Areias (SP)
Areias é um município brasileiro da Região Geográfica Imediata de Cruzeiro, no Vale do Paraíba, no leste do estado de São Paulo. A população estimada em 2025 era de 3.617 habitantes.
Topônimo
O nome Areias é um aportuguesamento da palavra tupi haie, que significa “atalho”.
História
Indígenas puris e botocudos habitaram a região até o século XVIII, quando os desbravadores de origem europeia passaram a persegui-los.
Segundo a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, a cidade de Areias surgiu por volta de 1770, com o nome de Santana da Paraíba Nova, como um pouso de tropeiros vindos de São Paulo e Minas Gerais que se dirigiam para o Rio de Janeiro, sobretudo para Mambucaba. Foi assentada em uma grande planície, em uma implantação organizada: ruas alinhadas e regulares.
Dentre os primeiros habitantes do atual município de Areias, destacam-se o padre Joaquim José da Silva e seus irmãos, Gabriel Serafim da Silva, Joaquim Lopes Guimarães, Bento Leme de Camargo, João Ferreira de Souza, Joaquim de Siqueira e Mota e Antônio de Vilas Boas e Silva.
Em 26 de janeiro de 1784, foi elevada à categoria de freguesia, com o nome de Santana da Paraíba Nova, subordinada a Guaratinguetá, logo passando para a nova vila de Lorena.
Desde 1798, os moradores da freguesia lutavam pela sua emancipação. Atendendo a um pedido de seus moradores, um Alvará de 28 de novembro de 1816, sancionado pelo rei Dom João VI, criou a vila de São Miguel de Areias, assim batizada em homenagem ao príncipe Miguel, filho do rei, mas a padroeira da vila continuou sendo Sant’Ana.
Em 1822, o Hotel Santana hospedou Dom Pedro I em sua viagem para independência do Brasil.
O café chegou a Areias no início do século XIX, sendo um dos primeiros municípios paulistas a cultivar o grão, logo tornando-se uma importante fonte de renda para esse município vale-paraibano. Em 1838, a vila produziu 100 mil arrobas de café. Em meados do século XIX, produzia um décimo do total da província de São Paulo. Dessa época, datam as casas e sobrados de arquitetura típica da civilização do café.
Areias viveu um período breve, mas intenso, de prosperidade na produção cafeeira entre os anos de 1850 e 1860. Esse período deixou marcas profundas na arquitetura e na vida cultural da cidade. Já no início do século XX, com a decadência do café, Areias foi perdendo sua opulência de cidade progressista.
Em 1842, no contexto das Revoltas Liberais de 1842, Areias, junto com algumas outras vilas vale-paraibanas, foram anexadas à Província do Rio de Janeiro, mas logo voltariam a São Paulo no mesmo ano.
Ao longo de sua existência, Areias perdeu território para a criação das vilas de Bom Jesus de Bananal (1832), São João Batista de Queluz (1842) e São José do Barreiro (1859).
Em 24 de março de 1857, a vila de São Miguel de Areias foi elevada à categoria de cidade, com o nome Areias.
Em 1860, conforme consta na obra de Augusto Emílio Zaluar, as ruas eram margeadas por muitos prédios de pouca elegância. Uma das principais ruas estava sendo calçada. E o município tinha entre 6 mil e 7 mil habitantes. A igreja matriz era um edifício velho, caindo aos pedaços, que fora reparado em partes com doações do munícipes. O frontispício havia desabado. Ela foi finalizada em 1874.
A Casa da Câmara e a cadeia ocupavam um mesmo edifício. A cadeia era a mais asseada da região. O Sr. Dr. Joaquim Francisco Ribeiro Coutinho era o então presidente da Câmara Municipal. Estava em construção um pequeno teatro para 300 pessoas e duas ordens de camarotes, que viria a ser "um dos mais bonitos que existem por estas povoações". Todas as melhorias de infraestrutura eram custeadas pela população local. A produção anual de café era de cerca de 120 mil arrobas.
Dentre as edificações de destaque estavam a casa do Major Manuel da Silva Leme, uma botica, e uma padaria. Havia uma escola pública de instrução primária para cada sexo, que ensinava 61 meninos e 26 meninas. O cemitério era murado e tinha uma pequena capela branca.
A Lei nº 63, de 15 de abril de 1873, criou a comarca de Areias, a qual foi suprimida, sendo incorporada à de Queluz, pelo Decreto-lei nº 9 775, de 30 de novembro de 1938.
Com a decadência do café no Vale do Paraíba, no final do século XIX e início do século XX, muitos areienses deixaram o município, migrando para outras partes do estado de São Paulo. Nessa época, dois escritores atuaram em Areias: Euclides da Cunha, como engenheiro, e Monteiro Lobato, como promotor de justiça entre 1907 e 1911.
Geografia
A área territorial do município é de 305,227 quilômetros quadrados, Possui uma altitude de 519 metros e está situada no Vale do Paraíba Paulista.
Seus municípios limítrofes são: Resende (RJ) a nordeste; São José do Barreiro a leste e sudeste; Cunha a sudoeste; Silveiras a oeste; e Queluz a noroeste.
Hidrografia
No município, se localiza a nascente do Rio Paraitinga, um dos rios que formam o Rio Paraíba do Sul.
Rodovias
SP-68
Demografia
População
Composição étnica
Em 2022, segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população do município era composta por 1.903 brancos (53,2%), 1.407 pardos (39,33%), 260 pretos (7,27%), 4 amarelos (0,11%) e 3 indígenas (0,08%).
Política e administração
Prefeito: Paulo Henrique de Souza Coutinho (2021/2024
Vice-prefeito: Antenor Pinto de Souza Neto
Presidente da câmara: José Oscar Vialta Moraes (2021/2024)
Infraestrutura
Comunicações
O sistema de telefones automáticos foi inaugurado na cidade em 1975 pela Telecomunicações de São Paulo (TELESP), que também implantou o sistema de discagem direta à distância (DDD) em 1987 com o código de área (0125). Anteriormente a cidade era atendida pela Companhia Telefônica Brasileira (CTB).
Na década de 90 o código DDD da cidade foi alterado para (012), para padronização do sistema telefônico com a telefonia celular que estava sendo implantada em todo o estado.
Pessoas ilustres
Washington de Barros Monteiro - jurista
Religião
De acordo com o Censo 2022 (IBGE), 94,15% da população do município é cristã, sendo 72,83% católicos e 21,32% evangélicos. Outras religiões representam 4,39% da população total.
O Cristianismo se faz presente na cidade da seguinte forma:
Igreja Católica
A igreja faz parte da Diocese de Lorena.
Igrejas Evangélicas
Entre as igrejas protestantes históricas, pentecostais e neopentecostais, encontram-se na cidade:
Assembleia de Deus Ministério do Belém.
Congregação Cristã no Brasil.