Cafarnaum (BA)
Cafarnaum é um município brasileiro do estado da Bahia. Recenseada em 2022 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sua população é de 17 466 habitantes. Em 2015, ficou em terceiro lugar dentre os municípios baianos no Ranking da Transparência do Ministério Público Federal (MPF) durante o mandato do prefeito Euilson Joaquim da Silva (2013 - 2016).
História
O território do município era habitado pelos pataxós. No contexto da procura de ouro e pedras preciosas no século XVII, foi formado o arraial de Cafarnaum a partir da atração pelo solo fértil. O topônimo faz referência à cidade localizada na Galileia citada na Bíblia.
Emancipação - A 7 de junho de 1961 entrou em tramitação na Assembléia Legislativa o projeto para sua emancipação. A 24 de julho de 1962, o Diário Oficial do Estado publicava o desmembramento do município de Morro do Chapéu. A 7 de abril de 1963, com as presenças de várias autoridades, foram realizadas as solenidades para a instalação da Câmara e para a posse do seu primeiro prefeito.
Geografia
Situado a 430 quilômetros da capital baiana, o município de Cafarnaum localiza-se a uma latitude 11º 41' 37" sul e a uma longitude 41º 28' 06" oeste, estando a uma altitude de 770 metros. Situada no nordeste do estado da Bahia, faz parte da Microrregião de Irecê e da Mesorregião do Centro-Norte Baiano. Limita-se com os seguintes municípios: ao Norte, Morro do Chapéu e América Dourada; ao Sul, Mulungu do Morro; a Leste, Bonito; e ao Oeste Canarana.
Organização Político-Administrativa
O Município de Cafarnaum possui uma estrutura político-administrativa composta pelo Poder Executivo, chefiado por um Prefeito eleito por sufrágio universal, o qual é auxiliado diretamente por secretários municipais nomeados por ele, e pelo Poder Legislativo, institucionalizado pela Câmara Municipal de Cafarnaum, órgão colegiado de representação dos munícipes que é composto por 11 vereadores também eleitos por sufrágio universal.
Atuais autoridades municipais de Cafarnaum
Prefeito: Sueli Fernandes de Souza Novais - PL (2021/-)
Vice-prefeito: Odilezio Dias de Souza "Leo do Canal" - PSD (2021/-)
Presidente da Câmara: Roberval Oliveira dos Anjos "Roberval dos Barbosas" - PC do B (2023/-)
Cultura
Com uma notável vocação para a arte e a cultura, o município de Cafarnaum se destaca na literatura, nas festas tradicionais, na música, nas danças regionais e nas artes visuais. O pioneirismo na pesquisa e no registro da história local e de seu povo cabe a Péricles Coelho, político e pesquisador cujos escritos constituem fontes fundamentais sobre os primeiros habitantes e a evolução urbana da cidade. Focada na descrição detalhada da geografia e dos costumes daquela antiga comunidade agropecuarista, sua obra exalta a engenhosidade de uma população que superou com bravura as adversidades climáticas do sertão.
Situada no semiárido baiano — região marcada pelos ventos serranos que contrastam com o cinza da caatinga —, a cidade permaneceu, por muito tempo, resguardada do fluxo vindo do litoral. Esse relativo isolamento geográfico contribuiu para a consolidação de uma identidade sociocultural autêntica e distinta. Foi nesse cenário que germinou a inclinação literária e artística de uma geração empenhada não apenas em produzir obras diversas, mas também em projetar o município no cenário nacional.
Atualmente, a produção cultural de Cafarnaum é representada pela poesia do professor Ari Nascimento, pelos cordéis de José Martins e Moacyr Bernardes, pela pesquisa histórica de Leandro Barreto, pelos estudos de música caipira e popular do professor José Ferreira Callado e pelos ensaios de Elaine Montino. Essas obras acompanham o desenvolvimento socioeconômico da cidade e permanecem como referências para as futuras gerações.
As artes visuais sempre lograram de amplo espaço e estão entre as primeiras expressões artísticas produzidas nessas terras como testemunha o rico acervo de pinturas rupestres, objetos ritualísticos e domésticos encontrados em sítios arqueológicos. A produção artística do período inicial de emancipação política da cidade abrangia a confecção de adereços, máscaras, pinturas e instrumentos musicais que eram usadas em festejos tradicionais e religiosos. Essas peças eram, na sua grande maioria, feitas por artistas e\ou artesãos autodidatas sem formação acadêmica mas que, nem por isso, deixam de esbanjar devoção e significados típicos da arte "naif" como se vê ainda hoje nas produções dos distristos rurais do município. Zeinho, um grande artesão que também era arte-educador, é autor de muitas peças utilizando fibras de sisal e sementes da flora caatingueira. Suas obras embelezavam lares e ambientes daquela época tomando parte no mobiliário e decoração. Pepeto, um outro artesão e contemporãneo do supracitado, trabalhava a madeira produzindo carros de bois, jumentos, cangaceiros, lavadoras de roupas e parte da feroz fauna sertaneja. Ele encantava as feiras livres ilustrando os costumes e labores daquela gente. São desse período também as primeiras obras onde se reconhece a consciência do fazer artístico. Manoel Rafflick, artista polivante e ainda em atividade, fez grande produção pictórica, musical, literária e escultórica inaugurando a imagem do artista questionador e engajado com as questões antropológicas e sociais tal qual a conhecemos hoje. Maria Aparecida, Nêgo de Calubi além de alguns grupos estudantis escreveram novelas, contos, jograis e peças que eram frequentemente apresentadas no clube recreativo revelando o gosto e boemia da juventude cafarnaumense. Atualmente, a cidade é agraciada com uma nova geração de artistas que além de buscaram séria formação profissional e acadêmica, estão estimulando a apreciação, o gosto e o consumo no novíssimo mercado de compra e venda de arte que aos poucos se estabelece na cidade.