A história real por trás do filme A Lista de Schindler, dirigido por Steven Spielberg em 1993, é uma das narrativas mais impactantes da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O filme, baseado no livro Schindler’s Ark de Thomas Keneally, retrata como um homem comum, inicialmente motivado por lucro, transformou-se em salvador de mais de 1.200 judeus durante o Holocausto. Essa transformação ocorreu em meio ao horror nazista na Polônia ocupada, destacando temas de humanidade, redenção e resistência ao mal absoluto.
Oskar Schindler, um industrial alemão sudeto, não era um herói convencional. Nascido em 1908 na Morávia (atual República Tcheca), ele cresceu em uma família católica de classe média e juntou-se ao Partido Nazista em 1939, pouco antes da invasão da Polônia. Inicialmente, via na guerra uma oportunidade de negócios — algo comum em contextos de ocupação e mercantilismo forçado pela guerra. Mas o que começou como oportunismo evoluiu para um ato de coragem extraordinária.
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Quem Foi Oskar Schindler? O Início da Jornada
Schindler chegou a Cracóvia em 1939, logo após a ocupação alemã, com contatos na Abwehr (inteligência militar alemã). Ele adquiriu uma fábrica de esmaltes (panelas e utensílios) confiscada de um proprietário judeu, renomeando-a como Emalia. Para maximizar lucros, contratou mão de obra judaica barata do gueto de Cracóvia — judeus forçados a trabalhar em condições de escravidão.
Nesse período inicial, Schindler era um homem carismático, mulherengo, amante de festas e subornos. Ele se beneficiava do sistema nazista, fornecendo bens ao exército alemão. No entanto, ao testemunhar a brutalidade cotidiana — deportações, execuções e a criação do campo de concentração de Płaszów —, algo mudou. Historiadores notam que sua virada não foi repentina, mas gradual, influenciada por interações diárias com seus trabalhadores judeus.
Um dos pilares dessa mudança foi Itzhak Stern, seu contador judeu (personagem central no filme, interpretado por Ben Kingsley). Stern, um homem pragmático e culto, gerenciava as finanças e ajudava Schindler a navegar pela burocracia nazista. Foi Stern quem sugeriu estratégias para proteger os trabalhadores, como classificar a fábrica como “essencial para o esforço de guerra”. A parceria entre os dois simboliza como a colaboração improvável entre um nazista e um judeu salvou vidas.
“Quem salva uma vida salva o mundo inteiro.” — Talmud (citado por Stern no filme, ecoando a realidade histórica).
Essa frase, inspirada em ensinamentos judaicos, tornou-se o lema da transformação de Schindler.
O Campo de Płaszów e o Encontro com Amon Göth
A chegada de Amon Göth, comandante do campo de Płaszów (retratado por Ralph Fiennes como um sádico imprevisível), marcou um ponto de virada. Göth supervisionava a construção do campo e ordenava execuções arbitrárias. Schindler, usando seu charme e subornos, desenvolveu uma relação “amigável” com Göth para proteger seus empregados.
Muitos judeus da Emalia eram transferidos para Płaszów, onde enfrentavam fome, trabalho forçado e risco constante de morte. Schindler começou a negociar para manter seus trabalhadores na fábrica, argumentando que eram “especializados” e necessários para a produção de panelas e, mais tarde, munições. Ele gastava fortunas em subornos — comida, álcool, cigarros — para apaziguar oficiais nazistas.
Em 1944, com o avanço soviético, Schindler convenceu Göth a permitir a transferência da fábrica para Brünnlitz (atual Brněnec, na República Tcheca), no Protetorado da Boêmia e Morávia. Lá, ele montou uma nova instalação de produção de munições — que, na prática, produziu quase nada. O objetivo era claro: manter os judeus longe de Auschwitz e outros campos de extermínio.
A Lista de Schindler: Não Uma, Mas Várias Listas
O elemento mais icônico — “a lista” — não foi uma única folha de papel, mas várias versões compiladas ao longo do tempo. Stern e outros, como Marcel Goldberg (um judeu corrupto na polícia de segurança), ajudaram a compilar nomes. Schindler sugeriu alguns, mas não conhecia a maioria pessoalmente. A lista incluía homens, mulheres e até crianças, muitos sem qualificação real para o trabalho fabril.
Ao todo, cerca de 1.200 nomes foram salvos dessa forma. Quando os prisioneiros chegaram a Brünnlitz em outubro de 1944, Schindler continuou os subornos para evitar inspeções. Ele falsificava relatórios de produção e usava seu status para proteger o grupo.
No final da guerra, em maio de 1945, Schindler fugiu com a esposa Emilie (que também desempenhou papel crucial, fornecendo cuidados médicos). Antes de partir, ele se dirigiu aos trabalhadores: “Vocês são livres agora. Vocês me salvaram tanto quanto eu os salvei.”
O Pós-Guerra e o Legado
Após a guerra, Schindler enfrentou dificuldades. Acusado de colaboração nazista (devido à filiação ao partido), ele viveu de ajuda dos “Schindlerjuden” (os judeus salvos por ele). Muitos enviavam dinheiro mensalmente. Em 1963, Israel o reconheceu como Justo entre as Nações, plantando uma árvore em sua honra em Yad Vashem.
Schindler morreu em 1974 na Alemanha, pobre, mas seu túmulo em Jerusalém é visitado até hoje.
O livro de Keneally, escrito após entrevistas com sobreviventes como Poldek Pfefferberg, capturou essa complexidade. O filme de Spielberg ampliou o alcance, ganhando sete Oscars e educando milhões sobre o Holocausto.
Conexões com a História Mais Ampla
Essa história se insere no contexto maior da Segunda Guerra Mundial, marcada por atrocidades como as Cruzadas modernas do nazismo, contrastando com períodos de progresso humano como o Iluminismo ou a Revolução Industrial. Enquanto civilizações antigas como a civilização romana ou a civilização grega nos deram bases de ética, o século XX testou limites da humanidade.
No Brasil, paralelos podem ser traçados com figuras que resistiram a opressões, como durante a ditadura militar ou eventos como a abolição da escravatura em 13 de maio de 1888. A luta contra injustiças ecoa em biografias de líderes como Getúlio Vargas ou Juscelino Kubitschek, que moldaram o país em tempos turbulentos.
Para entender melhor o contexto global da guerra, explore em nosso site artigos como Segunda Guerra Mundial (1939-1945) ou a ascensão de regimes totalitários em Guerra Fria (1947-1991). Se você gosta de histórias de resistência, veja também Revolução Francesa (1789-1799) ou a Independência da Índia (1947), que mostram como indivíduos mudam o curso da história.
Perguntas Frequentes
Oskar Schindler era realmente um nazista?
Sim, ele se filiou ao Partido Nazista e trabalhou como espião inicialmente. Mas sua ação posterior o redimiu aos olhos de muitos, sendo reconhecido como herói.
Quantas pessoas Schindler salvou exatamente?
Cerca de 1.200, incluindo homens, mulheres e crianças. A maioria sobreviveu graças à fábrica em Brünnlitz.
O filme é 100% fiel à realidade?
Não. Há dramatizações para narrativa, como o foco em uma única lista ou cenas específicas. A essência — a transformação e o resgate — é real, mas detalhes variam (por exemplo, a lista foi compilada por vários, não só por Schindler).
Qual o papel de Emilie Schindler?
A esposa de Oskar foi essencial, cuidando de doentes e ajudando nos subornos. Ela também foi reconhecida como Justa entre as Nações.
Por que Schindler mudou?
Não há uma resposta única. Testemunhar massacres, interagir com Stern e outros judeus, e a proximidade do horror o levaram a priorizar vidas sobre lucro.
Se essa história tocou você, continue explorando nossa seção de História Contemporânea do Brasil ou biografias como Adolf Hitler para entender o outro lado do conflito. Para mais conteúdos visuais e discussões, siga-nos no YouTube @canalfezhistoria, Instagram @canalfezhistoria e Pinterest canalfezhistoria. Compartilhe suas reflexões nos comentários!
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