Carrancas (MG)
Carrancas é um município brasileiro localizado no estado de Minas Gerais situado na região sul do estado, a uma distância aproximada de 300 quilômetros da capital, Belo Horizonte.. Sua população recenseada em 2022 era de 4 049 habitantes.Os habitantes naturais deste município são designados pelo gentílico "carranquense". O município está registrado e catalogado sob o código identificador 3114600 no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Etimologia
A denominação "Carrancas" possui origem documentada na atividade de mineração e garimpo colonial. O nome foi atribuído devido às escavações realizadas por garimpeiros em uma formação serrana localizada no atual território do município. A intensa remoção de terra e rocha criou alterações morfológicas na montanha que, observadas à distância, formavam as fisionomias exatas de rostos humanos deformados, popularmente conhecidos no vocabulário brasileiro como "carrancas".
História
O início do povoamento e colonização europeia na região de Carrancas data do ano de 1718, durante a primeira metade do século XVIII. O território foi ocupado inicialmente por exploradores motivados pelas perspectivas de exploração aurífera e pelas condições físicas favoráveis para o desenvolvimento da agropecuária. Entre os pioneiros documentados nas fontes encontram-se o Capitão-Mor João Toledo Piza (de origem castelhana) e o Padre Lourenço Taques, que se estabeleceram no local acompanhados de suas famílias e indivíduos escravizados.
O núcleo urbano original formou-se às margens do Rio Grande, ao redor de uma capela construída logo após a fixação dos primeiros exploradores. O vilarejo recebeu inicialmente a denominação de "Nossa Senhora do Rio Grande". Não há dados consolidados nas fontes públicas consultadas que detalhem os volumes de extração aurífera precisos ao longo do século XVIII, tampouco a exata data de esgotamento das minas da localidade.
A consolidação administrativa de Carrancas e sua configuração municipal se deu através de uma série de decretos estaduais. Os registros não detalham a promulgação exata que define o dia contemporâneo da emancipação de município autônomo nas resenhas históricas primárias; relatam apenas sua evolução como distrito e transferências de jurisdição. A evolução documentada estrutura-se da seguinte forma:
Geografia
Do ponto de vista ambiental e espacial, o município localiza-se em uma zona de transição de biomas, possuindo áreas registradas como ecótono entre a Mata Atlântica e o Cerrado. A área, com destaque para as proximidades do Complexo da Zilda e Serra das Carrancas, é oficialmente enquadrada como "área prioritária para conservação". Conforme a classificação geográfica mais moderna (2017) do IBGE, Carrancas é um município da Região Geográfica Imediata de Lavras, na Região Geográfica Intermediária de Varginha.
O mapeamento topográfico municipal operado pelo IBGE aponta feições físicas variadas, predominando formações de relevos acidentados e áreas de campo, cruzadas por marcos geográficos como subestações de energia hidrelétrica e elétrica (CEMIG). Como referência cartográfica central das folhas de estatística, o marco posicional aponta para as Coordenadas Latitude -21° 28' 33" e Longitude -44° 49' 44"
Hidrografia
A rede hidrográfica carranquense é caracterizada por uma expressiva presença de cursos d'água intermitentes e nascentes abrigadas em formações rochosas e encostas. O ponto focal documentado é o Rio Capivari, cuja nascente está geograficamente fixada na Serra das Carrancas, anexa às bacias locais. A topografia da bacia hidrográfica sobre o substrato geológico resulta em um alto volume de desníveis. Os registros oficiais contabilizam a existência de aproximadamente 70 cachoeiras mapeadas dentro do perímetro do município.
Impacto Atual
No panorama socioeconômico contemporâneo, Carrancas experimentou uma transição do seu modelo econômico agrário tradicional para um polo pautado majoritariamente na exploração do turismo ambiental (Ecoturismo). Como métrica de seu impacto cultural perante o estado, o município foi eleito em 2008 como a "4ª Maravilha de Minas Gerais", em pesquisa estatística conduzida pela Revista Encontro (sediada na capital). Não foram identificados relatórios públicos pormenorizados sobre o PIB setorial exato gerado por esse segmento.
Religiosidade
A consolidação religiosa do tecido social primário de Carrancas ocorreu durante a adoção do catolicismo como religião oficial do Estado no Brasil Colônia, o que se evidencia pela elevação da Capela de Nossa Senhora da Conceição à condição de marco zero do arraial (inclusive fundindo-se ao nome do distrito ao longo do tempo como "Nossa Senhora da Conceição de Carrancas"). No que diz respeito à circunscrição eclésiatica, a paróquia Nossa Senhora da Conceição pertence à Diocese de São João del-Rei.
Turismo
Carrancas é um dos pólos turísticos em Minas Gerais. Possui uma grande variedade de Cachoeiras, Poços, Grutas e Serras. Foi eleita em 2008 pela Revista Encontro de Belo Horizonte, a 4ª (quarta) Maravilha de Minas Gerais.
Até o ano de 1996, havia um trem de passageiros de longa distância e de caráter regional da antiga RFFSA, conhecido como Trem Mineiro, que ligava os estados do Rio e de Minas e que tinha Carrancas como uma de suas paradas, onde muitos turistas desembarcavam aos finais de semana.
A nascente do Rio Capivari está na Serra das Carrancas, acoplado ao Complexo da Zilda (com cachoeiras, escorregador natural e gruta). Este complexo ecológico consta nas áreas prioritárias para conservação da Fundação Biodiversitas e está no ecótono Mata Atlântica/Cerrado. São aproximadamente 70 cachoeiras em Carrancas.
Cachoeira da Fumaça (Carrancas)
Cachoeira Véu da Noiva (Carrancas)
Revolta de Carrancas
Curiosidades
O município abriga o sítio arqueológico das "Escrituras Rupestres do Complexo da Zilda", situado à margem esquerda do Córrego Capivari, que constitui o único sítio do gênero catalogado no município. As inscrições utilizam tintas aplicadas através de blocos calcários (giz), corantes ressecados e carvão. Análises estilísticas demonstram semelhanças das pinturas com outros sítios do sul de Minas, vertendo metodologicamente para a "Tradição de São Francisco" A preservação jurídica do espaço é garantida por esfera administrativa: possui tombamento municipal aprovado pelo Decreto nº 1058 (13 de setembro de 2006). A proteção foi ratificada pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural e homologada, de forma definitiva, pelo Decreto Executivo 1.526 no ano de 2014.==Referências==