Descubra as origens sombrias da Bela Adormecida — da versão original com estupro e canibalismo até a adaptação Disney
A Bela Adormecida é um dos contos de fadas mais amados do mundo, encantando gerações com a imagem de uma princesa adormecida em um castelo coberto de espinhos, despertada pelo beijo de um príncipe encantado. Mas você sabia que a história que conhecemos hoje, especialmente na versão popularizada pela Disney, é uma versão bastante suavizada de narrativas muito mais antigas e sombrias?
Neste artigo, vamos mergulhar na verdadeira história por trás do conto, explorando suas raízes medievais, as versões originais e como elas evoluíram ao longo dos séculos. No Canal Fez História, estamos sempre desvendando os mistérios da história, da mitologia e das narrativas que moldaram nossa cultura. Se você gosta de explorar o passado, confira nossa página inicial em https://canalfezhistoria.com/ para mais conteúdos fascinantes.
As Raízes Medievais: Perceforest e os Primeiros Indícios
Embora não seja exatamente o conto da Bela Adormecida, o romance francês Perceforest (escrito entre 1330 e 1344) já apresenta elementos que influenciaram a lenda. Nessa narrativa medieval, há uma princesa que cai em um sono profundo após um encontro traumático, e um herói a desperta. Esses temas de sono encantado e resgate aparecem em tradições orais europeias antigas, muitas vezes ligadas a mitos de fertilidade, inverno e renascimento.
Essas histórias refletem preocupações da sociedade medieval com o destino, a maldição e o poder feminino. Interessante notar que elementos semelhantes aparecem em outras civilizações, como na mitologia grega com figuras como Perséfone ou na civilização grega em geral, que influenciou contos europeus — leia mais sobre isso em https://canalfezhistoria.com/civilizacao-grega-c-800-146-a-c/.
A Versão Mais Antiga Conhecida: “Sol, Lua e Talia” de Giambattista Basile (1634)
A primeira versão completa e escrita do que hoje chamamos de Bela Adormecida aparece no Pentamerone (ou O Conto dos Contos), coletânea de contos populares italianos de Giambattista Basile, publicada postumamente em 1634-1636. O conto se chama “Sol, Lua e Talia” (Sun, Moon, and Talia).
Nessa narrativa, uma grande senhor feudal tem uma filha chamada Talia. Astrólogos preveem que ela sofrerá um acidente com uma lasca de linho, o que a faria “morrer”. O pai tenta evitar o destino proibindo qualquer coisa de linho no castelo. Mas o destino é inevitável: Talia espeta o dedo em uma lasca de linho e cai em um coma profundo (ou “morte aparente”).
Um rei (já casado) passa pelo castelo abandonado, vê Talia adormecida e, atraído pela beleza, estupra-a enquanto ela está inconsciente. Ela engravida e dá à luz gêmeos (Sol e Lua) sem acordar. Um dos bebês suga o dedo da mãe, removendo a lasca envenenada, e Talia acorda. O rei retorna, eles se apaixonam, mas a esposa do rei (descendente de ogros) descobre e tenta matar os filhos para cozinhá-los e servi-los ao marido. O cozinheiro salva as crianças, e no final, a rainha maligna é punida, e Talia vive feliz com o rei e os filhos.
“Quem tem sorte pode ir dormir, e a felicidade cairá sobre sua cabeça.” (moral do conto de Basile)
Essa versão é chocante para os padrões modernos, com temas de estupro, necrophilia implícita e canibalismo. Ela reflete o folclore oral da época, cheio de moralidades cruas sobre destino e vingança. Para entender melhor como contos antigos eram transmitidos oralmente, confira nossa seção sobre https://canalfezhistoria.com/a-construcao-da-historia/.
Se você se interessa por civilizações antigas que influenciaram narrativas europeias, explore https://canalfezhistoria.com/civilizacao-romana-c-753-a-c-476-d-c/ ou https://canalfezhistoria.com/civilizacao-grega-c-800-146-a-c/, onde mitos semelhantes aparecem.
Charles Perrault e a Versão Francesa “A Bela Adormecida no Bosque” (1697)
Charles Perrault, no seu livro Histoires ou contes du temps passé (Contos da Mamãe Gansa), adaptou a história de Basile para um público da corte francesa. Ele suavizou bastante: introduziu as fadas madrinhas (sete boas e uma má), o fuso como causa da maldição, o sono de 100 anos, o príncipe que desperta a princesa com um beijo (embora o beijo não seja explícito no texto original), e adicionou uma segunda parte com o casamento e uma sogra canibal (ogress).
Perrault escreveu para a aristocracia, adicionando moralidades sobre educação e casamento. A princesa acorda com o olhar do príncipe, e o conto termina com felicidade. Ainda assim, a sogra tenta comer os netos!
Essa versão popularizou o conto na Europa. Perrault influenciou muitos autores posteriores. No nosso site, discutimos como narrativas mudam com o tempo em https://canalfezhistoria.com/renascenca-c-1300-1600/, período em que Perrault viveu.
Os Irmãos Grimm e “A Rosa dos Espinhos” (1812)
Jacob e Wilhelm Grimm coletaram “Dornröschen” (Little Briar Rose) em sua coletânea Contos para Crianças e para o Lar. Eles se basearam na versão de Perrault, mas removeram a segunda parte (a sogra canibal) para torná-lo mais infantil. O foco é no sono de 100 anos, na cerca de espinhos (rosas), e no beijo do príncipe.
Os Grimm enfatizaram elementos folclóricos alemães, como o bosque de espinhos. Essa versão é a base para muitas adaptações modernas, incluindo a Disney.
Para mais sobre como contos foram coletados no século XIX, veja https://canalfezhistoria.com/era-vitoriana-e-o-imperio-britanico-1837-1901/, época de influência cultural europeia.
Evolução Moderna: Da Disney às Interpretações Contemporâneas
A Disney, em 1959, com A Bela Adormecida, pegou elementos de Perrault e Grimm: Malévola como vilã icônica, as três fadas boas, o beijo de amor verdadeiro. Eles removeram qualquer traço sombrio, tornando-o um conto romântico puro.
Hoje, adaptações como Malévola (2014) revisitão a vilã, dando profundidade. Mas a essência sombria permanece nas origens.
Por Que as Versões Antigas Eram Tão Sombrias?
Contos de fadas eram advertências: sobre destino, violência, sexualidade e poder. Em sociedades antigas, temas como estupro refletiam realidades brutais. Com o tempo, foram sanitizados para crianças.
Perguntas Frequentes
1. A Bela Adormecida é baseada em uma história real?
Não há evidência histórica de uma princesa real, mas elementos vêm de folclore e mitos antigos.
2. Qual a diferença principal entre Basile e Perrault?
Basile inclui estupro e canibalismo explícito; Perrault suaviza, adicionando fadas.
3. Os Grimm copiaram Perrault?
Sim, adaptaram, removendo partes adultas.
4. Por que a Disney mudou tanto?
Para público infantil, focando em romance e magia.
5. Onde encontrar as versões originais?
Em coleções como Pentamerone de Basile ou Contos da Mamãe Gansa de Perrault.
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