A Revolução Russa e a Ascensão da União Soviética
No início do século XX, pesados impostos estavam provocando crescente desespero entre os pobres da Rússia. A derrota esmagadora sofrida pelo país na Guerra Russo-Japonesa (1904-5) agravou ainda mais o descontentamento.
A agitação política e social — e em especial os disparos feitos por guardas, em São Petersburgo, contra uma multidão que protestava pacificamente — obrigou o tsar Nicolau II, em 1906, a estabelecer um parlamento (a Duma Federal). Porém, como o tsar resistia às tentativas de transformar a monarquia absoluta em monarquia constitucional, os distúrbios continuaram. Enquanto isso, a Rússia ingressava na Primeira Guerra Mundial.
Em março de 1917, assolado pela guerra, o governo russo enfrentou novos distúrbios em São Petersburgo, que culminaram com a abdicação do tsar (encerrando mais de 300 anos de império da dinastia Romanov) e a formação de um governo provisório. Em novembro de 1917, durante a Revolução de Outubro, o partido bolchevista de Vladimir Lenin, que plei teava uma revolução socialista, assumiu o poder.
Em março do ano seguinte, os bolcheviques assinaram o Tratado de Brest-Litovsk, que retirou a Rússia da guerra. Seguiu-se uma guerra civil entre os Vermelhos (bolche viques) e os Brancos (russos conservadores, que por algum tempo foram apoiados por forças Aliadas). O Partido Comunista Russo, como os bolcheviques se intitularam a partir de 1918, saiu vitorioso e, em 1922, estabeleceu a União Soviética (que englobava a Rússia, a Ucrânia, a Bielorrússia e a República Socialista Federativa Transcaucasiana, que por sua vez englobava a Geórgia, a Armênia e o Azerbaijão). Nicolau II e sua família foram fuzilados pelos bolcheviques em 1918.
Após a morte de Lenin, em 1924, ocorreram algumas disputas pelo poder entre os líderes bolcheviques. Josef Vissarionovitch Djugashvili, mais conhecido como Stalin (“homem de aço”), venceu a disputa e, em 1927, tornou-se o líder inconteste do Partido Comunista. No ano seguinte, lançou um programa de expansão e coletivização da agricultura e outro para desenvolver rapidamente a indústria. Milhões de pessoas morreram de inanição, sendo que 10 milhões na Ucrânia, no que ficou conhecido de “A Grande Fome” de 1932-33.
Nos Grandes Expurgos de 1935-38, Stalin eliminou a oposição executando ou enviando para os campos de trabalho do Gulag os “velhos bolcheviques”, integrantes da intelligentsia, oficiais do exército e milhões de outros indivíduos. Por meio desses métodos brutais, o Estado se tornou mais poderoso e a produção agrícola e industrial cresceu rapidamente, até a União Soviética ser devastada por uma nova guerra mundial. Entretanto, dessa vez estava no lado vencedor.