A Tríplice Entente e a Corrida Armamentista: O Cenário que Precipitou a Grande Guerra
Por volta do ano 1900, as tensões exacerbadas entre as grandes potências da Europa deram origem a diversas e intrincadas alianças. Tais alianças tinham o objetivo de criar estabilidade no continente, mas a complexa teia de tratados e garantias acabou arrastando as potências europeias para uma guerra multinacional.
Em 1882, após a Guerra Franco-Prussiana, Otto von Bismarck, primeiro-ministro do recém-criado Império Alemão, tentou isolar a França, formando uma tríplice aliança com a Itália e a Áustria. Tendo aumentado seu poderio militar e industrial, a Alemanha deu início, em 1898, a um ambicioso programa de construção naval, destinado a desafiar a supremacia marítima da Grã-Bretanha.
Em 1904, a França e a Grã-Bretanha, que haviam se tornado cada vez mais isoladas na segunda metade do século XIX formalizaram um “acordo amigável”, que ficou conhecido como Entente Cordiale. Na prática, o acordo assegurava que cada país não iria interferir com os interesses coloniais do outro. Em 1894, a França também formou uma aliança com a Rússia, de modo a criar uma forte contraposição à Tríplice Aliança da Alemanha. Em 1907, por sua vez, a Grã-Bretanha assinou a Entente Anglo-Russa. Juntas, as três potências se tornaram a Tríplice Entente.
Seguiu-se uma encarniçada corrida armamentista entre a Grã-Bretanha e a Alemanha, desencadeada em parte pelo lançamento de uma nova classe de navios de guerra britânicos, cujo protótipo era o HMS Dreadnought, que foi ao mar em 1906. A corrida armamentista se estendeu pelo restante da Europa, com todas as potências se modernizando e elevando gastos com as forças armadas, preparando-se para a guerra.