Barra do Piraí (RJ)
Barra do Piraí é um município brasileiro situado na região do Médio Paraíba, no sul do estado do Rio de Janeiro. Localiza-se a uma altitude de 363 metros.
Etimologia
O nome do município é devido ao fato de o Rio Piraí desaguar no Rio Paraíba do Sul, formando, no município, a barra do rio Piraí.
História
Os primeiros habitantes conhecidos da região do atual município de Barra do Piraí foram os índios xumetos, pitas e araris, também chamados de coroados. Durante o ciclo do ouro em Minas Gerais e Goiás, no século XVIII, diversas trilhas de tropas de mulas cruzaram a região do atual município, levando ouro para o litoral e mantimentos para as minas
O povoamento de origem portuguesa de Barra do Piraí teve início em terras de sesmarias doadas em 1761 e 1765 a Antônio Pinto de Miranda e Francisco Pernes Lisboa. Com área de uma légua em quadra, ficavam situadas nas margens direita e esquerda do rio Piraí, em sua confluência com o Paraíba do Sul. Os primeiros colonizadores foram membros das famílias Faro e Pereira da Silva. Grandes senhores de escravos, dedicaram-se à agricultura e, em pouco tempo, dominaram a região cafeeira, serra acima.
Em 1853, as primitivas sesmarias ficaram interligadas pela ponte que o comendador Gonçalves Morais mandara construir. Perto dela, levantou-se o Hotel Piraí e, mais tarde, novas edificações. A esse tempo, na margem oposta do Paraíba, os comendadores João Pereira da Silva e José Pereira de Faro, futuro barão do Rio Bonito, ergueram o pequeno povoado de Santana.
O rápido desenvolvimento do lugar, onde se realizavam grandes transações comerciais, propiciou a inauguração de uma estação da Estrada de Ferro Central do Brasil a 7 de agosto de 1864. Em seguida, iniciou-se a construção dos ramais mineiro e paulista.
Barra do Piraí foi a primeira cidade emancipada no regime republicano. Sua emancipação deu-se em 10 de março de 1890 e seu emancipador foi José Pereira de Faro, o terceiro Barão do Rio Bonito.
Política
Poder Executivo
Em 2024, Kátia Cristina Miki da Silva (Solidariedade) foi eleita para o cargo de prefeita de Barra do Piraí, com mandato se estendendo até o ano de 2028.
Poder Legislativo
O Poder Legislativo é representado pela Câmara Municipal, composta por onze vereadores com mandato de 4 anos. Cabe aos vereadores na Câmara Municipal de Barra do Piraí, especialmente fiscalizar o orçamento do município, além de elaborar projetos de lei fundamentais à administração, ao Executivo e principalmente para beneficiar a comunidade. O atual presidente da casa é o vereador Rafael Santos Couto (MDB).
Para a legislatura 2025/2028, a Câmara de Vereadores de Barra do Piraí tem a seguinte composição:
Elves Costa (Cidadania)
Jeordane Perino (PP)
José Mauro Motorista (Solidariedade)
João Paulo (PL)
Luiz Felipe Ludi (PL)
Lú Maciel (MDB)
Macrei (Agir)
Pedrinho ADL (Solidariedade)
Rafael Couto (MDB)
Thiago Soares (PRD)
Wanderson (PRD)
Geografia
Localiza-se em posição estratégica no Vale do Paraíba Fluminense, pois situa-se aproximadamente 100 km da capital do Estado e possui o entroncamento ferroviário mais importante da América Latina, interligando os municípios de Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.
Faz divisa com os municípios de Valença, Vassouras, Mendes, Piraí, Pinheiral, Volta Redonda e Barra Mansa.
Economia
Principais atividades: agricultura, indústrias metal-mecânicas e pecuária.
O município possui atualmente 303 indústrias e 2.621 empresas instaladas, dentre as quais destaca-se a Casa do Arroz como maior empregador de salário mínimo da cidade. A economia da cidade baseia-se também no comércio, onde estão presentes várias empresas de renome nacional como: Casas Bahia, Ponto Frio, Lojas Cem.
Depois de longo período abandonado, o galpão da CASERJ na BR-393 iria abrigar, em seus 4050 m², o Condomínio Empresarial de Barra do Piraí. O galpão foi cedido em 25 de junho de 2008 pelo governo do Estado à Prefeitura Municipal de Barra do Piraí.
As principais indústrias presentes na cidade são:
Infraestrutura
Transportes
Rodoviário
Barra do Piraí é cortado pela Rodovia Lúcio Meira (BR-393), a Antiga Rio-Bahia e tem ligação com a Rodovia Presidente Dutra por meio da RJ-145.
Em junho de 2008, algumas empresas associadas ao Sindpass colocaram à disposição dos usuários de transporte coletivo o sistema de bilhetagem eletrônica, com previsão de extinguir a longo prazo o vale-transporte de papel.
Ferroviário
Barra do Piraí orgulha-se de ter sido o maior entroncamento ferroviário da América Latina, dando acesso ao Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. Por suas terras passavam duas importantes linhas ferroviárias: a Estrada de Ferro Central do Brasil e a Rede Mineira de Viação.
Esse entroncamento é formado hoje pelas seguintes ferrovias: Linha do Centro (sentido Minas Gerais) e Ramal de São Paulo (sentido São Paulo), ambas pertencentes à antiga Estrada de Ferro Central do Brasil.
Durante muitos anos, nesse entroncamento se situava a ponta terminal da Linha da Barra da Rede Mineira de Viação, que seguia para o sul de Minas Gerais, passando pelo distrito de Conservatória, na cidade próxima de Valença.
Atualmente, a malha ferroviária é concessão da MRS Logística. O uso atualmente é para o transporte de minério e carga. A Rede Mineira de Viação foi extinta na região durante a década de 1960 e, atualmente, onde passava a ferrovia, existem casas, não restando quase nada do que outrora foi a Rede Mineira, apenas suas antigas estações ferroviárias, o seu antigo armazém e a sua antiga ponte de ferro sobre o Rio Paraíba do Sul, hoje somente de rodagem.
Até o ano de 1996, a RFFSA operava a Linha Barrinha que ligava Japeri e Barra do Piraí e passava pelas estações: Mário Belo, Engenheiro Gurgel, Palmeira da Serra, Paulo de Frontin, Humberto Antunes, Mendes, Martins Costa, Morsing e Santana da Barra.
Aeroviário
Barra do Piraí não possui aeroportos. A única pista de pouso existente pertence ao Hotel Fazenda Ribeirão, uma pista com dimensões de seiscentos metros por dezoito metros, com piso de grama.
O município será beneficiado com a futura construção do Aeroporto Regional do Vale do Aço na região que compreende os municípios vizinhos de Piraí e Volta Redonda.
Na Praça de Ipiabas, central do lugarejo, se encontam o B727-200 desconfigurado, que foi da Fly Linhas Aéreas, comprado e repintado, que estava abandonado no aeroporto do Rio de Janeiro e um Budd Mafersa desconfigurado e usado como enfeite de gelo. A Estação de Ipiabas, construída em 1883, foi essencial para o crescimento econômico da região, servindo como ponto estratégico para o transporte do café.
Energia e abastecimento de água
A cidade é o ponto inicial do Complexo Lages-Light, um parque gerador composto por 8 reservatórios, 2 estações elevatórias, 5 Usinas Hidrelétricas, e uma PCH. Em Barra do Piraí, a Usina Elevatória de Santa Cecília capta águas do rio Paraíba do Sul, que são direcionadas para a Barragem de Santana localizada no distrito de Santanésia. O sistema desempenha papel estratégico ao realizar a transposição de águas do rio Paraíba do Sul para o rio Guandu, sendo fundamental tanto para a geração de energia elétrica quanto para o abastecimento hídrico da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.