. É agraciada com uma enorme cachoeira que surpreendem com suas esculturas rochosas elaboradas pela força das águas.
Futebol
A principal equipe que representa a cidade em competições pela região é Jaguar Esporte Clube. O clube, cujas cores do uniforme são preto e branco, tem sede na rua Gov. Valadares, Centro do município.
Filhos ilustres
José Mayer, Ator de teatro e televisão;
Elke Maravilha nasceu na Rússia mas veio para o Brasil ainda criança e foi criada em Jaguaraçu.