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Cidades do Brasil

Açucena (MG)

Publicado em 04 de julho de 2026

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Açucena (MG)

Açucena é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce e pertence ao colar metropolitano do Vale do Aço, estando situado a cerca de 280 km a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente 820 km², sendo que 2 km² estão em área urbana, e sua população foi estimada em 8 926 habitantes em 2025.

Etimologia

O topônimo "Açucena" tem origem na flora local. A denominação foi inspirada pela existência de uma planta nativa na região pertencente à família das Amarilidáceas (Amaryllidaceae), que é vulgarmente conhecida como "Palmo de São José" ou "Copo de Leite". O gentílico oficial para os nascidos no município é "açucenense". Antes de adotar este nome em 1943, a localidade foi administrativamente chamada de "Travessão" e "Travessão de Guanhães".

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História

O território do atual município de Açucena teve como primeiros habitantes indígenas da etnia Botocudo. No ano de 1824, esses grupos foram aldeados em um quartel militar composto por 80 praças. Esta estrutura foi construída por João Maciel da Costa, em cumprimento a ordens diretas do Imperador D. Pedro I. A partir deste assentamento, formou-se o arraial primitivo que recebeu o nome de "Travessão".

A área do atual município de Açucena fora desbravada e habitada pela primeira vez a fim de servir como abrigo para marginais vindos de Serro, Conceição do Mato Dentro e Itabira. Eles estabeleceram na localidade as culturas da mandioca, milho e feijão e a pesca. Por volta de 1860, observou-se a celebração da primeira missa do povoado, então conhecido como Travessão, pelo padre Leonardo Felix Ferreira, vigário da freguesia de Joanésia, à margem do rio Santo Antônio. Esse local ficou conhecido como praia da Missa, em referência à ocasião.

Dado o desenvolvimento, pela lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891, foi criado o distrito de Travessão, pertencente a São Miguel de Guanhães (atual Guanhães), passando a denominar-se Travessão de Guanhães pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923. A denominação anterior, Travessão, foi retomada pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938. O até então distrito, no entanto, foi emancipado com o nome de Açucena mediante o decreto-lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, instalando-se em 1º de janeiro de 1944 com áreas desmembradas de Guanhães (sede no ex-distrito de Travessão) e Governador Valadares, constituindo-se pelos distritos de Açucena (sede), Aramirim, Felicina, Gama, Naque e Pedra Corrida.

Pela lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, foram criados os distritos de Periquito e São Sebastião do Baixio e pela lei estadual nº 8.285, de 8 de outubro de 1982, foi criado o distrito de Naque-Nanuque. Em 21 de dezembro de 1995, pela lei nº 12.030, foram desmembrados os distritos de Naque, elevado a município, e Periquito, Pedra Corrida e São Sebastião do Baixio, para constituir o município de Periquito. Restam em Açucena, desde então, os distritos de Aramirim, Felicina, Gama e Naque-Nanuque, além da sede.

Geografia

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Ipatinga. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Guanhães, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce. O bioma original predominante é a Mata Atlântica.

Hidrografia

O sistema hídrico de Açucena insere-se na bacia do rio Doce. Os principais mananciais que banham o município são os rios Corrente Grande e Santo Antônio, afluentes do rio Doce, porém o território é cortado por diversos mananciais de menor porte, sendo alguns dos mais expressivos os ribeirões Paciência, São Félix e Travessão e córregos Açucena, Água Preta, Brejaúba, das Flores, da Pinguela, Pompéu e São Mateus.

No rio Santo Antônio, na divisa dos municípios de Açucena, Braúnas e Joanésia, encontra-se a Usina Hidrelétrica de Porto Estrela. A rede de drenagem local é orientada pelas zonas de cisalhamento de direção principal Noroeste-Sudeste (NW-SE) geradas em ciclos de soerguimento geológico. A drenagem apresenta ao longo de seus cursos os chamados Depósitos Aluvionares Quaternários, que são sedimentos recentes oriundos da própria rede, caracterizados por baixo grau de maturidade textural que varia de cascalho a argila.

Clima

O clima do município segue o macro-padrão da região leste do estado de Minas Gerais. O balanço atmosférico é regido pela corrente de ar do anticiclone subtropical do Atlântico Sul, caracterizado por ventos predominantes do quadrante nordeste-leste nos baixos níveis da troposfera. O regime térmico e pluviométrico apresenta características de savana/tropical, com diminuição de chuvas no inverno (invernos secos e amenos, com raras ocorrências de frio excessivo) e verões chuvosos associados a altas temperaturas.

Demografia

Em 2022, a população foi estimada em 8 943 habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o censo de 2022, 4 521 habitantes viviam na zona urbana (50,55% do total) e 4 422 na zona rural (49,45%). Com relação aos credos religiosos, a população municipal com dez anos de idade ou mais está composta por 4 900 católicos (62,09% do total), 2 538 evangélicos (32,16%), 343 pessoas sem religião (4,35%), 40 espíritas (0,51%), 16 das tradições indígenas (0,2%) e 0,7% estão divididos entre outras religiões.

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Política

A administração do município é feita a partir dos poderes Executivo, representado pelo prefeito e seus secretários, e Legislativo, constituído pela câmara de vereadores, composta por nove vereadores, eleitos para mandatos de quatro anos. Açucena abriga uma comarca de primeira entrância do Poder Judiciário estadual, que tem como termos os municípios de Belo Oriente e Naque. O município possuía, em maio de 2026, 8 246 eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Economia

O Produto Interno Bruto (PIB) de Açucena tem seu rendimento concentrado nos setores secundário e terciário da macroeconomia. Em 2025, de acordo com o SEBRAE, havia 567 empresas ativas, a maior parte das quais representada pelo comércio varejista (22,2%), seguido pelo setor da alimentação (9,17%) e por atividades de organizações associativas (7,58%). No mesmo ano, 652 pessoas estavam empregadas, sendo que os setores que mais empregavam eram a administração pública (58,4%), agricultura e pecuária (14,7%) e comércio varejista (13,2%).

Dentro da agricultura, a cana-de-açúcar representou a maior área ocupada pela lavoura temporária municipal em hectares (ha) em 2024, com um total de 68 ha cultivados, seguida pela feijão (55 ha) e pelo milho (20 ha). Enquanto isso, os cultivos permanentes mais representativos foram a banana (32 ha), palmito (5 ha) e café (3 ha). Com relação à pecuária, o município possuía um rebanho de 41 077 bovinos, 35 600 galináceos, 1 810 suínos e 1 422 equinos. Açucena produziu 11 162 mil litros de leite de 6 053 vacas, 65 mil dúzias de ovos de galinha de 8 900 galinhas e 180 quilos de mel de abelha.

Infraestrutura

Em 2022, foram registrados 71 óbitos por morbidades, dentre os quais as doenças do sistema circulatório representaram a maior causa de mortes (33%), seguida pelos tumores (17%). Já em 2023, foram registrados 85 nascidos vivos, sendo que o índice de mortalidade infantil no mesmo ano foi de 23,53 óbitos de crianças menores de um ano de idade a cada mil nascidos vivos. Em 2022, segundo o IBGE, 43,32% dos domicílios ocupados possuíam a rede geral de água como principal forma de abastecimento e 99,33% possuíam banheiro de uso exclusivo da moradia. Com relação ao esgotamento sanitário, 44,93% das habitações eram atendidas pela rede geral ou pluvial.

Na área da educação, dentre os habitantes de 18 anos ou mais em 2022, 55,75% não completaram o ensino fundamental, 13,32% tinham somente o fundamental completo, 24,69% tinham o ensino médio completo e 6,23% o ensino superior completo, sendo que a população com onze anos ou mais de idade tinha em média 7 anos de estudo. O percentual de alfabetização dos moradores de 15 anos ou mais, por sua vez, era de 85,19%, resultando em 14,81% de pessoas não alfabetizadas nesse grupo de idade.

Rodovias, estradas, avenidas e ruas

O acesso rodoviário logístico ao município dá-se primordialmente por vias sob jurisdição estadual. O principal eixo documentado é a rodovia LMG-758, que conecta os municípios de Açucena e Belo Oriente. Historicamente, o desenvolvimento viário urbano incluiu a implantação e pavimentação da "Rodovia de Contorno da cidade de Açucena". Este trecho foi estruturado legalmente a partir do Decreto Estadual nº 37.665, assinado em 20 de dezembro de 1995 pelo Governador do Estado, que declarou terrenos e benfeitorias como áreas de utilidade pública para desapropriação. A rodovia de contorno projetada abrangeu uma extensão linear de 2.880,91 metros métricos com área total aproximada de 138.283,68 m², ligando diferentes quilometragens da LMG-758 (do Km 38,5 ao Km 40,5).

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Açucena (MG) 8 min de leitura