Cássia (MG)
Cássia é um município brasileiro localizado no estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Posicionada na região sudoeste do estado, pertence a Microrregião de Passos e ao Circuito Nascentes das Gerais, servindo como um polo regional voltado principalmente para a economia agropecuária e o turismo religioso. Distante 392 km da capital Belo Horizonte e 719 km de Brasília. Possui uma área de 665,802 km² e sua população recenseada em 2022 era de 17 155 habitantes.
Etimologia
O topônimo "Cássia" está diretamente ligado à forte devoção religiosa de seus pioneiros. O nome foi adotado em honra a Santa Rita de Cássia, padroeira da cidade, cuja alcunha religiosa remete à comuna italiana de Cascia. Inicialmente, o povoado e distrito possuíam a nomenclatura completa "Santa Rita de Cássia". O nome foi simplificado e alterado apenas para "Cássia" mediante a promulgação da Lei Estadual nº 747, de 20 de setembro de 1919.
História
Os registros acerca da ocupação do território detalham que o povoamento se consolidou gradativamente em meados do século XIX. Uma estrada rústica para carros de boi servia como única via de interligação entre a região e o distrito de Dores do Aterrado (atual município de Ibiraci). Na extensão dessa estrada, estabeleceu-se um ponto de descanso para tropas (pouso de tropeiros). Com o transcorrer dos anos, o fluxo constante resultou na fixação de moradores, consolidando-se como o marco inicial do povoado de Santa Rita de Cássia.
Em 1844, cinco fazendeiros resolveram estabelecer ali uma capela que foi dedicada à Santa Rita de Cássia. Foram eles: Roque Portes Vieira, os irmãos Cunha e Antônio Machado de Azevedo.
A partir da década de 1850, o povoado passou a receber outras famílias que também estabeleceram suas fazendas ali e que formaram a oligarquia agrária do município.
Em decorrência de seu desenvolvimento, o então Povoado de Santa Rita de Cássia foi promovido a distrito pertencente à Jacuí, por meio da Lei Provincial 1271, em 02 de janeiro de 1866. Em 1890, o distrito foi elevado à categoria de vila e seu território formou-se a partir de glebas de terras desmembradas dos municípios de Passos, São Sebastião do Paraíso e Sacramento. No ano de sua instalação (1890), a localidade somava uma população rural e urbana na ordem de 20.593 habitantes. O município também foi constituído como comarca autônoma em 1892, a qual foi instalada fisicamente em 7 de abril de 1893, tendo o Dr. Cristiano Pereira Brasil como seu primeiro juiz titular.
O povoado de Santa Rita de Cássia surgiu com o desenvolvimento da pecuária no sudoeste mineiro. Em meados do século XIX, o lugar passou a servir de pouso para os tropeiros que transportavam o gado na região.
João Cândido de Mello e Souza foi a primeira liderança política de Santa Rita de Cássia e contribuiu significativamente com o desenvolvimento da pecuária na cidade. Posteriormente, João Cândido recebeu do Império o título de Barão de Cambuí.
Em 1919, o topônimo foi alterado para a denominação atual.
Geografia
Cássia localiza-se na região sudoeste do estado de Minas Gerais, fronteiriça com o estado de São Paulo. Faz limite com cidades de Ibiraci, Capetinga, Passos, Delfinópolis, Pratápolis e Itaú de Minas.
Na hidrografia, destaca-se a bacia do Rio Grande que banha a Usina Hidrelétrica Mascarenhas de Moraes e o local de travessia por balsa para a cidade de Delfinópolis.
Hidrografia
Localizada num contexto hidrográfico estratégico, a área do município integra a grande Região Hidrográfica do Paraná e faz parte da Unidade Estadual de Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos denominada "Médio Rio Grande". Em termos de bacias macrorregionais, o território destaca-se pela bacia do Rio Grande, corpo hídrico de alto volume que banha o perímetro municipal e abriga o reservatório da Usina Hidrelétrica Mascarenhas de Moraes.
Internamente, os rios que possuem maior percentual de calha dentro das fronteiras do município são o Ribeirão São Pedro (abrangendo 24,76% da malha hidrográfica municipal), o Rio São João (20,47%) e o Córrego da Onça (14,51%). O Ribeirão (ou Córrego) da Onça atua especificamente como o principal manancial de captação e abastecimento público de Cássia, gerido pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA) e amparado por iniciativas de recuperação de nascentes, como o Programa Pró Mananciais.
Impacto Atual
A métrica econômica contemporânea (referente ao último relatório per capita divulgado em 2021) registra um Produto Interno Bruto (PIB) per capita de R$ 24.600,35. No tocante às finanças públicas consolidadas no ano de 2023, o município arrecadou um total de receitas no valor de R$ 92.660.936,23 e registrou despesas empenhadas na margem de R$ 86.375.258,70, indicando dependência de 81,45% provinda de receitas externas (repasses federais e estaduais).
Sob a ótica sanitária atual, a cidade registra que 99,99% de sua população urbana recebe o atendimento de coleta de resíduos sólidos domiciliares. O sistema de abastecimento hídrico processado pela COPASA atende a 78,3% dos habitantes, enquanto 100% da rede cadastrada de efluentes possui coleta municipal. Todavia, a base estatística documenta a ausência ou inoperância no tratamento final dessa parcela coletada de esgoto, o qual é gerenciado diretamente pela Prefeitura local.
Religiosidade
A história e a evolução social do município caminham paralelamente à devoção a Santa Rita de Cássia ("a Santa das causas impossíveis"), fator que impulsionou o turismo religioso local de forma significativa. Tradicionalmente, multidões de romeiros migram ao município nas proximidades de 22 de maio, data litúrgica e feriado padroeiro oficial na cidade. Em virtude do fluxo maciço, o turismo de base religiosa firmou-se como um vetor econômico primário da cidade contemporânea.
Entre agosto de 2018 e maio de 2022, esse vetor foi cristalizado através da construção do Novo Santuário de Santa Rita de Cássia, chancelado e estimulado pelo Bispado Diocesano de Guaxupé como um mega-complexo de acolhimento e evangelização cristã, fortalecendo a vocação do território no âmbito espiritual nacional.
Pontos Turísticos
O inventário turístico da municipalidade gira em torno do patrimônio arquitetônico religioso, compreendendo os seguintes complexos:
Novo Santuário de Santa Rita de Cássia: Inaugurado no dia 22 de maio de 2022, ostenta o título de maior santuário mundial devotado a esta figura católica. Detém 100.000 m² de área construída total, englobando um templo primário capaz de acolher 7.000 visitantes, vestiários e centros de apoio, pavimentos comerciais (50 lojas) e pátio para 1.000 veículos leves e 200 ônibus de fretamento.
Réplica da Casa de Santa Rita: Localizada no perímetro do Novo Santuário, trata-se de um projeto museológico idêntico à residência originária de Margherita Lotti, nas montanhas de Roccaporena, Itália, construída com base em pesquisas arquitetônicas da época medieval.
Relíquia de Primeiro Grau: Peça óssea exposta para veneração dentro do Santuário. Caracterizada como relíquia de "primeiro grau", consiste num fragmento verídico e autenticado pelo Vaticano pertencente ao corpo da padroeira.
Colina de Santa Rita de Cássia: Principal ponto de peregrinação cênica do município, o cume abriga, até o momento, a maior estrutura de estátua de Santa Rita do mundo, operando como um mirante em espaço aberto para contemplação da malha urbana de Cássia.
Igreja Matriz Antiga: Localizada no contexto urbano histórico, na Praça Barão de Cambuí. A conformação arquitetônica atual da nave e torre foi concluída em 1943. Situada estrategicamente num ponto de elevação topográfica em relação às ruas do centro, sua torre principal serviu de marco referencial da cidade pelo último século.
Curiosidades
Durante os seus anos de maior extensão territorial, em 1911, a administração de Cássia detinha jurisdição política sobre cinco distintos distritos: a própria sede (Santa Rita de Cássia), Dores do Aterrado, Espírito Santo da Forquilha, Dores da Ponte Alta e Garimpo das Canoas.
Ao decorrer do século XX, o território sofreu severas fragmentações políticas (desmembramentos) que originaram o mapa regional que existe atualmente:
O antigo distrito de "Dores do Aterrado" foi emancipado pela Lei nº 843 (1923), vindo a se tornar o atual município de Ibiraci.
O distrito denominado "Espírito Santo da Forquilha" emancipou-se e mudou sua nomenclatura oficial para a atual cidade de Delfinópolis.
O local "Garimpo das Canoas", que num primeiro momento passou a integrar a jurisdição do recém-criado Ibiraci, desmembrou-se dele em 1953, dando origem ao atual município de Claraval.
Administração
Prefeito: Donizete Vilela (Cidadania).
Vice-prefeito: Flávio Rossato (Podemos).
Presidente da câmara: João Teixeira Júnior (PSD) (2025/2026).
Cidades-irmãs
Rodovias
MG-344 - Antônio Leite Garcia (Cássia a Ibiraci- Cássia a São Sebastião do Paraíso)
MG-444 - (Cássia a Divisa MG/SP)
MG-050 - (Cássia a Passos)
SP-345 - Engenheiro Ronan Rocha (Cássia a Franca)
MG-856 - Dr. Rogério Antônio Pinto (Cássia a Delfinópolis)