A Ilha que Foi Vendida por um Punhado de Miçangas – A Verdadeira História da Compra de Manhattan pelos Holandeses
Em 1626, uma das transações mais famosas – e mal compreendidas – da história colonial ocorreu: a aquisição da ilha de Manhattan pelos holandeses, liderados por Peter Minuit, de representantes do povo Lenape. Popularmente conhecida como “a ilha vendida por um punhado de miçangas”, essa história se transformou em um símbolo de barganha desigual, colonialismo e mal-entendidos culturais. Mas o que realmente aconteceu? Foi um golpe astuto dos europeus ou uma troca mal interpretada por visões de mundo diferentes?
Neste artigo extenso, exploramos o contexto histórico, desvendamos o mito dos $24 em miçangas, analisamos as perspectivas indígenas e europeias, e conectamos esse evento a padrões maiores da era das explorações europeias e do mercantilismo. Prepare-se para uma viagem no tempo que revela como uma pequena troca de bens mudou o destino de uma das cidades mais icônicas do mundo.
O Contexto Histórico: A Era das Explorações Europeias e o Mercantilismo
No início do século XVII, a Europa vivia a febre das descobertas das Américas e do mercantilismo (c. 1492-1750). Portugal e Espanha dominavam rotas para o Oriente, mas os Países Baixos, recém-independentes, buscavam seu espaço com a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (Dutch West India Company). Foi nesse cenário que New Netherland surgiu como colônia holandesa na América do Norte.
As explorações europeias e os impérios mercantis (c. 1400-1700) envolviam trocas comerciais intensas, muitas vezes com povos indígenas. Para entender melhor esse período, confira nosso artigo sobre descoberta das Américas e mercantilismo.
As explorações portuguesas e o advento do tráfico de escravos no Atlântico (c. 1400-1800) também moldaram o comércio global, mas os holandeses focavam em peles e territórios estratégicos. Saiba mais em explorações e europeias e os impérios mercantis.
Quem Era Peter Minuit e o Papel dos Lenape
Peter Minuit chegou a New Netherland em 1626 como diretor-geral. Ele negociou com os Lenape (ou Lenni-Lenape), povo indígena da região conhecida como Lenapehoking. Os Lenape viam a terra como recurso compartilhado, não propriedade privada – um conceito central para entender o mal-entendido.
A única evidência primária é uma carta de 1626 do comerciante Pieter Schaghen, afirmando que a ilha foi comprada por 60 guilders em mercadorias. Não há escritura ou detalhamento exato dos itens, mas transações semelhantes incluíam tecidos, ferramentas de ferro, machados, facas e, sim, miçangas (contas de vidro) e outros “trinkets”.
Para contextualizar as civilizações indígenas americanas, leia sobre as culturas indígenas na América e outras culturas nas Américas.
O Mito dos $24 em Miçangas: Origem e Desconstrução
A lenda diz que Manhattan foi vendida por $24 em miçangas e bugigangas. Essa cifra surgiu em 1844, quando o historiador John Romeyn Brodhead converteu 60 guilders para dólares da época. Hoje, 60 guilders equivalem a cerca de US$1.000–1.150 (valores ajustados).
O termo “punhado de miçangas” perpetuou a ideia de engano, mas ignora que os bens eram valiosos para os Lenape: ferramentas de metal e contas coloridas eram raros e prestigiados. Para os holandeses, era comércio justo; para os indígenas, possivelmente um acordo de uso compartilhado ou aliança, não venda permanente.
Esse mito reflete narrativas coloniais que desvalorizavam povos nativos. Compare com outras interações, como nas guerras de independência na América Latina ou na expansão norte-americana e o destino manifesto.
“A terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra.” – Conceito frequentemente atribuído a visões indígenas, contrastando com o direito de propriedade europeu.
Perspectivas Culturais: Mal-Entendido ou Engano?
Os Lenape não concebiam venda absoluta de terra. Acordos eram alianças ou direitos de uso. Os holandeses, influenciados pelo direito romano e feudal, viam como propriedade exclusiva.
Esse choque cultural ocorreu em muitas colônias. Veja paralelos na civilização mesoamericana ou nas culturas peruanas durante contatos europeus.
Para mais sobre povos indígenas brasileiros, confira os índios e os escravos no contexto colonial.
Consequências Imediatas e o Surgimento de New Amsterdam
Após a “compra”, os holandeses fundaram New Amsterdam, centro comercial. A ilha se tornou hub de peles e comércio, levando a crescimento rápido. Mas o mal-entendido gerou conflitos futuros com indígenas.
Explore a história contemporânea do Brasil para ver paralelos com colonização portuguesa.
O Valor Real Hoje: De 60 Guilders a Trilhões
Manhattan vale trilhões hoje. O que era “barato” em 1626 reflete visões econômicas diferentes. Para entender economia histórica, leia sobre o açúcar ou o segundo milagre brasileiro: o ouro.
Conexões com Outras Civilizações e Expansões
Essa transação ecoa padrões globais: das civilizações do Vale do Indo às civilizações mesoamericanas, contatos culturais geraram trocas e conflitos.
Veja a civilização olmeca e civilização Chavín para origens americanas antigas.
Perguntas Frequentes
Manhattan foi realmente vendida por miçangas?
Não exatamente. Foram 60 guilders em mercadorias variadas, incluindo possivelmente miçangas, mas o valor era significativo para a época.
Quem eram os vendedores?
Representantes Lenape, mas possivelmente não os “donos” exclusivos da ilha.
Por que o mito dos $24 persiste?
Popularizado no século XIX, reforça narrativas de superioridade europeia.
Os Lenape foram enganados?
Mais um mal-entendido cultural do que engano intencional.
O que aconteceu depois?
New Amsterdam virou Nova York em 1664, sob domínio inglês.
Continue Explorando a História
Quer mergulhar mais fundo na era colonial? Acesse nosso artigo sobre a viagem de Colombo ou a invasão holandesa no Brasil.
Não perca nossas atualizações! Siga o Canal Fez História no YouTube para vídeos detalhados, no Instagram para posts diários e no Pinterest para inspirações visuais.
Confira a home para mais conteúdos incríveis sobre civilizações antigas como Sumeria ou Antigo Egito.
Gostou? Compartilhe e comente! Para contato, visite nossa página de contato. Leia os termos e condições e política de privacidade.
A história nos ensina que trocas culturais são complexas. Até a próxima aventura histórica!














