Igarapé (MG)
Igarapé é um município brasileiro localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), do estado de Minas Gerais, no Brasil. Sua trajetória está fundamentalmente ligada ao processo de interiorização da mineração no período colonial e ao fluxo logístico dos tropeiros que trafegavam pelas rotas da Bacia do Rio Paraopeba.
Etimologia
O topônimo "Igarapé" é de origem tupi-guarani e significa "caminho de canoas". O termo é o resultado da aglutinação das palavras ygara (canoa) e apé (caminho). Historicamente, antes da oficialização deste nome, a localidade era conhecida como Povoado do Barreiro. A designação "Barreiro" ocorreu devido à presença de uma lagoa barrenta, local utilizado como ponto de parada, descanso e alimentação por tropeiros que transitavam pela região..
História
Até o século XVII, o atual estado de Minas Gerais era habitada por índios do tronco linguístico macro-jê. A partir desse século, essas tribos foram quase exterminadas pela ação dos bandeirantes procedentes de São Paulo, que chegaram à região em busca de escravos, jazidas de ouro e minerais preciosos . O intenso fluxo gerado pelo ciclo do ouro gerou um déficit na produção de alimentos, o que abriu caminho para o fortalecimento do tropeirismo. As caravanas passaram a abastecer os centros mineradores e estabeleceram pousos ao longo do caminho, originando vilarejos. O núcleo que formaria Igarapé consolidou-se em torno de um desses pontos de descanso.
No início do século XX, o então Povoado do Barreiro começou a ganhar estrutura física com a implantação de comércio rural, pequenas escolas particulares financiadas pelos próprios moradores (sendo a primeira professora registrada Maria Cândida de Oliveira Bambirra, por volta de 1908) e a construção de capelas. O avanço institucional ocorreu no dia 31 de julho de 1913, quando o cartório de paz e a residência do escrivão foram transferidos do distrito de São Joaquim de Bicas para o Barreiro, conferindo-lhe uma incipiente autonomia administrativa.
Construção e Fundação
Em 1931, foi criado o distrito pela lei 50. Ainda em 1931, o decreto 10 002, de 30 de julho, transferiu a sede do distrito de São Joaquim de Bicas para o povoado do Barreiro, com o nome de Igarapé. Pertencia ao município de Pará de Minas. O decreto-lei 148, de 30 de dezembro de 1938, transferiu o distrito de Igarapé do município de Pará de Minas para o de Mateus Leme.
A luta travada por Miguel Henriques da Silva e outros em 1958 em prol da emancipação política do município viu nascer seus frutos quando, a 30 de dezembro de 1962, a Assembleia Legislativa do estado de Minas Gerais aprovou a Lei 2 764, criando o município de Igarapé. Igarapé ficou pertencendo ao município de Mateus Leme até 1963, época em que foi instalado o município de Igarapé. O município de Igarapé foi oficialmente instalado no dia primeiro de março de 1963, em sessão solene, realizada sob a presidência de Murilo de Oliveira.
Geografia
Localizado na região sudeste da zona metalúrgica, nas proximidades do paralelo 20º sul e 43º oeste, tem, como ponto mais alto, Pico do Itatiaiuçu, a 1 434 metros de altitude e como ponto mais baixo a Foz Córrego Gavião, a 819 metros de altitude.
O município limita-se com os seguintes municípios
Ao sul - São Joaquim de Bicas, Brumadinho e Itatiaiuçu.
Ao norte - Juatuba e Betim.
A oeste - Mateus Leme.
A leste - São Joaquim de Bicas.
Hidrografia
Igarapé está geograficamente acomodada na bacia do Rio Paraopeba. Este rio tange o município entre os limites com os municípios de Juatuba e São Joaquim de Bicas. A rede hídrica do município possui extrema relevância regional, notadamente devido à Serra do Itatiaiuçu. O bioma da serra atua como um captador natural e área de manutenção de mananciais hídricos.
Parte do município é inundada pela represa do Ribeirão Serra Azul, para formação do reservatório Serra Azul, que integra o Sistema Paraopeba. O Sistema Paraopeba também é formado pelos reservatórios Rio Manso e Vargem das Flores, que fornecem água para a Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Clima e vegetação
Seu clima é o tropical de altitude. Possui uma vegetação predominante de cerrado e relevo montanhoso.
Impacto Atual
Do ponto de vista econômico e geográfico na atualidade, Igarapé tem se consolidado como um vetor de expansão do colar metropolitano de Belo Horizonte. A proximidade com a rodovia BR-381 (Rodovia Fernão Dias) inseriu o município nas principais rotas de escoamento industrial e logístico do país. Paralelamente, essa facilidade de acesso fomenta o desenvolvimento imobiliário constante, em particular os projetos de condomínios fechados horizontais que absorvem a migração urbana da capital.
Religiosidade
O eixo religioso do município é calcado no catolicismo popular formador das cidades do interior mineiro. Antes mesmo da instituição de poder executivo, a construção de capelas servia como mecanismo de convergência da população. A Matriz de Santo Antônio atua como equipamento central não apenas de ritos de adoração, mas como polo preservador da memória comunitária local e das festividades de padroeiros tradicionais que reúnem a população.
Pontos Turísticos
O ecossistema turístico de Igarapé é voltado para os segmentos ambiental, de lazer e resgate histórico. As seguintes localidades são oficialmente documentadas pelo mapeamento da Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG):
Pedra Grande: Formação natural localizada na Serra do Itatiaiuçu. Abriga bioma de transição composto por exemplares de Cerrado, Campo Rupestre e Mata Atlântica.A Pedra Grande com 1.434 metros de altitude está situada na Serra de Itatiaia, no limite dos municípios de Igarapé, Mateus Leme e Itatiaiuçu. Localiza-se a 8km do centro de Igarapé. Do alto tem-se uma vista privilegiada da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O Decreto Municipal n.º 1.318, de 1 de outubro de 2008, formaliza o tombamento do bem cultural denominado "Conjunto Natural e Paisagístico da Pedra Grande". Por determinação desse Decreto, quaisquer intervenções no local dependem de prévia deliberação do Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Cultural de Igarapé
Casa da Cultura: Instituição sediada no Bairro Três Poderes que preserva um acervo fotográfico, objetos antigos da fundação e atua como centro de atividades culturais (oficinas e exposições).
Espaços Públicos de Convivência: Praça Miguel Henriques da Silva, Praça Sebastião Amaro Sobrinho e Praça Bernardino da Silva Couto (local onde repousa o monumento do Relógio de Sol).
Parque Ecológico da Barroca: Área mantida para lazer da população e preservação ambiental.
Curiosidades
Festival Igarapé Bem Temperado
A cidade é pioneira no registro e salvaguarda da gastronomia caipira por meio de eventos. O festival foi criado para exaltar o domínio técnico das chamadas "Mestras da Culinária", mulheres matriarcas de Igarapé, geralmente acima de 60 anos, que cultivam ingredientes locais. O evento baseia-se em receitas originais das roças de Igarapé, incluindo preparos com ora-pro-nóbis, taioba, cansanção, umbigo de banana e derivados de milho moído em moinhos de pedra, transformando as mestras locais em referência de turismo gastronômico e fonte de movimentação econômica.
Feriados municipais
1 de Março - Emancipação Política.
13 de Junho - Comemora o dia de Santo Antônio, padroeiro do município.
20 de novembro - Dia da Consciência Negra.