Cajazeiras (PB)
Cajazeiras é um município brasileiro, oitavo mais populoso do estado da Paraíba, Região Nordeste do país. Pertence à Região Geográfica Intermediária de Sousa-Cajazeiras e à Região Geográfica Imediata de Cajazeiras e está distante 475 quilômetros da capital do estado, João Pessoa.
Desmembrado de Sousa em 1863, Cajazeiras surgiu a partir de terras concedidas por sesmaria no século XVIII e posteriormente transformadas na Fazenda Cajazeiras, fundada por Luiz Gomes de Albuquerque. A fazenda passou para Ana Francisca de Albuquerque e seu esposo, Vital de Souza Rolim, tornando-se um importante centro de criação de gado.
Desse casal nasceu o padre Inácio de Sousa Rolim, figura central na história da cidade. Em 1829, ele fundou a Escolinha de Serraria, que atraiu estudantes de várias regiões e impulsionou o crescimento do povoado. Em 1843, criou um colégio que recebeu alunos importantes, como Padre Cícero. Por causa da tradição educacional, Cajazeiras ficou conhecida como “a terra que ensinou a Paraíba a ler”.
História
Segundo relatos de documentos antigos, datados do século XVIII, as terras localizadas à margem da Lagoa de São Francisco foram, por meio de uma sesmaria, cedidas aos proprietários Francisco Gomes Brito e José Rodrigues da Fonseca pelo governador da capitania da Paraíba, Luiz Antônio Lemos Brito. Treze anos mais tarde, em 7 de fevereiro de 1767, parte dessas terras foram doadas para o pernambucano Luiz Gomes de Albuquerque, fundador da Fazenda Cajazeiras.
Essa fazenda foi doada por seu fundador a uma de suas filhas, Ana Francisca de Albuquerque, após o seu casamento com Vital de Souza Rolim, membro de uma família tradicional cearense vinda de Jaguaribe. Com a doação, o local tornou-se uma grande fazenda de gado. Em 1804, próximo ao sítio, foi construída A Casa Grande da Fazenda e o Açude Grande, que servia para abastecer a população local, bem como para a criação de animais.
Da união matrimonial entre Ana e Vital, surgiria o pioneiro da história de Cajazeiras, Inácio de Sousa Rolim, nascido no Sítio Serrote em 22 de agosto de 1800 e ordenado como sacerdote no Palácio Episcopal de Olinda, em Pernambuco, em setembro de 1825. Quase quatro anos depois, em 1829, o padre Rolim funda a "Escolinha de Serraria", que tem ligação direta com a fundação da cidade. Essa pequena escola começou a crescer a partir de 1833, atraindo estudantes locais e de outras regiões. Em 1836, Ana de Albuquerque funda uma capela, dedicada à sua devoção, Nossa Senhora da Piedade, atual Igreja Matriz Nossa Senhora de Fátima. Posteriormente, a Escolinha de Serraria, que havia sido construída em uma casa feita de madeira, mudou-se para uma nova casa, agora feita de alvenaria.
Em 1843, o padre Rolim muda-se para seu sítio de origem, onde ainda residiam seus progenitores, e funda um colégio de salesianos (hoje Colégio Nossa Senhora de Lourdes), que viria a atrair vários estudantes e até mesmo personalidades, entre elas o Padre Cícero Romão Batista, vindo do Crato, Ceará. Além dele, outras personalidades também estudaram lá e passam a residir nas imediações do colégio, sendo, por isso, o motivo pelo qual Cajazeiras é referida como "A terra que ensinou a Paraíba a ler". Essas residências deram origem a uma cidade, que viria a se chamar "Cajazeiras", em referência à antiga fazenda de mesmo nome, fundada por Luiz Gomes de Albuquerque e onde estavam plantadas várias cajazeiras (Spondias lutea), árvore da família das anacardiáceas que fornece como fruto o cajá.
Em 29 de agosto de 1859, através da lei provincial n° 5, Cajazeiras torna-se um distrito, pertencente ao município de Sousa. Em 23 de novembro de 1863, a lei provincial nº 92, sancionada pelo governador Francisco de Araújo Lima, eleva o distrito à categoria de vila e o desmembra de Sousa, tornando-se um novo município da Paraíba (na época província da Paraíba do Norte). Em 20 de junho de 1864, ocorreu a instalação do governo municipal, que foi assumido pelo vereador e presidente da Câmara, o sacerdote e vigário paroquial José Tomaz de Albuquerque. Finalmente, em 10 de julho de 1876, através da lei provincial nº 616, a vila é elevada à condição de cidade. Em 1885, Cajazeiras viu seu território encolher com o desmembramento do distrito de São José de Piranhas, elevado à categoria de município.
Em 6 de fevereiro de 1914, pela bula Maius Catholicae Religionis Incrementum, do Papa Pio X, é criada a Diocese de Cajazeiras, desmembrada da Diocese de Paraíba que, no mesmo instante, tornou-se arquidiocese. A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade tornou-se a catedral da nova diocese, cujo primeiro bispo, Dom Moisés Sizenando Coelho, tomou posse em 29 de junho de 1915 e permaneceu até 1932, quando foi transferido para João Pessoa, após ser nomeado arcebispo-coadjutor da Arquidiocese da Paraíba. Ainda em 1915, ano de uma das secas mais graves da história do Nordeste, foram iniciadas as obras de ampliação do Açude Grande, entregues em 16 de novembro de 1916.
Nos anos 1920, dois fatos notórios na história de Cajazeiras foram a inauguração do transporte ferroviário, em 1922 e a chegada da energia elétrica em 1923. Em 9 de setembro de 1935, ocorreria a primeira eleição municipal, sendo eleito o candidato Joaquim Gonçalves de Matos Rolim, que assumiu a prefeitura em 14 de dezembro do mesmo ano e ficou no cargo até 10 de dezembro de 1937, quando renunciou, ficando no lugar o seu filho Celso Matos Rolim. Já em 31 de janeiro de 1937, ao lado do palácio episcopal, o bispo diocesano Dom João da Mata lança a pedra fundamental para a construção de uma nova catedral, que teria suas obras encerradas somente em 1959, após várias paralisações por falta de recursos. Mesmo antes da conclusão das obras, em 1957, a sé episcopal é transferida para a nova catedral, enquanto a igreja primitiva tornou-se sede da recém-criada Paróquia Nossa Senhora de Fátima.
Antes, em 1948, o dia de nascimento do padre Rolim, 22 de agosto, torna-se feriado municipal. Em 1954, a fazenda onde residiu o Padre Rolim com sua família é demolida, dando lugar ao Cajazeiras Tênis Clube, o que gerou protestos por parte da população local. Na década seguinte, por leis estaduais, são desmembrados do território cajazeirense os distritos de Cachoeira dos Índios e Bom Jesus, que se tornaram novos municípios. Em 1978, foi criado o distrito de Catolé dos Gonçalves, que nunca fora instalado, e em 1979 o distrito de Divinópolis.
Em 2003, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP) delimitou o Centro Histórico de Cajazeiras, homologado pelo decreto estadual 25 140, de 28 de junho de 2004, no qual foram tombados doze imóveis, que passaram a integrar o patrimônio histórico e cultural da Paraíba.
Geografia
De acordo com a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vigente desde 2017, o município pertence à região geográfica imediata de Cajazeiras, inserida dentro da região geográfica intermediária de Sousa-Cajazeiras. Antes, com a divisão em microrregiões e mesorregiões que vigorava desde 1989, Cajazeiras fazia parte da microrregião homônima, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Sertão Paraibano. Está a 475 km da capital estadual, João Pessoa, e a 1 994 km da capital federal, Brasília.
A área territorial de Cajazeiras é de 562,703 km² (0,9965% da superfície estadual), dos quais 14,3025 km² constituem a área urbana, formada pelo Centro mais vinte bairros. Limita-se com São João do Rio do Peixe (a norte e a leste), Nazarezinho (a sudeste), São José de Piranhas (a sul), Cachoeira dos Índios, Bom Jesus (ambos a oeste) e Santa Helena (a noroeste), além de Barro, no Ceará (sudoeste).
O relevo de Cajazeiras possui a predominância de superfícies aplainadas com eventuais elevações residuais alongadas, caracterizando a Depressão Sertaneja. A altitude mínima é de 245,91 m e a máxima de 746,24 m na Serra do Vital, no limite com São José de Piranhas. Predominam os solos bruno não cálcico e o latossolo (do tipo vermelho amarelo), existindo uma pequena área de vertissolo a nordeste. Esses solos, formados em sua maioria pela desagregação e decomposição das rochas do embasamento cristalino, são cobertos por uma vegetação xerófila, de pequeno porte, a caatinga, cujas espécies perdem suas folhas na estação seca. Cajazeiras possui duas unidades de conservação, ambas criadas por lei municipal, que são a Área de Proteção Ambiental Rosilda Cartaxo (criado em 29 de setembro de 2006) e o Parque Ecológico do Distrito de Engenheiro Ávidos (29 de agosto de 1997).
Todo o território cajazeirense está inserido na sub-bacia hidrográfica do Rio do Peixe, que por sua vez faz parte da bacia do Rio Piranhas–Açu. Os principais reservatórios são o Açude Engenheiro Ávidos e a Lagoa do Arroz, ambos entre os dez maiores da Paraíba, com capacidades para 293 617 376 m³ e 80 388 537 m³, respectivamente. Outros cursos de água são os açudes Cajazeiras, Descanso e Escurinho e os riachos do Amaro, da Caiçara, do Cipó, das Marimbas, do Meio, dos Mirandas, Papa Mel e Terra Molhada.
Estando localizado dentro do Polígono das Secas, Cajazeiras possui clima semiárido (do tipo Bsh segundo Köppen), com temperaturas elevadas durante o dia, principalmente nos meses mais secos, e mais amenas no período noturno, e chuvas concentradas em poucos meses. De acordo com dados da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA), desde que teve início o monitoramento pluviométrico na cidade, em dezembro de 1910, o maior acumulado de chuva em 24 horas atingiu 174 mm em 30 de março de 2000. O mês mais chuvoso da série histórica é março de 1940, com 713,4 mm.
Demografia
Com 58 446 habitantes em 2010, Cajazeiras era o sétimo município mais populoso da Paraíba naquele ano, caindo para a oitava posição no censo de 2022, ano em que a população era de 63 239 pessoas. A densidade demográfica era de 112,38 hab./km² e a razão de sexo de 93,29, com 51,74% da população do sexo feminino e 48,26% do sexo masculino. Ao mesmo tempo, 83,2% dos habitantes viviam na zona urbana e 16,8% na zona rural.
Em relação à cor ou raça, mais da metade (52,5%) da população era parda, 40,08% branca, 7,29% preta, 0,07% amarela e 0,05% indígena. Ainda segundo o mesmo censo, 79,89% dos habitantes acima dos dez anos se declararam católicos, 12,05% evangélicos, 0,56% espíritas e 0,47% umbandistas e candomblecistas; outros 5% não tinham religião e 0,09% não declararam; outras denominações, 1,95%.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do município é considerado médio, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Segundo dados divulgados em 2013, com dados relativos a 2010, seu valor era 0,679, sendo o sétimo maior da Paraíba e o 2 462° do Brasil. Considerando-se apenas o índice de longevidade, seu valor é de 0,815, o valor do índice de renda é de 0,668 e o de educação 0,574. Em 2010, 77,8% da população vivia acima da linha de pobreza, 12,7% encontrava-se entre as linhas de indigência e de pobreza e 9,5% estava abaixo da linha de pobreza. No mesmo ano, a participação dos 20% da população mais rica da cidade no rendimento total municipal era de 59,84%, valor quase 21 vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de 2,86%, sendo o índice de Gini, que mede a desigualdade social, igual a 0,56.
Política
De acordo com a atual lei orgânica do município de Cajazeiras, promulgada em 4 de abril de 1990 e atualizada por emendas posteriores, a administração municipal se dá por dois poderes, independentes e harmônicos entre si: o executivo e o legislativo. O prefeito é o representante do poder executivo e é auxiliado seu gabinete de secretários, nomeados livremente por ele. O poder legislativo é exercido pela Câmara Municipal de Cajazeiras, formada por quinze vereadores e com sede na Casa Otacílio Jurema. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao executivo, especialmente o orçamento municipal.
Existem também alguns conselhos municipais em atividade: Acompanhamento e Controle Social do FUNDEB, Alimentação Escolar, Assistência Social, Cultura, Direitos da Criança e do Adolescente, Direitos da Mulher, Direitos da Pessoa Idosa, Direitos da Pessoa com Deficiência, Direito LGBT, Educação, Habitação, Igualdade Racial, Meio Ambiente, Preservação do Patrimônio, Saúde, Segurança Alimentar, Transporte, Transporte Escolar e Tutelar. Cajazeiras possui uma comarca do poder judiciário estadual, de segunda entrância, com sede no Fórum Promotor Ferreira Júnior, cujos termos são Bom Jesus e Cachoeira dos Índios. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cajazeiras possuía, em dezembro de 2020, 44 253 eleitores (1,495% do total do eleitorado da Paraíba), divididos em duas zonas eleitorais (42ª e 68ª).
Economia
Conforme dados de 2011, o Produto Interno Bruto (PIB) de Cajazeiras era de R$ 531 715 mil, sendo R$ 7 043 mil do setor primário, R$ 73 016 mil do setor secundário, R$ 384 088 do setor terciário e 67 568 mil de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes e o PIB per capita era de R$ 9 043,69. 61,94% da população maior de dezoito anos era economicamente ativa, enquanto que a taxa de desocupação era de 6,36% (2010).
Na agricultura, Cajazeiras produziu, na lavoura permanente de 2012, 240 toneladas de banana (em cacho), 125 toneladas de goiaba e doze toneladas de manga. Na lavoura temporária do mesmo ano foram produzidas duzentas toneladas de cana de açúcar. Na pecuária, Cajazeiras possuía 20 160 galináceos (galos, frangas, frangos e pintos), 10 060 bovinos, 6 148 galinhas, 1 873 ovinos, 1 470 suínos, 718 caprinos, 214 equinos, 198 muares e 140 asininos. Também foram produzidos 26 mil dúzias de ovos de galinha, 1 981 mil litros de leite de 2 640 vacas ordenhadas e 1 280 quilos de mel de abelha,
Cajazeiras conta com um distrito industrial, localizado a três quilômetros da zona urbana, cobrindo 21,39 hectares de área e possuindo treze empreendimentos. As indústrias mais abundantes são a alimentícia, a de construção civil e a têxtil, além das indústrias de couro, fiação, sucata, tinta e tecelagem. No extrativismo vegetal de 2012 produziram-se 780 metros cúbicos de lenha e dez toneladas de carvão. Em 2010, 16,87% do pessoal ocupado acima de dezoito anos trabalhava no setor industrial, sendo 8,31% na construção civil, 6,98% na indústria de transformação, 1,1% nos serviços de utilidade pública e 0,48% na indústria extrativa.
No setor terciário, 40,33% da população ocupada trabalhavam no setor de serviços e 21,46% no comércio (2010). Em 2012, Cajazeiras possuía 1 473 unidades locais, sendo 1 416 delas atuantes e 16 453 trabalhadores, sendo 9 061 do tipo pessoal ocupado total e 7 392 do tipo ocupado assalariado. Salários juntamente com outras remunerações somavam 87 040 mil reais e o salário médio mensal dos trabalhadores era de 1,6 salários mínimos.
Infraestrutura
O abastecimento de água do município de Cajazeiras é de responsabilidade da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (CAGEPA), ao passo que o fornecimento de eletricidade é feito pela Energisa Paraíba, antiga Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba (SAELPA). O código de discagem direta a distância local é 083 e o Código de Endereçamento Postal (CEP) varia entre 58900-000 e 58907-999. O município é coberto pelas operadoras de telefonia Claro, TIM e Vivo.
Saúde
A rede de saúde de Cajazeiras é composta por unidades públicas do Sistema Único de Saúde (SUS) e também por clínicas privadas e centros especializados. Destaca-se Hospital Regional de Cajazeiras Deputado José de Sousa Maciel, da rede estadual de saúde, inaugurado em 6 de junho de 1941, além do Hospital Universitário Júlio Bandeira (HUJB), vinculado à UFCG e administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), estatal vinculada ao Ministério da Educação responsável pela administração dos hospitais universitários federais. Cajazeiras é sede da 9ª Gerência Regional de Saúde (GRS) da Paraíba.
A saúde é direito de todos os munícipes e dever do Poder Público, assegurada mediante políticas sociais e econômicas que visem a eliminação do risco de doenças e outros agravos. Para atingir esses objetivos, compete ao município promover o acesso universal e igualitário de todos os seus habitantes às ações e serviços de promoção, proteção e recuperação da saúde, bem como oferecer condições dignas de saneamento, respeitando o meio ambiente. As ações de saúde são de relevância pública, devendo sua execução ser feita principalmente por meio de serviços públicos e complementarmente, de serviços de terceiros.
Em 2025, o município de Cajazeiras apresentou taxa de mortalidade infantil de 19,95 óbitos por mil nascidos vivos, enquanto a taxa de natalidade registrada foi de 6,02 nascimentos por mil habitantes. Apenas 10,4% da população do município possuía cobertura por planos de saúde, valor abaixo dos percentuais estadual (24,8%) e nacional (41%).
Educação
Cajazeiras apresenta elevados índices de frequência escolar nas faixas etárias da educação básica, conforme censo de 2022, com destaque para a faixa etária entre seis a quatorze anos, cuja taxa de frequência escolar bruta alcançou 99,25%. Entre crianças de quatro a cinco anos, a taxa era de 86,95%. Entre os adolescentes de 15 a 17 anos, a frequência escolar é de 85,89%, enquanto na população de 18 a 24 anos o índice é de 36,14%. Já entre pessoas com 25 anos ou mais, a taxa de frequência escolar é de apenas 4,6%. Apesar disso, em 2025, o percentual de alunos com dois ou mais anos de atraso em relação à idade esperada para o ano em que estão matriculados chegava a 26,1% no ensino médio. No ensino fundamental esse índice era de apenas 4%, chegando a 17% nos anos finais.
O número médio de anos de estudo é de 8,5, considerando-se a população de idade igual ou superior a onze anos, valor levemente acima da média estadual (8,4 anos). A taxa de alfabetização da população de quinze anos acima era de 86,28% (88,53% para as mulheres e 83,78% para os homens). Quanto ao nível de instrução da população, o maior grupo é o de pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, representando 41,92% da população com idade igual ou maior do que quinze anos. Em seguida, 30,06% possuíam ensino médio completo e ensino superior incompleto. A parcela de moradores sem instrução ou com ensino fundamental completo e médio incompleto corresponde a 14,91%, enquanto apenas 13,11% possuíam superior completo.
Dentre as instituições de ensino superior, Cajazeiras possui o Instituto Federal do Sertão Paraibano (IFSertão-PB), recém-desmembrado do Instituto Federal da Paraíba (IFPB), e a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), além de instituições privadas, entre elas o Centro Universitário Santa Maria. Por seu legado e vocação educacionais, Cajazeiras possui o título simbólico de terra que ensinou a Paraíba a ler. Sedia a 9ª Gerência Regional de Educação (GRE) da Paraíba.
Trânsito e transporte
O trânsito local é municipalizado e gerido pela Superintendência Cajazeirense de Transportes e Trânsito (SCTRANS), criada em 2001. O município é atravessado pela rodovia federal BR-230, que começa em Cabedelo e atravessa a Paraíba de leste a oeste até a divisa com o estado do Ceará. Dentre as rodovias estaduais estão a PB-393, PB-400 e PB-420, que ligam Cajazeiras a São João do Rio do Peixe e São José de Piranhas, respectivamente, bem como a PB-394, que se intersecta com a BR-230 e dá acesso a Engenheiro Ávidos.
No transporte ferroviário, Cajazeiras é atravessada por uma ferrovia, cujo ramal foi inaugurado em 5 de agosto de 1926, com uma extensão de 21 quilômetros, apenas uma estação, que foi desativada junto com o ramal em 5 de março de 1971, apesar de os trens já não circularem mais desde 1967. A estação até hoje continua de pé e, com decreto estadual nº 22 082 de 2001, foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Paraíba (IPHAEP), servindo, nos dias atuais, de sede para o Núcleo de Extensão Cultural UFPB/CFP/NEC. Por sua vez, no transporte aeroviário, Cajazeiras possui o Aeroporto Regional Professor Pedro Vieira Moreira, que fica próximo à BR-230, por trás do Posto da Polícia Rodoviária Federal.
Cultura
Em Cajazeiras há três feriados municipais, que são os dias 29 de junho, dia dos festejos dedicados a São Pedro; 22 de agosto, data de aniversário do padre Rolim e 15 de setembro, dia da padroeira Nossa Senhora da Piedade.
O artesanato é uma das formas mais espontâneas da expressão cultural cajazeirense. Em várias partes do município é possível encontrar uma produção artesanal diferenciada, criada de acordo com a cultura e o modo de vida local e feita com matérias-primas, como as tapeçarias, as rendas e o vidro. Alguns grupos, como a Associação das Louceiras do Bairro São José, reúnem diversos artesãos da região, disponibilizando espaço para confecção, exposição e venda dos produtos artesanais. Normalmente essas peças são vendidas em feiras, exposições ou lojas de artesanato.
No teatro, Cajazeiras possui o Teatro Íracles Pires, uma das principais casas de espetáculos da Paraíba. Foi inaugurado em 26 de janeiro de 1985, é vinculado à Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc) e sedia eventos como debates, feiras, mostras e oficinas de artes. É nesse teatro onde é realizado a Festival Estadual de Teatro de Cajazeiras, o chamado Cajazeirato, que ocorre desde 2006 nos dias 19, 20 e 21 de novembro de cada ano e é realizado pela Associação Cajazeirense de Teatro em parceria com a prefeitura municipal e outros órgãos. Seu nome é uma homenagem à teatróloga Íracles Pires Ferreira.
Além do festival de teatro, outros eventos realizados no município são o Carnaval, a Mostra de Cultura Cajazeirense, festa da padroeira Nossa Senhora da Piedade e a festa de emancipação política. Dentre os atrativos turísticos estão a Biblioteca Pública Municipal Doutor Castro Pinto, a antiga estação ferroviária, a Estátua do Cristo Redentor, a Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima, a Igreja de São João Bosco e o Teatro Íracles Pires.
O primeiro clube de futebol de Cajazeiras foi o Pitaguares Football Club, fundado em 1923 pelo jovem Antonio de Andrade Carneiro. Cinco anos depois, foi criada a Liga Cajazeirense de Desportos. Em 1938, a seleção cajazeirense obteve a primeira classificação em um campeonato de futebol do sertão da Paraíba. Em 1948, foi inaugurado o Estádio Higino Pires Ferreira e, no mesmo ano, foi fundado o Atlético Cajazeirense de Desportos, que já conquistou os títulos de vice-campeão do Campeonato Paraibano de Futebol de 1994, campeão estadual de 2002 e vice-campeão no ano seguinte. Outro time de futebol existente e sediado no município é o Paraíba Esporte Clube, criado em 7 de julho de 2005 e consagrado campeão da segunda divisão do Campeonato Paraibano de Futebol de 2011. Cajazeiras conta com o Estádio Perpétuo Corrêa Lima, o Perpetão, que foi construído em um terreno doado pela prefeitura ao governo do estado e inaugurado em 27 de janeiro de 1985, sendo considerado como o terceiro maior estádio de futebol do estado da Paraíba. No tênis de mesa, o município conta com o Cajazeiras Tênis Clube, sediado na primeira residência construída em Cajazeiras. Outros esportes praticados e com grande desempenho são o atletismo, o caratê e o futsal.