Cataguases (MG)
Cataguases é um município brasileiro do estado de Minas Gerais. De acordo com o censo do IBGE em 2022, sua população naquele ano era de 66 261 habitantes.
História
Fundação
Em se tratando da fundação de Cataguases, há notoriedade para Guido Thomas Marllière - apontado como o fundador da cidade. Ele fora enviado à região com o objetivo de realizar trabalhos referentes a povoação da área, caracterizada por abundância em diamantes, nunca efetivamente encontrados. Logo a região começou a se erguer conforme as diretrizes de Guido, pois ele se empenhara na elaboração de um delineamento estrutural urbano sofisticado e particularizado para a região.
Não apenas Marllière participou da construção de Cataguases, mas a cidade também recebeu um imenso apoio de estruturação advindo da família Vieira, estabelecida nas localidades atualmente denominadas Glória e Sereno – distritos de Cataguases. O Major Joaquim Vieira da Silva Pinto, uma figura central no desenvolvimento regional, fundou a Fazenda da Glória no distrito homônimo. Seu filho, o Coronel José Vieira de Rezende e Silva, continuou esse legado ao fundar posteriormente a Fazenda do Rochedo, nas proximidades do distrito de Glória. Esses empreendimentos não apenas impulsionaram a economia local através da produção agrícola, especialmente do café, mas também contribuíram significativamente para a organização social e política da região, consolidando Glória como um distrito vital para o crescimento e prosperidade de Cataguases.
Etimologia
A denominação "Cataguases" causa controvérsias quanto ao verdadeiro sentido: uns alegam ser o nome escolhido por José Vieira em homenagem ao riacho que banhava a casa dele e possuía este nome em sua cidade natal (atual cidade de Lagoa Dourada). Para alguns o nome significa “terra de gente boa”, para outros é “povo que mora no país das matas”. Independentemente do real significado do nome, a cidade se mostra como um portal vivo do modernismo que floresceu durante o século XX.
Enchentes em 2026
Em 26 de fevereiro de 2026, o município de Cataguases foi atingido por uma precipitação atípica, com acumulado de 104 mm em apenas uma hora, segundo a prefeitura. Em meio à tempestade, o Rio Pomba, que banha a cidade, subiu até 6,05 metros, causando inundações por toda a região.
Geografia
O município localiza-se na Zona da Mata mineira. A sede dista por rodovia 320 km da capital Belo Horizonte. Seu território apresenta área de 491,767 km², o qual inclui a sede municipal e os distritos de Aracati de Minas, Cataguarino, Glória de Cataguases, Sereno e Vista Alegre.
O município de Cataguases integra a bacia do rio Paraíba do Sul, sendo banhado pelo rio Pomba e seu afluente ribeirão Meia Pataca. A altitude da sede é de 169 metros, possuindo como ponto culminante a altitude de 1119 metros. O clima é do tipo tropical com chuvas durante o verão.
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1961 a 1979, a menor temperatura registrada em Cataguases foi de 6,5 °C em 18 de junho de 1962, e a maior atingiu 39,9 °C em 3 de janeiro de 1971. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 110,6 milímetros (mm) em 26 de novembro de 1967. Janeiro de 1962, com 437,8 mm, foi o mês de maior precipitação.
Demografia
Dados dos Censos - 2010 e 2022
População
Urbana: 66.780
Rural: 2.977
Homens: 34.216
Mulheres: 35.541
(Fonte: AMM)
Densidade demográfica (hab./km²): 134,74
Mortalidade infantil até 1 ano (por mil): 15,49
Expectativa de vida (anos): 73,3
Taxa de fecundidade (filhos por mulher): 2,0
Taxa de Alfabetização: 90,1%
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,751
IDH-M Renda: 0,698
IDH-M Longevidade: 0,805
IDH-M Educação: 0,879
(Fonte: PNUD/2000)
Rodovias
BR-120
MG-285
MG-447
Polo industrial
Muito conhecida por suas indústrias, Cataguases conta com parque industrial e diversas indústrias espalhadas pelo seu território. Destacam-se a Companhia Industrial Cataguases, uma das mais importantes no setor de tecelagem do país; a Cataguazes de Papel, empresa que atua na reciclagem de papéis; Mineradora Rio Pomba Cataguases, importante mineradora da região; a Companhia Manufatora, que fabrica algodão hidrófilo de marca muito conhecida no Brasil e que é exportada para vários países; O Grupo Zollern, multinacional alemã que é pioneira na indústria metalúrgica; dentre outras. É também na cidade que está localizada a sede do Grupo Energisa, importante empresa do setor elétrico presente em diversas regiões, incluindo parte de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, do nordeste brasileiro e da Região Centro-Oeste do país.
Cultura
Considerada como cidade histórica de Minas Gerais, Cataguases gravou seu nome no cinema brasileiro com Humberto Mauro, nos anos 1920, alcançou grande repercussão com a revista e o Movimento Verde (Rosário Fusco, Guilhermino César, Francisco Inácio Peixoto, Ascânio Lopes, Henrique de Resende, Oswaldo Abritta, dentre outros).
Cataguases esteve à frente no Movimento Moderno de arquitetura na década de 1940, muito por incentivo de Francisco Inácio Peixoto e José Pacheco de Medeiros Filho, que levaram à cidade diversos arquitetos e artistas modernos para desenhar uma nova estética e consequente mentalidade para a cidade. Importantes nomes como Oscar Niemeyer, Cândido Portinari, Burle Marx, Joaquim Tenreiro, Djanira, José Pedrosa, Jan Zach, deixaram seus traços na cidade.
Em 1941, chega a Cataguases o padre Solindo José da Cunha na Igreja Santa Rita de Cássia (hoje Santuário de Santa Rita de Cássia) – e com ele a ousadia de um novo templo, inaugurado apenas em 1968. O projeto de Edgar Guimarães do Valle traz o arrojo da nave livre, do vão central sem colunas. Na parte frontal externa, “A vida de Santa Rita”, painel de Djanira.
Diversos prédios modernos foram construídos na época e em 1995, o IPHAN decidiu pelo tombamento de uma poligonal no centro da cidade de aproximadamente 60 quadras face à importância de seu patrimônio arquitetônico.
Na década de 1960, contou com diversos movimentos culturais de vanguarda, destacando-se o Centro de Arte de Cataguases (CAC), do qual participaram Carlos Moura, Paulo Martins, Silvério Tôrres, Antônio Jaime Soares (entre outros) e o Centro de Arte Experimental de Cataguases (CAEC), liderado por Silvério Tôrres, tendo como principais integrantes Eucília Santos, Toninho Linhares e Clério Benevenuto; além de um grupo de poesia liderado pelos irmãos Joaquim e Pedro Branco, orbitado por Ronaldo Werneck, do qual também participaram Lina Tâmega Del Peloso, Márcia Carrano, Sebastião Salgado, Arabella Amarante.
Destaque para a produção do filme "O anunciador, o homem das tormentas", de Paulo Martins, que teve início no final da década de 1960 e lançamento no início dos anos 70, vez que se trata de um dos pouquíssimos filmes underground feitos em todo o mundo.
Nos dias atuais, destacam-se os trabalhos do escritor Luiz Ruffato, vencedor do Prêmio Jabuti com a narrativa "Eles Eram Muitos Cavalos" (2001), além de "O verão tardio" (2019), romance que se passa inteiramente em Cataguases. Destaca-se também o artista plástico Luiz Lopez, com suas séries de obras sobre o tema "campo de futebol". A beleza da cidade e a efervescência cultural evidenciam os trabalhos fotográficos de Vicente Costa, Humberto Ribeiro e Juliano Carvalho.
Destaca-se também as recentes aquisições escultóricas, com obras públicas de Amílcar de Castro e Sonia Ebling.
A cidade, que desde o início do século passado mantém acesa a chama literária, realiza desde 2009, o Festival Literário de Cataguases, que já é uma grande referência literária em toda Zona da Mata Mineira.
Atualmente, Cataguases mantém o perfil de cidade do cinema, realizando anualmente o Festival Ver e Fazer Filmes, que conta com a participação de produtores convidados de várias partes do país e até do exterior para a produção e exibição de curtas.
Cataguases se destaca no campo cultural pelo investimento nas artes, realizado e patrocinado pelas empresas Companhia Industrial Cataguases, Energisa e Bauminas. Destacam-se o Instituto Francisca de Souza Peixoto, a Fundação Ormeu Junqueira Botelho e a Casa de Cultura Simão.
Unidade de conservação
No município está localizada a Estação Ecológica Estadual Água Limpa, uma unidade de conservação mantida pelo Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais.